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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sábado, 26 de julho de 2008

Sábado


Porque

Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), nasceu em Portugal

4 comentários:

Andre Passos disse...

viste a que pus em meu blog alguns dias atrás? bela escolha, tóia

Cristóvão Feil disse...

Claro.

Valeu!

Milton Ribeiro disse...

Meu caro, permita-me uma correção. Acabo de consultar um livro de Sophia e o poema é assim:
------------------------------
Elogio (da inteireza)

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
-------------------------------

Ou seja, não há linhas em branco e o título não é "Porque".

Abraço.

Cristóvão Feil disse...

Edições, edições, meu prezado Milton, que só engrandecem Sophia.

Abç.

CF

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