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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sábado, 16 de agosto de 2008

Fogo neles!


Queimando mendigos

O jornal Zero Hora, que pertence ao grupo midiático RBS (apoiadores e beneficiários do golpe civil-militar de 1964), hoje, está simbolicamente queimando mendigos e moradores de rua de Porto Alegre.

Procede como porta-voz do senso comum mais rançoso e intolerante. Desconhece a responsabilidade social que deveria portar como empresa de comunicação de massas. Prefere manifestar-se como o mais atrasado dos indivíduos da classe média urbana, supondo que a cidade é de quem paga por ela. Quer abolir de uma vez por todas o espírito iluminista de cidadania e colocar em seu lugar a impostura do indivíduo consumidor, que se basta na sua neurose excludente e medrosa.

Zero Hora vem construindo – há tempos (não é de hoje) – uma série que ratifica e sanciona os impulsos mais rebaixados do ser humano, baseado na aprovação do mito da irresponsabilidade social. Os moradores de rua são perdedores, devem ser enxotados do convívio urbano (e humano). Na sociedade que a RBS busca, não cabem os insolventes, porque estes aspiram no máximo a serem cidadãos, e jamais serão os consumidores perfeitos.

ZH está autorizando mesmo que um adolescente estúpido, filho da classe média branca e ainda solvente, amanhã ou hoje à noite mesmo, compre um galão de combustível e execute a sua micro-solução-final para “os donos da rua”.

Mas um mendigo incendiado será que basta para o altar de sacrifícios do deus-mercado de ZH?

9 comentários:

Anônimo disse...

É isso, Feil, vamos incendiar esses bêbados fedorentos.

Zéroura agarantchio.

Ricardo Mainieri disse...

Infelizmente, a voz do fascismo enrustido está mostrando sua real face.
Conheço esta foto, são os mendigos expulsos pelo governo Fogaça das pontes do Arroio Dilúvio e que se refugiam na Ipiranga esquina Santana.
Agora, de quem é a culpa deles serem assim. Será que o poder público municipal ou estadual não os poderia acolher.
Ou pelo menos desse verbas a entidades beneméritas que fazem isso, como o Lar Dias da Cruz.
Coisa de burguesia rançosa e estúpida.

Ricardo Mainieri

Anônimo disse...

É isso aí, não se pode utilizar algemas nos criminosos de alta periculosidade (Dantas e Cia), mas podemos incendiar os mendigos. Essa é ZH e a burguesia nativa.

Ronaldo César Darós disse...

Este comentário não é relacionado a matéria, mas ao jornal que gostou da novidade instituída pelo seu rival, o Correio do Povo. Determinados jornalistas (que certamente cabulavam as aulas que não lhe interessavam) insistem na picaretagem de "aportuguesar" qualquer coisa e assim cometem as mais cômicas gafes. O furo de hoje é a palavra "habeas" ao invés de "habeas corpus". Segue o link: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2124547.xml

Anônimo disse...

Todos esses esquerdinhas de apartamento que estão aqui defendendo o "povo da rua" deviam acompanhar os agentes da prefeitura pelas madrugadas da Capital, quando vão oferecer albergue, com comida, banho e cama, para que essas pessoas parem de usar drogas e mijar as ruas, e eles não aceitam. É lindo de ver. Um banho de realidade nessa gurizada que "blogueia pelos oprimidos" ia ser bem util. Abram os olhos para a realidade. Não há bandido nem mocinho no mundo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Muito boa a matéria da ZH.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Ninguém está a defender o incêndio de mendigos. Mas certas coisas não pode acontecer na grande cidade. Ninguém -nesse mundo cão - deve morar nas ruas ou em baixo das pontes. E o poder público tem abrigos para essas pessoas dormirem e repousarem. Só que, por diabos, essas pessoas não querem ir para os abrigos, não querem ir para os albergues públicos, não estão interessadas em frequentas essas estruturas públicas que foram feitas exatamente para dar guarida às pessoas que ficam nas ruas. Esse pessoal quer ficar na rua, dormindo em baixo de ponte, ao relento, pedindo esmolas, praticando pequenos furtos, traficando drogas. O Brasil continua refém da ditadura do pensamento politicamente correto. Ele toma conta de tudo. E se o assunto vira notícia de jornal, lá vem as pedras contra o PIG, contra a mídia bobona e fascista.

Praça, rua, ponte são espaços públicos que não podem ser privatizados, por ninguém.

Thais Fernandes disse...

Carlos Eduardo,

Tu já conversaste com alguém em situação de rua? Imagino que sim, para defender tão apaixonadamente essas "estruturas públicas que foram feitas exatamente para dar guarida às pessoas que ficam nas ruas".

Obviamente, tu deves saber também, que a população de rua de porto alegre excede o número de 1.000 pessoas, e certamente já presenciou uma fila (ENORME) de albergue, a partir das 18:00 horas da tarde. E sabe também, claro, que não é todo mundo que consegue um lugar, já que para poder ter o direito de dormir nessas maravilhosas instituições, a pessoa precisa deixar na rua todos os seus pertences. Ou seja, quem vive de catar material reciclável, deve jogar fora ao final do dia todo o seu trabalho para poder dormir longe dos olhos das pessoas que tem nojo de gente pobre e suja.

Anônimo disse...

O Maia e seus correligionários só não gostam é de pobre. Por isso eles mandam a policia tratar do assunto de luvas de borracha e entulhando em onibus sentados no chão para não sujar os bancos.

São os fascinoras como o Mendes fazendo escola, e não conseguem entender o que está errado.

Claudio Dode

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