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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 3 de julho de 2008


Se diretores de bancos centrais dos Estados Unidos ou da Europa, formalmente independentes, agissem assim, sairiam algemados dos seus escritórios, no mínimo, por gestão temerária. Aqui, provavelmente nada acontecerá.


Banco Central do Brasil faz doações a milionários especuladores


Operações de "swap" realizadas por bancos centrais são uma heterodoxia brasileira. Já não existem mais, há muito tempo, os motivos alegados por Armínio Fraga para justificar a invenção, mas ela continua a existir e a fazer milionários. Em 2006 e 2007, nessas operações, o BC repassou aos especuladores R$ 14,3 bilhões. De janeiro a maio de 2008, já havia entregue mais R$ 4 bilhões. As perdas são crescentes, pois as taxas de juros voltaram a subir e o real continua a se valorizar.


Na contabilidade do Banco Central, esses resultados têm sido escondidos no meio de números que tratam da contração ou expansão da base monetária, de um modo que ninguém consegue entendê-los.

A política atual do BC só aumenta essas doações. Com o pretexto, agora, de conter a inflação. O papel dos juros no controle da inflação é controverso, para dizer o menos. E a valorização continuada do real, como todos sabem, é o suicídio do país em médio prazo. Quem ganha, com certeza, são os apostadores no "swap".


Recapitulemos: o BC propõe uma aposta viciada, em que ele mesmo pode manipular as variáveis decisivas.

Os especuladores aceitam. E o BC perde a aposta! Joga porque quer - pois isso nada tem a ver com política monetária - e perde porque quer.


O prejuízo - cerca de R$ 18 bilhões em pouco mais de dois anos - é repassado ao Tesouro Nacional.

Nos jornais, sob aplausos dos defensores da responsabilidade fiscal, os dirigentes do BC criticam o aumento dos gastos públicos e solicitam um superávit primário maior. Precisam de mais recursos, retirados da sociedade, para cobrir as bondades que fazem à turma da especulação.


Se diretores de bancos centrais dos Estados Unidos ou da Europa, formalmente independentes, agissem assim, sairiam algemados dos seus escritórios, no mínimo, por gestão temerária. Aqui, provavelmente nada acontecerá.


Sabíamos, há muito tempo, que o Banco Central brasileiro está acima dos Poderes da República. Agora sabemos que também está acima da lei. O Ministério Público deveria agir.


Trecho de artigo de César Benjamin, publicado hoje na Folha.

6 comentários:

edu disse...

Parabens Feil, acertaste na mosca, basta avaliar o valor( sao bilhoes), enquanto para saude e educaçao choram por 100 milhoes a mais...

Os juros q no BR estao acima de 12% na Europa sao de 2%...nos USA tb é de 2%, no Japao até um tepo atras era de 0%!!!

Apenas 20 familias no BR gozam dos lucros q essa taxa monstruosa proporciona (o q o lula esta fazendo???).

Com um lucro tao grande eles podem pagar a globo e todos os meios de comunicaçao para esconder a hemorragia dos brasileiros.

Sao tantas as formas, futebol, novela, putaria, videos de violencia nas ruas, fim do mundo etc...

Anônimo disse...

Ao MST o rigor da lei e no "intéresse" da burguesia (parasitária) as benesses dos juros.

Anônimo disse...

O Cristóvão, com esse montão facas, está querendo carnear alguém, será a Margarete Moraes ou o Maia?

Anônimo disse...

Sem dúvida, tem razão o articulista, pois o MPF tem competência para fiscalizar o dinheiro da "viúva".

armando

Anônimo disse...

E depois ainda temos que engolir que um dos principais problemas econômicos do país e o déficit da Previdência....

Anônimo disse...

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O Luís Nassif estva alertando sobre isso antes da Folha. Tem posts dele específicos sobre esse "caso".

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