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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

VI - Por que o Rio Grande do Sul é assim


A revolução vinda de cima

“Revolução vinda de cima” é uma expressão leninista que procurou identificar o caráter da revolução burguesa na Alemanha de Bismark. No Rio Grande, os positivistas também fizeram uma revolução por cima. Embora o processo sulino não tenha tido o caráter reacionário como o apontado por Lênin, na Alemanha.

Veja então que temos três modelos distintos de revolução burguesa: o modelo francês de 1789, uma revolução total, arquetípica, democrática e modernizadora em toda a sua expressão; o modelo alemão, reacionário (os de cima contra os debaixo), autocrático, e que operou a chamada modernização conservadora; e o modelo sul-rio-grandense de 1893 (não confundir com a guerra civil Farroupilha de 1835, que nunca foi uma revolução stricto sensu), autoritário, modernizador e progressista – mas sempre burguês.

A Constituição positivista pode ser classificada como de “tipo ideal”, que funda e orienta de fato e de direito uma nova ordem política e social. Ela “deu nascimento a um regime político único, tanto no Brasil, como no mundo”, como observa Targa. Assim, a transição capitalista na região meridional brasileira foi acelereda pelo episódio militar de grande violência política que praticamente esmagou os representantes do Estado patrimonial, eliminando as aspirações da fração de classe mais atrasada de capturar o Estado para torná-lo comitê dos negócios pouco dinâmicos e macroeconomicamente subordinados da oligarquia estancieira e pastoril.

Se os maragatos federalistas-gasparistas, orientados pelo líder bageense Gaspar da Silveira Martins (“idéias não são metais que se fundem”, e muito ligado a Pedro 2º), tivessem vencido a revolução de 1893-95, o professor Maestri teme que o Rio Grande se transformasse caricaturalmente “numa grande Bagé”.

Pode-se imaginar o cenário desolador, retrato guasca do “quinto círculo do Inferno”:

- grandes latifúndios despovoados e decadentes,

- economia subordinada e sem dinamismo,

- regime pastoril de baixíssima produtividade,

- agricultura estagnada,

- indústria inexistente,

- contrabando crescente,

- aparelho de Estado impotente e desautorizado,

- contas públicas deficitárias,

- confusão promíscua entre público e privado,

- assembléia de representantes loteando o território em zonas de interesse particularista,

- populações errantes perambulando em busca de trabalho e renda que jamais encontrariam,

- infra-estrutura ineficiente ou inexistente,

- isolamento e heteronomia do Estado,

- miséria generalizada,

- riqueza escassa e concentrada,

- possíveis invasões estrangeiras pela fronteira,

- aglomerações urbanas como viveiros privilegiados de doenças e epidemias,

- educação pública zero,

- territórios inteiros tomados por bandoleiros armados,

- bandidagem social,

- anomia social e política,

- guerra civil prolongada,

- razias, saques e prática corrente de aniquilamento de comunidades inteiras, extermínio étnico,

- intervenção federal militar e civil, etc.

Ilustrações de Goya (1806), mostrando selvagerias que coincidentemente ele chamou de "Série Maragato".

La Maragatería foi a região da Espanha de ondem migraram os futuros povoadores
de parte do território uruguaio, daí a denominação dos maragatos federalistas rio-grandenses - muitos deles recrutados na Banda Oriental do Uruguay.

10 comentários:

giacomini disse...

Chó, mas isso é quase uma descrição do governo de tia Yeda.

Dio Shanto!

Ary da Silva Martini disse...

Giacomini: "Casanova" é a reencarnação de Gaspar Silveira Martins. Na visão moderna, só o povo é farrapo.

Clairton disse...

Antes da francesa houve a Revolução Gloriosa nas ilhas britânicas, a primeira revolução burguesa da história e que sentou as bases para o surgimento da sociedade capitalista. Não tão famosa quanto a Revolução Francesa, mas de primordial importância.

O Rio Grande do Sul, desde o golpe de 64 perdeu a sua força política derivada justamente do triunfo dos positivistas e do sucessor deles, Getúlio Vargas. Na verdade, acredito que o ponto de inflexão ocorreu antes de 64, durante a Legalidade de Brizola, quando João Goulart preferiu conciliar ao invés de enfrentar os golpístas do centro do País. Desde então nosso estado está a reboque de tudo no Brasil.

Eduardo disse...

O Rio Grande do Sul está a reboque e no planejamento econômico o que vigora é a "atração de investimentos".
A questão passou a ser qual o grau de curvatura ideal deve ter o governador e o prefeito na hora de oferecer nosso caixa e nossos espaços para qualquer tipo de empreendimento.
Não se fala em criar nem incentivar nada que seja oriundo daqui. Só grandes jogadas com "kickback" imediato.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Não houve - propriamente - nenhuma revolução alemã. Em decorrência dos movimentos de 1848 na França e que se alastraram por alguns países da europa central, houve, nessa onda, um levante de operários em Berlim (sempre Berlim) contra as tropas do Friedrich Wilhelm IV e que foi causa e estopim da unificação alemã do Otto Von Bismarck. O termo 'modernização conservadora' é meio discutível, porque Bismarck deu um impulso modernizante imenso na Alemanha. A contrário sensu poderiamos então dizer que a revolução russa foi uma revolução que trouxe uma modernidade moderna à Rússia ou a URSS? O discurso marxista ou marxiano só reconhece como verdadeiramente moderno aquilo que é feito "de baixo para cima". Mas a verdade não é bem essa. Muitos movimentos da história realizados de baixo para cima ou 'revolucionários' foram exacerbadamente conservadores.

el barto disse...

vai ser mais ou menos esse o retrato da pátria guasca depois que o desgoverno da demente acabar...

juarí juca pédia disse...

WIKI MAIA PÉDIA pode ser?

O cara vai na Uíqui e resolve todos os pobremas de ingonorancia, certo?

Esse é O MAIA!!!!!!!!!!!!!!

Fica çábio num crique!

Num istalar de dedo!!!!!!!

zozé disse...

o analista de bagé diria que "yedas não são fundas que se mentalizam".
os maragatos perderam, mas rogaram uma praga que está valendo 118 anos depois.

Dirck disse...

Bueno, certamente o RS seria dividido em outras 3 republiquetas.

Anônimo disse...

Mas bah! Igualzinho à descrição que a RBS fazia do Rio Grande e de Porto Alegre se o PT vencesse as eleições.
Menos, Feil.
Rodrigo Cambará.

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