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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fiasco em Pequim


A inutilidade do Ministério dos Esportes

As Olimpíadas de Pequim, recém encerradas, provaram a inutilidade do Ministério dos Esportes. Foi criado para abrigar o PCdoB no primeiro governo Lula. A legenda nanica (e conservadora), que insiste no auto-engano de se denominar "comunista", está lá até hoje. Para quê?

Foram à China, 277 atletas numa delegação de mais de 600 pessoas, tudo às expensas do Tesouro nacional. Ou seja, foram mais “perus” do que atletas, certamente, dirigentes, burocratas, aspones, jornalistas, cartolagem e pessoal de apoio aos atletas. Porém, uma atleta brasileira não encontrou a vara de salto em altura porque o apoio falhou, seja chinês, seja brasileiro.

Cada medalha de ouro custou 53 milhões de reais. Foram apenas 15 medalhas, no geral, três de ouro, o que nos garantiu o 23º lugar no ranking final de Pequim. Ficamos atrás de “potências” como Bielorússia, Jamaica, Romênia, Etiópia e Quênia.

O ministro Orlando Silva – que faz da cor da própria pele uma bandeira política a desfraldar em todos os momentos – chegou a contrariar o presidente Lula. Enquanto este dizia que tivemos um desempenho apenas razoável em Pequim, Orlando considerou que saímos muito bem. Óbvio, ele precisa justificar o elefante branco que tripula na Esplanada dos Ministérios.

Não entendi o significado de uma frase de Sua Excelência, o ministro do PCdoB, ontem, ao fazer um balanço de Pequim: “A formação de campeões é conseqüência dos campeões de vida. Por isso, o esporte é uma oportunidade”.

Só se for "oportunidade" para o próprio PCdoB, que de oportunidade entende como poucos.


17 comentários:

panoramix disse...

Concordo plenamente com o título do tópico - qual a função desta coisa que nada mais é do que um sumidouro de dinheiro? Já os atletas tem diferenciais importantes: há os que perdem porque existem outros melhores; há os que perdem porque vão arrumar as meias adidas (filme que já vimos) e há os que perdem porque não conseguem achar uma vara de mais de 4 metros (inédito e indolente)! Mas apesar da cartolagem, existem os que ganham, independente da medalha, e estes merecem nosso aplauso! O dinheiro está cada vez mais influenciando resultados esportivos e este foi um fatores que me levou a abandonar a paixão pelo futebol. O xadrex está igual! Entrou grana a coisa muda! A história do lutador Cubano que agrediu o arbitro está mal contada pois só vimos a patada no juiz!

oscar juruena disse...

É isso mesmo, Feil, o PcdoB consegue conservar duas coisas rançosas, o stalinismo e o fato de seguir à risca a política tradicional papai-mamãe parlamentar do Brasil.
Nada mais conservador do que a candidatura da menina Manuela em PoA. Se aliou com o Britismo, que é puro entreguismo e safadeza.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Pelo menos, o Brasil ficou na frente de Cuba. A história do lutador cubano está contada pelas próprias imagens. Elas dizem tudo. Apenas o druida e Fidel defendem o mau perdedor. O segredo secreto para ganhar mais medalhas é investir educação:escola de turno integral, com direito a bom e saudável almoço e aulas diárias de educação física como ocorre em todos os países que estão na ponta de cima do quadro de medalhas. Apenas isso, investir em educação.

panoramix disse...

Porque não mostraram toda a luta? Porque somente a agressão? Não concordo com a atitude, acho feio e desnecessária, mas eu queria ver o porque deste ato extremo - um lutador daqueles pode matar um sujeito com o chute! O brabo é que depois de tudo ainda temos que aturar a ideologização de resultados Até no esporte! convenhamos!

Clairton disse...

O bicho escroto da maia continua "pustulando" suas inverdades na blogsfera. Cuba conquistou 24 medalhas, 9 medalhas a mais que o Brasil. Portanto, no total de medalhas superou o Brasil, que apenas conquistou mais medalhas de ouro do que Cuba. No entanto, a própria Pricewaterhousecoopers (que todo mundo sabe não é de esquerda) em suas previsões sobre o total de medalhas que cada país ganharia na Olimpíada, considera o total de medalhas como classificação e não a quantidade de medalhas de ouro. Vide o blog do Juca Kfouri no UOL, para mais detalhes.

Kayser disse...

O lutador agrediu o árbitro porque foi desclassificado por demorar mais de um minuto para voltar à luta, ao ser atendido pelo médico. De acordo com o comentarista da Sportv, o lutador Diogo Silva, o árbitro deveria ter avisado que faltavam 10 ou 20 segundos para acabar o tempo. Não o fez, o que gerou a revolta do lutador cubano. Que, por sinal, estava ganhando a luta.

Anônimo disse...

É verdade que o investimento em esporte demora alguns anos para retornar (logo, mesmo que o Ministério dos Esportes tenha feito um bom trabalho nos últimos anos, isso não refletiria integralmente já nesta olimpíada). Mesmo assim, foi fiasco demais. O mínimo que se esperava era manter o mesmo número de medalhas de ouro de Atenas.

Guga Türck disse...

Sabe, tchê. Tenho dificuldades de dizer que o Brasil foi mal.
Talvez concorde com a idéia de que se deveria estar melhor colocado em um quadro de medalhas com essas "potências" atrás de nós, mas há uma série de coisas que precisam ser avaliadas.
Por exemplo, em muitos dos esportes coletivos, tanto no masculino como no feminino, o país esteve perto de ser ouro, ou foi ouro.
Na natação, houve o primeiro ouro da história, e praticamente sempre que um brasileiro entrou na água, em fases mais avançadas, foi batido o recorde sul-americano. Quer dizer, o desempenho dos atletas, comparando-se com os próprios, evoluiu e muito em direção a uma hegemonia continental.
Na ginástica, não fosse as papagaiadas da Globo, dando as medalhaxxxx de ouro antes daxxx provaxxx acontecerem para Jade e Diego, talvexxx tivéssemoxx mais sorte. Mas o fato é que nunca na história o país esteve representado nessa modalidade como foi dessa vez. Antigamente, éramos uma nação de apenas uma ginasta: Luisa Parente.
Agora, houve decepções, claro - e nem coloco o futebol nesse roll. Como foi o caso do atletismo. Mesmo com o ouro da Mauren, o desempenho foi pífio. Pra quem tinha Robson Caetano, Zequinha Barbosa e Joaquim Cruz, ter que se virar com Vicente Lenílson, Fabiano Peçanha e cia, é dose pra mamute. Talvez esteja aí a grande falha do ministério. Porque o atletismo precisa - e muito - de investimentos para dar certo. Quem pratica são pessoas de baixo poder aquisitivo que se esmeram em parques e praças mal-cuidadas por todo esse país afora.
Outras decepções em termos de medalha aconteceram nos esportes dos riquinhos, naquele dos cavalinhos que pulam e nos barquinhos que navegam. Aí, sim, não tem desculpa.
No mais, Judô e Taekwendo foram muito bem, apesar de algumas apresentações individuais terem sido frustrantes. No boxe, chegou-se onde há muito não se chegava, bem perto de medalha.

Fico muito preocupado com avaliações em cima somente do quadro de medalhos, caro Cristóvão. É claro que queria estar lá em cima, despontando também, mas esse tipo de pensamento "medalhista" me parece muito com aquele de que o segundo lugar é o primeiro dos últimos...
E sobre o próprio quadro de medalhas, acho que ele é um tanto falacioso. Uma nação com uma medalha apenas, de ouro, fica na frente de outra que poderia ter 25 de prata e 30 de bronze (observem o caso da França - http://results.beijing2008.cn/WRM/ENG/INF/GL/95A/GL0000000.shtml). Acho que já está mais do que na hora de se adotar um outro tipo de pontuação para determinar posições em uma classificação. Sei lá, algo do tipo o ouro valendo 5 pontos, a prata 3 e o bronze 1 - e por aí vai.

E Cuba conquistou 24 medalhas no total, foi a 12ª em números absolutos, uma medalha a menos que o Japão. Limpa a boca pra falar da ilha, seu idiota!

joca disse...

O "segredo secreto" do Maia é óóóteeemu!

Mala Maia, vai no Tibet ver se estou lá!

Anônimo disse...

y no vuelve, jamas

Anônimo disse...

O problema não é se Cuba ganhou mais ou menos medalhas, como o Maia quer, para trocar o assunto.

O que o Maia não quer discutir é que o ouro do Brasil ficou na administração dos Ricardos Teixeiras e Nusmann da vida. O Juca Kfouri ´já explicou isto. Mas sendo para favorecer capitalista tudo bem...

Ainda bem que Cuba não precisa de tanto dinheiro para aquirir medalhas, e nem depende dos "empreendimentos" dos Ricardos Teixeiras e Nuzmann da vida.

Claudio Dode

Anônimo disse...

Depois do Pan-americano no Rio, chegaram a conclusão que sairia mais barato comprar a ilha de Cuba com seus atletas do que o investimento na vila e os grandes desvios.

hahahahahahahahahah!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Clairton, a persistir sua tese vamos chegar também a conclusão que os EUA ganharam as olimpíadas porque tiveram mais medalhas que a China.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Também não acho que o Brasil foi mal nas olimpíadas. Nos jogos de Atenas em 2004, o Brasil teve 5 medalhas de ouro, 2 de prata e 3 de bronze e obtivemos a 16ª Colocação. Foi a melhor colocação do Brasil numa olimpiada. Mas neste ano, o Brasil ficou em 23º lugar, com 3 de ouro, 4 de prata e oito de bronze, totalizando 15 medalhas. Tivemos este anos mais medalhas que em Atenas.

Anônimo disse...

É óbvio que discutir a questão do esporte como ferramenta de inclusão social não é o desejo dos aficcionados do PIG que só querem ver o quadro de medalhas.

É também óbvio que o esporte como um instrumento pedagógico, muito menos ainda, a discussão tem que ser emcima daquele personagem o "Zé das medalhas".

Mas uma coisa é definitiva: com este quase um bilhão de reais e um bom projeto esportivo com base nas escolas e universidades dava para fazer um bom programa Olimpico.

Ah! tem que ser sem os Ricardos Teixeiras e Nuzmann da vida, porque aí não há dinheiro que chegue, nem medalhas que justifiquem.

Claudio Dode

fernando disse...

Concordo com o Guga. E infelizmente dessa vez o Maia usou o mesmo critério, equivocado, do Feil. É claro que a participação do Brasil é medíocre, agora não pelo nº de ouros, e sem dúvida foi a melhor participação na história, com um bom nº de medalhas, um expressivo nº de indices e classificados, e u nº imenso de finalistas.
Até pq olimpiadas mede investimento em esportes-tistas de alto rendimento, e não exclusivamente (mas também)em investimentos na base. Não é uma relação necessária. O Brasil não tem base nenhuma, mas alguns centros de excelência interessantes. Essa é a politica da China, do PC do bão, dos EUA. Não é a de Cuba, que é mais combinada.

Tipo, a Jamaica só tinha representantes no atletismo, fenomenais. Mas ai, é melhor que o Brasil, que colocou competidores em qse todos os esportes?
Por fim, nem um critério nem outro. Nem nº de medalhas de ouro nem nº total de medalhas, o ideal seria criar um escalonamento mesmo, com valores distintos para cada medalha.

Assim Maia, os EUA não ficaram na frente da China nem aqui nem lá, pq a diferença de Ouros foi absurda, ao contrário das aberrações do tipo 1 medalha de ouro vale mais do que 80 de prata.

E a pol´tica do PC do B no ministério é um lixo, aparelhista (novidade?), corrupta (novidade?), marqueteira, elitista (novidade?)... agora, não acho tão absurda a existência do ministério.

Anônimo disse...

Por mais que eu concorde com a idéia em geral da crítica ao PCdoB, ao ministério dos Espotes e à cartolagem nas Olimpíadas, não é o principal papel do ministerio investir no esporte de alto rendimento; é uma contradição afirmar a inutilidade do ministério dos esportes e em seguida atribuir a ele esse poder mágico sobre o desempenho dos atletas.
E essa conta sobre o custo de cada medalha de ouro e o nosso "fracasso" na olimpíada é uma falácia: quer dizer que se o cara não tivesse levado um tombo na ginástica, uns três judocas tivessem ganho, mais umas vitórias nas finais do volei e do futebol e estaria tudo desculpado e o Orlando Silva seria um grande gestor público? Isso não faz o menor sentido.

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