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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Documentário


Divórcio à Albanesa

Domingo acabei finalmente vendo (no canal Futura) o documentário “Divórcio à Albanesa” da diretora búlgara Adela Peeva.

Mostra a vida destruída de alguns casais na Albânia, durante o regime de opressão do líder Enver Hoxha, que mandou e desmandou por quarenta anos no pequeno país balcânico de três milhões de habitantes.

Enver fez parte da resistência albanesa durante a Segunda Guerra, ajudou a expulsar os fascistas italianos em 1944, instalou-se no poder e não largou mais o osso até a sua morte, em 1985. Neste ínterim, montou um regime de força e opressão a que denominou de “socialista” e passou a imitar Stálin em tudo. De forma intencional e voluntariosa isolou-se do mundo, tanto que até hoje, a Albânia é o país mais atrasado e pobre da Europa, apesar de ter petróleo, carvão e cromo, com um PIB de pouco mais de três bilhões de dólares.

É um filme pontuado de tristeza e silêncios, mas o ponto alto é quando a documentarista pergunta a um senhor idoso, mas bastante lúcido, sobre as condenações por motivo fútil sofridas por pessoas que foram taxadas de “inimigos do povo” e encarceradas em condições desumanas por 15 ou 18 anos. Este senhor, marceneiro de profissão, foi alçado à condição de magistrado e julgou indivíduos que eram acusados do crime de ser casado com estrangeira, por exemplo, já que o regime proibia tais uniões matrimoniais, certamente por considerá-las um risco à segurança nacional.

Quando o velhinho soube que a entrevista era sobre os tribunais que presidira, disse que não ia falar nada, “você está falando de política, e sobre este assunto só se pode falar da vida política de Enver Hoxha, que foi o maior líder albanês que tivemos... como vocês conseguiram esses documentos secretos sobre os tribunais?... eu não falo de política, isso não pode...”.

Com a morte de Enver Hoxha em 1985 o regime desmoronou. O Partido do Trabalho, adepto da religião stalinista-enver-hoxhista, um rito dogmático sub-marxista, teve a sua degradação acelerada. Hoje, a máfia albanesa – uma das mais atuantes na Europa – é formada majoritariamente por ex-dirigentes e militantes do P do T enver-hoxhista. É o que restou do legado do grande líder albanês. Nada mais.

..........

O PC do B por muitos anos teve como referência político-ideológica a Albânia. Inúmeros dirigentes do partido fizeram sua formação em Tirana, capital da Albânia. Iam se abeberar naquela fonte inesgotável de “sabedoria” e “linha política justa”.

Até hoje, se desconhece que o PC do B tenha feito autocrítica sobre o desvio albanês.

14 comentários:

Anônimo disse...

PÔ, preciso ver isso. Poderias me avisar caso passe novemente ou encontres o documentário por aí? Adoraria vê-lo.

Grande abraço.

(Estou todo dia lendo teu blog. Uma pena o Google Reader não mostrar as variações do teu banner de abertura. São sensacionais.)

Milton Ribeiro disse...

Anônimo uma merda. Sou Milton Ribeiro!

Cristóvão Feil disse...

Milton, o Futura tem um portal na web. Basta controlar a grade de programação regularmente. Tem filmes muito bons, às vezes.

Abç.

CF

Carlos Eduardo da Maia disse...

Também gostaria de ver esse documentário. Muito gastei minha voz no início da década de 80 quando debatia com o pessoal do PC do B sobre a calamidade que era a Albânia de Hoxa. Eles achavam o país ideal. O que a Cony tem a dizer sobre isso?

Carlos Eduardo da Maia disse...

Em 1984, como bom mochileiro e viajante eu cruzei toda a ex Yugoslávia e passei perto da Albânia para ir até Tessalônica e Istambul. Depois voltei pelo mar adriático, a partir da Grécia, acompanhando a costa da Albânia. Fiz isso numa manhã de muito sol no verão europeu. Fiquei impressionado, na época, com a quantidade de bunkers e lanchas militares que haviam nas praias albanesas. Era praticamente impossível atravessar o adriático em direção a Itália. E ali no estreito de Otranto é possível visualisar um lado do outro. Esse era o governo de Hoxa que fez da Albânia o país mais atrasado da Europa.

marimbondo lobuno disse...

Pena o Hodxa não ter feito o teu fiófó

Juca Bala disse...

Marimbondo, diz que o Hocha fez o briôco do Maia.
Mas depois foi ingrato, não escrevia, não telefonava, nem um telegrama pra dizer que estava tudo bem entre eles.

Anônimo disse...

É o caminho do PC do B, o primeiro passo foi aliar-se às máfias da construção civil escondendo a mão...

Anônimo disse...

Tirana é um sugestivo nome para a capital.

Anônimo disse...

Assisti também. Lamentável e primário. O ex-marceneiro era Promotor, acusador dos "inimigos do povo", realmente retrata o primarismo do regime que era o "farol" do socialimo.

armando

Feitoza disse...

Feil, eu não sabia que vc era anticomunista.
A que ponto chegamos neste blog desbundado e preconceituoso.
Isso aqui é um lixo burguês.

Anônimo disse...

Que tristeza , confundir crítica ao stalinismo ferrenho e até extemporâneo da Albânia dos anos 80 com comunismo!

pilla disse...

Feitoza larga dessa cachaça ruim. Isso ainda vai te matar, meu filho.
Cego, vc já está.

Ary da Silva Martini disse...

Anônimo (13:59) disse tudo. Ademais, não vamos esquecer o papel que os comunistas tiveram - inclusive os equivocados - ao longo de muitas décadas para que tivéssemos um mundo melhor. Muitos pagaram com a própria vida. De repente, seria muito mais interessante uma boa "guerra fria" do que uma "batalha quente" comandada vocês sabem por quem.

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