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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Crise à vista


Fumageiras estão deixando o RS

A perda de competitividade das indústrias de fumo sulinas em relação a outros Estados, resultado da retenção de créditos de ICMS das fumageiras, entrará em debate, hoje às 15h, no Palácio Piratini.

Só na região de Santa Cruz do Sul, cerca de 5 mil trabalhadores podem perder de imediato os seus empregos. No RS, especialmente no Vale do Rio Pardo, 40 mil pessoas dependem direta ou indiretamente da cultura e beneficiamento industrial do tabaco.

Apesar de se constituir em um setor que mais benefícios fiscais já conquistou no Estado, a indústria fumageira ainda reclama a retenção de cerca de 300 milhões de reais de créditos do ICMS. É sobre isso que o setor vai tratar hoje com a governadora Yeda Crusius (PSDB).

Em 2007, a indústria fumageira faturou 13 bilhões de reais no RS. Três grandes indústrias de fumo já migraram para Santa Catarina, entre elas a Universal Leaf Tabacos, no ano passado. A tendência é que outras empresas façam o mesmo, atraídas pela guerra fiscal e condições logísticas mais favoráveis no Estado vizinho.

Caso se confirme a saída em massa das fumageiras do Rio Grande do Sul, será mais um duro golpe no já esgualepado governo tucano no Estado.

Fac-símile da capa do diário Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, de 05/08/2008.


10 comentários:

Nelson Antônio Fazenda disse...

Meu caro Feil. Mais uma notícia a confirmar o quão errada é a política de concessão de imensos subsídios e benefícios fiscais a grandes empresas. Se essas empresas querem vir para o Estado, são benvindas. Mas, que sejam que recebam tratamento equivalente ao restante dos gaúchos, que pagam seus impostos. A continuar com essa prática, viveremos eternamente como reféns da chantagem - é essa a palavra -, dos grandes grupos econômicos. Terminado o período, geralmente longo, de recebimento de benefícios, a empresa agraciada normalmente vem com a pressão: "se não houver renovação dos subsídios vamos embora para outro Estado ou país". A saída é juntarmos nossos esforços e, apoiados nos nossos centros de pesquisa e nas nossas universidades, criarmos, em conjunto, um projeto de desenvolvimento que integre todo o povo. Um projeto que acabe com esta lógica de esvaziar um bom pedaço do Rio Grande, "amontoando" o povo em algumas cidades-polo, onde não há infra-estrutura nem oportunidades para tanta gente. Quando é que nossos pós-graduados, mestres e doutores - muitos deles vivem a vangloriar-se de tantos títulos -, vão enxergar isso? Será que é o vendedor de pipoca/churros ali da esquina que vai enxergar? Esse cidadão que, na maioria dos casos, infelizmente, não teve a oportunidade de "formar-se", fazer um segundo grau, uma faculdade e, por isso, vender pipoca é o meio que encontrou para sobreviver? Para terminar, que já me "espichei" demais: e essa turma que defende esses enormes subsídios a grande empresas são os grandes defensores da livre iniciativa do livre mercado. Que tal se não fossem. Em tempo, ainda: esse raciocínio, creio, deve valer para qualquer cidade ou província do nosso Brasil e mesmo para qualquer país desse nosso mundão. Quem vai enxergar isso, Feil?

Anônimo disse...

Além do que a Convenção Quadro, que prevê a transição de plantio de fumo para outras culturas, me parece que não avançou em nada nesta região, deixando os agricultores e o povo em geral complemtamente à mercê da vontade destas grandes empresas. Estou errada? Alguém pode me informar?
Mariana

Anônimo disse...

FAZENDA, ESSAS EMPRESAS SÃO INCLUSIVE, AS PRIMEIRAS A COMBATER MONOPÓLIOS. TIPO GLOBO, PORÉM SÃO AS PRIMEIRAS A DEFENDÊ-LOS QUANDO DELES SE BENEFECIAM.

Kleinubing disse...

Sim, Mariana, a Convenção-Quadro que é para fazer a migração de culturas para quem quer sair do tabaco, está completamente desrespeitada, colocando milhares de produtores rurais no risco de ficarem sem nenhuma renda de um dia para o outro.

Carlos Eduardo da Maia disse...

E a culpa vai ser da Yeda.... Como sempre, né?

Ka disse...

Ué, maia, quando o FHC deu incentivos pra Ford ir pra Bahia, não disseram aqui em prosa y verso que foi o Olívio que mandou a Ford embora?
A Yeda está mandando as fumageiras embora, simples.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Nossa, Ka, como é que tu cai numa história fajuta dessa? Eu sei muito bem como é que aconteceu. Lembro do Olívio se recusando a receber a diretoria da Ford e subindo num caminhão da CUT dizendo com aquele sotaque: nenhum dinheiro do erário público será dado para multinacionais!!! Ele mentiu porque deu dinheiro para a GM. Depois que o Olívio não depositou os valores do contrato que o Britto fez a Ford anunciou em Detroit que não faria a fábrica no RS e meses depois dessa vergonha a Ford foi para a Bahia. Vamos ser coerentes com os fatos. Essa tua versão é uma mentira deslavada. Olívio- por preconceito ideológico - mandou sim a Ford embora. BAita burrice. POr isso o PT no RS nunca mais, após o governo Olívio, elegeu prefeitos em cidades importantes e perdeu a eleição para governador para Rigotto e Yeda.

Anônimo disse...

PT no Rio Grande não governa mais.

Anônimo disse...

Anônimo:

Nada como uma casa depois da outra.

Nada como uma eleição depois da outra.

Claudio Dode

Anônimo disse...

Memória
Lula prometeu acabar com a guerra fiscal. O PT sempre defendeu isso, mas não faz.
Perdemos muito no setor calçadista e agora no fumo. Por outro lado, se tem potencial para florestamento, armou-se uma guerra jurídica, de informação e disputa política.
O Globo Repórter mostrou, na sexta, uma série de cidades brasileiras com desenvolvimento socioeconômico fantástico, enfocando o Norte, o Nordeste, interior de São Paulo e Paraná. Do Rio Grande, necas.
Mas, se as fumageiras da morte querem ir Santa, deixem pelo menos a fábrica de Colomi.
ZeMario

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