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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O sétimo selo


Angeli, baseado na clássica cena do filme “O sétimo selo” (1957), de Ingmar Bergman. Essa história se passa no século 13 e trata do fervor religioso, que tortura, caça bruxas e ímpios, alimentando a Morte através das fraquezas humanas. O culto ao capitalismo é também uma forma de religião pagã, onde a divindade é o dinheiro.


18 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Bela charge do Angeli. Eu não conheço nenhuma pessoa que cultua o capitalismo. Ele simplesmente está ai. Temos que humanizá-lo.

ju disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


kkkkkkkkkkkkkkkkk


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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


kkkkkk

Esse é o Maia

panoramix disse...

Belas palavras ju!

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Realmente!
O capitalismo é (quem duvida?)uma criação divina, digamos assim como a natureza... "Ele simplesmente está ai..."

Quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá...

Clairton disse...

Feil, para esclarecer o bichinho escroto da maia, tomo a liberdade de postar um texto do Cesar Benjamin, publicado na Folha em 20/09 agora:

CESAR BENJAMIN

Karl Marx manda lembranças

O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas

AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.

CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.

Anônimo disse...

Meigo o Maia, não?

Ele simplesmente está aí....

Clairton cumprimentos pelo Benjamim, mas é desperdicio em se tratando do Maia, que já está naquele estado superior do capitalismo.

Claudio Dode

Will disse...

Começo a achar que esse Maia não nasceu; foi inaugurado.

Ary da Silva Martini disse...

Will, não tem mistério: O colega Maia é apenas o resultado de um "Novo jeito de nascer". Esse filme é genial, Cristóvão. No filme, o desafortunado passa o tempo todo tentando enganar a morte. Tem uma cena que considero impagável: no alto de uma árvore o coitado conta vantagem dizendo que enganou a morte. Por sua vez, a morte, serrando a árvore, diz: você é que pensa! Assim como a morte, o capitalismo não pode ser enganado. Ainda que o tempo e a história atual não nos favoreça, precisamos identificar o capital por detrás de todas as ações. Tipo assim "dormindo com o inimigo". Tenho convicção que o capitalismo é um acidente na história da humanidade. Tudo bem: pode durar 100, 200 anos, mas uma coisa é certa: as relações capitalsitas de produção vão acabar um dia.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Eu adoraria jogar xadrez com a morte ou de acreditar que o capitalismo é um acidente na história da humanidade.Mas a humanidade não conseguiu ainda inventar um outro tipo de sociedade para colocar em seu lugar. Dizem que o socialismo é a sociedade ideal. Eu adoraria acreditar nisso, mas olhando a história chego a conclusão de que o socialismo nunca foi além do estatismo. Não é a toa que o povo unido que jamais será vencido, sedento de liberdade e de opção de consumo, derrubou o muro de Berlim. Dizem que o regime soviético não era socialismo, mas socialismo de EStado. Não importa, é o que se tentou. A discussão, em verdade, diz respeito ao papel do Estado. Uma coisa parece ser certa -- e como diz o Caetano, o certo é saber que o certo é o certo -- o tão poderoso Estado não tem condições de universalizar todos os serviços de forma decente respeitando as individualidades, as liberdades, as opções, as diversidades e complexidades. TEm um louco cultuado por certa esquerda chamado Istvan Mészarós que acredita piamente que o Estado pode e deve fenecer. Cada louco com sua mania. Por isso eu gosto muito de Bergman, porque ele joga xadrez com a morte. Ele revela, com linguagem simples, o que parece ser muito complicado. Bergman, definitivamente, não é para qualquer um. Infelizmente, não é para qualquer um.

Ary da Silva Martini disse...

Maia, a experiência soviética era um processo de transição. Disso não tenho dúvida. É óbvio que tinha muitos equívocos e defeitos. Por isso era uma processo de transição. De forma equivocada, a esquerda mundial combateu o estado soviético, com parte dela imaginando que os trabalhores tomariam, efetivamente, o poder. O engraçado (e trágico/irônico) é que cobram do socialismo uma perfeição, em tempo recorde, que ao capitalismo foi sonegado. Talvez o modelo soviético precisasse de mais uns conqüenta, cem anos para ser aperfeiçoado. Vá saber... Ao longo da história, as relações capitalistas de produção ocorreram num período de tempo curtíssimo. O capitalismo tem pouco mais de duzentos anos. Antes dele haviam outros modos de produção. Mesmo nas sociedades mais avançadas o capitalismo ainda não cumpriu a sua agenda mínima. Para encerrar, guardas as enormes proporções, eu acho que Léon Trotski era a "Heloisa Helena" da sua época.

Prieb disse...

A experiência soviética foi uma transição. De um modo de produção feudal para o capitalismo de Estado, mas não tinha nada de socialista. Talvez tenha tido um soluço socialista, quando ainda o Lenin vivia até 1923.
O capitalismo começou a dar os primeiros passos lá pelo século 16 e o capitalismo de consumo de massa foi acontecer só no início do século 20. Entre estes dois extremos aconteceram muitos avanços e retrocessos no sistemão que hoje está caducando. Portanto, ninguém pode dizer que o socialismo foi um modelo que não deu certo. É honesto dizer que ele nunca existiu. E para existir era preciso que ele ocorresse em escala planetária, como o capitalismo.
Para achar socialismo não se pode olhar para trás, é preciso se procurar no futuro.

Carlos Eduardo da Maia disse...

É o que eu disse antes, o socialismo nunca foi além do estatismo. A URSS no final da década de 70 tinha praticamente toda a sua produção e serviços na mão do Estado. Mas a revolução técnico científica (RTC), o 'toyotismo', as necessidades de flexibilizações do modelo de produção, a burocracia, o desabastecimento, a necessidade e a a sede de consumo do povo, a questão da falta de liberdade do povo, tudo isso levou ao declínio e a derrocada do modelo que caiu de podre. Não vejo como manter num mundo de flexibilidades um modelo de forma previamente engessada. O capitalismo é muito mais flexível, é um sistema muito mais aberto (e talvez mais injusto em certos casos), porque ele está sintonizado com um fato social que é o mercado que tem condições sim de se auto regular (mas não tanto, of course, como se viu na recente crise). Por isso o papel do Estado é fundamental. Existem linguagens de desenvolvimento que foram seguidas pelos países socialmente desenvolvidos. Não creio, infelizmente, numa sociedade de pessoas iguais, assim como não acho possível existir uma sociedade de pessoas gentis. Prefir mil vezes o mercado - esse ser que não tem cara -- ditando as regras do mundo do que um burocrata do partido ou da ideologia única.

Anônimo disse...

Assim se referiu a ZH de hoje:

"Discurso forte... pouca platéia"

e

"Infelizmente para Lula, foi um discurso de pouca repercussão fora das fronteiras brasileiras,"

E agora na online:

"Na edição de hoje, o jornal nova-iorquino cita que os líderes que discursaram na ONU na terça-feira destacaram que "o tremor nos Estados Unidos ameaçava a economia global". O The New York Times continua com a frase de Lula proferida no discurso: "O ônus da cobiça desenfreada não pode cair impunemente sobre todos"."

Isto é que chamam de informação?

Claudio Dode

Ary da Silva Martini disse...

Prezado Prieb, me permite? O planeta é grande demais para que algum sistema político/modelo de produção tenha ocorrido em "escala planetária". Nem esclavagismo, nem feudalismo, nem capitalismo ocorreram de forma global. Em minha opinião (pode ser que esteja errado - e isso é muito provável), a esquerda lenista/trotskista se equivocou na crítica ao estado soviético. Acho que a pregação para repudiar a guerra e aproveitar a força dos soldados/camponeses/operários para fazer a revolução nos seus países era pedir demais. Melhor seria, em minha opinião, fortalecer aquele incipiente e novíssimo estado. nem que o saeu concerto levasse um século(seria umpingo para a história). Outra coisa, Maia: o capitalismo é o sistema que mais torna as pessoas iguais. Olhe para as pessoas na rua, Maia. Com raras exceções, são todos fantasmas. Ou seja, a crítica que muitos fazem ao socialismo, vivenciam-na plenamente no capitalismo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Eu não sou capitalista, não tenho capital mas não consigo imaginar uma sociedade que possa se regular distante, bem distante de um fato social chamado mercado. Não há como extinguir ou menosprezar os mercados. Acaba-se com o mercado e surge imediatamente o mercado negro, onde todos querem consumir. Infelizmente nas discussões que vejo aqui toma conta o radicalismo infantil da Vera Guasso como se a humanidade composta de homens com cérebro não tivesse condições de construir meios termos e convergências. A humanidade SEMPRE construiu meios termos e convergências, por que não pode fazer isso doravante?

Clairton disse...

Acreditar que a experiência soviética é um exemplo acabado de socialismo é o típico oportunismo da direita nazi-fascista que acredita que o capitalismo e o mercado são o apogeu da humanidade. A URSS teve seus méritos e deméritos, foi uma tentativa válida que fracassou.
Quem leu "As Origens da Revolução Industrial" de Eric Hobsbawm, sabe que o capitalismo passou por diversas tentativas fracassadas (as cidades-estado italianas, as cidades dos países baixos) até a sua vitória definitiva sobre a sociedade feudal na Inglaterra da Revolução Gloriosa, no século XVII.
Hoje mais do que nunca, num planeta ameaçado, num sistema social que repete seus erros e mazelas indefinidamente, a sociedade socialista está na agenda de lutas da humanidade para que se encontre um novo paradigma de sociedade que supere o mercado capitalista.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ninguém está dizendo que a experiência soviética é um exemplo acabado de socialismo. A questão é que nenhum socialismo real deu certo, porque todos os modelos impostos tiveram graves limitações de liberdade. E liberdade é fundamental.

Ary da Silva Martini disse...

O capitalismo nos deve, até hoje, seus acertos. De minha parte, não tenho interesse nenhum em cobrar. Por fim, se a URSS ainda existisse alguém duvida que a democracia por lá estaria mais avançada e com muitos problemas superados (vide China)?

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