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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O blog cantou essa pedra


Jobim, sozinho, decide que não haverá punição a torturadores da ditadura

A defesa pública da punição dos torturadores do regime militar, feita pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, na semana passada, não desagradou apenas às Forças Armadas. Setores do Palácio do Planalto e do governo também se irritaram com as declarações e reprovaram a conduta do ministro. A informação é do Estadão , de hoje.

No governo, quem mais se incomodou com a manifestação “inconveniente” de Tarso foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele comentou no fim de semana com um interlocutor que já teve “de apagar incêndio dele (de Tarso) com o Judiciário” e agora surge a “provocação aos militares, sem avisar ninguém”. Frisou que se via obrigado a contestar o colega de público, para contornar a crise.

O embate com o Judiciário se deu por causa das críticas de Tarso ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em razão dos seguidos habeas corpus concedidos pela Justiça a presos em operações da Polícia Federal.

Depois do seminário promovido pelo ministro da Justiça, Jobim (foto) apressou-se em afirmar que “a análise dos fatos que estão sendo levantados por Tarso cabe exclusivamente ao Judiciário” e nada tem a ver com o Executivo.

Jobim também atuou nos bastidores, procurando acalmar pessoalmente os comandantes das três Forças e agradou. Oficiais do Exército estão sendo convencidos de que há um “núcleo do governo que barra o revanchismo propalado pelo ministro da Justiça”, mas nem assim está sendo fácil conter a revolta dos militares diante das declarações de Tarso.

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Quando o advogado Nelson Jobim, que comumente consegue equilibrar sua militância política entre o PMDB e o PSDB, mas sempre pela direita, entrou para o governo Lula, nós dissemos aqui que este mesmo governo dava uma guinada à direita. E assim foi, e é.

Jobim tem um papel bem definido dentro do lulismo de resultados: servir de interlocutor do governo junto aos ministros do STF, do PMDB, do PSDB e do mundo jurídico conservador. Só que ele não tem sido apenas um interlocutor de mediação, Jobim tem tido um papel de protagonista principal em inúmeras questões políticas importantes da pauta nacional.

Uma delas, que está oculta (por força da re-ação jobinista): a reforma política.

O ministro Tarso Genro há cerca de vinte dias, quando estava na Espanha, anunciou que fora mandatado pelo presidente Lula para escrever um projeto de ampla reforma político-eleitoral para o País. Prazo para o projeto entrar no Congresso: 31 de julho. Prazo vencido, e nada do projeto de reforma política.

Perguntem, agora, prezados leitores e leitoras: quem está criando toda a sorte de obstáculos para que prospere uma proposta do Executivo para uma autêntica reforma política? Perguntem.

Uma dica: o nome do contra-agente político começa com J e termina com M.

9 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Uma das posturas mais equivocadas de se fazer politica é com ranço e ressentimento. A Lei da Anistia colocou uma pá de cal sobre os crimes cometidos -- pelos dois lados -- e agora querem revogar a aludida lei, sob a alegação de que aqueles crimes eram comuns. Tudo bem, querem fazer essa interpretação? Mas ela tem que valer para todos os lados.

Anônimo disse...

Trata-se de uma burrice exegética especificamente destinada a promover demagogia revanchista e cujo valor doutrinário qualquer calouro de direito é capaz de contestar com a propriedade de bacharel. A revisão dos efeitos da Lei de Anistia tem cara de ciúme retroativo e atende aos interesses de casmurros estabelecidos que pretendem fazer da democracia instrumento eficaz de realização da vindita. A esquerda há 28 anos exigia anistia ampla, geral e irrestrita. Muito bem, temos a honra de ostentar que há quase três décadas não há mais presos políticos no Brasil. O PT não pensa assim e acha que pode rasgar a lei que abriu o caminho da liberdade. Deveriam estudar Direito Penal. >
Caio

gustavo disse...

Acima, uma posição clássica dos nossos "democratas" da atualidade: todos filhotes da ditadura!
E mais, qualquer pessoa minimamente informada sobre o processo de abertura política no Brasil sabe que foi levado a cabo de maneira lenta e gradual. Ditado basicamente pelos interesses dos que se bebeficiaram com o regime civil-militar iniciado com o golpe de 64. Seu objetivo fundamental era livrar de qualquer penalidade os responsáveis pelo terror de estado, para que seus correligionários, filhos, amigos, etc pudessem continuar a defender seus interesses de classe. Vinte anos depois do "processo de abertura política" são todos defensores da democracia. Estão todos aí.Grandes Democratas!Chega a ser rísivel a argumentação do Maia(como de costume, por sinal) e do bacharel em direito(ao que tudo indica) Caio. Eles querem dar uma de que estão falando sério!Pensam que escreveram esta merda aí acima para serem lidos pelo público consumidor da ZH ou da Veja. Ofendem a inteligência de quem viveu ou estudou o processo histórico brasileiro na segunda metade do século XX!

Anônimo disse...

Deve ser difícil para o Tarso Genro, que é odiado por boa parte do PT gaúcho, ver Dilma Rousseff, a ex-pedetista sem nenhum mandato eletivo no currículo, ser a estrela petista no lançamento da candidata à prefeitura de Porto Alegre. Lascou o recalcado, antes de subir no palanque, sobre a preferência de Lula pela mãe do PAC: "é um nome excelente, mas não é o único". E, contrariando o ministro da Defesa, ex-presidente do STF, e o próprio STF, continuou destilando a sua raiva contra os militares. Babaca, este Tarso Genro.


Paulista

Carlos Eduardo da Maia disse...

Gustavo, leia um pouco mais sobre os fatos antes de falar tanta besteira. Eu fui às ruas protestar contra aquele regime que calou minha geração. Nunca fui correligionário ou amigo de nenhum torturador. Também nunca defendi a luta armada, porque sempre achei equivocada e apenas alimentava a paranóia dos milicos. No final das contas se fez uma lei da anistia que vale para todos os lados, exatamente para se colocar uma pá de cal em cima daquele período. A proposta de Tarso é completamente intempestiva e impertinente.

Anônimo disse...

O Maia,

"Nunca foi correligionário ou amigo de nenhum torturador", mas agora morre de amores e não pode ver ninguém questionar que tem chilique.

intempestivo e impertindente é defender torturador.

Não é atoa que defende o Mendes.

Claudio Dode

Anônimo disse...

versão de que a provocação feita pelo ministro Tarso Genro aos militares revela uma disputa interna no PT pela sucessão de Lula, não parece se sustentar, porque o ministro tem reafirmado sua intenção de se candidatar ao Piratini em 2010.

. O problema de Tarso Genro é sua oceânica ambição. Como FHC, o mínimo que deseja o ministro é o cargo de secretário Geral da ONU. No caso de Tarso, sua ambição é inversamente proporcional ao seu cacife intelectual e político. . Isto justificaria seus discursos mais recentes, com os quais estaria abrindo caminho para vôos mais altos, através da esquerda do PT.

Paulista

Anônimo disse...

Tarso Genro, o ministro da Justiça que quer rever a Lei da Anistia para punir apenas aqueles que ele considera seus adversários? Pois bem. Ele é também o chefe da Polícia Federal e comandou pessoalmente a operação para expulsar os arrozeiros da reserva Raposa Serra do Sol, como todos sabem. Sim, são aqueles fazendeiros que ocupam apenas 0,7% da área, onde produzem, anualmente, 152 mil toneladas de arroz, consideradas vitais para o abastecimento da Região Norte do país, segundo o próprio Ministério da Agricultura.

Paulista

Anônimo disse...

Ele é também o chefe da Polícia Federal e comandou pessoalmente a operação para expulsar os arrozeiros da reserva Raposa Serra do Sol, como todos sabem.

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