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domingo, 3 de agosto de 2008

Muro da Mauá é conversa fiada, o assunto estratégico é o do novo Plano Diretor de Porto Alegre


RBS arma uma cilada e prefeituráveis caem como patos

Há muitas semanas os veículos da RBS, especialmente ZH, esquentam um assunto de forma a pautá-lo no debate eleitoral de 2008.

A rigor, é uma ação combinada entre RBS e Palácio Piratini. Trata-se da remodelação do cais do porto da Capital. Remodelação, revitalização, restauração, tudo são eufemismos para o objetivo de “requalificar privatizando” o valioso espaço público urbano do cais, junto à área central da cidade.

Hoje, ZH dominical lança outra isca, prontamente engolida pelos ilustres prefeituráveis (de todo o espectro, inclusive o PSTU). O jornal indaga candidamente se “O senhor [sic] vai derrubar o Muro da Mauá?”.

Eis uma questão absolutamente falsa. Por vários motivos, astuciosamente ocultados pelo jornal da Azenha.

A área do cais de Porto Alegre é uma área federal, qualquer modificação que se projete para o local junto ao lago Guaíba precisa necessariamente contar com a participação de vários entes federais. Zero Hora sabe disso, o governo Yeda igualmente sabe, mas ainda assim, de forma aventureira e demagógica, dias atrás fez um simulacro de lançamento de um projeto de “revitalização” daquela área portuária, propondo uma cortina de concreto visando somente a satisfação de especuladores imobiliários e investidores irresponsáveis com a sustentabilidade.

Na raiz desta ofensiva dos interesses imobiliários em Porto Alegre está a completa paralisia do processo de discussão/votação do novo Plano Diretor da Capital.

O Plano Diretor está congelado na Câmara Municipal por interesse dos especuladores e investidores imobiliários.

Entrementes, essa aliança de interesses, cujo vetor político e de marketing é representado pela RBS e o governo Yeda, tenta vender o peixe da “revitalização” do cais do porto. São ações-relâmpago visando seduzir a opinião pública e o senso comum da necessidade funcional, estético-paisagista, cultural e artística de se dar uma nova destinação àquela área nobre da cidade. Andaram trazendo até o “especialista” catalão Jordi Borja, o grande mestre (junto com Manuel Castells) da apropriação privada de nacos nobres das grandes cidades do mundo, a começar por Barcelona.

É um jogo pesado. Pesado não, pesadíssimo. Nós voltaremos ao tema, aqui neste blog, lamentando que os/as prefeituráveis tenham mordido a isca de forma tão ingênua e prematura.

Será que esse pessoal acha mesmo que o Muro da Mauá é importante, no contexto da luta pelo solo urbano da Capital? E a discussão sobre o Plano Diretor, quem a provocará, nesta campanha eleitoral? Será que este não é o tema estratégico, e que está sendo sonegado em troca de falsas questões?

Voltaremos ao tema.


32 comentários:

Juarez Prieb disse...

VERA GUASSO
(PSTU)

“Pessoalmente, numa
análise estética, derrubaria
o muro. Mas é preciso um estudo para
ver a questão do Guaíba."

Essa trosca se acha esperta, mas cai como boba na conversa da ZH.

"Análise estética"!!!!

Acho que essa moça está brincando com a nossa cara. E ainda se diz de esquerda.

Feil, muito boa a tua sacada.

Anônimo disse...

Oi, Cristóvão
assim como tu não acho que a RBS seja santa e imparcial, mas acho que desta vez não foste justo.
Em outro dia desta semana a pergunta foi sobre a altura dos prédios(pelo menos na zerohora.com), que é um dos temas que emperram a votação do PD na câmara.
Quanto ao Jordi, não sei se estás informado que esta é a terceira vez que ele vem à POA. Nas outras duas veio a convite da Administração Popular que, SMJ, não pretendia privatizar nada...
Quanto ao cais, há um grupo de trabalho onde está o governo federal.
Este projeto de "revitalização" é herança da administração popular, que aprovou um grande projeto do Dado Bier para a área.
Cuidado com o maniqueismo!
Att. Luciana

Anônimo disse...

Tá certo, deixa tudo como está. Imagina só, deixar que os imperialistas invistam lá pra depois ter um lugar arrumado e ganhar montes de dinheiro.
Deixa como está, bem ao estilo cubano, é melhor para todos.
ZeMario

zozé disse...

Luciana Genro?

Anônimo disse...

Por falar em 'apropriação privada de nacos nobres das grandes cidades(...)', alguém já ouviu falar da "permuta" da área da FDRH com o Zaffari?
Mingo.

Coruja disse...

Mingo, o zunzum é grande.

Coruja disse...

E a área da Fase (ex-Febem) defronte ao Beira-Rio (Inter).

E o São Pedro na Bento.

E o entorno do Teatro Pôr do Sol.

É por aí que está correndo a carreira em Poa. O resto é perfumaria ou muros da Mauá.

E os candidatos discutindo abóboras, nabos, cenourinhas.

souza disse...

E a área do Estaleiro Só no Cristal.

fernando disse...

Tá, perguntaram isso, o ideal seria se recusar a responder?

Achei muito boa a análise, mas não sei como são feitas as perguntas e é preciso de um tino grande para escapar delas na mesma hora. O que é bem diferente da "intrevista" do Mozar "vassourinha".

Não sou PSTU, mas não entendi sinceramente a crítica a Vera Guasso...com essa resposta ela mostrou sua faceta reacionária?????
Mostra que falta projeto? Ah, isso sim.

Anônimo disse...

Amanhã, bem cedo, dependendo do meu humor, vou ligar para o Lula e ver se ele autoriza este ato.

Também vou ligar para o Busch, pedindo a opinião dele.

Anônimo disse...

Anônimo 20:50,
você soube esculachar.

Parabéns.

E das FARC nadinha.

Giovani Montanher Madruga disse...

espero que não ocorra igualmente como em buenos aires, em puerto madero. fizeram um local bonito, muito elegante para turista e elite passear e comprar e de onde expulsaram os pobres e nunca mais os convidaram a fazer parte.

discussões sobre plano diretor são complicadas. aqui em santa maria esta ocorrendo a mesma coisa, com a ajuda de algumas entidades representativas dos setor civil e especuladores. o ruim é que independente do governo as mesmas entidades tão sempre lá dentro da prefeitura....

Anônimo disse...

O jornal abordou o assunto Plano Diretor, no mesmo formato (perguntando para cada um deles) na edição de sábado.

Giovani Montanher Madruga disse...

tava esquecendo, para o ze mario sugiro ler o livro "arquitetura da revolução cubana" do respeitado arquiteto roberto segre.

Anônimo disse...

Para o anonimo das 21:14, en quanto não tem nada sobre as FARC, a não ser na maledicente PZH, vai aí a repetição de algumas notinha sobre o narco-governo do Uribi

" O Globo de Domingo, em matéria sobre as milícias do DEMO (ex-pfl, ex-pds, ex-arena) num alinhamento com a Colômbia, o que é natural devido a ligação da turma tucano-DEMO com o Nargoverno do Uribe registrou depoimento de Hugo Acero, Sociólogo (também), que foi chefe da polícia de Bogotá por dez anos.

Olhem as palavras dele:

1. existem tres grupos: Guerrilha, Paramilitares e Traficantes;

2.- Estudiosos apontam: muitos grupos paramilitares acabam se envolvendo com o tráfico;

3. 32 congressistas envolvidos com os paramilitares, presos;

4. 60 congressistas investigados por envolvimento na para-política;

5. Há implicados em todos os partidos da base do governo do Alvaro Uribe;

Antes eles falavam que era as FARC que faziam o tráfico.

Repito, o tráfico precisa da oficialidade para sobreviver, por isto está na base de apoio do narco-governo do Uribe.

Claudio Dode

28/7/08 14:40

marcelo disse...

Eu fui na China ano passado, e uma das coisas que me apaixonou naquele pais foi a quantidade de espacos públicos nas cidades. E fui tb em cidades grandes no interior. Eles tem pracas em todo o lugar, que sao os verdadeiros pontos de encontro nas cidades. Especialmente os aposentados lotam esses lugares.

Quando vi o "projeto da RBS" pro cais enxerguei exatamente o oposto do que fazem na china: investimento privado, prédios comerciais, mais um típico espaco da nossa elite retrógrada.

jucemara disse...

O anônimo das 22:48 diz que a ZH trouxe sábado material sobre o Plano Diretor. Sábado é o pior dia de venda de jornal. Por isso que eles colocaram no domingo a bobagem do Muro. A escolha do dia já diz tudo.

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

A “gentrification”, termo empregado para definir a revitalização de áreas degradadas nas cidades, sempre foi alvo de críticas por parte dos profissionais ligados ao urbanismo que se preocupam com as questões sociais das cidades. Do ponto de vista do dsigner urbano, a gentrification, pode significar a remodelação e a reutilização de espaços das cidades que tenham sido “esquecidos” ao longo do tempo, tanto por um “envelhecimento” da infra-estrutura quanto pela mudança de hábitos da população, que busca outras áreas para a sua convivência, abendonando-as.

Estas críticas dizem respeito, principalmente, quando aos novos objetivos, os novos rumos da utilização dessas áreas e para quem é destinado esses complexos, assim como quem vai se beneficiar com a sua utilização.

Os grades centros urbanos, via de regra, possuem áreas degradadas. Dessa maneira, várias cidades no mundo, já realizaram a gentrification de suas áreas urbanas degradads. Berlim, Londres, Montreal, Buenos Aires, Rio de Janeiro, entre outras, implementaram a recuperação de áreas abandonadas, principalmente áreas portuárias que, devido a modernização modal do transporte hiroviário, não mais serviam a esses objetivos.

Mas a critica vai, principalmente, para quem é feita essa recuperação. Pois, como se sabe, os empreendedores, ao aplicarem recursos nesses projetos, logicamente esperam o retorno do capital investido, e com lucros, além de esperar que, o seu nome esteja associado a empreendimentos de status. Então, essas áreas, são preferencialmente destinadas a população com poder aquisitivo superior. Esses projetos também tendem a valorizar o seu entorno, onde as construções vão ter seus preços majorados significativamente.

Que isso representa? Representa o afastamento da população de classes socio-ecomômcas menos favorecidas. Pois os estabelecimentos (restaurantes, lojas, teatros, cinemas, etc.) que se instalam nessas áreas, estão voltados ao endinheirados. Aos que podem pagar para usufruir desses espaços requintados. Por outro lado também, as pessoas que residiam nessas áreas ou no seu entorno, são obrigados a se deslocar para outras áreas da cidade, onde tenham custos mais baixos para morar e viver.

Em suma, a gentrificação, como ferramenta de valorização do espaço urbano, tende a afastar a população local, trazendo uma “outra” população, os que podem pagar. Essa qualificação do espaço urbano é excludente, pois não contempla a população como um todo.

Não é por essa crítica que devemos pensar que não se deva qualificar o espaço urbano. Mas essa qualificação deve ser pensada de maneira a integrar esses espaços ao todo urbano. Na maioria das vezes, o que ocorre, não é a integração, mas sim a fragmentação do espaço urbano, onde somente os grandes empreendedores e uma minoria dos munícipes pode usufruir dessas melhorias.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Que comentário conservador, Feil....

marcelo disse...

o que eu consigo imaginar pra esse projeto é uma espécie de DC navegantes no cais do porto. Um lugar aberto ao público, mas nem tanto. Na prática é um lugar que nao é público.

Ano passado me deparei com a tarefa de mostrar a cidade para alguns visitantes alemaes. Foi ali que eu descobri o quanto falta esses lugares públicos na cidade. Lugares que eu antes frequentava, descobri que eram seletos e pouco interessante, como o parcao e a calcada da fama. Praticamente redescobri a redencao. Ver familias inteiras passeando, velhos jogando jogos, indios vendendo artesanato, comprar abacaxi direto do caminhao, artistas de rua, jovens tocando música e até mesmo um morador de rua dormindo ao sol. Esse é o espírito de porto alegre, é esse é o tipo de espaco que deveria ser privilegiado.

Anônimo disse...

Jucemara:

Então o jornal não só tem que ser pautado pelo que vocês querem como tem que sair no dia que vocÊs querem? hshshshhshs.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Todo o processo de revitalização de área urbana em qualquer cidade do mundo socialmente desenvolvido ocorreu com parceria entre Estado e iniciativa privada. E esse negócio tem que ser sim lucrativo e tem que atrair público consumidor dos serviços ali prestados, como a classe média que não circula desde a década de 80 no centro de Porto Alegre, "porque uma coisa puxa a outra". É fundamental que se faça no porto de POA local onde tenha bons restaurantes, bons bares, boas lojas, boas livrarias, hotéis de qualidade etc. O resto, o resto é preconceito.

Anônimo disse...

Quem tem que atrair público consumidor é shopping center.

Acho que são legalmente instalados os shopping centers quando com investimentos privados, em espaços privados.

Agora querer pegar espaço publico e tronar privado como financiamento de processos que deveriam ser privados é pura picaretagem.

O resto, o resto é puxa-saquismo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O espaço é público, mas o que adianta o espaço ser público se não existe nenhuma atração que leve o público aquele espaço? E quem atrai o público são os bares, os restaurantes, as lojas, as livrarias, os hoteis. POrto Alegre tem que copiar os exemplos salutares de outros lugares turísticos, como Buenos Aires, Rio de Janeiro, Nova york, etc...

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Maia

Voce é o arauto da "modernidade"...

O que tú diz, todo mundo sabe...

Somente que, não elegemos nenhum empresário ou empreiteiro para gerir o espaço urbano. Isso é tarefa do município. Nós elegemos, os nossos governantes para esta terefa. Empreendedor nenhum pode ditar as regras de como tem de se organizar e gerir a cidade.

Isto é privatizar o espaço urbano.

Jucemara disse...

Anônimo das 13:57, eu não quero nada da Zero.

Estou só me dando o direito de criticar o jornal. Só isso.
Porque, vai mandar me prender?

marcelo disse...

os atrativos do espaco público nao deveriam ser o consumo, mas o próprio contato com as pessoas e com o ambiente.

Tb acho que o cara que quer consumir, que vá num shopping, numa loja ou num restaurante. Iniciativa privada nao vai faltar, o que está em falta é a iniciativa pública.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Marcelo, para o cais do porto ter atrativo é necessário que tenha algum tipo de prestação de serviço. É uma forma de gerar empregos e arrecadar impostos e gerar lazer para a população. Vamos parar com essa burrice ideológica. Que POA faça como o Puerto Madero em Bs As. Que faça como os quiosques da orla do Rio de Janeiro, que ficaram muito bonitos e o povo frequenta, que se faça como se fez com a Lagoa Rodrigo de Freitas, onde existem diversos restaurantes de todos os tipos. Nenhum carioca reclama que aquele espaço público tem parceria com a iniciativa privada. Muito pelo contrário, o pessoal frequenta, se diverte, atrai turismo, gera imposto e empregos.

Anônimo disse...

Nem a bandidagem, o Maia, na lagoa é a maior vitrine dos assaltos na Capital das Milicias do DEMO.

Aliás é de muito bom gosto comer na beira da lagoa com merda por todo o lado, está podre aquela lagoa, depois de tanto Maia por lá.

Ah, é a unica cidade do mundo que tem diretoria para cuidar do Xixi público.

Claudio Dode

Antonio Cavalcanti disse...

Por causa dessas pessoas com mentalidade atrasada, ou retardada é que Porto Alegre é tão pouco atraente em locais que poderiam ser maravilhosos como toda a orla do Guaíba. O que há de mal em investir através de parcerias do poder público com a iniciativa privada e tornar o cais do porto um local atrativo para todos nós? Acho que seria muito mais autêntico um local assim, natural e revitalizado, do que os shoppings centers, que são bolhas de consumismo artificiais. Acho triste que a população de uma cidade tenha que passear com seus filhos nos shoppings por que não há locais naturais atrativos com segurança e outros recursos que têm que ser proporcionados pelo setor privado, como livrarias, bares, restaurantes, etc.

Anônimo disse...

Bastaria organizarem novamente o FSM em POA para que a merda que o Dode fala seja internacional.
Que ridículo!

Giovani Montanher Madruga disse...

eu acredito, talvez esteja enganado, que no caso do rio de janeiro as pessoas acabam freqüentando os quiosques porque eles encontram-se a beira do mar.

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