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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007


Nota da Coordenação da Mensagem ao Partido


A propósito da nota publicada neste blog sobre a visita de representantes da Mensagem ao Partido à redação do jornal Zero Hora, na sexta-feira (23), gostaríamos de fazer os seguintes esclarecimentos:

Na sexta-feira, ocorreu, em Porto Alegre, o debate entre os candidatos à presidência nacional do PT. Neste dia, vários destes candidatos fizeram um circuito por toda a imprensa da Capital para apresentar suas candidaturas. Um grupo de representantes da Mensagem ao Partido acompanhou o nosso candidato, José Eduardo Cardozo, às redações dos jornais Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio e O Sul. Também foram feitas entrevistas nas rádios Guaíba e Bandeirantes e nas TVs Bandeirantes, SBT e Record. O conteúdo dessas conversas foi a apresentação da candidatura José Eduardo Cardozo, de oposição à atual direção nacional do PT. Este foi o contexto e a natureza dessas visitas. Entre as propostas defendidas pela Mensagem ao Partido, está a defesa da democratização da comunicação no Brasil e a construção de políticas de inclusão digital, pela cultura digital colaborativa, por softwares abertos e pelo amplo acesso aos meios de comunicação comunitários. Defendemos que uma das condições para que esta luta avance é mudar a direção do PT, recuperando a democracia interna do partido, a relação com os movimentos sociais e estabelecendo um debate aberto e franco com a sociedade brasileira. Neste sentido, acreditamos que não é o caso de simplesmente ignorar a existência dos grandes veículos de comunicação, que atingem milhões de pessoas em todo o país. Não houve nenhum espírito de submissão neste circuito junto à imprensa de Porto Alegre, mas sim o compromisso de apresentar as propostas de nossa candidatura para mudar o PT.

Coordenação da Mensagem ao Partido em Porto Alegre

Porto Alegre, 26 de novembro de 2007

20 comentários:

Marcos Trindade disse...

Cristóvão

Quando do episódio da Homenagem aos 50 anos da RBS na Câmara dos Deputados (presidida pelo Arlindo Chinaglia), as deputadas Manoela, Rosário e Luciana, entre outros menos votados, lá compareceram e fizeram discursos com rasgados elogios ao Grupo aniversariante. Frases pinçadas dos mesmos foram publicadas, no dia seguinte, em Zero Hora, ao lado das suas fotografias. Vamos combinar: de imediato criou-se entre a maioria de nós um sentimento de vergonha, uma sensação mesmo de traição por parte dessas bravas representantes da esquerda do RS. Tanto que, corretamente, o amigo Cristóvão, neste blog, baixou o sarrafo nelas. Bateu forte, pesado, e os comentários que se seguiram vieram todos, sem exceção, na linha da desqualificação até mesmo pessoal. O único comentário postado que não seguiu a manada (no sentido de efeito), foi o meu. Porquê? Ora, porque para mim estava claro que as três, pré-candidatas à Prefeitura de Porto Alegre, cumpriram o mais velho e óbvio ritual da política institucional: ficar na boa com o veículo de comunicação mais poderoso do Estado! Todas as três, todavia, tiveram que se explicar, tamanho mal-estar criado.

Agora, este episódio recente da visita dos companheiros da Mensagem (e também do Pomar) à redação de ZH eu sinceramente considero MUITO MAIS GRAVE que o anterior. Aquele tem relação com a eleição majoritária à Prefeitura de Porto Alegre. Está claro para mim que se o Miguel, também pré-candidato, caso mandato tivesse, TAMBÉM estaria lá na Câmara Federal, com um discurso de cerca-lourenço. E dai? Alguém pode imaginar que esses quatro (Manoela, Rosário, Luciana e Miguel) pensam diferente de nós em relação ao grupo dos Sirotsky? Não vamos ser ingênuos. A Cláudia Cardoso, no Dialógico, sugere que, ao invés de irmos sabujá-los na sua casa, devemos convidá-los para surrá-los na nossa!

Mas, Cristóvão, porque eu considero esta visita inoportuna e vexatória? Porque feita apenas 24 horas depois de ter a RBS cometido ao vivo e a cores, no Jornal do Almoço, pela voz do mais venal jornalista gaúcho, Lasier Martins, o maior crime jornalístico de que eu tenho lembrança: incluir o Júlio e o Clóvis entre os presos pela Polícia Federal. Devemos ter noção do estrago que isso causou tanto pessoalmente quanto politicamente para esses nossos companheiros.

Orson disse...

Explica mas não justifica.

Saulo disse...

É a "Revolução dos Bichos", pelas bandas de cá... Depois não adianta tentar localizar só lá em São Paulo, Brasília...

Anônimo disse...

Rapaiz, Bolivia e Venezuela estão pegando fogo, isso é a trincheira do seéc XXI. Vamos começar um movimento! Chega de PT por enquanto!

sisqueci disse...

Bom... Tem um lado positivo nisto... Alguém por lá já aprendeu a achar um blog no Internet Exploder. E resolveram mandar uma nota oficial explicando a posição, no mesmo formato que mandam para os veiculos de comunicação convencionais...

Quem sabe se, no futuro, com um pouco mais de prática, não tenhamos um dos candidatos, ou um representante qualificado, aparecendo por aqui para argumentar com os leitores.

Eugênio disse...

Eu só entendo uma visita aos mídias, se for para meter o dedo na cara, ñ do capataz, mas do dono, a fim d pedir explicações sobre suas patifarias corriqueiras, em particular da RBS. Para começar, nossos representantes, e falo assim com muita tranqüilidade, pois votei neles, podem intimar os venais da mídia sobre as calúnias contra o Júlio e o Clóvis. Esse episódio é um divisor d águas. De quebra, poderiam admoestá-los q doravante as suas visitas seriam corriqueiras, ñ para mesuras, mas para repor algumas verdades q a mídia insiste em distorcer. Penso q já está mais do q na hora d começar uma campanha d constrangimento a lá Requião, q se ñ consegue mudar o quadro a seu favor, pelo menos ñ leva desaforo da mídia para casa. E se os nossos eleitos pensam q isso ñ significa nada, considerem q o respeito q seus eleitores ainda tem por eles é um patrimônio q ñ tem preço.
No mais, parece q nossos políticos estão fazendo um teste com nossa paciência na esperança d q desistamos desse debate. Se disistirmos isso ñ significará q eles ganharam, muito pelo contrário, significará q ñ veremos mais nenhuma perspectiva.
Por uma política d comunicação já, para o enfrentamento com a mídia.

Hélio Sassen Paz disse...

Cristóvão,

Parabéns por ter conseguido atrair a atenção do partido a ponto de eles redigirem uma nota oficial justificando o porquê da sua aparição midiática.
____________________

Caro Marcos Trindade,

O caso delas é muito mais grave, pois a combativa Luciana Genro já disse que tem medo da RBS. Além disso, a Manuela não é tão esperta quanto parece. A Rosário corre por fora, mas o Rossetto deve ganhar a prévia (felizmente, na minha modesta opinião).

O caso delas é um claro beija-mão.

[]'s,
Hélio

Eugênio disse...

Trindade
Não acho q os comentários postados por ocasião da visita da Manoela e afins ao teatrinho da RBS tenham sequido o espírito de manada. Foram comentários justamente indignados diante daquele episódio lamentável. E a sua certeza, manifestada naquela ocasião, também era e continua sendo a nossa, apeser d ñ a termos manifestado.
Hélio
Estabelecer um grau d maior ou menor gravidade na relação dos diversos políticos do campo da esquerda com a mídia, me parece irrelevante. O fato é q seja como for, essa relação nos é sempre desvantajosa. Temos q repensar tudo isso, pois a tendência é continuar tudo igual, seja com quem for.

Claudia Cardoso disse...

Sisqueci, gostei da provocação sobre navegação na internet... :-)
Agora, quanto à nota encaminhada ao blog, há duas coisas bem claras para mim: 1) reconhecimento da importância que este veículo de informação tem frente aos leitores e às leitoras; 2) sem sombra de dúvida, como afirmaram acima, intimidação, para que se evite a crítica de um grupo com grandes chances, acredita-se, de vencer o PED.
Mas faltou humildade, ao assinante da nota, em reconhecer o grande fora desta infeliz visita. Há anos, os simpatizantes e os militantes dão mostram que não suportam mais a mídia corporativa, entre elas, o Grupo RBS. O adesivaço RBS/ZHMentem, em 1998, na fachada da sede da empresa, os cancelamentos de assinatura da ZMentira, decisão espontânea, são exemplos claro disso (e eu acredito que voltaram a acontecer novos cancelamentos). Não é de hoje, que se denuncia o monopólio midiático em FSM, seminários, debates. Então, como os políticos de esquerda ainda acreditam que podem dar discursos e fazer visitas num contexto como este e ficarem impunes?
Como podem acreditar que seus eleitores vão deixar passar barato tamanho desrespeito? O eleitor de esquerda não é um alienado como o eleitorado de direita, que acredita em história da carochina: união pelo riogrande, manter o que está bom, novo jeito de governar. Eleitor de esquerda põe o dedo na moleira, aperta, critica, cobra. E muda o seu voto: ou muda de partido, ou anula. Portanto, está na hora dos dirigentes partidários de esquerda, no caso do PT, começarem a olhar com outros olhos seus eleitores. Estes estão dizendo NÃO a RBS e afins há muito tempo e não ficarão aplaudindo tais comportamentos execráveis em nome de uma aliança, de um voto de confiança, em nome de uma união, em nome de uma eleição de dirigentes, em que os mais interessados fazem ouvidos moucos a esses clamores de alerta de gente que sempre esteve ao seu lado.
Paciência tem limite.

eugênio disse...

Estou aqui com os meus botões: quantas notas o PT escreveu a RBS ou a qualquer outra empresa de mídia por conta das patifarias que eles publicaram a respeito do partido? Pelo que me consta, quem tem escrito essas notas somos nós. Mas, no nosso caso, bastou um comentário que desagradasse ao partido e a resposta veio certeira. Isso chega a ser uma impertinência!

Luciana disse...

como diria a minha avó: - pior a emenda que o soneto!

Luciano disse...

Como diria a minha outra avó:
- A montanha pariu um rato!

Anônimo disse...

Gabriel fala....

Não tem mais jeito,temos que nos concentrar na organização de um novo partido,sem estas raposas que nos tiram por bobos. boa luta.

Zé Fonseca disse...

-Ora, se temos um grande partido da ordem, "progressista", que não atua contra a ordem, cabe a seus dirigentes, de forma ordeira e civilizada não ignorar os potentes "canhões" dessas emissoras, mesma que essa os sacaneie a vontade.O PT sabe o que quer.Os críticos dessas iniciativas democráticas é que ainda não descobriram isso! Errrgghhh!!!

Anônimo disse...

Qual o limite da subserviência? Tudo se justifica em nome da Realpolitik? Os companheirinhos deveriam convencer a nós que somos afinal aqueles que construimos o partido , militamos nas ruas, discutimos em diferentes locais e nos expomos publicamente a muitos anos.Em que tom foi a nota do partido a esta escória mediática que agride nossa inteligência a tanto tempo no episódio da CGTE? Quem muito se agacha mostra o que não deve dizia meu avô. Sinto-me constrangido frente á decisão se vou ou não votar domingo. Provavelmente este é o sentimento de inúmeros comapanheiros. Um quase adeus.

Miguel Grazziotin disse...

BLá...blá...blá.....
Esta lamentavel nota só corrobora o quanto de peleguismo politico e profissionaismo politico cerca os nossos representantes....
É uma vergonha....

Jens disse...

Quem se curva aos poderosos mostra o rabo aos oprimidos (Millôr).

Marcos Trindade disse...

Os "erros" da mídia

Tal como aqui, quando o Lasier "errou" ao citar os nomes do Júlio e do Clóvis entre os presos pela PF, depois desmentido, disfarçadamente, lá na Venezuela, a CNN em espanhol "errou" ao permitir que durante algum tempo, sob a imagem do Presidente Chaves aparecesse a legenda Quem o Matou?.

Mas tem uma diferença entre os dois erros?

Tem: Aqui um grupo de 5 líderes, que juntos somam "1,5 milhão de votos" (nas palavras de um conhecido dirigente petista) foi no dia seguinte apresentar suas credenciais à abelha-rainha do jornalismo político da RBS, Rosane de Oliveira, e deixar-se fotografar em sorrisos de quase êxtase. Lá , o Presidente ameaça cassar o canal de televisão a cabo que cometeu o "erro".

Marcos disse...

ia esquecendo: a CNN também pediu desculpas pelo "erro".

Marcos Trindade disse...

Qual o critério de ZH para publicar artigos de opinião? Sábado passado, 1º de dez, tem um artigo do Miguel Rossetto sobre as eleições do PT intitulado "O PT e a Democracia". Sem entrar no mérito do que ali escreve o ex-governador, ex-ministro e pré-candidato a candidato a prefeito, fica a dúvida: por quê este artigo? Se é o caso de chamar atenção para a democracia do partido, único a escolher suas direções por sufrágio dos filiados, não seria mais adequado que o autor não estivesse diretamente envolvido nas prévias que se avizinham? Trata-se de matéria paga? Fiquei com a sensação de propaganda eleitoral, mas posso estar enganado.

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