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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Petistas caem como patos no pega-ratão dos tucanos


Se der tudo errado, Yeda já tem os cúmplices

Deu no excelente blog RS Urgente, hoje:

O empréstimo do Banco Mundial

Qual é, exatamente, a contrapartida do Estado do Rio Grande do Sul no contrato do empréstimo de US$ 1,1 bilhão junto ao Banco Mundial? Segundo a governadora Yeda Crusius (PSDB), a contrapartida é “o compromisso com a manutenção do ajuste fiscal e com a modernização da gestão pública”, frase repetida pelos representantes do Banco Mundial. Ou seja, o compromisso com a manutenção e aprofundamento da política econômica que vem sendo implementada pelo governo tucano. “É um ato de um governo que entendeu que era hora de um projeto de desenvolvimento que resgatasse o diálogo com todos os setores da sociedade”, disse, eufórica, a governadora gaúcha.


Perguntar não ofende: ao apoiar os termos do empréstimo (e, portanto, suas contrapartidas), disputando inclusive sua paternidade, a oposição ao governo Yeda não está, no fundo, concordando com uma das políticas centrais do atual governo?

O empréstimo não é um fato isolado, mas sim uma iniciativa estratégica de um governo que aposta no choque de gestão como uma política central. Concordar com os termos do empréstimo e suas respectivas contrapartidas não significa aceitar, na prática, essa política? No ato de assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou: “A operação vai permitir que este Estado dê um salto de qualidade em suas condições fiscais e que a população usufrua do desenvolvimento a que tem direito”. É exatamente o mesmo discurso da governadora Yeda Crusius e do secretário estadual da Fazenda, Aod Cunha. Yeda e Aod defendem que o ajuste fiscal e a “modernização do Estado” transformam-se em posto de saúde, em estrada, em empregos e em educação de qualidade. É isso mesmo? Se há um consenso generalizado em torno dessa idéia e das políticas associadas a ela, qual é mesmo o sentido da oposição ao atual governo?


..............

A fotografia acima é reveladora (e comprometedora), notáveis lideranças petistas (gizados em amarelo) estão abonando de maneira sorridente e acrítica a insensata política neoliberal do governo Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.

A ministra Dilma Rousseff parece ter pressentido o clima pega-ratão do yedismo tucano e fez forfait no ato de assinatura do empréstimo. Por outro lado, ninguém ouviu ou leu manifestação de Sua Execelência que desaprove categoricamente a política tucana no Estado. Por quê?

Ainda está em tempo de fazê-lo, senhora Rousseff. O futuro será implacável com quem avalizou a política “choque de gestão” no Rio Grande do Sul.

30 comentários:

Anônimo disse...

O dinheiro que o RS receberá do Banco Mundial, US$ 1,1 bi, metade do qual dentro de uma semana, é um êxito fantástico do governo Yeda Crusius, que costurou tudo sozinho e conseguiu o resultado em tempo recorde, apesar da ficha suja que lhe foi passada quando assumiu. O governo não só limpou a ficha, como buscou um dinheiro que governo algum havia conseguido no RS e no Brasil. Até mesmo seus implacáveis adversários do PT tiveram que ir ao beija-mão no Piratini.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A crítica é saudosa de um tempo que não existe mais. O PT mudou e que bom que isso aconteceu. Quem estiver descontente que arranje outros lugares. O PT hoje é um partido social democrata que acredita na conciliação. Quem não concordar com isso que arrume suas malas.

Ary da Silva Martini disse...

Acabamos de ler "Carlos Eduardo da Maia", teórico da esquerda, em brilhante artigo de análise de conjuntura. Análise, de tão certeira, retal!

zozé disse...

Essas opiniões "dos de sempre" da direita só confirmam o post.
Dona Dilma foi esperta, não meteu a mão nessa cumbuca de cobras peçonhentas.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ary, qual o problema de pestistas darem seu aval a um empréstimo que os próprios petistas aprovaram por unanimidade? O mérito desse empréstimo - que dizem vai ser a salvação da lavoura no RS -- não é apenas do governo da Yeda é de todos que, de uma forma ou de outra, fizeram o possível e o impossível para liberar o empréstimo. E ai vem a mídia alternativa de esquerda criticar os companheiros petistas. Criticar por que? Porque eles resolveram conciliar? Conciliar, conceder, convergir, consertación são palavras que não existem nos mofados dicionários de uma certa esquerda que sonha em fazer política com rancor, amargura e ressentimento. So sad.

Anônimo disse...

Desde quando empréstimo é êxito fantástico???
Quando eu peço 20 pilas pra algum amigo, dá alívio na hora, mas depois tem que correr atrás da máquina pra pagar a parceria! E se não dá, pqp! É capaz de detonar a amizade...
Imagina 1 bilhão!
Dizer que empréstimo é bom, é coisa de burro ou mau-caráter. Queria ver essa energúmena arrumar o caixa do estado, enxugar CCs (daí o Maia perdia o emprego), acabar com a corrupção (daí a Yoda perdia o emprego), baixar os salários do 1º e 2º escalão do executivo (daí caíam fora as piranhas) e mandar pra Assembléia projeto de rebaixamento de salários para a realidade brasileira de juízes, desembargadores e deputados. Cortar benesses... Ih! Será que não chegava perto do bilhão emprestado???

Bando de ananás!

Anônimo disse...

Os inteligentes querem um Petezão radical como o do Bigode e outros. "Não sentamos com neoliberais!"
Por essas e outras que o Petezão não vai nem chegar ao segundo turno da prefeitura. A outrora meca da esquerda acordou para as papagaiadas do PT, que em 16 anos acompanhou o nascimento de crianças que hoje nos assaltam nas esquinas.
ZeMario

Ary da Silva Martini disse...

Maia: os partidos não são agrupamentos monolíticos, estilo "exército de Terracota". Todos, sem exceção, tem suas contrações. O que Cristóvão aponta tem um componente de fundo, que é histórico dentro do PT. Passa pela disputa e concepção de partido, de poder e de governo. Três coisas distintas que acabam, de vez enquando, sendo lembradas. Por óbvio, rejeito a marca "social democracia" para o PT, embora reconheça o predomínio dessa concepção em muitas disputas importantes.

malacara disse...

Olha ZeMaria, contigo não é assalto, é expropriação.
Gente que pensa deformado assim tem que ser expropriado, sim.
E ainda levar uma mão na bunda, que pra ti é um bônus prazeiroso.

Juarez Prieb disse...

Como petista, é triste constatar, mas o PT está com uma perspectiva positivista da política e do mundo.

Anônimo disse...

PeTralha bom é PeTralha embalsamado!

Domingo 23 disse...

Bah!! Isso aqui tá ficando ruim...substituição de discussão política por xingamento...e vejo os companheiro de esquerda xingando o Maia e outros com insinuações sobre preferências sexuais. Nada mais retrógrado, diga-se de passagem. Seria melhor aproveitarmos o espaço para discutir política. Tá fazendo falta! Um abraço!

Zé Bronquinha disse...

As semelhanças do governo Lula com o da Yeda vai pra além dos parceiros da foto. Quem conhece, por exemplo, o Arno , sabe que que é uma figura competente nos escaninhos da política burguesa, tal qual o Aod.São pessoas honestas, mas que nada tem de esquerda.Os petista da foto estampam a fisionomia do governo Lula bem como o da Yeda. No final todos estarão juntos num grande governo de conciliação nacional. Sai de baixo meu povo!!!!

Anônimo disse...

Feil, só tu e a tua esquerda delirante ainda tÊm coragem de defender um modelo em que o Estado gasta mais do que arrecada.

Os petistas estão avalizando o óbvio: não se pode gastar mais do que se tem. Isso é ajuste fiscal.

O que qualquer país desenvolvido faz há décadas, para nós ainda é uma novidade. Impressionante.

Anônimo disse...

Empréstimo virou "ajuste fiscal".
Atucanam tudo o que é expressão... Como se chamam as financeiras que assaltam os velhinhos, enhtão, no Centro?
"Venha fazer o seu ajuste fiscal com desconto em folha! Yoda faz, a gente também!"; "Dinheiro fácil! Ajuste fiscal em 60x! Compre hoje aquela sua televisão de 200 polegadas! Desconto das prestações do ajuste fiscal em folha"; e por aí vai.
Ou é burro, ou é mau-caráter.

jorge disse...

Vcs verão, Lula e Gilmar Mendes ainda livrarão a cara da Velha lá em Brasília.
A coisa vai ficar ÔSCA por acá e eles vão livrar a que não se esconde nas Brumas.
Escrevam mizifíu!

gumercindo saravia disse...

Eu sempre aprendi que empréstimo se faz quando se está na M.
No RS a coisa é mucho lôca.
Fazem comemoração por uma derrota pro Duque de Caxias,grão fdp.
E fazem cerimônia solene pra assinar um documento de empréstimo, que vai levar a guascada à forca no longo prazo.

Es una cosa muy peligrosa y loca!

Fabrício disse...

Não vejo contradição, já que a política neoliberal é o eixo do lulismo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ary, o PT histórico não existe mais. Existe apenas um certo esquadrão que gosta de fazer política com ressentimento e divergência mas que é voz isolada dentro do partido e dentro do contexto democrático de se fazer política. Infelizmente, o Feil, que é um bom escritor, tem também seu ranço conservador. E isso a cada dia se torna mais evidente.

Anônimo disse...

O Mau carater do Maia agora se dá o displante de, imitando o Fukuyama Falcatrua, definir o fim do PT histórico. Como anti democrata convicto que é, de mandar sair do PT quem diverge dele.

Ninguem é mais ressentido com o PT do que ele. Todo o escrito dele e da laia que o acompanha, é prodigo em ressentimento e ódio ao velho PT.

Anti democrático não sabe que a política se desenvolve a partir das divergências, e não do sumário banimento dela.

Devoto do santificado mercado, o anti cidadão não deseja conviver com o diferente. Isto não é nem arcaico é puro facismo.

Engraçado também é que ele com meias verdades, e mentiras inteiras jogou todas as possibilidades do fracasso da operação nas costas do Arno Agustin. Que, diga-se de passagem, cumpriu sua missão republicana.

Agora ele vem cheio de "convergências, conciliar" para o gesto político do Agustin e outros, que vieram, equivocadamente, dar suporte político ao que não vai ser de todos os gauchos, pelo menos aqueles que dependem das salas de aula fechadas pela Chefeta dos Busattos, Culaus, Lairs, Fernandes e toda a gama colaboradores de salteadores do patrimônio publico.

Claudio Dode

panoramix disse...

Minha falta de conhecimento embota qualquer compreensão sobre o fato! Porque os governadores anteriores não aplicaram esta formula? Se era tão simples solucionar os problemas do estado pedindo dinheiro emprestado porque Olívio e Rigotto não fizeram? O que o estado terá que dar em troca, além do próprio dinheiro é claro? Vemos a foto da assinatura de um novo endividamento sendo comemorada com pompa e circunstância, inclusive com gente do próprio PT - fiquei louco? A própria oposição na AL parece perdida! Repito a pergunta: Temos o dinheiro mas o que teremos que dar em troca? Minas Gerais fez algo semelhante porém pouco sabemos de Minas Gerais!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Por que Olívio e Rigotto não tiveram essa ídeia, ó druida??? Porque não tiveram vontade política de fazer isso ou não se deram conta - por total incompetência - de que isso era possível. O empréstimo, sem dúvida alguma é bom para o RS porque amortiza o valor da dívida que temos com a União Federal e diminui o valor da parcela mensal. Em outras palavras, sobra mais dinheiro para investimentos. Quem idealizou tudo isso foi o grande Aod Cunha, demonstração cabal de que o governo Yeda não é apenas crise política.

panoramix disse...

Tão simples assim? Quase minimalista? Então não é por coincidência que o grande Philip Glass veio até os pagos. Certamente veio aprender com o "novo jeito"! Me perdoa "Alex, the large", mas eu não consigo acreditar na gente que governou o pais e que está aboletada no Piratini! É pessoal! não tenho estomago pra este liberalismo podre e corrupto!

MASQUINO disse...

Esse empréstimo,como sempre exige o Banco Mundial,vai ter como contrapartida a privatização de algum setor importante no Rio Grande do Sul.Para mim,que não moro no estado,parece que vão entregar a gestão da água, no Rio Grande do Sul, para alguma empresa como a Vivendi ou outra qualquer.O estado de vocês assenta-se sobre o Aquífero Guarani,ora bolas.O Banco Mundial não faria esse empréstimo sem uma boa garantia como essa e sem o aval do governo federal.Isso é o neoliberalismo,privatizando riquezas e socializando os custos e prejuízos.Talvez vocês comecem a pagar caro pela água,como pagam caro pela soja transgênica outrora vendida como mais barata.Façam como os bolivianos em 2003.Expulsem as multinacionais da água que começarão a aportar por aí.Quanto ao governo federal,o que ele poderia fazer?Foram os gaúchos, em sua maioria, que escolheram entregar sua República aos cleptocratas que vivem das privatizações.Até hoje não entendo como um povo, como o gaúcho, caiu nesse conto do vigário.

Ary da Silva Martini disse...

Não gostaria - e por isso resito - de compartilhar dessa análise. Já faz alguns meses que essa questão está na pauta e, salvo engano meu, é a primeira vez que essa leitura é exposta. Seria interessante se pudéssemos saber a percepção dos suspeitos de cumplicidade. Além do mais, me recuso a acreditar que os tucanos gaúchos (os de SP, sim) tenham lastro político para armar "pega-ratão" para o PT. Vamos ver...

jaime disse...

Maia explica para nós esse tal de LARANJA que vendeu o apto. para a governadora! 2.200.000 de reais iam para crédsito em liquidação( sumir na conta financeira do banrisul?) é isso ? íamos pagar a casa dela e ainda pagar a dívida desse miliante contumaz? que combinação entre ela e o Banrisul! VERGONHA desta malandrage com o nosso dinheiro ?? DEUS É JUSTO JUIZ !! TEM MAIS FALCATRUAS QUE VOCÊ VERÁ DESSA QUADRILHA INSTALADA NESSE GOVERNO !!

Anônimo disse...

Olhem o ufanismo rídiculo Maia:

"Quem idealizou tudo isso foi o grande Aod Cunha,"

Primeiro isto não é nada além de uma rolagem de dívida. E para isto não é preciso muita inspiração, é só seguir o rançoso e caborteiro roteiro do latifundio. ]

Segundo esta brilhante idéia não foi seguida por que não resolve nada, a não ser uma margem para outros detrans, daer, banrisul, etc.

O Busatto que o diga!

Claudio Dode

Nelson Antônio FAzenda disse...

Meu caro Feil. É deprimente vermos que o governo Lula, que elegemos para mudar o rumo deste país, esta sendo conivente com o governo corrupto da dona Yeda. A canga do Bird está sendo enfiada no pescoço de cada gaúcho onde permanecerá por décadas. É claro que as condicionalidades do empréstimo, por certo, exigirão o aprofundamento do Estado mínimo. Ou seja, mais privatizações devem vir por aí. O grande capital já "lambe os beiços" com a grande possibilidade de abiscoitar Banrisul, CEEE, Corsan e Procergs.

Nelson Antônio Fazenda disse...

Feil. Lembra da renegociação da dívida do Rio Grande do Sul? A mídia hegemônica, RBS à frente, não poupou propaganda para tentar nos convencer de que era um grande negócio para o Estado. Nunca havia sido feita renegociação igual, tão vantajosa, diziam.
Pois, passada a euforia, fomos nos dar conta das "grandes vantagens" que auferimos. Na verdade, o Sr. Britto aceitou pagar, como amortização anual da dívida, um percentual da receita líquida de impostos do RS superior ao dobro do que foi imposto aos demais Estados da Federação.
Além disso, deixou o Banrisul "na reta". Caso o seu sucessor não privatizasse o banco, o percentual de amortização anual da dívida aumentaria ainda mais, a até 18%. Felizmente, o governador Olívio Dutra foi corajoso, como deve ser um governante, e manteve o Banrisul como público. Olívio recuperou o banco e o colocou a serviço do povo gaúcho. Agora, Dona Yeda já privatizou um pedaço do "banco dos gaúchos" e vai querer entregar o resto.
Como a renegociação da dívida, o empréstimo do Bird também está sendo propagandeado como muito vantajoso para os gaúchos; pelos mesmos que já nos engrupiram antes.

panoramix disse...

Tem razão Nelson fazenda, tinha me esquecido da renegociação do Britto! A mídia mansa falou a mesma coisa - idêntico e vimos no que deu!

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