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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007


A nostalgia ancestral e ressentida do rei da Espanha

Juan de Bourbon é o rei da Espanha. Faz parte de uma família parasitária que está no poder na Europa há cerca de 600 anos. Se o Brasil tivesse monarquia, essa família estaria no poder por aqui também. Juan de Bourbon foi um sujeito (publicamente) comedido, até o último sábado. De convicções fascistas, pois com o advento do franquismo, a família de Juan conseguiu permanecer na linha de espera por um lugar ao sol de Espanha, caso os republicanos ganhassem a guerra civil, o destino dos Bourbon seria certamente o mesmo que o da família imperial russa, com Nicolau II à frente, um fuzilamento justiceiro (os Romanov eram tão cretinos e alienados que nos meses que viveram depois da revolução de outubro de 1917, supunham que quem os ameaçava eram os judeus e os persas, por interpretações paranóicas dos profetas bíblicos).

Pois, o rei Juan (na foto, com gravata dourada, uma cafonice de plebeu novo-rico) quis se meter no meio de gente escolhida pelo voto popular, ele que sequer suspeita o que seja esse embrulho de voto, eleição, participação de turbas ignaras nos destinos das Nações, deve ter lhe turvado a mente o fantasma dos Romanov, do ostracismo dos primos brasileiros e de toda a prole de inúteis das realezas européias do último milênio, tomou uns tragos fortes, talvez um pisco chileno, e ao escutar uma gente escura, quase índios puros, gente falando em democracia, em antifascismo, em republicanismo, ele não tolerou. Entornou o caldo do silêncio obsequioso de todas as gerações de nobres vilipendiados pelo republicanismo "vulgar e plebeu". Levantou-se, virou-se para o mestiço Hugo Chávez, e deixou falar o represamento atávico e fantasmagórico de centenas de parentes brancos e um milênio de recalques de sua nobreza auto-sacralizada:

- Por que você não cala a boca? - sustentando o ódio com o dedo indicador em riste.

Nessas breves palavras e no gesto ameaçador estão contidos meio milênio de massacres promovidos pela monarquia espanhola contra as populações indígenas da América, um extermínio sem igual. Juan de Bourbon apenas falou, ameaçou, quando queria mesmo era ter o poder de voltar a esfolar e trucidar os ancestrais daquele indiozinho atrevido chamado Chávez.

Sábado tivemos uma pequena re-emergência da história da América, onde a "guerra de raças" - como dizia Foucault - foi a mais sanguinária e arrasadora, e comandada desde o trono das monarquias européias, no qual a família Boubon teve papel destacado.

O rei Juan, e o dedo em riste do rei Juan, sabem sim o que estão expressando!

15 comentários:

Anônimo disse...

"Juan de Bourbon é o rei da Espanha. Faz parte de uma família parasitária que está no poder na Europa há cerca de 600 anos." Ai, ai, ai, ai....e a demagogia escorrendo do teclado do computador.... Coitadinho do Chaves, né? Indiozinho sobrevivente do massacre espanhol na america...ai..ai..ai. Como voce diz: "Como é bom ser bom!"

Rodrigo Villasboas disse...

Não sei não. A despeito da herança do monarca espanhol temos de levar em consideração também a herança do miliciano da venezuela. Portanto, nessas horas nos resta apenas aquela lembrança da sombra de educação que tenhamos tido para manter a nossa civilidade: "Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha"

Mello disse...

Rodrigo, você conhece o Quiuspa?

Carlos Eduardo da Maia disse...

O mestiço Chávez se esconde nos labirintos do pensamento politicamente para ter o santo direito de falar muito mais do que os outros presidentes de outras nações brancas e mestiças. Claro, Chávez é mestiço, diz defender os pobres e explorados e ele é o dono do social, então ele tem todo esse direito. O mestiço Chávez pode falar o que quiser, a crítica que vier a cabeça. Dane-se a diplomacia, o bom senso e a educação. Chávez pode porque ele é mestiço e numa briga entre o mestiço e o rei branco, o mestiço sempre vai ter razão. Se Chávez tem 5 minutos para falar, o mesmo tempo dos outros presidentes de outros países, trata-se de protocolo burguês que deve ser quebrado em caquinhos, pois Chávez sempre tem boas idéias e boas críticas. Ele vai ser sempre o dono do pedaço, pois ele é o bom mestiço....

Carlos Eduardo da Maia disse...

O que interessa à Conferência Ibero Americana o fato de Aznar (PP), ex primeiro ministro espanhol, de direita, ser ou não ser fascista? Até mesmo Zapatero, o primeiro ministro socialista (PSOE) fez questão de defender seu adversário. Essa é a Espanha de hoje. O fato mostra e prova, de forma bem provada, que quem realmente carrega ressentimento não são os espanhois, mas Chávez e sua metralhadora giratória. Fez muito bem o rei pop Juan Carlos que caminha em qualquer rua da Espanha e é elogiado e admirado. E por que ele é assim? Porque a Espanha viveu de perto a miséria, a luta de classes, as políticas revanchistas e de ressentimento e só deu a volta por cima quando superou seus traumas, se uniu, se convergiu e esse caminho de consenso fez o país progredir política e socialmente. A Espanha do Consenso e do pacto social percorreu exatamente a direção contrária que faz a Venezuela de Chávez, que aposta na divergência, no trauma, no ressentimento, no antagonismo social e na religião da luta de classes. Enquanto a Espanha se desenvolve e percorre o caminho do progresso social e econômico, a Venezuela está prestes a ingressar na ditadura do rei bufão.

Claudio Dode disse...

Defender o Rei da Espanha, agora se identificou o Maia: Lacaio Conservador.

armando disse...

É o filhote do fascista ditador Franco (foi criado, preparado e (des)educado por este que governava pela "gracia de dios"), colocando as garras de fora.

Permanece viva a frase de Sarmiento: "COMO PODE SER AO MESMO TEMPO, INDEPENDENTE, REPUBLICANA E CATÓLICA?" Pois é, a monarquia anacrônica de Espanha é uma confusão entre as idéias de repúblicanismo, liberdade e catolicismo fascista. Dá no que dá.

Nos comentários aqui e ali, perpassa o racismo (in)contido de brancos e elites que não suportam "essa raça" de índios, bugres, nordestinos, negros, etc, que não conhecem o seu lugar.

Eugênio disse...

É verdade Armando. A direita quando tenta ser irônica nos seus comentários, só consegue ser cínica e se superar na sua canalhice. O ressentimento e o racismo parece q estão impregnados nos seus comossomos.

Claudia Cardoso disse...

Eh bom ler o texto do Laerte Braga. Antes do Chavez falar, baixaram a ripa na Espanha Daniel Ortega, Nestor Kirchner, Evo Morales e Rafael Correa. Sobrou pra ele!!! Muito oportuno, nao eh mesmo???
O enlace do artigo:
http://republicavermelha.blogspot.com/2007/11/por-que-no-te-calas-j.html

Anônimo disse...

Calma, calma, pessoal!!! Tem caixa de querosene jacaré pra todo mundo. Vamos começar de novo: o rei é o ruim e o indiozinho é o bom como dizia o pensamento mais avançado de José de Alencar há 150 anos. Eta vanguarda do atraso essa!!

Kayser disse...

Qual é a tua discordância, irônico e corajoso Senhor Anônimo? Na tua opinião, do alto da caixa de querosene, o reizinho é bom e o índio é mau, como dizia o pensamento mais avançado de Francisco Pizarro? Grande vanguardeiro do progresso... Aliás, o pessoal do Detran também é Progressista.

Eugênio disse...

Kayser, cuidado!!!! Essa "vanguarda" anônima e querosene juntos ñ dá boa coisa. O índio Galdino q o diga.

Mario Rangel disse...

Quer queira ou não, a verdade é que, o conhecido, velho continente, foi o maior usurpador dos povos da América, em especial da América do Sul. Os povos nativos foram massacrados, roubados, huminhados e assim por diante. Ainda por cima, impuseram a sua cultura e roubaram a identidade dos diversos povos que aqui viviam (acho qie isso nem o Maia vai negar). O que o Chaves faz, nada mais é do que, depois de 500 anos, fazer a defesa do povo desse continente. Podem, os conservadores(?), ou melhor, os arautos do indefençável, dizer que está tudo bem. Ainda por cima, agem como se fossem diferentes desses "mestiços", Mas não passam de "borra botas" dos reizinhos da vida. Elas pensam que, assim, SÃO IGUAIS A ELES. A vida deles está uma maravilha. O problema é o Chaves e o povo "mestiço", a merçê do neoliberalismo da hora (mas que droga, para quê povo, se eles só incomodam).
Luta de classes? Ela existe sim, e está mais presente do que nunca, está apenas velad, acobertada, por enquanto...

sueli halfen ( POA) disse...

Direto da Bodega Cultural :
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O Hudson Lacerda, nosso anjo da guarda, antevendo que eu escreveria algo sobre o episódio vergonhoso, onde um presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores e um monarca destronado ofendem um chefe de estado por denunciar um fascista, me enviou a seguinte descoberta: Cilada contra Chàvez

Por que as TVs não passam o vídeo completo sobre o episódio? XVIII Cumbre foi uma cilada contra Chàvez, veja o vídeo em http://www.aporrea.org/internacionales/n104535.html

Verinha disse...

"Cala a booooooooooooooca, ô rei! Vá se catá! Franco morreu. Quem manda aqui sô eu!"
GRANDE PRESIDENTE CHÁVEZ!


"A arrogância colonialista

O presidente Hugo Chávez é descuidado e franco no que fala. Usa, em sua retórica antiimperialista, metáforas quase divertidas, como chamar Bush de diabo. Mas não exagerou ao qualificar o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar de fascista. Aznar, produto típico da Opus Dei, que se reorganiza com novo alento na Espanha, sempre tratou a América Latina com desdém. Em 2002, em Madri, atreveu-se a dar ordens ao presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, para que aceitasse e cumprisse as exigências do FMI. Reincidiu na grosseria, ao telefonar a Buenos Aires, logo depois, como um dono de fazenda telefona para seu capataz, a fim de determinar-lhe a assinatura imediata do acordo com o órgão."
Para ler o texto bem dito na íntegra do Mauro Santayana, acesse:http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2007/11/12/pais20071112009.html

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