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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Racha no lulismo de resultados



Sigla eleitoral estaria dividida sobre julgamento de torturadores

O esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se ponha um ponto final na polêmica criada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre a revisão da Lei de Anistia, não é compartilhado por parte dos militantes de seu partido, o PT. Existe uma ala que apóia a tese do ministro de que os torturadores não foram beneficiados pela anistia e, portanto, devem ser julgados e punidos.

Para o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, “a Lei de Anistia não se aplica a quem torturou, seqüestrou ou fez desaparecer pessoas”. O secretário nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais, Renato Simões, defende a mesma tese.

Na cúpula petista, porém, predomina a idéia de que não está na hora de discutir o assunto. O presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), diz seguir a linha proposta por Lula.

“Concordo com a avaliação do presidente de que não cabe ao Executivo se debruçar sobre esse assunto”, afirma. “Acho que a tarefa do Executivo é olhar para frente.”

Para Berzoini o debate sobre o alcance da anistia foi levantado fora de hora. “Este é um momento em que o PT está mergulhado nas eleições, na discussão de estratégias de mobilização”, observa.

Ele não descarta, porém, a possibilidade de um debate interno sobre a questão da anistia - se isso for solicitado por setores da legenda. “Mas só depois do período eleitoral”, avisa o presidente da sigla. A informação é do Estadão, de hoje.

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Vejam que 100% das energias petistas estão concentradas na feira eleitoral, constituindo, assim, o único horizonte estratégico da sigla. Qualquer debate fora desta pauta monotemática pode ser classificado internamente como um grave desvio “político”, passível das punições mais severas.

21 comentários:

Anônimo disse...

Parece que sim.
Vejam o que está rolando por aí:

Tarso Genro usou carro oficial para ir ao jantar de adesão à campanha de Maria do Rosário (PT-RS), candidata à Prefeitura de Porto Alegre. Ao sair do jantar, numa churrascaria de Brasília, Tarso admitiu, quando questionado por jornalistas, que o veículo era oficial. A cartilha da Advocacia-Geral da União (AGU) recomenda que os auxiliares do presidente Lula não usem carro oficial em eventos de campanha. "Não é evento de campanha. Eu vim para uma churrascaria", afirmou Tarso. Disse ainda que o jantar de Maria do Rosário era mais um compromisso em sua carregada agenda de trabalho. Assim, de alguma forma, todos nós, brasileiros pagadores de impostos, contribuímos, ontem, para a campanha da Maria do Rosário, ao pagar a gasolina do carro oficial com motorista do Tarso Genro.

Elias

Anônimo disse...

Vai começar a aparecer as fofocas do Claudio Humberto aqui também!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Vê-se que o PT, apesar do choro das minorias, evolui. Isso é bom.

Luis disse...

"Racha no lulismo de resultados"...?!
Que chamada de tom sectário...
Bem, eu saúdo tal divisão, se é o caso, pois o tal "lulismo de resultados" está longe de ser monolítico e o PT ainda é um partido de ampla base social, de trabalhadores.

salcedo disse...

pare de beber, luís, a bebida ainda vai ser a sua ruína

Fabrício disse...

O mais deprimente de tudo é o racha que não existe, isto é, alguma disputa, por mínima que fosse, em torno das questões econômicas, ambientais... enfim, aquelas que realmente definem o caráter progressista ou reacionário de um partido que ocupa o governo.
O PT está definitivamente na vala comum do aviltamento político. Inclusive a "brava" DS!

Anônimo disse...

Cuidado, Salcedo, a seita vai te levar à ruína...

salcedo disse...

Anônimo, já me levou à ruína. Fui petista.

Anônimo disse...

Tá explicado... é duro romper com o que se considera a nossa igreja... infelizmente a luta de classes não dá descanso...

Camilo Gomide disse...

A punição exemplar dos torturadores da ditadura já foi posição política unânime no PT. É uma pena que agora só é uma discussãozinha que só atrapalha a corrida por votos. Dois ou três são favoráveis ao julgamento dos milicos, o Berzoini é contra porque Lula também é e a maioria absoluta não está nem aí pro negócio. A política mesmo é a última coisa com a qual o PT se envolve. Pra quê, se tem tanta outra coisa melhor na vida?
E assim se desencaminha a nossa humanidade!

gustavo disse...

Camilo, infelizmente é por aí que vai a coisa. É sintomático: o Maia diz que o PT evolui!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Em outras palavras, Gustavo, caiu na real.

Andre Passos disse...

Tóia,

Só uma correção: É pior; focar em eleição não é horizonte estratégico. É revelação da perda de qualquer horizonte. A direção nacional do PT está presa em um quarto escuro com uma vela. Alguém vai soprar, meu amigo...

Abraço.

P.S.: meu blog não é do seu gosto? É porque notei que não está entre os seus links recomendados. Sua opinião é importante.

Cristóvão Feil disse...

Irá, já!

Tu sabes que eu, às vezes, sou meio abstrato...

Abç.

CF

Carlos Eduardo da Maia disse...

Que história é essa que eleição não é horizonte estratégico. Qual é, afinal, o horizonte estratégico? Alimentar a luta de classes, o antagonismo social, para se chegar a um regime que ninguém sabe ao certo no que vai dar? Isso não é objetivo estratégico, isso é, como diz a grande blogueira cubana Yoani Sánchez, a utopia dos outros.

Anônimo disse...

Grande blogueira cubana Yoani? Pode ser grande blogueira, mas não é cubana, mas gusana mesmo.
armando

Anônimo disse...

ou se v. quiser, gusano...

Anônimo disse...

É muito interessante o Maia, que gosta de meter o "bedelho onde não foi chamado", que ele ache que eleição é horizonte estratégico é um direito dele, e natural pelo seu reacionarismo aloprado; agora, como diz a Yoani Sánchez, a utopia do outro é para ser respeitada só. Mas o outro para ele é sempre um a ser eliminado, à la Mendes.

Claudio Dode

Luís disse...

Concordo, no geral, com as críticas colocadas ao "lulismo de resultados", aqui... apenas critiquei o tom sectário da equiparação feita com o PT.
Portanto, desculpem-me se o PT ainda tem larga base social e se alguém se decepcionou com a sua "igreja", descobrindo que não era tão pura quanto imaginava e pelos seres que são humanos, afinal.
E a luta de classes continua (independentemente da minha vontade, infelizmente) enquanto continuar funcionando o consumismo e a exploração de classe... então, prefiro continuar fazendo política... contra a direita, de preferência.

Suzie disse...

Convenhamos: que briguinha micuim.
Gostem ou não: O PT é um partido bem mais transparente que os demais.
Se ele nada representasse: não haveriam tantos ANTI.
Aquela do : já fui... não entendo o quê possa ter encontrado de melhor.
Um mundo bipolarizado, de algum lado terão de ficar.
Por acaso existe alguém desinteressado(a), neutro(a)?
E assim caminham os "humanos"...

Anônimo disse...

Sempre encontramos os que não valorizam as coisas que estão na vida cotidiana, como se elas sempre estiveram aí, como um presente da natureza. As eleições,por exemplo.
Alguns estão tão distraidos que são capazes de "jogar a criança com a água do banho".

Perguntas: Quais são as atribuições de um Partido Político?
E do Judiciário?
Cândida

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