Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Eleições 2008


Por que falta emoção?

Pobres candidatos às próximas eleições municipais! Andam pelas ruas, cumprimentam eleitores, distribuem sorrisos, entopem-se de pastéis, afogam-se em cafezinhos, e não provocam nenhuma emoção. Quantos votos haverão de angariar com esse peripatético (mais patético que outra coisa) aquecimento eleitoral? Os candidatos a prefeito confiam nos programas de TV, capazes de levar suas imagens a inúmeros lares e, quem sabe, aumentar seus índices nas pesquisas. Os marqueteiros eleitorais capricham no visual de seus clientes, maquiam o débil de forte; o corrupto de honesto; o nepotista de ético; o incompetente de capaz; o feio de bonito.

Trata-se o candidato como produto e o eleitor como consumidor. Produto com prazo de validade a vencer no dia da apuração. Os derrotados evaporam e os eleitos são alçados às inalcançáveis estruturas de poder.

Por que falta emoção? A emoção é filha da utopia, do sonho que alenta, da paixão que encoraja, do desejo que se projeta. Esta a palavra-chave: projeto. Qual o projeto ou programa dos candidatos, além do próprio interesse pessoal de eleger-se? O que os candidatos a prefeito têm a dizer quanto ao sistema municipal de saúde, educação, saneamento, transporte coletivo, alimentação, áreas de lazer, esporte e cultura? A política partidária distancia-se cada vez mais de ideologias e se aproxima de alianças espúrias. Trocam-se princípios por promessas; ideais por acordos; projetos de mudanças sociais pelo olho gordo nas eleições futuras (hoje eu o apóio, daqui a dois anos você me retribui…).

Não podemos nos enojar da política, apesar da mediocridade da maioria dos candidatos. A política é a única ferramenta que a espécie humana conseguiu inventar para melhorar ou piorar sua convivência social. Assim como a miséria nasce da má política, a que produz desigualdade, a vida digna e feliz para todos também deriva da política vigente no município, no Estado, no País e no mundo. Não é à toa que se diz que todos os povos deveriam votar no presidente dos EUA, tamanho o peso desta nação no destino de nosso planeta.

Ainda é tempo de tirar os candidatos dos patéticos sorrisos e tapinhas nas costas, e da moldura televisiva que visa a produzir sedução e não compromissos. Promovam-se debates da sociedade organizada com quem pretende ser vereador ou prefeito.

Movimentos sociais, escolas, sindicatos, associações, ONGs, denominações religiosas etc. devem convocar candidatos para o diálogo olho no olho, de modo a avaliar se têm projetos ou apenas ambição de poder; vínculos com grupos populares ou representam interesses corporativos oligárquicos.
Ao votar em branco ou nulo o eleitor estará dando as costas à política.

Ao se desinteressar das eleições estará prestando inestimável favor aos maus políticos; tudo que eles querem é fazer da política um pedestal no qual se distanciam do povo e no qual metem a mão no dinheiro público, praticam o nepotismo, e ainda gozam de imunidade e impunidade.

O voto é também uma importante ferramenta para mudar uma sociedade e construir o “outro mundo possível”.

Artigo de Frei Betto, escritor, intelectual, e religioso católico dominicano, publicado hoje em O Globo.

.....

Sempre me intrigou a expressão categórica FIM que a urna eletrônica estampa quando se conclui o processo formal do voto.

É FIM mesmo. A urna informa que a partir de agora você está fora. FIM. Terminou. Te arranca daqui. Para você, a democracia termina ali. E não me aparece novamente, antes de quatro anos. Agora, a coisa é com os iluminados, os escolhidos.

Vai pela sombra, cidadão!

17 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Esse artigo de Frei Betto mostra que estamos no caminho certo. Os tempos da guerra ideológica foram embora. As cidades estão razoavelmente limpas em época de eleição. Nem parece que estamos perto das eleições. Isso aqui está virando uma Europa. No mundo socialmente desenvolvido as eleições são limpas, niguém faz alarde, ninguém faz carnaval, não existe maré vermelha, branca ou azul. É o resultado do Brasil estar ingressando num padrão de sociedade classe média. Não existe mais revolução, nem luta de classes. Basta o voto popular. Se isso é o fim? eu respondo, que bom que isso é o fim.

panoramix disse...

Maia tu fostes petista? Fostes da esquerda? Teve um AVC hemorrágico e pirou? Hoje é um revisionista? As vezes tu me lembra Buster Keaton, que fazia piadas sem jamais rir. Tem coisas que tu diz que soam como galhofa, gozação em cima dos esquerdistas que comentam aqui. Isto eu não entendo! A proposito: "Mi suenõ es me entreter em puerto madero con la classe media Argentina", parece primeiro mundo! Ui!

Anônimo disse...

Além de reaça, o maia é algo parecido com uma mula, tamanha a inteligência do rapaz.
Perdoem-me as mulas, claro por tamanha falta de educação, as comparar com o maia.

Sobre o tema. Nunca ví clima mais insosso como o dessa eleição, até nos meios mais politizados o pessoal anda desanimado, e sem vontade de participar do circo que armaram.
Depois de ver a Luciana Genro de chapinha, a Rosário com aqueles sorrisos amarelos e a Manuelinha dando uma de intelectual, não dá vontade nem de pensar....
Mas ainda acho q por pior que esteja pode ficar ainda pior...então é melhor sentar, pensar....

sil

panoramix disse...

concordo sil. Ainda não sei em quem votar. Sei em quem não votar!

Anônimo disse...

me enchi de coragem e fui dar uma olhada na página do Maia (coisa que pouquíssima gente faz), e vi que o rapaz, além de todos os males, sofre também de falta de criatividade, pois copiou a mesma abertura do DG, com foto de entrada.
Seja mais corajoso Mala, crie o novo, não fique copiando que é uma demonstração de falta de inteligência.
Maria Eduarda

panoramix disse...

Can You See The Real Me Doctor...Doctor! (The Real Me- Quadrophenia - The Who). Esta música explica a relação de amor e ódio com seus blogs preferidos (RS urgente e Diario Gauche). Quer ser o alterego de seus idolos! Por outro lado uma pessoa que gosta de Mahler, como ele fala em seu perfil, não pode estar totalmente perdida. Há salvação para Carlos Eduardo Maia, mas ele precisa se ajudar também! Agora sem brincadeira: olhei o blog do Maia e tirando a parte política encontrei coisas boas - é um bom sujeito!

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Gente, fala sério...

O Maia é um ROBOT, que fala o que o seu software permite...

Assim como o Francis Fukuyama, o Maia acredita no fim da história, a vitória do "bem" sobre o "mal" e toda aquela balela neoliberal do início dos anos 90. Não tem mais luta de classes, tudo é limpo, "basta o voto popular" e FIM, ACABOU, que maravilha!!!!

Mas o Fukuyama, voltou atrás...

Mas o Maia?

Não, esse daí "não se manca"

É uma anta vestida... pobre das antas...

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Bom, agora falando sobre o post, (não sei se é paranóia) penso que estamos assistindo uma desmobilização orquestrada para afastar a militância do processo democrático que é um eleição. E assim, poder impor "vontades".

Dentro do sistema capitalista pós-moderno, se é que fomos modernos (Bruno Latur), a midia tem um papel relevante de, paulatinamente, fazer com que esse processo se torne "morno", pois assim, concentrando o debate na esfera "controlada" do palanque eletrônico, é mais fácil manipular os corações e mentes.

O que se pode notar é que, os interesses corporativos e empresariais, é que são a mola que move as eleições. Onde tudo é feito para legitimar a continuidade do "stabilishment", contratos, propinas, etc. E a mídia, braço dreito desses interesses, é quem "faz" a eleição assim.

Espero que não caiamos nessa armadilha, vamos para as ruas...

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

O autor citado é Bruno Latour.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O que vocês lamentam eu chamo de progresso. Não existe mais bandeiras nas ruas como antigamente. Não existe mais maré vermelha como antigamente. Não existe mais paixão política como antigamente. É a banalização da democracia, mas a gente tem que continuar lutando e lutando para quê? Para melhorar a qualidade do nosso parlamento, mas para que isso ocorra é fundamental, é necessário, é condição sine qua non que se faça uma reforma política que o PT que está no poder parece não ter interesse em fazer. Que reforma politica seria essa? Voto facultativo, distrital e financiamento público de campanha. Pronto, esses três pontos seria um imenso avanço na democracia parlamentar brasileira. Então, companheirada, vamos deixar de lado a luta de classes, porque o governo do PT está inserindo com sucesso mais e mais gente na classe média e lutar pela reforma política nesse Brasilsão.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Gostou das fotinhos, Eduarda? Ficou lindo, né, aqueles soldadinhos chineses admirando o depósito. Que meda.

Clairton disse...

O sr. da maia está altura do neoconservador Fukuyama, que está para Bush assim como Heidegger está para Hitler.
Fukuyama é o ideólogo da direita fascista que tomou o poder de forma fraudulenta no EUA.
Cito uma parte do texto elaborado pelo jornalista/economista mineiro, Luiz Marcos Gomes, analisando a obra "O Fim da História":

"Já dissemos que Fukuyama, manipulando idéias sobretudo de Platão, Hegel e Nietzsche, procura elaborar uma base filosófica para a sua tese de que a democracia liberal é o coroamento da história da humanidade. E um dos aspectos de seu livro que merece a maior atenção é aquele em que procura justificar a origem e a manutenção das desigualdades sociais entre os homens e as nações, resgatando idéias que justificam a dominação do homem pelo homem e que estão na essência da ideologia fascista. Mas talvez onde o fascismo de Fukuyama fica mais explícito é na parte em que ele analisa a questão da ordem internacional no mundo contemporâneo.
Segundo sua teoria, hoje o mundo está dividido entre os países capitalistas avançados, que representariam o "Estado universal homogêneo", e os demais países que ainda não atingiram esse estágio e que, na verdade, seriam os representantes da barbárie, significando uma ameaça para os primeiros. Ora, se a "barbárie" ameaça a "civilização", ou, para usar a terminologia mais velada de Fukuyama, se o "mundo histórico" ameaça o "mundo pós-histórico", então está criada a justificativa do uso da força por este último, para se defender legitimamente do primeiro. Ele aponta pelo menos dois terrenos de colisão clara entre esses mundos: o do petróleo e o da imigração. Diz que "a produção de petróleo continua concentrada no mundo histórico e é crucial para o bem-estar econômico do mundo pós-histórico". Por isso, ele prevê e justifica novos conflitos como a intervenção imperialista no Golfo Pérsico. No outro terreno, será necessário "conter a maré" caracterizada pelo enorme fluxo de migrantes que está indo de um mundo para outro.
A conclusão de Fukuyama é a de que a "força" continuará a ser a razão final nas relações entre esses dois mundos, ou, para usar uma de suas expressões, entre "democracias e não-democracias". E para reger essas relações, ele ataca e rechaça organismos como a ONU, que não seria uma sociedade de "nações livres", mas um ajuntamento que mistura estas últimas com ditaduras, que aceitou a "União Soviética de Stalin" inclusive com poder de veto em seu Conselho de Segurança, e aceitou também "Estados novos do Terceiro Mundo que compartilhavam pouco dos princípios liberais"...
Por tudo isso, segundo ele, na nova ordem internacional criada após o fim da guerra fria, uma liga das nações "teria que se parecer mais com a OTAN do que com a ONU (Nações Unidas) - isto é, ser uma liga de Estados realmente livres, unidos pelo compromisso comum com os princípios liberais". E completa: "Essa liga seria muito mais capaz de uma ação decisiva para proteger a segurança coletiva contra as ameaças vindas da parte não-democrática do mundo".

Ou seja, temos aí uma jóia do pensamento fascista. Ao qual gente como o sr. da Maia se alinha cegamente. É certo que após as barbaridades e trapalhadas cometidas pela equipe de Mr. Bush no Iraque, Fukuyama, espertamente, procure se desvincular desta gente, escrevendo livros como "O Dilema Americano". Mas, o seu pensamento em geral (especialmente sobre o papel da ONU) continua o mesmo.

Anônimo disse...

O maia, com certeza, tbm copia suas respostas em algum blog dos "reaças" pseudo-intelectuais.
Não vale nem a pena gastarmos as pontas de nossos dedinhos respondendo!!!!!

sil

heliopaz disse...

Caríssimo Mário Rangel,

Em primeiro lugar, teu blog é excelente. Adicionei um link no meu blog. Parabéns pelo teu excelente trabalho de esclarecimento quanto às questões de organização do espaço em prol de uma sociedade mais sensível, humana e plural! ;)

No mais, Bruno Latour nunca disse que o papel da mídia é esfriar a esfera pública. Ela é, sim, um dos fatores responsáveis pelo esvaziamento do debate presencial. Mas a mídia (corporativa, para ser mais específico - aquela que transforma notícias em não-informação e, portanto, em mercadorias descartáveis incapazes de produzir diferença na sociedade) não é o quarto poder, nem tampouco influencia, influi ou decide pela população em geral. Da mesma forma, ela faz parte de um sistema muito maior, repleto de campos sociais cuja mensagem inicialmente vicária passa a ser traduzida pela mídia para fácil compreensão do receptor a respeito da agenda política, econômica e simbólica de todos esses campos sociais (político, médico, econômico, empresarial, religioso, esportivo, etc.).

Campos sociais cujo discurso e fazer só possuem visibilidade através da mídia.

Se a mídia é conservadora, assim o é porque o mesmo estamento do qual vêm seus donos e seus executivos (editores) é o estamento de seus patrocinadores (a alta cúpula dos demais campos sociais) e, conseqüentemente, de grande parte de sua audiência.

Por exemplo: hoje em dia, boa parte da classe média das maiores cidades do RS possui acesso a TV a cabo e internet. Seus turnos de trabalho são cada vez mais esticados. Dessa forma, as pessoas lêem muito menos jornais e revistas e assistem muito menos à televisão, que deixou de ser monolítica.

Além disso, a sociedade contemporânea é de fluxos: fluxo de meios de transporte, fluxo de informações, fluxo de dinheiro e assim por diante. As pessoas têm pressa pra tudo. Então, não é apenas a mídia corporativa que influencia, que pauta, que determina.

E a mídia vive de patrocínio. Quem compra os produtos de seus anunciantes já possui uma crença, uma ideologia, uma utopia. Família, clubes, associações, cooperativas, sindicatos, igrejas, partidos, entidades patronais, ONGs, profissões e o contexto econômico e simbólico da rede social a que cada indivíduo pertence podem, em inúmeros casos, exercer influência sobre alguém com muito mais força do que a mídia.

Por fim, se a sociedade é mais igualitária, mais organizada e mais democrática, ela mesma pressiona seus representantes para fiscalizar e reduzir o poder ou o alcance da mídia. O agendamento reflete não apenas o que os patrocinadores da mídia ou o que os donos da mídia querem levar as pessoas a pensar, pois ele depende também da influência que o público exerce sobre a mídia.

É bom lembrar que, hoje, NÓS também somos mídia ao publicarmos textos, músicas, locuções, vídeos, fotos e ilustrações em blogs e em sites de redes sociais (Orkut, Facebook, LinkedIn, Friendster, Flickr, MySpace, etc.). Contudo, a nossa "pequena mídia" só reverbera em grandes proporções caso seja citada ou trabalhe em articulação com a grande mídia.

Em função de um purismo ideológico que não coincide com o hibridismo de posições existente em todos os humanos, a maioria dos blogueiros de esquerda não está preparada para isso.

É preciso aprender a ver a grande mídia como um megafone e não como um big brother. Ela deixa tantos furos que, mesmo sendo reacionária, ainda assim é capaz de publicar a nossa repercussão.

O problema é que, de uma maneira ou de outra, todo mundo já comprou briga com ela e nunca procurou informá-la ou cobrar dela a repercussão da nossa visão de mundo.

Isso não significa se vender, ser parceirão dela. Pode-se criticá-la à vontade. Porém, ao mesmo tempo em que se fala em PIG, PUM, etc., estamos falando nela e dela. Neste caso, caímos na armadilha do "falem mal, mas falem de mim".

[]'s,
Hélio

Antonio Cavalcanti disse...

Mais uma viagem do Feil, entre tantas outras. Parece que não gosta de democracia. Prefere o antigo sistema chinês, ou o russo, ou o sistema Fidel, da verdade absoluta de uma turma do pensamento dominante e dominador. São iguaizinhos aos ditadores militares, aos nazistas, faccistas e outros istas por aí. Ainda bem que o mundo evoluiu. EVOLUÇÃO??? Feil e seus asseclas nunca souberam o que significa isso!!!!!

Anônimo disse...

Maia, o que vi lá foi tua mediocridade, só isso, chega dar uma tristeza.
Maria Eduarda

Anônimo disse...

Maria Eduarda,

Tu deves ter sido a unica que foi olhar por estes dias o blog do Maia, ninguem olha.

Eu fui uma vez\ e me dei o trabalho de contar, foram dois ou tres. A duvida é que o terceiro era o pr´´oprio Maia concordando com o facista que tinha entrado antes.

Depois ele diz que o povo não quer saber de ideologia. Eu acho que até é pouco, mas com a educação pública que é oferecida... Mas na verdade o que o povo não quer saber mesmo da ideologia dele e do fascinora do Mendes. E, e claro, das roubalheiras do govenicho da pantalhuda.

E dê-lhe RBS para enganar a turma.

Claudio Dode

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo