quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Comprovado: Yeda dorme em beliche...


...Cai e bate com a cabeça, diariamente

"Quem tem mais dificuldade para entender essa liguagem [do governo Yeda] é a elite, porque é a elite que vem governando. É a elite que vem tendo todo tipo de poder: financeiro, econômico e político. A elite está acostumada a uma linguagem que é diferente da minha". [...]

Acreditem, a fala acima é da governadora Yeda. Está publicado no jornal Correio do Povo, edição de ontem (22).

A manifestação da governadora tucana é prenhe de significados. É uma confissão? "É a elite que vem governando".

Ou são os efeitos dos traumas na cabeça?

Sempre ouvi dizer que dormir em beliche não é bom para a saúde mental dos indivíduos comuns. Muito menos para governadores e governadoras.

Brincandeira à parte. A governadora revela tamanha verdade (ou disparate) e sequer é questionada pelos quatro ou cinco jornalistas que a entrevistavam. Como assim, governadora? - podiam ter dito. A que elites a senhora se refere? O seu governo dá poder - "financeiro, econômico e político" - às elites sulinas? E o quê mesmo a senhora recebe em contrapartida?

Nossos pseudo-jornalistas acham baldes de pérolas, todos os dias, mas preferem jogá-las aos porcos.

Termina 2009 e Lula não aprova os novos índices de produtividade no campo


MPF pressiona o Executivo para acelerar a reforma agrária

O Ministério Público Federal resolveu entrar no jogo de pressão pela revisão dos índices de produtividade agropecuária para fins de reforma agrária. Em recomendação expressa aos ministros do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, os procuradores sugerem, pela terceira vez desde o fim de 2008, a edição de portaria conjunta para a atualização imediata dos parâmetros usados no processo de reforma agrária. A informação está no jornal Valor de hoje.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão reivindica o cumprimento da "função social" da terra, previsto na Constituição, para recomendar o reajuste dos índices de produtividade no campo. O alerta relembra recomendações anteriores, iniciadas ainda em setembro de 2008, sobre a "preocupação com o retardo" na redefinição dos parâmetros de produção e a necessidade de tratar o assunto como "prioridade".

A bancada ruralista pressiona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a desistir do reajuste dos índices.

Lula prometeu a medida aos movimentos sociais, mas tem deixado a decisão final em suspenso para retaliar invasões do MST. Auxiliado pelo PMDB, Stephanes resiste a assinar a portaria por temer impacto negativo em sua campanha de reeleição à Câmara. Em desvantagem no governo, Stephanes usa como pretexto a necessidade de utilizar os dados mais recentes do Censo Agropecuário 2006, a análise do tema por outros órgãos do setor e a indispensável reunião do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) para aprovar os novos índices. De outro lado, o PT divulgou nota de apoio e o ministro Cassel insiste na revisão.

A subprocuradora-geral da República, Gilda Pereira de Carvalho, recomenda a edição da portaria a partir de estudos de equipe composta por especialistas das duas pastas. O Grupo de Trabalho Reforma Agrária, criado no MPF para analisar o tema, afirma que os argumentos usados para rejeitar a revisão são relativos. E alerta para sua urgência.

O MPF afirma que os atuais índices foram fixados em 1975 e relembra que a Constituição exige o cumprimento "simultâneo" de critérios e graus de utilização da terra (GUT) e de eficiência da exploração (GEE). "A atualização é necessária para que os novos índices incorporem os ganhos de produtividade observados nas culturas e na pecuária desde 1975", diz a recomendação. A bancada ruralista já aprovou projetos para retirar exigências simultâneas e submeter novas revisões ao Congresso. O MPF já havia enviado outros ofícios alertando o governo da necessidade de reajustar os parâmetros de rendimento de lavouras e da pecuária para fins de reforma agrária.

Agricultura Camponesa versus Agronegócio


Alguns números do último Censo Agropecuário do IBGE

A cada 10 anos o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – faz um levantamento, uma pesquisa, indo de casa em casa, para saber como está a vida e a produção no meio rural brasileiro.

O último Censo Agropecuário foi feito em 2006 e publicado em 2009. Esta pesquisa permite fazer um retrato, uma fotografia de como está a vida e a produção na roça e dá para fazer algumas comparações importantes sobre as diferenças entres os grandes e pequenos agricultores, entre o agronegócio e a agricultura camponesa.

Vamos ver alguns números desta pesquisa:

Propriedade e posse da terra

Os pequenos agricultores têm 24% de todas as terras privadas do Brasil.

Quer dizer, de cada 100 hectares de terras, 24 são de camponêses.

Os médios e grandes tem 76% de todas as terras particulares.

De cada 100 hectares, 76 é do agronegócio.


Número de estabelecimentos rurais, propriedades, posses, lotes

Os camponeses possuem mais de 4 milhões e 360 mil estabelecimentos rurais.

Os médios e grandes proprietários somam apenas 807 mil estabelecimentos rurais.

Os grandes proprietários (acima de mil hectares) têm apenas 46 mil imóveis rurais. E os latifundiários (acima de 2 mil ha), são apenas 15 mil fazendeiros, que detém 98 milhões de hectares.

O que produzem

Os camponeses produzem 40% da produção agropecuária do Brasil (medida pelo Valor Bruto da Produção Agropecuária Total), apesar de terem apenas 24% das terras, e ainda, nas piores condições de topografia e fertilidade. Além disso, sabe-se que grande parte da produção do camponês é para auto-sustento, portanto não é vendida.

Os médios e grandes proprietários extraem 60% da produção agropecuária do país, tendo 76% de todas as terras do país, entre elas as mais planas e férteis e melhor localizadas para o mercado.

Valor da produção por hectare

1 hectare da agricultura camponesa fatura, em média, uma renda de R$ 677,00.

1 hectare do agronegócio fatura, em média, uma renda de apenas R$ 368,00.

Quem produz o que o povo brasileiro come

Daquilo que vai para a mesa dos brasileiros, 70% é produzido pelos pequenos agricultores, pelos camponeses.

Só 30% do que vai ao prato dos brasileiros vem das grandes propriedades, que priorizam apenas as exportações, ou seja, não produzem comida, querem produzir apenas "commodities"!


Trabalho para o povo

As pequenas propriedades, dão trabalho para 74% de toda mão-de-obra no campo brasileiro.

As médias e grandes propriedades, o agronegócio, mesmo com muito mais terra, só dão emprego para 26% das pessoas que trabalham no campo. Preferem utilizar mecanização intensiva e muito agrotóxico.

Por isso, o Brasil se transformou, na safra de 2008/2009, no maior consumidor mundial de veneno agrícola. São aplicados 700 milhões de litros de veneno por ano em nosso país.

Quantas pessoas trabalham por hectare

Na agricultura camponesa, em cada 100 hectares, trabalham 15 pessoas.

No agronegócio, em cada 100 hectares, dão emprego para apenas 2 pessoas.

Os recursos do Crédito Agrícola

Os valores do crédito não estão no Censo Agropecuário, mas no Plano Safra. Assim, no Plano Safra 2009/2010 foram destinados R$ 93 bilhões para o agronegócio. E apenas 15 bilhões de reais para a agricultura camponesa. Mesmo assim, sabe-se que apesar da crescente oferta de recursos para a agricultura camponesa, apenas 1,2 milhões de estabelecimentos familiares tem acesso ao crédito, e na ultima safra utilizaram apenas 80% do que esta disponível.

Isto significa que os camponeses utilizam apenas 14% do crédito agrícola do total ofertado pelos bancos, atraves das normas e determinações da política agrícola do governo federal.

Texto do Frei Sérgio Görgen, membro do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) e da Via Campesina/Brasil.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Socorro



Do grande Arnaldo Antunes

TVE: Yeda faz o jogo da RBS


Se é para acabar com a TVE, vamos sufocar a TVE, bem devagar

O jornal Zero Hora, edição de hoje, página 16 (fac-símile acima), dedica-se a confundir o leitor sobre os destinos da TV Educativa/RS. A trapalhada é tanta que o texto da matéria esquece de informar a qual Ministro se refere o subtítulo da mesma ("Ministro reclama de falta de vontade do RS em fechar acordo com a TV Brasil, criada por Lula").

Fica evidente que a governadora Yeda cumpre as mais sentidas aspirações mercadológicas do grupo RBS. Este, por sua vez, devolve ao leitor de ZH a mesma confusão que a empresa midiática da família Sirotsky e a própria governadora combinaram de roteirizar na agenda de inanição que estabeleceram para a TVE e a FM Cultura.

Sabe-se que o governo federal tem interesse em administrar a emissora estatal do RS. Tanto tem interesse que acabou de adquirir do INSS o terreno e o prédio que pertenceram originalmente à extinta TV Piratini, que fez parte do patrimônio das Emissoras Associadas do primeiro barão midiático brasileiro Assis Chateaubriandt Bandeira de Mello.

Mas a governadora insiste: não quer resolver o impasse da TVE, prefere deixá-la minguando lentamente para que nada mais reste da emissora que ainda possa ser reerguido e futuramente servir de concorrente ao grupo RBS.

A morte por sufocamento operacional da TVE é o grande objetivo do consórcio Yeda/RBS.

Faltaram esclarecimentos no balanço anual do ministro Tarso Genro


É melhor explicar espontâneamente ainda em 2009 do que sob pressão em 2010. Ou defenestrar o delegado da direção da PF, já

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou ontem de “desvio” o que chamou de espetacularização das operações deflagradas pela Polícia Federal (PF). Segundo ele, o trabalho da PF sofreu um “salto de profissionalismo extraordinário” durante o governo Lula. A informação é da Agência Brasil.

Em entrevista coletiva em que fez um balanço das ações da PF em 2009, Tarso Genro disse que o marketing em cima das operações policiais distorceu as relações da Polícia Federal com a imprensa. “Desvio institucional rapidamente corrigido”, acrescentou.

“Houve uma redução da espetacularização e não porque havia a suspeita de que o Brasil caminhava para um estado policial. Isto é devaneio literário. Mas porque havia uma exacerbação das relações de setores da Polícia Federal com a imprensa. Essa sensação de brilho adquirido gerava o apenamento precipitado das pessoas”, afirmou.

Na mesma linha, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, defendeu o fim da pirotecnia nas operações da Polícia Federal. “Queremos trocar o mérito do impacto do primeiro momento da operação pela condenação dos criminosos. Isso ainda vai levar um tempo”, afirmou.

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Nota-se que o ministro Tarso Genro desconhece a etimologia do vocábulo marketing, derivado do verbo inglês to market. Me parece - no mínimo - inadequado misturar as atividades policiais da PF com mercadologia (a tradução literal da expressão inglesa). É de estranhar essa inadequação vocabular do ministro da Justiça, ele que comumente emprega um vocabulário variado e bastante preciso.

Mas faltou o ministro explicar as denúncias do repórter Leandro Fortes da revista CartaCapital que envolvem diretamente o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, subordinado ao ministério da Justiça.

O delegado Corrêa foi "acusado de deter ilegalmente e torturar, à base de chutes, pauladas, socos e eletrochoques, a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 21 de março de 2001, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre" - conta o repórter de CartaCapital, numa edição da revista publicada em março deste ano (leia aqui). Informe-se que a referida publicação não faz parte do círculo brasileiro da imprensa golpista, o famigerado PIG.

O fato grave envolvendo odiosas arbitrariedades, dignas da ditadura de 1964/85 e possivelmente patrocinadas pelo atual xerifão da PF, ocorreu em 2001, ainda no governo FHC.

Se aconteceu em 2001, por que Tarso Genro não esclarece de uma vez por todas esses fatos obscuros e repugnantes? Ou melhor, por que não pressiona formalmente o seu subordinado a prestar os esclarecimentos necessários sobre os espancamentos e torturas de 2001?

Tarso Genro reúne condições muito boas para vencer as eleições de 2010 ao governo do Rio Grande do Sul. Obterá êxito desde que não cometa erros e omissões que possam ser exploradas pelos adversários da direita guasca. Exemplo de erro primário: ignorar ou acobertar fatos graves seria o mesmo que assumir responsabilidade tácita e solidária em atos criminosos cometidos por seus subordinados em gestão que não foi a sua, em governo que não foi o seu.

Caso esse absurdo se confirme, ficaria configurado o cúmulo da desinteligência, o que - convenhamos - não combina com a imagem que todos têm de Tarso Genro.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O gigante Keith Jarrett

Parte - menos de dez minutos - do memorável concerto de Colônia (Alemanha), gravado em 24 de janeiro de 1975. Um dos tesouros da humanidade!

Leio que ele está voltando aos palcos, depois de muitos anos sem se apresentar. Em Londres, o ingresso para assistir KJ não custa menos de 400 reais.

Amy Jade

sábado, 19 de dezembro de 2009

A blasfêmia da palavra perfeita


Flor

Antes de eu pronunciar o nome
ele não era
mais que um simples gesto

Quando eu lhe pronunciei o nome
ele veio a mim
e se tornou uma flor

Assim como chamei-lhe o nome
alguém me chama o nome
que combine com o meu nariz e o meu perfume

Também quero ir até ele
e tornar-me a sua flor
Todos nós queremos ser algo
Eu para você, você para mim
Queremos ser
um inesquecível
significado

Kim Tchun-su, poeta coreana

Tradução da professora Yun Jung Im Park

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Quem sempre esteve intrigado com as palavras e seus significados foi Jorge Luis Borges (foto). Pode-se dizer que a sua imensa e complexa literatura - de uma vida toda - foi em torno do mistério das palavras, das palavras perfeitas que pudessem como que substituir a própria realidade. E como se a realidade também não fosse uma arquitetura - caótica ou organizada - de palavras?

As palavras são apenas metáforas dos objetos que procuram representar. Um discurso metafórico, alegórico, simbólico, é uma combinação de múltiplas pequenas metáforas - os vocábulos - alinhados por um sujeito (ou vários), marcado por tempos verbais e por predicados portadores de qualidades ou quantidades. Para entender o discurso do outro, diz Borges, temos que esquecer o caráter metafórico dos vocábulos unitários para melhor compreender o sentido geral daquela fala, talvez, uma metáfora com mais cenários e símbolos outros.

Borges tem um conto onde a um poeta celta fora encomendado pelo rei um poema sobre o palácio. O poeta faz o poema e o ensaia para dizer diante do rei. Primeiro lê o manuscrito, depois chega sem manuscrito e diz uma palavra para significar o palácio, não é a palavra "palácio", é um vocábulo que expressa de um modo mais perfeito o palácio. Quando ele pronuncia essa palavra, o próprio palácio do rei desaparece, como que por encanto. Já não há mais motivo de existir um palácio, quando a realidade já o substituíra por uma palavra. Pra quê palácio? A perfeição da palavra abstrata substitui a concretude do palácio.

Borges diz que encontrar as palavras perfeitas, as que representam de fato a realidade, é uma espécie de blasfêmia contra Deus. Dizia: "O que é um homem para encontrar uma palavra que possa substituir uma das coisas do universo?"

Borges foi um blasfemo encantador.

RBS: cinismo e caradurismo



Cerveja (ruim) patrocina o circo teen da RBS

Os adolescentes de Porto Alegre são campeões nacionais em consumo precoce de álcool, especialmente a cerveja. É o que diz uma pesquisa do IBGE, divulgada ontem.

O jornal Zero Hora, o principal veículo da RBS, edição de hoje, faz uma chamada de capa para a pesquisa, e dedica toda a página 32 a comentar o fato, sempre em tom de preocupado moralismo e discreta censura... ao álcool. Deduz-se, depois da leitura, que a responsabilidade é toda dos pais da meninada, uma vez que um especialista consultado afirmou empiricamente que "a explicação para a posição incômoda é cultural, muitos pais de Porto Alegre querem ter uma postura liberal com os filhos, mas acabam se tornando condescendentes".

A matéria de ZH jamais cogita de examinar a influência da propaganda do álcool na televisão, a qualquer hora do dia, e muito menos de mega-eventos teen patrocinados por fabricantes de bebidas alcoólicas.

Portanto, nada mais cínico, nada mais cara-de-pau. Logo a RBS, que detém o controle de uma empresa de eventos e explora o negócio responsável por montar anualmente dois circos, um em Florianópolis, outro em Atlântida, no litoral norte do RS. No circo, numa maratona de 72 duas horas seguidas, apresentam-se atrações musicais e bebe-se muita cerveja - mas apenas de uma marca, já que o principal cotista-patrocinador é um fabricante de cerveja de qualidade discutível. Público alvo do circo etílico rebessiano: crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

Coisas da vida.

Em Tempo: E o Ministério Público/RS e SC onde estão? Têm algo a dizer? Agirão ou permanecerão impassíveis?

Clique nas imagens para ampliá-las.

Arquivo do Diário Gauche

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Cristóvão Feil
Porto Alegre, RS, Antigua and Barbuda
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