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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Governadora do Pará denuncia Greenhalgh, o Gomes


Gomes seria mesmo cupincha de Daniel Dantas

Em janeiro de 2008, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi surpreendida por um telefonema de um antigo companheiro do PT, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (foto). De São Paulo, Greenhalgh manteve uma conversa evasiva e pediu uma audiência com a governadora. De pronto, Ana Júlia convidou o correligionário para um almoço na residência oficial, em Belém. O que deveria ter sido uma conversa entre velhos amigos tornou-se um encontro constrangedor. Greenhalgh levou a tiracolo o empresário Carlos Rodenburg, então vice-presidente do Banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas. Enquanto saboreava um peixe da região, a governadora haveria de descobrir um segredo que só seria revelado ao País dali a seis meses, após a Operação Satiagraha: Greenhalgh, antigo defensor de trabalhadores rurais e presos políticos da ditadura militar, havia se tornado advogado e lobista de Dantas. O petista intercedeu a favor do banqueiro e de suas atividades pecuárias no Pará.

Na quarta-feira 29, Ana Júlia Carepa recebeu CartaCapital no escritório da representação do Estado do Pará, no Setor Comercial Sul de Brasília. A governadora não consegue esconder a decepção de ver o companheiro Greenhalgh do outro lado da trincheira e denuncia uma conspiração, segundo ela, montada pela turma de Dantas para tentar passar a imagem de que o Pará é uma terra sem lei.

CartaCapital: De que maneira o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh se aproximou da senhora para interceder pelo Opportunity?
Ana Júlia Carepa: O Greenhalgh é um companheiro por quem sempre tive muito respeito. Ele telefonou para mim, de São Paulo, e disse que precisava falar comigo, que viria a Belém, em janeiro de 2008. Eu falei “pois não, meu companheiro”. Quando ele chegou, percebi que tinha vindo com Rodenburg (Carlos Rodenburg, do Opportunity). Fiquei surpresa.

CC: Qual foi a sua reação?
AJC: Eu me virei e disse a ele (Rodenburg): “Já o conheço de situações bem menos confortáveis do que esta aqui”. Eu o conhecia da CPI dos Correios, ele estava lá acompanhando o Daniel Dantas, a quem desafiei muitas vezes e acusei de subjugar os fundos de pensão, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para manter o controle acionário da Brasil Telecom. Mesmo assim, seguimos para a residência oficial e fomos almoçar.

CC: Havia mais alguém nesse almoço, além de vocês três?
AJC: Sim, o meu então chefe de gabinete, João Cláudio Arroio.

CC: O que Greenhalgh e Rodenburg queriam?
AJC: Eles queriam “vender” a imagem da empresa (Agropecuária Santa Bárbara) e reclamar que tinham recebido uma notificação de crime ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Pará. Perguntaram se era uma coisa específica para eles. Eu disse que não, pois a certificação ambiental é obrigação de todo mundo. Somos cobrados por isso. Greenhalgh queria saber especificamente sobre esse documento, do qual o governo do Pará não abre mão. Disse que se eles precisassem de mais algum prazo para levantar a documentação não seria problema. Mas o documento seria mantido. Disse que a única exigência que o estado faz para qualquer empreendedor do Pará é que trabalhe dentro da legalidade, dentro das leis ambientais, e por isso mesmo houve a notificação. [...]

A entrevista prossegue na próxima edição da revista CartaCapital, que estará nas bancas a partir de sábado, dia 2/5.

ZH faz jornalismo marronzista


Basta o Odorico Paraguaçú para definir o panfleto da RBS

Nem precisa procurar os autores clássicos da comunicação social. Quem entende mesmo da prática informativa do jornal Zero Hora é o corrupto e amaneirado prefeito Odorico Paraguaçú – personagem imortal do dramaturgo e escritor Dias Gomes:

- Trata-se, tanto quanto se sabe, de um jornalismo lavado e enxaguado no marronzismo mais perfunctoriamente superficialista, levianista e mentirozista.

Colocar como manchete principal um desvio pessoal de indivíduos do MST como se fora política usual no MST é exonerar-se da condição de jornalismo informativo sério para vestir os trajes espetaculosos do panfleto politiqueiro mais rebaixado.

Espera-se que os anunciantes deste diário marrom dêem-se conta que estão investindo no veículo errado.

Grandes laboratórios de fármacos podem ter provocado a pandemia de gripe



A notícia é da TV Telesur

Laboratórios Roche e Glaxo são os únicos fornecedores de medicamentos para o combate à pandemia de gripe. Estavam à beira da falência até semanas atrás, hoje suas ações no mercado de bolsas crescem de forma exponencial.

Hoje é dia de "Fora Yeda" em Porto Alegre


Os protestos ocorrerão durante todo o dia na Capital

Hoje o dia será de intensa atividade de sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais pelo "Fora Yeda" em Porto Alegre. De manhã, o Movimento dos Trabalhadores Desempregados se mobiliza por políticas públicas de geração de renda.

À tarde, a partir das 13:30h, professores da rede pública estadual ligados ao Cpers Sindicato realizam uma assembléia no Gigantinho.

O piso salarial e as alterações no plano de carreira propostas pela governadora Yeda Crusius serão debatidos pelos professores.

No final da tarde, sindicatos de servidores públicos, trabalhadores e movimentos sociais se concentram em frente ao Palácio Piratini onde farão um ato público pedindo a saída da governadora Yeda. A informação é da Agência Chasque.

As fotos são de manifestações recentes do "Fora Yeda".

Governo Yeda começa a privatizar até a polícia


Agora é assim: quem pagar tem polícia

Recebo nota do jornalista Wanderley Soares, especializado nos temas da Segurança Pública:

Parece que não há outra saída. Quem puder bancar a polícia, mesmo sob o ponto de vista oficial, terá polícia.

O governo do Estado assinou termo aditivo ao convênio estabelecido através da Secretaria da Segurança Pública com as distribuidoras de energia elétrica – AES Sul, CEEE e RGE, além da Brasil Telecom/Oi – que prorrogou por mais um ano, o prazo de vigência da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio das Concessionárias e os Serviços Delegados (simplificando, a Delegacia dos Fios). Tal prorrogação é válida até o dia 5 de abril de 2010. A delegacia tem o objetivo de combater quadrilhas responsáveis por roubos de fios e cabos das redes elétricas e de comunicações.

As empresas destinarão, a título de investimento inicial, cota no valor de R$ 11 mil, referente a 25% do total, para aquisição de bens permanentes. Outros R$ 5,5 mil deverão ser repassados, mensalmente, para despesas de custeio. A delegacia foi criada em 14 de fevereiro de 2006 e está localizada na Rua Marquês do Pombal, 162, em Porto Alegre.

Sempre entendi este acordo como a abertura da privatização segmentada das organizações policiais. No futuro, os bancos patrocinarão suas delegacias, assim como os shoppings e supermercados terão seus delegados, seus coronéis e coisa e tal. Até mesmo, em Porto Alegre, a tia Carmen, a cortesã mais festejada do Estado, poderá vir a ter a sua delegacia, podendo até escolher, entre PM’s e policiais civis, os mais garbosos e, entre as mulheres, as mais austeras, desde que belas. Afinal, segurança é a prioridade do governo estadual.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A gestão liberal não tem mais o que dizer


Sociólogo analisa crise estadual e mundial

Retomada tardia do projeto de Antônio Britto. Este é o resumo que o sociólogo Carlos Roberto Winckler (foto) faz do governo Yeda Crusius. Em entrevista exclusiva ao portal PTSul, Winckler, que é professor na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e funcionário da FEE – Fundação de Economia e Estatística, disse que o problema da gestão tucana não são as crises diárias, mas aquilo que as detona, isto é, a crise de projeto.

O governo de Yeda Crusius se caracteriza por produzir crises em série. É possível fazer um prognóstico sobre os próximos meses da gestão tucana?

Winckler - Diria que estas crises sucessivas, que nascem no interior do governo, não são o problema mais grave. Se existem problemas, estes devem ser investigados e os responsáveis punidos. Pelo menos é isto que a opinião pública exige. A meu ver o que está em jogo é a tentativa – em parte frustrada – de se retomar tardiamente o projeto liberalizante do governo de Antonio Britto. Houve o retorno a uma concepção empresarial de gestão pública, que não chegou a se completar naquele governo, em parte devido à resistências dentro e fora do aparato estatal. [...]

Continue lendo a entrevista do professor Winckler aqui.

O nome da gripe é Smithfield Foods


É a doença originada do agronegócio internacional

Eu sempre insisto aqui neste blog Diário Gauche que o nome que se dá a coisas, objetos, projetos, episódios e até a doenças é muito importante.

Vejam o caso dessa epidemia mundial de gripe viral. Estão chamando-a – de forma imprópria – de gripe suína. Nada mais ideológico. Nada mais acobertador da verdade.

O vírus dessa gripe se originou da combinação de múltiplos pedaços de ADN humanos, aviários e suínos. O resultado é um vírus oportunista que acomete animais imunodeprimidos, preferencialmente porcos criados comercialmente em situações inadequadas, não-naturais, intensivas, massivas, fruto de cruzamentos clonados e que se alimentam de rações de origem transgênica, vítimas de cargas extraordinárias de antibióticos, drogas do crescimento e bombas químicas visando a precocidade e o anabolismo animal.

Especulações científicas indicam que o vírus dessa gripe teve origem nas Granjas Carroll, no Estado mexicano de Vera Cruz. A granja de suínos pertence ao poderoso grupo norte-americano Smithfield Foods, cuja sede mundial fica no Estado de Virgínia (EUA).

A Smithfield Foods detém as marcas de alimentos industriais como Butterball, Farmland, John Morrell, Armour (que já teve frigorífico no RS e na Argentina), e Patrick Cudahy. Trata-se da maior empresa de clonagem e criação de suínos do mundo, com filiais em toda a América do Norte, na Europa e China.

Deste jeito, pode-se ver que não é possível continuar chamando a gripe de “suína”, pois trata-se de um vírus oportunista que apenas valeu-se de condições biológicas ótimas – propiciadas pela grande indústria de fármacos, de engenharia biogenética, dos oligopólios de alimentos e seus satélites de grãos e sementes. Todos esses setores contribuiram com uma parcela para criar essa pandemia mundial de gripe viral.

O nome da gripe, portanto, não é “suína”. O nome da gripe é: “gripe do agronegócio internacional” – que precisa responder judicialmente o quanto antes – urgentemente – pela sua ganância e irresponsabilidade com a saúde pública mundial.

Leia o dossiê sobre a transnacional Smithfield Foods aqui (em inglês).

Playing for Change



O projeto “Playing for Change” começou em 2005. O objetivo era criar uma unidade internacional através da música, com a participação de cantores, cantoras e instrumentistas de todos os cantos do mundo. Hoje existe uma Fundação Playing for Change, que ajuda a construir escolas e hospitais nos países mais necessitados.

Referências edificantes



Daniel Paz

O oligopólio ilegal da informação no Sul do Brasil


RBS no banco dos réus

Recebo nota da jornalista de Santa Catarina, Elaine Tavares:

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realizou no dia 28 de abril de 2009 uma discussão histórica, colocando no banco dos réus o oligopólio da Rede Brasil Sul, a RBS. Mas, esta proposta de transformar a maior rede de comunicação do Sul do País em ré comum não foi privilégio da direção do sindicato, portanto a ela não se pode reputar nenhuma intenção ideológica. O responsável por esta façanha é o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, Celso Antônio Tres, que apresentou uma ação civil pública ao Ministério Público Federal contra a empresa dos Sirotski, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a União.

Baseado exclusivamente na letra fria da lei, o procurador apela para a tutela dos direitos de informação e expressão do cidadão, a pluralidade, que é premissa básica do Estado democrático de direito. Com base nisso ele denuncia e exige providências contra o oligopólio da mídia sustentado pela RBS no Estado de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Segundo Tres, é comprovada documentalmente a posse de 18 emissoras de televisão aberta, duas emissoras por cabo, oito jornais diários, 26 emissoras de rádio, dois portais na internet, uma editora e uma gravadora. Ele lembra ainda que o faturamento do grupo em 2006 chegou a 825 milhões de reais, com um lucro líquido de 93 milhões, tudo isso baseado no domínio da mente das populações do Sul que atualmente não tem possibilidade de receber uma informação plural. Praticamente tudo o que se vê, ouve ou lê nos dois Estados do Sul vem da RBS.

No debate realizado pelo SJSC o procurador insistiu que filosoficamente ser é ser percebido e isso é o que faz a mídia, tornar visível aqueles que ela considera “ser”. Os pobres, os excluídos do sistema, os lutadores sociais, toda essa gente fica de fora porque não pode ser mostrada como ser construtor de mundos. Celso Tres afirma que na atualidade o Estado é puro espetáculo enquanto o cidadão assume o posto de espectador. Nesse contexto a mídia passa a ser o receptor deste espetáculo diário, ainda que não tenha a menor consistência. “Nós vivemos uma histeria diária provocada pela mídia e o País atua sob a batuta desta histeria”.

No caso de Santa Catarina o mais grave é que esta histeria é provocada por um único grupo, que detém o controle das emissoras de TV e dos jornais de circulação estadual. Não há concorrência para a RBS e quando ela aparece é sumariamente derrotada através de ações ilegais como o “dumping”, como o que aconteceu na capital, Florianópolis, quando da abertura do jornal “Notícias do Dia”, um periódico de formato popular com um preço de 50 centavos. Imediatamente a RBS reagiu colocando nas bancas um jornal semelhante, ao preço de 25 centavos. Não bastasse isso a RBS mantêm cativas empresas de toda a ordem exigindo delas exclusividade nos anúncios, incorrendo assim em crime contra a ordem econômica.

Sobre isso a lei é muito clara. Desde 1967, é proibido um empresa ter mais que duas emissoras de TV por Estado. A RBS tem mais de uma dezena. A Constituição de 1988 determina que a comunicação não pode ser objeto de oligopólio. Pois em Santa Catarina é. Segundo Tres, na formação acionária das empresas existem “mais de 300 Sirotski”, portanto, não há como negar que esta família controla as empresas como quis fazer crer o Ministério das Comunicações, também réu na ação. “Eles alegaram que a RBS não existe, é um nome de fantasia para empresas de vários donos. Ora, isso é mentira. Os donos são os mesmos: os Sirotski”.

O procurador alega que a lei no Brasil, no que diz respeito a porcentagem de produção local que deve ter um empresa, nunca foi regulamentada, mas não é por conta da inoperância do Legislativo que a Justiça não pode agir. “Nós acabamos utilizando a lei que trata do mercado de chocolate, cerveja, etc. Nesta lei, uma empresa não pode controlar mais que 20% do mercado. Ora, em Santa Catarina, a RBS controla quase 100% da informação”, afirma Tres. [...]
......................

Notem que o procurador Celso Tres arrola o Ministério das Comunicações como réu da ação civil pública contra o grupo RBS. Está corretíssimo o procurador, o Ministério é um ente estatal que se omite face a um flagrante e continuado desrespeito à Constituição Federal.

Ilustração: fac-símile do portal da RBS na web. O oligopólio midiático do Sul não nega a condição ilegal de sua rede de comunicação, ao contrário, divulga-a para tantos quantos quiserem dela tomar conhecimento. Só o Ministério das Comunicações insiste em desconhecer o oligopólio RBS/Sirotsky.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A americanização da política



Entrevista com Carlos Nelson Coutinho

Em 23 minutos, ele fala, naturalmente, em Antonio Gramsci, de revolução passiva, de ditadolatria, de Chávez, de Lula, de como Lula e o PT, de uma certa forma, americanizaram a política brasileira (dias atrás, em Buenos Aires, o ex-metalúrgico teve a coragem de afirmar que em 2010 todos os candidatos são de esquerda, de Dilma a Serra, passando por Aécio...).

Carlos Nelson falou daquilo que Gramsci chamava de “pequenas políticas”, ou seja, os 184 diretores do Senado, os castelos de certos deputados, o mundinho miúdo do Congresso, etc. Mais: falou sobre Lukács (“a ortodoxia do marxismo se refere somente ao método”), as novas morfologias do mundo do trabalho, o pós-fordismo, o retorno ao keynesianismo mas sem as concessões trabalhistas do welfare state, os novos fetichismos do mercado e – evidentemente – a questão ambiental e a necessidade de uma radical revisão sobre a sociedade de consumo.

Carlos Nelson Coutinho encerra afirmando que ainda acredita na forma-partido, dizendo-se preocupado com a grande fragmentação das lutas sociais em movimentos desconectados política e organicamente. No final diz-se um “otimista da vontade”, como bom gramsciano que sempre foi.

Repórter da própria tevê Globo desmente versão de cárcere privado


Emissora mentiu ao informar sobre o caso

O repórter Vitor Hao, da TV Liberal, afiliada da TV Globo no Pará, negou em depoimento à Polícia que os jornalistas tenham sido usados como escudos humanos em conflito entre sem-terras e pistoleiros, na semana passada, na Fazenda Santa Bárbara.

O depoimento nega a versão da própria Globo e de sua afiliada de que os repórteres foram mantidos em cárcere privado pelos trabalhadores rurais (conforme vídeo acima).

Nove trabalhadores sem-terras foram feridos por pistoleiros contratados pelo proprietário da fazenda.

A fazenda é de propriedade do banqueiro Daniel Dantas. A informação é da Agência Chasque.

O nome do cara é Raphael Saadiq



Anotem esse nome.

Índio não gosta de viver em palhoça?


O racismo desavergonhado de um grileiro

“O que ficar nós vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena. Índio não gosta de viver em palhoça?” – provocou o grileiro de terras indígenas, Paulo César Quartiero (foto), ontem ao comentar sobre a retirada dos arrozeiros da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, de Roraima.

O jornal Zero Hora de Porto Alegre fez, semanas atrás, uma matéria laudatória sobre o “gaúcho” Paulo César Quartiero, onde o grileiro e racista é pintado como vítima da decisão do STF. Em nenhum momento, o jornal da RBS lembrou aos seus leitores que Quartiero grilou terras (ocupação ilegal e definitiva) há trinta anos em Roraima, e que sempre sutentou a ocupação irregular na base da contratação de jagunços armados ilegalmente, com arsenal exclusivo das Forças Armadas.

Valquíria e a tecnologia do mal absoluto


O cinismo e a brutalidade no lugar da política

Achei o filme “Operação Valquíria” um desperdício. A história é ótima, de resto baseada em fatos reais ocorridos em meados de 1944 na Alemanha nazi. Ele oculta, ou não soube tratar devidamente, várias informações importantes. Exemplo: o coronel Stauffenberg – vivido por Tom Cruise – já havia tentado uma conspiração contra Hitler em 1942. Seria preciso contar isso no roteiro para não ficar parecendo que se tratava de um bando de covardes que vendo a derrota alemã próxima buscam abreviar o hitlerismo eliminando o chefe. Não é nada disso, a coisa é bem mais complexa e espessa.

Adolf Hitler, a rigor, nunca foi muito tolerado pela velha nobreza alemã, do qual se originam muitos conspiradores da Valquíria, Stauffenberg carregava o título de conde, bem como inúmeros companheiros seus, todos com “Von” no nome. Marcuse, contratado pelos norte-americanos, para estudar sobre o fenômeno do nazismo alemão, chegou a abordar essa difícil convivência entre a tradicional nobreza germânica e a ascensional classe média, base privilegiada do discurso nacional-socialista (nazi), especialmente do neurótico cabo Adolf, que nem era alemão. Só essa linha histórico-causal, se perseguida pelo filme de Bryan Singer, já daria mais densidade à refilmagem de 2008. Sem ela, a narrativa fica plana e dependente apenas do ritmo e da tensão da conspiração em si.

Outro dado importante que o filme torna irrelevante é o fato de Claus von Stauffenberg ser apenas um coronel. Na verticalizada e rígida hierarquia militar nazi, jamais um coronel iria determinar ordens a um general – como ocorreu na Valquíria. Isso mostra o quanto os conspiradores estavam imbuídos do espírito de subversão à ordem constituída

A Valquíria foi – rigorosamente – um golpe de Estado. O roteiro se permite, neste caso, mostrar um pouco mais a discussão entre os conspiradores sobre os procedimentos para o sucesso do plano golpista. É neste ponto que um dos generais informa aos seus camaradas sobre os limites daquele planejamento: “Lembrem-se que isso é dirigido por militares e portanto nada sairá como está planejado”.

A idéia do golpe era genial, por ser muito simples. Assassinar Hitler, através de um atentado à bomba (exatamente o 42º e último atentado sofrido pelo Führer contra a sua vida) e depois acionar um plano do Estado Maior chamado “Valquíria” (em homenagem ao compositor Richard Wagner) para o caso de ataque dos aliados contra Berlim. O que era um plano de defesa do hitlerismo acabaria se transformando num artifício de ataque-defesa contra Hitler e dois ou três de seus mais fiéis generais, Himmler, Goering, Goebbels, etc. Vê-se a carência do instrumental político no meio militar, o despreparo para lidar politicamente com o pós-regime. Nesta hora, a narrativa vai muito bem mostrando a vacilação dos comandos intermediários para ver que lado é mais conveniente ficar – se do lado oficial, ou se do lado dos conspiradores. É aí que Goebbels chega a colocar uma cápsula de veneno na boca, temendo ser preso pelos golpistas.

Preso todos os conspiradores, naquela noite mesmo foram fuzilados a bem do Estado nacional-socialista e a glória do povo alemão – que nunca veio, pelo menos das mãos dos nazistas.

Os estudos de Marcuse mostram o quanto o regime nazi tornou plástica a vontade do povo alemão. O hitlerismo é uma tecnologia que ousou substituir a moral alemã. Substituiu os mitos populares e os ideais por fatos – “um mundo de factualidade bruta sem espaço nem tempo para ideais”. O cinismo e a brutalidade no lugar da política.

Só assim para “compreender” este pequeno e cruel trecho do diário de um soldado alemão na frente russa:

“Fico surpreso em não me sentir mais afetado por ver uma mulher sendo enforcada. Até me entreteve. Passei o aniversário desencavando corpos e desfigurando seus rostos. Minha namorada vai dizer ‘sim’ quando ouvir falar sobre como enforquei uma russa hoje”.

Marcuse também mostra que esse fenômeno pode se repetir na história, e que não basta uma conspiração Valquíria de nobres-burgueses com dor na consciência para impedir a vitória do mal absoluto.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Grileiro arrasa tudo antes de deixar terra indígena


Quartiero é um devastador convicto

O fazendeiro Paulo César Quartiero, maior produtor rural instalado no interior da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, decidiu adotar a política da terra arrasada. Insatisfeito com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a sua saída daquela área até quinta-feira, ele está disposto a não deixar nada em pé. Nenhuma casa, galpão, curral, rede de eletricidade, sistema de irrigação, nada que possa ser utilizado pelos índios, que, na sexta-feira, devem tomar posse das duas fazendas que ele possui naquela área.

Ontem à tarde, na Fazenda Depósito, que fica a cerca de 170 quilômetros da capital, Boa Vista, a movimentação era intensa. Carretas enormes e fechadas deixavam a fazenda levando o rebanho da raça canchim que Quartiero possui, com quase cinco mil cabeças. Em outra parte, grupos de peões retiravam telhas, portas, esquadrias, estruturas metálicas, enfim, todo o material que pode ser aproveitado em outra obra. Logo atrás deles, vinha uma enorme retroescavadeira, derrubando paredes e revolvendo pisos (foto).

Quartiero é o maior produtor de arroz irrigado de Roraima, com índices de produtividade que se aproximam dos obtidos nos Estados do Sul.

Ele também planta soja e cria gado. Mas não possui títulos legais das terras que começou a ocupar como grileiro, no final dos anos 70. De acordo com as leis do País, ele não tem direito a indenização pelas terras nas quais investiu pesadamente, devendo receber apenas pelas benfeitorias. Mas, ele contestou o valor avaliado pelo governo e se recusou a receber a primeira parcela depositada. A decisão de destruir tudo, cria um novo atrito com a Justiça e com o governo.

Técnicos da área ambiental que estiveram em sua fazenda o acusam de ter destruído matas ciliares, áreas de preservação permanente, além de ter poluído os rios. As multas chegam a R$ 36 milhões. Comentando sua saída, Quartiero disse: "Perdemos. Mas vamos sair de cabeça erguida. Quem vai ficar aqui são os fundamentalistas da Igreja Católica (numa referência ao Conselho Indigenista Missionário), a serviço dos interesses internacionais." As informações são do jornal Estadão.

O canto de Illapu



Contra todas as ditaduras. Contra todas as ditabrandas.

Que doença? Quem deve se tratar?


Quem sustenta que há um baque?

O PIG e seus porta-vozes não conseguem disfarçar uma secreta euforia com o anúncio de que a ministra Dilma Rousseff teve um nódulo que foi extirpado por médicos paulistanos.

Tudo o que foi anunciado e relatado sábado passado pela própria ministra e uma equipe médica do hospital Sírio-Libanês estava conjugado no pretérito, perfeito e imperfeito.

Mas o PIG não está aceitando essa conjugação verbal, insiste no tempo presente e chega a arriscar cenários para o quadro eleitoral de 2010.

O pretérito, como se sabe, é o que não pertence ao presente nem ao futuro, o pretérito está precisamente situado no âmbito do passado.

Afirmar que um partido, ou mesmo indivíduos isolados, tenham tido um “baque” com o episódio pretérito da ministra é da exclusiva responsabilidade de quem afirma. Nenhuma declaração, gesto ou a mais vaga especulação sustenta a falsa informação da principal jornalista política do grupo RBS.

A morbidez dessa gente é espantosa, e constitui – agora, sim – uma patologia a ser tratada.

BNDES usa recursos da própria sociedade contra ela mesma


Com o nosso chapéu

Na semana que passou, a Folha trouxe excelente reportagem (22/4, Dinheiro) de Marta Salomon mostrando, com base em estudo da organização não governamental Amigos da Terra ("A Hora da Conta: Pecuária, Amazônia e Conjuntura"), o avanço da pecuária na Amazônia e, especialmente, a migração para lá de grandes frigoríficos, com recursos do BNDES.

Nada contra a pujança do setor. Tudo contra a maneira anárquica e predatória como se instala na Amazônia, alavancada por dinheiro público e sem condicionantes sociais e ambientais. Até com certa afronta, o presidente da associação que representa os grandes frigoríficos fecha questão: "Não dá para ter condicionantes. Acabar com o abate de gado de origem ilegal é desejável, mas impraticável".

E como fica o governo e suas normas de proteção ambiental (decreto presidencial do final de 2007) que determinam a criminalização de toda a cadeia produtiva originada de práticas ilegais?

Para conceder Bolsa Família, acertadamente são exigidas várias contrapartidas dos beneficiários.

Por que não se faz o mesmo com outros setores, aos quais nada se pede em troca?
O uso de ferramentas econômicas para redirecionar ou criar novos processos em benefício de toda a sociedade é dever do Estado, e sem isso ficaríamos sempre presos à teia dos interesses imediatistas e de seu pragmatismo. Mas falta ao Estado brasileiro inteligência estratégica para extrair dos empreendimentos um plus na forma de nova qualidade na produção, de compromissos para além da realização dos objetivos de negócio.

O BNDES, no fundo, usa recursos da sociedade contra ela mesma. Se abre o cofre sem qualificar social e ambientalmente o resultado que espera do investimento, em lugar de contribuir para o cumprimento das leis, financia o desprezo por elas até o ponto de os beneficiários declararem em alto e bom som que não vão cumpri-las. E ponto final.

Nunca houve discussão séria sobre as dimensões que cercam o apoio ao setor agropecuário. A agenda tradicional fala só de anistia, perdão de dívida, créditos subsidiados. Com a conivência dos governos, que não as exigem, não se fala de contrapartidas na forma de colaboração para proteger rios e florestas, potencializar o uso correto da biodiversidade e outros itens de interesse coletivo.

O irônico é que os cuidados ambientais revertem em benefício da própria produção, no longo prazo. Que parte do agronegócio se recuse a pensar nesses termos é lastimável, mas compreensível. O que não dá para entender - nem aceitar - é que as instituições públicas operem na mesma lógica.

Artigo da senadora Marina Silva (PT-AC), publicado hoje na Folha.

As lições do nazifascismo


A culpa é dos pacifistas

"Naturalmente as pessoas comuns não querem a guerra, mas afinal de contas são os líderes de uma Nação que determinam as políticas, e é sempre um assunto simples fazer crer ao povo que se trata de democracia, ou de ditadura fascista, de um regime parlamentar ou de uma ditadura comunista. Com voz ou sem voz, o povo pode sempre ser conquistado para os intentos dos líderes. Isso é fácil. Tudo o que tem de se lhes dizer é que eles estão sendo atacados, e culpar os pacifistas pelos bloqueios de patriotismo que expõem o país ao perigo. Isto funciona de igual maneira em todos os países".

Palavras de Hermann Goering no julgamento de Nuremberg (foto), em 1946. Goering foi marechal do Reich, comandante da Luftwaffe e segundo homem mais importante na hierarquia do nazismo alemão. Condenado à morte pelo tribunal de Nuremberg, cometeu suicídio na prisão ingerindo uma cápsula de cianeto de potássio, em 15 de outubro de 1946, aos 52 anos de idade. Fonte: Wikipédia.

sábado, 25 de abril de 2009

"Viver é muito perigoso"


Pílulas do “Grande Sertão: Veredas”

Coração de gente — o escuro, escuros.

Quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.

Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar.

No sistema de jagunços, amigo era o braço, e o aço!

Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.

O amor? Pássaro que põe ovos de ferro.

Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.

A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.

O diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro!

O diabo na rua, no meio do redemunho.

O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejos... Pois, não existe! E se não existe, como é que se pode se contratar pacto com ele?

Quem muito se evita, se convive.

Julgamento é sempre defeituoso, porque o que a gente julga é o passado.

O que lembro, tenho.

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.

Quem mói no asp'ro não fantaseia.

Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente.
Vingar... é lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais.

Quem sabe do orgulho, quem sabe da loucura alheia?

Ser chefe — por fora um pouquinho amargo; mas, por dentro, é risonhas flores.
Um chefe carece de saber é aquilo que ele não pergunta.

Comandar é só assim: ficar quieto e ter mais coragem.

Toda saudade é uma espécie de velhice.
Riu de me dar nojo. Mas nojo medo é, é não?

Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor.

Tudo é e não é.

Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir.

Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!

O sertão é do tamanho do mundo.

Sertão é dentro da gente.

O sertão é sem lugar.

O sertão não tem janelas, nem portas. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa.

O sertão não chama ninguém às claras; mais, porém, se esconde e acena.

O sertão é uma espera enorme.

Sertão: quem sabe dele é urubu, gavião, gaivota, esses pássaros: eles estão sempre no alto, apalpando ares com pendurado pé, com o olhar remedindo a alegria e as misérias todas.

A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.

A vida é muito discordada. Tem partes. Tem artes. Tem as neblinas de Siruiz. Tem as caras todas do Cão e as vertentes do viver.

Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.

Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.

Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães...

Feito flecha, feito fogo, feito faca.
Vi: o que guerreia é o bicho, não é o homem.

Até que, um dia, eu estava repousando, no claro estar, em rede de algodão rendada. Alegria me espertou, um pressentimento. Quando eu olhei, vinha vindo uma moça. Otacília. // Meu coração rebateu, estava dizendo que o velho era sempre novo. Afirmo ao senhor, minha Otacília ainda se orçava mais linda, me saudou com o salvável carinho, adianto de amor.


A obra Grande Sertão: Veredas é de autoria do grande escritor mineiro João Guimarães Rosa

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Isto é rock and roll!



Roy Orbison (The Big O), Bruce Springsteen, Jackson Browne, Elvis Costello, Tom Waits, T Bone Burnett & J. D. Souther, juntos, ao vivo, em 1987. A composição de Orbison, “Oh! Pretty Woman”, é de 1964.

Isto é rock and roll!

A violência no campo aumentou em 2008, junto com a impunidade


Houve 28 assassinatos por conflitos de terra, ano passado

A violência no campo aumentou em 2008 apesar da redução no número de conflitos. Enquanto, em 2007, a contabilidade dos confrontos agrários era de uma morte para cada 54 conflitos, em 2008 foi de uma para 42 episódios. O dado faz parte de levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que será divulgado no próximo dia 28.

“Dois mil e oito foi um ano muito mais violento que 2007. Proporcionalmente, o número de mortos tem aumentado. Ano passado houve menos ocorrências, mas foi mantido o número de assassinatos”, adiantou o integrante da coordenação nacional da CPT, Dirceu Fumagalli.

De acordo com o levantamento, 28 pessoas foram mortas em conflitos no campo em 2008. Mais de 70% dos assassinatos ocorreram em Estados da Amazônia Legal.

Segundo Fumagalli, o Pará manteve a liderança no ranking. “No Pará, a violência no campo em 2008 triplicou em relação a 2007. O Estado continua campeão em todos os indicadores: assassinatos, despejos, ameaças”, listou.

Rio Grande do Sul e Estados do Nordeste, principalmente a Bahia, também apresentaram indicadores preocupantes, segundo a CPT.

Na avaliação de Fumagalli, o crescimento da violência no campo verificado entre 2007 e 2008 poderá se confirmar como uma tendência caso a reforma agrária não avance no país. Segundo o coordenador da CPT, um dos fatores que justifica o endurecimento dos conflitos é a impunidade para os que cometem ou encomendam os crimes.

“A impunidade é o que mais motiva e fomenta a violência no campo. Por exemplo, enquanto o Bida [acusado de mandar matar a missionária norte-americana Dorothy Stang] estava preso em 2007, os fazendeiros ficaram acomodados, houve simplesmente uma pressão em cima dos trabalhadores. Com a liberação do mandante, em 2008, os fazendeiros voltaram a toda”, comparou.

Fumagalli avaliou o conflito entre seguranças particulares (jagunços) e integrantes do MST em Xinguara (PA), que deixou pelo menos sete feridos no último sábado (18), como mais um exemplo da urgência de avanços nas políticas de reforma agrária.

“Infelizmente a gente não tem visto avanço em resolver o conflito no campo. O que aconteceu no Pará vai continuar acontecendo lá, na Bahia, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul enquanto o Estado brasileiro não cumprir o que diz Constituição”.

O levantamento completo da CPT será lançado na próxima terça-feira (28/4) durante a 47ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O relatório também vai apontar outras estatísticas da violência no campo, como o número de ameaçados de morte, tentativas de assassinato, expulsões, despejos judiciais, ocupações e trabalho escravo. A informação é da Agência Brasil.

Capangas in concert


Angeli

Crime organizado tentou tomar conta da Brigada Militar


A afirmação é de um coronel da própria BM e juiz-presidente do Tribunal Militar

Recebo nota do jornalista Wanderley Soares, especializado no tema da Segurança Pública:

O presidente do Tribunal Militar do Estado negou, ontem, na Assembléia Legislativa denúncias de irregularidades naquela corte apresentadas pelo Ministério Público. O coronel Sérgio Antonio de Brum [foto] manifestou posição contrária à proposta de extinção do tribunal e disse que espera ter na Assembléia diálogo que não teve no Poder Judiciário. Brum ainda fez uma estranha afirmação ao declarar que a permanência da instituição que preside é a garantia de que os traficantes do crime organizado não tomaram conta da Brigada Militar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Nosso jornalismo investigativo trabalha febrilmente para nos informar


Aguardemos as copiosas reportagens sobre os “capangas do Mato Grosso”

Tenho absoluta certeza, o nosso bravo e destemido jornalismo investigativo da imprensa oligárquica brasileira já está a campo para verificar se de fato o ministro Gilmar Mendes tem mesmo capangas no Mato Grosso.

Afinal, a denúncia partiu de um também ministro do STF, o senhor Joaquim Barbosa.

Sei que a nossa imprensa brasileira é rápida no gatilho, amanhã mesmo os jornais, rádios e tevês estarão nos informando sobre tudo isso, com detalhes em rococó. Sente-se uma excitação no ar.

Mal posso esperar.

As veias abertas – aqui na íntegra


Leia, releia, incentive a leitura

Dias atrás o presidente Hugo Chávez deu um mimo ao presidente Barack Obama. A obra “As veias abertas da América Latina”, editado na década de 70, e um clássico da literatura política de denúncia das mazelas do então chamado Terceiro Mundo. Hoje, essa expressão está em desuso, porque o Terceiro Mundo penetrou Nova York, em Londres, em Paris e Tóquio, ao mesmo tempo que temos Primeiro Mundo em Santiago, Rio de Janeiro, Joannesburgo ou Lima.

O livro de Galeano começa assim:

Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. [...]

Um texto excelente do grande escritor Eduardo Galeano, outro uruguaio genial.

Capture, leia, releia, guarde e divulgue as 201 páginas da obra de Eduardo Galeano, aqui na íntegra (em pdf).

O plástico “verde” da Braskem é uma mentira




Verde, vírgula

O grupo Odebrecht/Braskem (sim, Odebrecht se origina daquela famosa empreiteira) afirma - e a mídia guasca faz coro - que estará produzindo o que chama de “plástico verde” em Triunfo (RS).
A matéria-prima desse polietileno é a cana-de-açúcar. Mas isso não garante o selo verde ao produto final, como estão alardeando aos quatro ventos do senso comum.

O plástico produzido pelo grupo Odebrecht – com recursos do BNDES e investimentos da Petrobras – não pode ser considerado “verde”.

O plástico de Triunfo é tão “verde” quanto são “silviculturas” as plantações de eucalipto e pinus das papeleiras na Metade Sul.

Trata-se de mais uma apropriação indébita da linguagem por parte dos exterminadores do futuro. Monocultura de eucalipto não é silvicultura, que se caracterizaria somente se houvesse reposição das espécies nativas do bioma Pampa. Não é o caso, as papeleiras plantam espécies exóticas e, o mais grave, o fazem em vastas extensões, não respeitando mananciais de umidade, fontes de água, microclimas e sobretudo a diversidade zoobotânica original.

O polietileno da Braskem não é “verde”, porque não é biodegradável, o que significa dizer que se degrada no mesmo longo prazo que o plástico originado do petróleo, ou seja, depois de centenas de anos.

Mas, mesmo que fosse biodegradável, admitamos, ainda assim não seria “verde”, porque o sistema de cultivo da cana-de-açúcar – no regime do agronegócio – não é sustentável. Ao contrário, o cultivo da cana é feito de forma extensiva, em vastas monoculturas, exigindo a concentração da terra, sofrendo aplicações de agroquímicos pesados e cumulativos, e fertilizantes não-orgânicos que comprometem a estrutura dos solos e desequilibram os microorganismos vivos e o ambiente natural como um todo.

Para agravar, essa produção pseudoverde vem a rigor fortalecer – econômica e politicamente – as famigeradas cadeias produtivas que formam o chamado agrobusiness, a saber: os oligopólios dos grãos, os oligopólios das sementes, dos alimentos industriais, dos fertilizantes e agroquímicos e por último (ou por primeiro), a hegemonia do capital financeiro – que subtrai o seu nada modesto quinhão de cada operação negocial deste grande circuito do qual poucos participam.

Afinal, um bom conselheiro para a dona Yeda



A propósito do dialeto embromeichon-bobineichon da governadora

Esse padre poderia vir assessorar a governadora Yeda. Com essa clareza, objetividade e a notável capacidade de tornar compreensível o que é confuso, este conselheiro finalmente faria deslanchar o governicho tucano no RS.

Dona Yeda, só o padre Júlio salva!

E rebeubéu pardais ao ninho... como dizem os lusitanos.

Yeda, simplória, ainda não entendeu lhufas


Todas as cores da ignorância

A governadora Yeda Crusius vive no RS há mais de trinta anos, e governa – segundo consta oficialmente – o Estado há mais de 27 meses e ainda não entendeu nada da história da velha Província de São Pedro.

Ontem, portando um lenço branco – identificação castilhista – a governadora, nascida em São Paulo, não soube explicar à ministra Rousseff se era chimango ou maragato. Preferiu o seu dialeto embromeichon-bobineichon – que lhe é peculiar – dizendo que o lenço contemplava todas as cores do Rio Grande, inclusive o vermelho, que deveria ser a cor predileta da ministra, segundo Yeda.

A confusão da governadora é própria de quem ignora os simbolismos políticos-partidários do velho Rio Grande de guerra. Aqui, o lenço vermelho identifica a reação do latifúndio contra a revolução não-democrática mas burguesa do castilhismo-borgismo, a partir da Constituição modernizadora de 1891.

Yeda precisa de umas aulas de Rio Grande do Sul. Seu lenço deveria ser vermelho.

Acima, fac-símile parcial da coluna de Rosane de Oliveira, de hoje, em ZH.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Joaquim Barbosa enfrenta Gilmar Mendes



Arranca-rabo no Supremo, agora à tarde.

Sindicato dos Petroquímicos protesta e denuncia


Trabalhadores dizem que fábrica foi construída com dinheiro público

O Sindipolo - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas de Triunfo/RS - colocou nota paga em jornais de Porto Alegre para protestar contra a fábrica da Braskem que está sendo inaugurada hoje.

Um trecho da nota diz o seguinte:

[...] A fábrica cuja pedra fundamental está sendo lançada hoje, com custo de R$ 450 milhões, terá 70% de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que utiliza dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que recebe 20% do imposto sindical pago pelos trabalhadores. Dos restante, 40% do projeto serão pagos pela Petrobras.

Não dá para admitir que o dinheiro público e dos trabalhadores, que deveria ser investido para garantir melhores condições de vida à população e geração de emprego, seja usado justamente por uma empresa que promove demissões e precariza o trabalho, como a Braskem.

Além disto, o Sindicato reitera o alerta para o prejuízo do monopólio da petroquímica pela Braskem, que sistematicamente eleva os preços dos produtos petroquímicos usados para fabricação de tintas, utensílios domésticos, peças automotivas e outros amplamente utilizados pela população.
[...]

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Os termos da nota do Sindipolo estão corretos. Não está correto é publicar nota paga em jornais da Capital, os mesmos que bajulam a Braskem/Odebrecht em troca de anúncio e publicidade.

O Sindipolo tem um portal na internet. Por que não prestigia o seu próprio canal de comunicação? A nota paga está nos diários do PIG local, mas não está no portal do próprio Sindipolo.

Aliás, as últimas notícias e o clipping diário do portal do Sindipolo é do dia 17 de abril, com informações absolutamente velhas.

Parece que há algo de errado nisso tudo. O velho (e atrasado) sindicalismo da boca torta insiste em desconhecer o poder da Internet, que é de graça.

Talvez por isso.

Debate sobre educação e reforma agrária


Encontro Estadual dos Educadores e Educadoras da Reforma Agrária acontece em Santa Maria

Inicia na manhã desta quarta-feira e prossegue até sábado em Santa Maria (RS) o Encontro Estadual dos Educadores e das Educadoras da Reforma Agrária. Cerca de 350 educadores de escolas do Rio Grande do Sul devem participar da atividade, que debate as dificuldades e os desafios de uma educação pública e voltada para as necessidades da população do campo.

A programação conta com painéis que abordam a conjuntura do campo, a luta pela reforma agrária e a situação atual da educação pública gaúcha e nacional.

Também ocorrem debates pedagógicos. Na sexta-feira (24) à tarde, os educadores e educadoras participam de um ato público no centro de Santa Maria em apoio ao dia nacional de paralisação pelo piso salarial nacional. Também denunciam a precariedade da educação gaúcha e o fechamento das escolas em acampamentos sem-terra – as escolas itinerantes (foto).

O Encontro Estadual dos Educadores e das Educadoras da Reforma Agrária acontece no Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Organizam a atividade o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O apoio é do Ministério da Educação (MEC), do Diretório Central dos Estudantes (DCE/ UFSM), do Projeto Esperança/Cooesperança e do Levante da Juventude, entre outros.

ZH espalha medo infundado de animais nativos


Matéria pode favorecer posição de investimentos predatórios e insustentáveis

O jornal Zero Hora de hoje semeia uma mentalidade patológica e irresponsável acerca dos animais silvestres. Ao chamar de “fera” um pequeno gato maracajá que foi encontrado ontem no bairro Partenon, zona Leste de Porto Alegre, o diário tablóide do grupo RBS espalha um espírito de animosidade e violência contra animais não-domésticos.

O maracajá é um pequeno mamífero, não muito maior que um gato caseiro, que vive nas matas que ainda restam no bioma Pampa brasileiro, uruguaio e argentino. Evidentemente não é um animalzinho dócil, mas também não apresenta risco aos humanos. Muito arredio, ele mais teme o humano do que qualquer outra coisa. Tem hábitos noturnos e se alimenta de animais de pequeno porte – menores que ele -, vivos ou mortos, que encontra no ambiente natural.

É de lamentar a irresponsabilidade social de ZH. Ao invés de esclarecer a população sobre o possível motivo deste exemplar estar perdido na zona urbana, o jornal alimenta mitos e temores infundados sobre os animais silvestres do Estado.

O comportamento excitado de ZH para com uma “fera” podem gerar indagações como essa: será que a RBS não está – nas entrelinhas, de forma subliminar – desqualificando animaizinhos que só sobrevivem se estiverem num ambiente natural equilibrado, para fortalecer a posição predatória de aliados como as papeleiras, com suas monoculturas extensivas de eucaliptos e pinus?

Estado brasileiro é um dos menores do mundo


Cai mais uma mentira da impostura neoliberal

Novo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a participação do emprego público é pequena no Brasil. O percentual de servidores entre o total de ocupados não chega a 11% e não chega a 6% se comparado a toda a população.

Segundo o estudo, "Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução Recente", publicado no portal do Ipea, não há razão para se afirmar que o Estado brasileiro seja um Estado "inchado" por um suposto excesso de funcionários públicos.

Comparando-se com o total de ocupados, o Brasil tem menos servidores que todos os parceiros do Mercosul, fica atrás de países como Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Austrália e muito atrás de Dinamarca, Finlândia e Suécia.

"Mesmo nos EUA, a mais importante economia capitalista, caracterizada pelo seu caráter 'privatista' e pelo seu elevado contingente de postos de trabalho no setor privado,o peso do emprego público chega a 15% dos ocupados", revela o estudo.

Nas conclusões, o documento afirma que "o atual contexto de crise, em especial, é justamente o momento para se discutir o papel que pode assumir o emprego público na sociedade brasileira. Os indicadores não revelam 'inchaço' do Estado brasileiro, quer seja sob o ponto de vista de sua comparação com o tamanho da população ou com relação ao mercado de trabalho nacional. Existe espaço para a criação de ocupações emergenciais no setor público brasileiro, especialmente nas áreas mais afetadas pelo desemprego, ou seja, o emprego público - mesmo que em atividades temporárias - poderia servir como um instrumento contracíclico (certamente não suficiente para compensar todos os postos de trabalho que serão eliminados no setor privado) pelo menos enquanto durarem os efeitos da retração econômica mundial sobre a economia brasileira".

Leia (e guarde) o estudo comparativo do Ipea aqui (em pdf). Tem 17 páginas.

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Quando se lê estudos como esse do Ipea, logo se compreende o motivo da grita da direita quando em 2007 assumiu a presidência da entidade pública federal o economista Marcio Pochmann. O Ipea estava contaminado pela presença de pesquisadores de outras origens e tinham o objetivo de sustentar o pensamento hegemônico com dados, indicadores e estudos “científicos”.

Uma das linhas perseguidas foi essa: a de minar e enfraquecer o Estado para que este fosse presa fácil do pragmatismo neoliberal de predação ao setor público. Só interessava o chamado “Estado mínimo”, um verdadeiro bordão que ornamentava dez entre dez discursos do patronato brasileiro, da mídia oligárquica e mesmo setores de esquerda convertidos à religião do mercado inevitável.

Hoje, esse mundo se desmancha no ar e tudo que foi sagrado está sendo profanado por dentro do sistema.

O Estado brasileiro é muito pequeno para dar conta dos desafios impostos pela sociedade da mercadoria. Para qualquer lado que se olhe, hoje, falta a intervenção pública para constituir políticas, impor decisões não-privadas, alargar os espaços democráticos, reduzir a influência das oligarquias parasitárias, aumentar a participação e a influência das multidões, e planejar de forma sustentável o futuro do nosso desenvolvimento.

Aumentar e qualificar o Estado brasileiro é uma condição imprescindível para o resgate da nossa imensa dívida social – talvez a maior do mundo.

Vírus se alternam no Piratini

Kayser

terça-feira, 21 de abril de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Yeda vai para a ilha de um banqueiro de Minas


Governadora descansa com líder dos cansados

Todos os anos – já está na oitava edição – acontece um evento promocional do grupo hoteleiro Transamérica, na ilha baiana de Comandatuba.

Os hotéis Transamérica pertencem ao grupo Alfa, do milionário mineiro Aloysio de Andrade Faria, hoje, com 89 anos de idade. Faria é um velho banqueiro brasileiro.

Anos atrás, em 1998, o banqueiro vendeu o seu tradicional Banco Real ao holandês ABN Amro Bank. Fundou, então, o Banco Alfa, voltado ao segmento “personal banking” para clientes de fino trato, quase todos rentistas e compradores de papéis da dívida pública brasileira, que paga os juros mais altos do mundo, já há muitos anos.

Todo o santo ano, essa faixa da população brasileira – cerca de 200 mil pessoas muito ricas – embolsam o equivalente a 150 bilhões de reais da riqueza brasileira – não gerando nenhum emprego sequer.

Ano passado, a revista Forbes informou que o banqueiro Aloysio de Andrade Faria foi classificado como o sétimo homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em 3,7 bilhões de dólares.

Assim, o Grupo Alfa contrata o jornalista e promotor de eventos João Doria Júnior para organizar um “meeting” anual variado, de empresários e autoridades estaduais e federais de múltiplos partidos. As pessoas assistem conferências – ano passado o tema foi Educação – e desfrutam das comodidades de um hotel de primeira linha, na paradisíaca ilha baiana de Comandatuba. Milton Friedman dizia que não existe almoço de graça, mas neste evento do ex-líder do “Movimento Cansei”, é tudo grátis, da passagem aérea ao vinho tinto italiano, safra 1978. Certamente, o “centro de custo” do investimento fica no Banco Alfa, já que Doria Júnior é apenas o animador fashion do faustoso acontecimento.

Esses eventos organizados para a fabulação do poder confirmam aquilo que Sérgio Buarque chamava de ordem cordial das elites brasileiras, uma aproximação calculada para fazer da subjetividade dos agentes públicos o alvo privilegiado de futuros negócios privados. O cenário edênico, a comida farta, a bebida espirituosa dissolvem resistências, aproximam distâncias, oportunidades e semeiam a imaginação de um porvir repleto de realizações pessoais para todos os convivas.

Em maio de 2005, a revista “Veja São Paulo” (a popular Vejinha) fez a seguinte pergunta ao jornalista João Doria Júnior:

"É verdade que no Rancho Doria, sua mansão em Campos do Jordão, ao voltar de um passeio a pé, os hóspedes antes de entrar na sala têm seus tênis limpos por um empregado?"

Júnior respondeu: ”Fazemos de tudo para ter a qualidade de um hotel cinco-estrelas. Tenho um bom time que poderia muito bem trabalhar em qualquer hotel dessa categoria. Eu e a Bia (sua mulher, a designer de jóias Bia Doria) gostamos muito de receber. As pessoas que convidamos para ficar lá são sempre muito bem tratadas e usufruem esse tipo de cuidado, sim”.

Como se pode deduzir, a governadora escolhe muito bem as suas companhias de feriados prolongados. Enquanto o Estado está submerso em epidemias de tempos medievais, a governadora regala-se com tratamento de rainha de Sabá.

Coisas da vida.

Jornalista da BBC dá um calor no mentiroso FHC



"Senhor Cardoso, explique como o procurador Geraldo Brindeiro sentou em cima de mais de 600 processos criminais contra funcionários de seu governo".

Banqueiros, usineiros e empreiteiros – os queridinhos do lulismo de resultados


Protagonistas invisíveis dos poderes da República

Há forte evidência na agenda de Medidas Provisórias e outras iniciativas do Executivo no Congresso, ou ainda na ação autônoma do governo federal, de que o desenho estratégico que continua a orientar o governo Lula em 2009, preparando a sucessão de 2010, pauta-se pela mesma aliança de economia política do início do governo.

"Banqueiros, usineiros e empreiteiros", nesta ordem, como protagonistas invisíveis dos poderes da República, na feliz expressão do amigo há pouco falecido Tamás Szmrecsanyi.

Essa aliança perseguiu, ainda que com defasagens e retardos, a inserção da economia brasileira no "boom" do crescimento da economia mundial, pela via do setor primário exportador.

Do primeiro para o segundo mandato do presidente a tônica de prioridades vai se deslocando do sistema financeiro, para também arranjar espaços ao agronegócio e aos investimentos em infraestrutura de energia (prioridade do PAC). Mas esse movimento sempre se fez preservando uma máxima "renda mínima" aos credores da dívida pública brasileira – prioridade que restringiu o crescimento econômico a níveis bastante aquém do seu potencial de expansão.

Por outro lado, a partir de setembro de 2008 está claramente configurada uma crise financeira externa cuja projeção sobre o Brasil afeta diretamente as principais cadeias agroexportadoras, o programa energético e também o sistema financeiro. Este impacto, por seu turno, é relativamente mitigado, em razão da existência de instituições do Estado do bem estar, como os sistemas de Seguridade Social e Educação Básica, que exercem de fato o papel contra-cíclico.

Com ou sem crise externa era e é evidente que essa estratégia não daria conta de inserir 100 milhões de brasileiros (tamanho atual da População Economicamente Ativa, que ainda cresce ao ritmo de 2,5% ao ano); nem tampouco atenderia às legítimas demandas por direitos sociais dessa população. Tampouco essa aliança e sua forma de estruturação agrária e ambiental são compatíveis com os necessários padrões de manejo sustentável dos recursos naturais no Brasil e no mundo – condição de possibilidade para certos equilíbrios planetários, que mais dia menos dia irão se impondo no lugar da globalização financeira.

Todo esse arrazoado tem a ver com a introdução deste artigo no seguinte aspecto: a pauta de medidas prioritárias do governo no Congresso opera com o foco voltado a retrovisores. Para citar apenas duas medidas legislativas: MP 458 (permite a alienação de terras públicas na Amazônia Legal, sem licitação, com até 10 módulos fiscais; e direitos de preferência para áreas maiores); e a Reforma Tributária Oficial (PEC 233/2008).

O primeiro retrovisor é o foco de crescimento apoiado no padrão primário-exportador. Este, além dos seus notórios limites internos, ignora a crise externa e seu efeito desarticulador sobre as cadeias agroexportadoras de commodities. A MP 458, concebida segundo este viés, estaria legitimando ações promovidas pela banda podre do agronegócio – os grileiros da Amazônia Legal. O pressuposto implícito é de legalizar e não penalizar práticas agrárias e ambientais predatórias na fronteira de expansão das "commodities"; ignora também o direito constitucional de propriedade, naquilo que este tem de mais promissor: sua função social-ambiental.

Por seu turno, a Reforma Tributária oficial também nasce focada em dois retrovisores: golpeia os direitos sociais da Constituição de 1988, condição imprescindível para se fazer a defesa dos mais pobres na crise, e ignora ainda a crise econômica, pelos seus efeitos altamente desestabilizadores sobre as arrecadações tributárias. É tempo de mudar de agenda, sob pena de completo desgoverno sobre as condições críticas da economia e da sociedade.

Artigo do economista Guilherme Costa Delgado, consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Publicado no boletim da CBJP/CNBB.

MST inicia marcha em São Gabriel


Famílias cobram do Incra o cumprimento do TAC

Cerca de 500 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, acampados e assentados na região de São Gabriel (fronteira Oeste do RS), iniciaram nesta manhã (17/04) uma marcha em direção ao centro da cidade. As famílias reivindicam o cumprimento do Termo de Ajuste de Conduta assinado pelo Incra há mais de um ano.

O TAC assinado pelo Incra estabelecia o assentamento de duas mil famílias de trabalhadores rurais até o final do ano passado, mas apenas 700 destas conquistaram um pedaço de chão.

A marcha faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária que lembra os 13 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, e denuncia a lentidão da reforma agrária no Brasil.

O MST propõe a realização de uma reforma agrária efetiva como solução para a crise econômica, com a geração de empregos permanentes no campo, e para a crise alimentar, com a produção de alimentos para a população.

Chegou o pacote de ajuda para o agronegócio


Governo Lula injeta 12,6 bilhões no setor agropecuário

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou em reunião extraordinária realizada no final da tarde de hoje três decisões que devem injetar R$ 12,6 bilhões no setor agropecuário.

O maior montante, de R$ 10 bilhões, já tinha sido antecipado à tarde pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. Será para uma linha de crédito para financiamento de capital de giro a agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e a cooperativas agropecuárias. A informação é da Agência Brasil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que um dos segmentos a serem beneficiados é o setor de carnes (bovinas, aves e suínos). Serão cobradas, nessa linha de crédito especial, taxas de juros fixas de 11,25% ao ano. Os empréstimos têm prazo de até dois anos para o pagamento, incluindo até um ano de carência.

Segundo o secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, considerando os problemas causados pela crise mundial no setor, “o melhor lugar para irrigar e fazer a roda girar é a agroindústria”.

Bittencourt disse que a falta de capital de giro nessas empresas acaba gerando um “efeito cascata” no restante da economia. “Essas indústrias antecipam recursos aos produtores e ajudam a financiar a produção. Sem capital de giro, elas não tem como acessar crédito e não tem dinheiro para antecipar aos produtores, que não tem como pagar os fornecedores de insumos.”

A segunda linha de crédito, de R$ 2,3 bilhões, será destinada a um programa de financiamento para estocagem de álcool. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fornecerá R$ 1,3 bilhões, e o Banco do Brasil mais R$ 1 bilhão, com recursos da poupança rural. As taxas de juros também serão de 11,25% ao ano.


A última medida eleva em R$ 300 milhões o volume de recursos do Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop). A linha passa de R$ 1,7 bilhão para R$ 2 bilhões. Metade se destina a investimentos e a outra parte vai para empréstimos de capital de giro. Também foi autorizado, pelos próximos dois anos, o acesso de empresas integradoras ao benefício. Dessa forma, frigoríficos de aves e suínos serão beneficiados.
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Sem maiores comentários, a opção do lulismo de resultados pelo agronegócio, pelas monoculturas de exportação, pelas transgenias, pela agropecuária de predação, é clara, indesmentível, definitiva. De resto, um circuito produtivo totalmente dominado pelos oligopólios dos grãos, das sementes, dos fertilizantes, dos agroquímicos e também o sistema financeiro, que participa e subtrai o seu quinhão de todas as operações dessa cadeia.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Simpa quer discutir projeto previdenciário de Porto Alegre


A importância da luta dos municipários da Capital para o Estado

A diretoria do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre manifestou discordância com o projeto de lei do Executivo que altera a formatação previdenciária dos servidores públicos da Capital.

As declarações foram feitas em reunião na Câmara dos Vereadores. O Simpa afirma que não está de acordo com a retirada de direitos dos trabalhadores. A informação é da Agência Chasque.

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Amanhã, quinta-feira, dia 16/4, às 14h tem Assembléia Geral dos municipários de Porto Alegre no Centro de Eventos do Parque da Harmonia.

Será discutida e aprovada a pauta de reivindicações dos municipários, bem como as necessárias mobilizações para a manutenção e conquista de direitos.

A luta dos municipários de Porto Alegre, através do Simpa, tem um caráter político que precisa ser acompanhado com atenção especial. O prefeito José Fogaça (PMDB) está sendo apontado como o candidato favorito do conservadorismo guasca para a sucessão estadual do próximo ano. Com o desgaste e o fracasso definitivo do governo de Yeda Crusius, as esperanças eleitorais/negociais da direita recaem sobre o atual prefeito de Porto Alegre.

Por isso, a luta do Simpa tem um significado especial e merece o nosso decidido apoio.

Todos os sabujos do presidente


Jornalistas da oligarquia adulam o presidente Gilmar Mendes

A coluna do jornalista Elio Gaspari (publicada em vários jornais do País) de hoje é um primor de sabujismo ao presidente Gilmar Mendes.

É preciso fazer esse registro. Ninguém atento e de sã consciência desconhece que a mídia oligárquica e seus serviçais tem em Gilmar Mendes o seu líder e vanguardeiro de suas causas do atraso e do retrocesso. Mas – repito – é preciso deixar registrado, para que não se passe recibo de omissão ou desconhecimento das ações do PIG, incansavelmente militando para que o Brasil retorne ao século 19.

Como era bom o Regente Feijó! Que saudades do Imperador Pedro II, o Magnânimo! Como era boa a Família Bragança! Naquele tempo, os negros e a ralé conheciam o seu lugar! Hoje, querem estudar, exigir direitos...

O fascismo nosso de cada dia

Angeli

O PAC é correto, mas insuficiente


O Brasil e a crise da globalização

Em Davos, templo dos executivos que prosperaram com a globalização - que foram, e ainda são, adeptos do neoliberalismo e, por conseguinte, profetas acima de qualquer suspeita -, o prognóstico de recuperação mundial daqui a quatro anos, feito por um banqueiro, foi considerado excessivamente otimista, segundo a mídia.

O Brasil tem que aceitar que esta crise é mundial e duradoura. A principal projeção de crises extensas é a transformação estrutural do padrão organizacional, operacional e das hierarquias do sistema que entrou em crise. A crise marca o fim de uma era e o início de um processo de transição, do qual emergirá uma economia substantivamente modificada.

Com os ouvidos abertos aos discursos políticos do epicentro dominante, registro que Barack Obama, além de indispensáveis intervenções pontuais, prometeu em seu discurso de posse que "os EUA voltarão a liderar". Sublinho que já delineou um programa de longo prazo que supõe a modernização e recuperação da infraestrutura da economia americana e uma concentração de esforços para inventar e inovar um vetor energético, pois corretamente percebe que esta questão é seu calcanhar de Aquiles.

A União Europeia sinaliza sua exigência de uma profunda reorganização do sistema financeiro mundial, que deverá ter um novo padrão de regulamentação e fiscalização. O controle dos 72 paraísos fiscais está, progressivamente, adquirindo consenso. A China já formalizou ambicioso programa de investimentos públicos e explicitou que assumirá a ampliação de seu mercado interno como futura frente de desenvolvimento.

A postura de cada nação ante estes prognósticos e decisões tem sido diferenciada. Com erro de todas as generalizações, afirmaria que muitas reagem a este cenário como se estivessem sob uma nuvem tempestuosa, porém passageira; acreditam que a dinâmica mundial será restaurada; permanecem esperando. Embora procurem minimizar as perdas e reduzir as emanações da crise em seu território, não ousam propor uma trajetória própria, um padrão desejado para o desenvolvimento nacional. Infelizmente, o Brasil parece estar nesta categoria.

Passando por cima de qualquer crítica pontual, aceitando sem discutir que o Brasil está com uma melhor blindagem em relação à atual crise mundial e assumindo que, no cenário de devastação progressiva, o Brasil crescerá um pouco em 2009, quero deplorar a timidez com o que está enunciado com o olhar no futuro.

Três decisões merecem ser visitadas. O PAC é correto, porém insuficiente. Sua magnitude e ritmo de execução não elevaram a participação do investimento público na economia. É um ensaio modesto de execução de alguns projetos inadiáveis no segmento de infraestrutura.

Foram excelentes as diretivas do presidente Lula em relação ao pré-sal: afirmou que Brasil não se converterá num país exportador de petróleo, mas sim de produtos refinados e/ou outros itens que agregam valor à atividade dos brasileiros, beneficiados com a ampliação da energia por habitante. Determinou que os efeitos dinâmicos - à frente e para trás - da economia do petróleo serão exclusivos para desenvolver atividades internas geradoras de renda e emprego. Esta diretiva abre uma frente de expansão para o investimento privado dinâmico.

Mas estas não parecem ser diretivas da pauta principal da Petrobras - nossa maior empresa tem hoje 40% de seu capital em mãos estrangeiras -, que anunciou uma associação extremamente perigosa com a China.

Finalmente, foi formulado um programa de habitação que parece desconhecer a reduzida capacidade de endividamento de nosso povo. Reconheço o mérito, em tese, de ativar a construção civil, porém deveria ser matéria de amplo subsídio público e assumir que o próprio povo já demonstrou que é capaz de construir suas habitações.

Seria preferível apoiar a construção "formiguinha" que o povo faz com o que poupa em materiais de construção. Acho que a combinação de um programa de criação de lotes edificáveis na rede urbana e um de aperfeiçoamento do transporte coletivo de massas na rede metropolitana seriam decisões mais consistentes para o desenvolvimento brasileiro.

Aos trancos e barrancos, existe já um esboço de proposta de futuro. O que não estão explicitadas são as janelas ideológicas e as oportunidades que se abrem para o Brasil.

Como se sabe, a questão social é nacional e nas sociedades abertas, apesar de democracia imperfeita, nenhum governo deixará de proteger seu povo, logo, sua economia. Haverá um neoprotecionismo, não necessariamente aduaneiro, provavelmente operacionalizado a partir de um sistema bancário mais estatizado e ultrarregulamentado. Haverá neonacionalismo.

O Brasil é, dos "países baleia", o que está potencialmente melhor posicionado para o desenvolvimento de um projeto civilizatório. Nossa população é urbanizada e metropolitana; estamos no melhor momento de nossa história demográfica; dispomos de um povo que quer ser feliz e está disponível para ser empregado em atividades de mais alta produtividade; podemos, pelos nossos recursos naturais, exorcizar a questão energética, preservando e aperfeiçoando a matriz (temos o mais alto índice de formas energéticas renováveis) e elevando a disponibilidade de energia por habitante.

Em contrapartida, é péssima a matriz logística brasileira, predominantemente baseada nas rodovias, cujo custo é quatro vezes superior aos transportes ferroviário e aquaviário.

Não incorporamos a logística nacional às três bacias fluviais e desprezamos a navegação de cabotagem. Apesar de sete regiões metropolitanas estarem na linha da costa, optamos pela rodovia de norte a sul. Não integramos nem ampliamos o acesso territorial mediante ferrovia.

Podemos converter o limão em limonada. Há uma ampla fronteira de investimentos produtivos na renovação e ampliação de nossa matriz logística. A grande e espetacular vantagem é que podemos fazer uma revolução tecnológica, reduzindo frete e elevando o poder de compra de nosso povo, a partir do desenho de uma nova matriz de transporte.

Estas tecnologias (rodoviária e aquaviária) são conhecidas e dominadas pela engenharia brasileira e têm o mérito de ser puramente criadoras, ao contrário da renovação de uma matriz energética no Primeiro Mundo, que será igualmente criadora, porém também destrutiva.

Artigo do professor Carlos Lessa, economista, ex-presidente do BNDES no governo Lula, publicado hoje no jornal Valor Econômico.

Começou a ofensiva do MST contra latifúndios guascas


Jornada Nacional de Lutas movimenta o Brasil

Nesta manhã, trabalhadores rurais sem-terra ocuparam uma área improdutiva em Canguçu (RS) e iniciaram marcha rumo a um latifúndio em São Luiz Gonzaga (RS).

A ocupação de um latifúndio improdutivo em Canguçu e uma marcha em São Luiz Gonzaga deram início à participação do Rio Grande do Sul na Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária do Movimento Sem-Terra.

A Jornada exige agilidade na reforma agrária e lembra o massacre de 19 trabalhadores rurais sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), há treze anos.

Em Canguçu, 200 famílias ocuparam a fazenda São João D’Armada. A área de 1.130 hectares foi considerada improdutiva por uma vistoria do INCRA em 2007, mas jamais foi desapropriada. O proprietário João Valter Ribeiro possui outras fazendas na Metade Sul do Estado e não reside no município de Canguçu. A ocupação ocorreu às 5h30 da manhã de hoje.

Em São Luiz Gonzaga, 300 trabalhadores rurais iniciaram uma marcha rumo a outro latifúndio, partindo do acampamento na BR 285. Neste momento, os trabalhadores marcham na rodovia, em direção à cidade de São Luiz Gonzaga.

O Segundo Plano Nacional de Reforma Agrária previa o assentamento de 550 mil famílias, entre 2003 e 2007, em todo o País. Porém, apenas 163 mil famílias foram assentadas neste período.
No Rio Grande do Sul, o Termo de Ajuste de Conduta assinado pelo INCRA estabelecia o assentamento de duas mil famílias de trabalhadores rurais até o final do ano passado, mas apenas 700 destas conquistaram um pedaço de chão.

A Jornada Nacional de Lutas acontece em todo o Brasil durante toda esta semana em memória dos 19 trabalhadores rurais sem-terras assassinados em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996.

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