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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Alvo principal são as crianças


Propaganda estimula consumo de alimentação-lixo

Uma pesquisa realizada pelo departamento de nutrição da Universidade de Brasília (UnB) constatou que 72% das propagandas de alimentos veiculam mensagens para o consumo de produtos que fazem mal para a saúde. A maioria dos produtos contém altos teores de gordura, açúcar e sal.

As cinco categorias de produtos mais veiculadas que causam mal para a saúde são os fast food; guloseimas e sorvetes; refrigerantes e sucos artificiais; salgadinhos de pacote; biscoitos e bolo. Esses alimentos contribuem para o aumento de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão e diabetes.

A pesquisa ainda revelou que entre canais de televisão abertos e fechados, 44% do total de propagandas de alimentos é direcionado para as crianças. Em entrevista à
Radioagência NP, o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, Wilson Bueno, afirma que seria necessária uma restrição a essas propagandas, já que as publicidades com artistas induzem as crianças ao consumo não saudável.

Como você avalia as propagandas sobre alimentos no Brasil?

Temos um problema sério. A propaganda de alimento, sobretudo aquela voltada para o público infantil, tem realmente um efeito danoso. Não adianta as indústrias e muitas vezes as agências negarem. Falar que as crianças e as pessoas têm condições, elas próprias, de decidir o que é bom ou é ruim. Ou que não há esse tipo de influência, no sentido de conduzir a uma má nutrição, obesidade, aumento de colesterol, porque a propaganda é feita e é paga para funcionar. E se ela funciona, o efeito que causa é o de conduzir as pessoas, em particular as crianças, para a péssima alimentação.

As propagandas devem sofrer restrições?

Sim. Deve ter restrições, como no caso do tabaco. Devem existir restrições às bebidas e às propagandas de medicamentos em geral. Não dá para acreditar na auto-regulação. Não devemos deixar esse tipo de coisa nas mãos das entidades que representam as empresas - agências e os anunciantes - porque certamente eles trabalharão em causa própria.

Existem políticas públicas voltadas para uma boa alimentação? O que pode ser feito?

Não. Mas existem as pesquisas e um trabalho que está sendo muito condenado, mas na maior parte das vezes é bem feito é o da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], no sentido de indicar, sobretudo, para a propaganda de alimento, de bebidas e de medicamentos, abusos inaceitáveis que influenciam a postura e comportamentos dos cidadãos. Institutos como o Idec [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor] e o Instituto Ethos poderiam trabalhar de maneira que não seja truculenta, formas de discutir e restringir tais práticas. Não é possível deixar celebridades e artistas de televisão, em programas de horário infantil, induzir as crianças ao consumo não saudável.

Como você avalia o hábito alimentar do brasileiro?

Muito ruim. Certamente não só influenciado pela propaganda, mas por uma educação que não contempla esse tipo de informação nas escolas. Tem o problema da falta de vigilância nas escolas com o uso de produtos não saudáveis, como por exemplo, nas cantinas. E há um papel não assumido de maneira adequada pela escola, pela família e pela sociedade como um todo.

É saudável o consumo de alimentos transgênicos?

Devemos ter precaução. Devemos exigir rotulagem dos transgênicos. Eu tenho direito de escolha de consumir ou não o transgênico. Esse direito não pode ser negado. Há esforço e um lobby poderoso de empresas de biotecnologia, no sentido de fazer com que a gente substitua culturas tradicionais que são importantes, sobretudo no caso do Brasil. Essa mudança para os transgênicos nos leva a uma perigosa dependência tecnológica, no caso específico das sementes de soja ou de algodão. Acho que falta discussão e observação de pesquisas que mostram os impactos ambientais e problemas que esses produtos causam para a saúde humana. Devemos ficar atentos, porque há interesses econômicos.

5 comentários:

Azevedo disse...

Há 15 dias se reuniram as entidades de propaganda e anunciantes, mídia, e lançaram um manifesto pela (acreditem) "liberdade de expressão".
Eles reclamam que está havendo um cerceamento na liberdade de anunciar, porque a legislação estaria coibindo a divulgação de produtos como bebidas e remédios.
O jornalismo da Globo repercutiu o evento por 3 dias seguidos.
Tadinhos, eles dizem que tem uma mordaça na propaganda brasileira.
Isso é que é manifestação fascista, querem poder vender lixo livremente sem nenhuma regulamentação estatal. E os publicitáriozinhos up to date o que tem a dizer sobre essa "mordaça" gente?

Guga Türck disse...

Sobre o tema, vale muito a pena ver dois filmes:
- SUPERSIZE ME
- FAST FOOD NATION

Se ainda não viste, Cristóvão. Não perde tempo...

Abração!

Carlos Eduardo da Maia disse...

A California do Arnold proibiu de vez a venda de produtos com gordura trans. Outro dia ouvi uma entrevista de uma pessoa da Anvisa de que estaria disponível no site da agência os produtos com gordura trans. Entrei lá, mas não consegui descobrir a tal da lista. Eu sou adepto do slow food. Acho que refeição é momento de reflexão, relaxamento e laser e comer bem não significa comer muito ou comer porcarias. Muito pelo contrário.

Maria Clara disse...

LaZer, né seu Maia, que o sr. queria dizer?

Como personagem de Eça o sr. é bem rústico. Só tem um verniz por cima.

Anônimo disse...

Bem se o Arnold proibiu está proibido, não é Maia.

Slow food, nem desocupa a moita

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