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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Administração Fogaça governa para os especuladores urbanos


A gentrificação do morro Ricaldone

O cercamento da área urbana do morro Ricaldone é um sintoma do nosso tempo. Zonas urbanas onde habitam e convivem as classes brancas e proprietárias são objeto de isolamento preventivo visando a sua proteção, segurança e tranqüilidade para continuarem na condição de privilegiados sociais.

Este caso do Ricaldone deixa evidente que a Prefeitura de Porto Alegre, na gestão José Fogaça, abriu mão de qualquer planejamento urbano configurado no Plano Diretor do município. O Plano Diretor está zelosamente engavetado na Câmara Municipal esperando melhores ventos para a sua reformulação. Enquanto isso, cada caso é um caso, e não temos uma lei moderna de Plano Diretor.

O jornal ZH de hoje, informa bem o ritmo expedito dos procedimentos na atual gestão. No dia 21 passado, uma arquiteta da Divisão de Projetos e Construção da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) e o titular da pasta, Miguel Wedy, participaram de reunião com moradores do Ricaldone. Segundo ZH, “em poucos dias de análise pelo departamento jurídico, o projeto [de cercamento da área pública] foi aprovado”. Observe-se que a aprovação do projeto foi no ato da reunião com os interessados, a homologação definitiva só demorou mais alguns dias por força da necessidade de haver análise jurídica e coleta de pareceres.

Plano Diretor? Para quê, Plano Diretor?

O caso Ricaldone é apenas um exemplo dos tantos atropelos ao planejamento urbano de longo prazo havido nos últimos três anos e meio em Porto Alegre, coincidindo com a volta do crescimento da indústria da construção civil no País, depois de mais de duas décadas de estagnação no setor.

O desrespeito ou a negligência para com a prática de planejamento de longo prazo nas cidades brasileiras é a condição ideal para investidores e construtores irresponsáveis. E Porto Alegre não está fora deste alvo.

No morro Ricaldone aconteceu o típico caso do que o urbanismo sustentável chama de gentrification, que deriva de gentry (pequena nobreza), ou seja, a requalificação urbana de áreas degradadas ou em vias de declínio valorativo. Essa expressão gentrification obviamente é sempre escamoteada, porque paira uma sombra de má consciência quando do seu uso descuidado. Por isso, a indústria da construção civil, empreendedores do setor imobiliário, investidores, especuladores de solo urbano e urbanistas do meio fazem uso de eufemismos os mais variados: revitalização, reabilitação, revalorização e até renascença urbana (imaginem!).

No presente caso, os moradores espertamente alegam que o morro e sua vegetação estão sendo destruídos por transeuntes eventuais, por catadores e papeleiros que acabam devastando a flora da região. Como se vê, usam o chamado “biombo verde” para ocultar seu interesse de isolamento, segurança e privilégios de “zona nobre” da cidade, bem como garantir estabilidade no valor de troca e na liquidez de seus qualificados imóveis. O simples anúncio de cercamento da área já reposiciona a cotação daqueles imóveis a preços bem mais vantajosos.

Informalmente, Porto Alegre, opera uma reforma urbana às avessas, ao estimular cordões sanitários de isolamento de áreas tradicionais da cidade, assim, como quando permite a proliferação incontrolada de condomínios fechados em áreas novas do perímetro urbano. Ambos movimentos visam dar satisfações exclusivamente aos especuladores do solo urbano em detrimento da cidade como um todo, agravando as desigualdades e promovendo um fosso cada vez mais profundo entre a cidadania e tornando as cidades um território de disputa aberta e selvagem.

José Fogaça (PMDB/PDT/PTB) e Manuela D’Ávila (PCdoB-PPS) representam exatamente estes setores anti-sociais na presente corrida eleitoral. Quem acha que Porto Alegre deve seguir os descaminhos do morro Ricaldone tem nos dois candidatos opções exitosas de sucesso privado e caos urbano garantidos.

23 comentários:

Mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Fico impressionado com a rapidez com que acontecem as "discussões" sobre o desenvimento urbano de Porto Alegre. Também pudera, o capital especulativo necessita de agilidade para se reproduzir. Assim, os administradores do espaço urbano, não perdem tempo. Tudo é "rápido e objetivo".

Ontem, por exemplo, a multinacional Pepsi, fez um show de inauguração, de mais uma obra eleitoreira do prefeito Foga$$a. A tal "revitalização da orla do Guaíba", que nada mais é do que uma semi-privatização do espaço público, e que não passa de uma obra virtual, pois ainda não está nem na metade. O Foga$$a já colocou na sua propaganda eleitoral como sendo uma realização sua. E mais, colocaram um imenso outdoor da multinacional em todo o palco do Teatro Pôr do Sol que, além de ser uma apropriação de algo que já existia, causa uma grande agressão a paisagem da orla. Tudo em nome do "progresso".

Anônimo disse...

Este procedimento no morro Ricaldone é bem o caso da preservação monetária da região e segurança pública para alguns privilegiados.
Da mesma forma, isto ocorre com as Alphavilles gaudérias que se espalham ao largo do Iguatemi e nos confins da Zona Sul.
Tudo dinâmico, rápido, sem maiores discussões.
Mediante a ganância dos empresários e o conluio do setor público, POA vai virar um arremedo de praias catarinenses que viraram picos de poluição e onde o sol se esconde às 16 horas, tal a altura dos prédios.
Discussão séria do Plano Diretor já!!!

Ricardo Mainieri

Carlos Eduardo da Maia disse...

Por que vocês não perguntam para as pessoas que moram ali perto, o que elas acham dessa medida do Fogaça??? Não, mas isso não interessa, o que importa é vomitar ideologia. É por isso que o pensamento rançoso de esquerda não vai além. Depois eles não sabem porque serão sempre a eterna meia dúzia de sempre.

Suzie disse...

Quem é meia dúzia?
Menos Maia...menos...
Não sabia que defendias o capital acima do bem estar coletivo.
Eu concordo com a leitura do Feil.
Privatizar bem público é CRIME!

Anônimo disse...

Maia, vc é um idiota. Pra quê perguntar se a ZH já respondeu. Eles estão festejando, segundo ZH. O Feil agora tem que fazer enquete pra escrever o que os entrevistados pensam sobre tal assunto?
Então pra que ter blog? Pra dizer obviedades que a direita como vc gosta?
Sua praia não é aqui, rapaz.
Sai fora.

Anônimo disse...

Suzie:

Incrível que não sabias que o Maia defendia o capitalismo contra os interesses coletivos.

Não só defende o capitalismo como postula pela sua o desenvolvimento para o seu estágio superior.

Eeles está em estado permanente de vomitação facista e em defesa do agrobanditismo,Yeda, e sua cumpichada, Busatto, Lair, Culau, Fernandes e toda a fauna tucano pefelista.

Claudio Dode

Willians disse...

Tipinho safardana esse Maia...

Anônimo disse...

Claro que as pessoas do entorno do morro Ricaldone acham ótimo, sr. Maia.
Eu moro na Glória, já tive a casa assaltada três vezes e diuturnamente luto contra poluição ambiental por todos os lados, e não tenho este privilégio.
Creio que os moradores da Cidade Baixa, Partenon, Eixo Baltazar, Restinga,também, não tem...
Quando reclamo para a Brigada ou Polícia ou SMIC, todos tiram o corpo fora.
Claro que existe uma escolha objetiva para beneficiar os empreendimentos imobiliários e salvaguardar o eleitorado conservador.

Ricardo Mainieri

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Maia, quanto tu levas dessa gente para dizer essas bobagens?

Tu vomita assim: "Por que vocês não perguntam para as pessoas que moram ali perto, o que elas acham dessa medida do Fogaça???"

É óbvio o que eles vão dizer, pois estão incorporando mais áreas ao seu patrimônio. Estão se adonando do espaço PÚBLICO, que não é somente deles. Estão valorizando suas propriedades. É claro que essa gente, representante da certa direira egoista e usurpadora, vai adorar as medidas discriminatórias do Foga$$a.

Mas não podes te esquecer que, TODOS pagamos IPTU, portanto, a cidade é de TODOS, e não de uma minoria abastada.

São pessoas com a tua mentalidade tacanha, que se sentem "donas" da cidade. Acham que o mundo gira ao redor dos seus umbigos. Estacionam sobre calçadas, ultapassam sinais fechados, jogam lixo nas ruas. Fazem gato de água para encher picinas. E assim por diante.

É Maia, tu és muito tacanha...

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ninguém está privatizando nada. Estão apenas colocando cerca em local onde existe uma pequena mata num local extremamente íngrime. E as ocorrências policiais falam por si, existem uma série de pequenos crimes naquela região de pessoas que se abrigam exatamente ali naquele ponto onde hoje se cerca. Certíssimo o Fogaça.

Anônimo disse...

"As ocorrências policiais falam por si", então a Cruzeiro deveria ser cercada. A Bom Jesus, a Restinga, o Menino Deus que têm muito mais ocorrências do que o Ricaldone.

Maia, vai enganar outros.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A Cruzeiro, a Bom Jesus e a Restinga necessitam de um serviço público decente, escolas públicas de tempo integral, com campinho, estádio e almoço para os alunos. E posto de saúde decente. Mas certa esquerda não acredita em nada disso, o que importa é fazer política com ressentimento, amargura e rancor.

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

A Cruzeiro, a Bom Jesus e a Restinga necessitam de um serviço público decente, escolas públicas de tempo integral, com campinho, estádio e almoço para os alunos. E posto de saúde decente. Mas certa esquerda não acredita em nada disso, o que importa é fazer política com ressentimento, amargura e rancor.

É ISSO: O MAIA FUMOU UM BASEADO...
PIROU...

"A Cruzeiro, a Bom Jesus e a Restinga necessitam de um serviço público decente"????????

COM ESSA GENTE? FOGA$$A, PPS, BRUXA YODA, RBS, PSDB, MENDES, BUSATTO, MANUELA, PMDB, BRITTO, SIMON, PADILHA, DEM, BERFRAN, PP, RIGOTTO, SPEROTO, GERMANO, E CIA...

Denise disse...

O que mais me impressiona nas cidades é o cercamento. Nem li os comentarios acima prá saber se algupem já falou, mas aqui vai: CIDADE É LUGAR DE CIDADÃO. Acho que vou explicar um pouqunho, visto que alguns frequentadores tem alguns neurônios defeituosos e podem não entender. Se a cidade é do cidadão e se há necessidade de cercamento seja por muro, cerca de metal, elétrica, é porque há problemas. E sérios. É porque há cidadãos que são mais cidadãos que os outros. E o poder público só existe para que esses problemas não existam. Ou seja, explicando de novo, se há necessidade de cercamento é pq não há civilidade. E não há civilidade porque não há poder público efetivo.

Willians disse...

"Íngrime", Maia??? Além de árido e estulto, és também analfabeto, Maia? Instrua-se, rapaz!

Anônimo disse...

Não podem cercar, pois os cavalos dos carroceiros precisam pastar.

Porto Alegre no século 19.

Ridículo o legado do PT para esta cidade.

Willians disse...

O pasto da parte "íngrime" serve ao conhecido muar que costuma zurrar sua "ideologia" por aqui...

Anônimo disse...

Cristóvão,
cercamento de área pública não tem NADA a ver com plano diretor! Olha o "samba do crioulo doido" aí, gente!
Em Paris quase todas as praças são cercadas, continuam públicas e muito utilizadas.
Acho que este assunto da privatização de áreas públicas está um pouco exagerado. Um tanto o quanto exagerado...
E porque o Maia é tão detestado? No mínimo, poderíamos,,respeitar um pouco mais quem não pensa como nós! Luciana

Willians disse...

O Maia é nosso truão, candidata.

Anônimo disse...

Gente, há muita ignorancia ainda nas nossas cabecas. O Maia reclama da esquerda, achando que ela é mimi. Claro, na pratica, ela é realmente mini (meia duzia de gatos pingados), no dircurso, no entanto, ela é enorme! Por acaso o Fogaca é de direita? E a galera que ainda acredita na velha esquerda ideológica continua sonhando... tambem nao quiz encarar a dura realidade de frente... Eu acho a virada PT-Fogaca o fim da picada para Porto Alegre. Mas quando vejo o que o PT deixou de fazer nos seus 16 anos de administracao, me envergonho, por ser petista!

Anônimo disse...

O pessoal aqui critica o cercamento até a noite em que for assaltado e o ladrão se esconder lá naquele mato, como ocorre todos os dias. Daí vão achar bom o cercamento.

Anônimo disse...

Se os correligionários do Busatto, Yeda et caterva podem mamar no Detran, Daer, Banrisul, etc, porque os carroceiros não podem deixar seus cavalos pastarem no Ricaldone?

Claudio Dode

Anônimo disse...

Porto Alegre, a capital das carroças.

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