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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Uma disputa feroz na Amazônia


O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) registrou 870 km2 de floresta derrubada ou degradada na Amazônia em junho, segundo boletim divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Isso representa uma queda de 20,6% em relação a maio e de 38% se comparado a junho de 2007. A informação está em vários jornais do País, hoje.

Na soma dos últimos 11 meses, porém, o desmatamento aumentou 98%. Com apenas um mês faltando para fechar o calendário de monitoramento da Amazônia (que vai de 1º de agosto a 31 de julho), isso significa que a devastação da floresta este ano poderá ser o dobro do período anterior. Entre agosto de 2007 e junho de 2008, o Deter registrou 7.823 km2 de desmatamento, comparado a 3.949 km2 no período anterior (2006-2007).

Em contrapartida, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que é possível, do ponto de vista agronômico, o plantio de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia. Em junho último, em Roma, o presidente Lula chegou a admitir que era impossível aceitar o plantio de cana na Amazônia.

Stephanes, um agente político do agronegócio no coração do governo Lula, está começando a queda-de-braço no aparelho de Estado face ao novo zoneamento agrícola da Amazônia, que deve ser anunciado nos próximos dias.

Luta de classes em estado puro, com viés de vantagem para o grande capital.


8 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Absurdo plantar cana de açucar na Amazônia. E isso não tem nada a ver com luta de classes. Até mesmo porque grande parte das pessoas que estão devastando a Amazônia são pessoas de pouca instrução e oriundas da população de baixa renda e que acharam uma forma de ganhar uma graninha.

Juarez Prieb disse...

Sim, claro, por supuesto, como o Daniel Dantas e sua fazenda-capitania no Pará.

Claro, Maia.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A Fazenda do Dantas é em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, não faz parte da floresta amazônica.

Anônimo disse...

O ministro da agricultura vai ter concorrência ainda maior dentro do governo Lula.
Altemir Gregolin, aquele secretário que pagava churrascos para os amigos com o cartão corporativo, que emprega a esposa do representante das FARC no Brasil e que foi flagrado num vídeo fazendo propaganda para o Lula, está sendo premiado: a sua pequena secretaria está virando o Ministério da Pesca. O primeiro impacto da mudança será na quantidade de funcionários efetivos e cargos de confiança que , de imediato, passa de 200 funcionários para 400 servidores.Mas vem aí um trem de cargos com funções gratificadas. É que o presidente Lula deixou claro que o novo ministério "pode ter superintendências em cada Estado" - esses cargos são sempre indicações políticas atreladas à base aliada do governo. O Orçamento anual também vai dobrar: dos atuais R$ 250 milhões para R$ 500 milhões.

Além de reforma agrária, vamos ter reforma aquária para combater o agronegócio.

Lauro

Anônimo disse...

Acompanhei o congresso da SOBER ( Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural) nos dias 20 a 23 desse mês, no Acre e que versava sobre a Amazônia.

Foi nítido o enfrentamento da agricultura empresarial contra quem prioriza a manutenção da floresta e suas formas de exploração sustentável.

De um lado representantes do MAPA e economistas de outras instituições, tratando a região como fronteira, onde deve ser reproduzida (no máximo adaptadas) as formas de exploração realizadas com “sucesso” no centro sul do pais. Ou seja bovinocultura, soja e cana-de-açúcar , transformando a Amazônia numa grande fazenda.

Do outro lado, a oposição ao modelo, apostando em outras alternativas como remuneração por serviços ambientais, apresentados pela Profa. Dra. Bertha Koiffmann Becker da UFRJ .

Mas o que tinham em comum os debatedores?
Serem estranhos à região.

Quem fez essa constatação em defesa da floresta foi, paradoxalmente, um engenheiro: Gilberto Siqueira, Secretário de Planejamento do Acre.

“...temos condições ambientais próprias, que nenhum outro local do país, ou outro país, que se desenvolveu, têm. As experiências de fora pouco servem para cá. Precisamos de modelos, sistemas e formas de exploração racional e sustentável para a floresta.
Mas como? Possuímos 60% do território e apenas 2% dos doutores brasileiros”.

Com a resposta o Ministério da Educação...

Neimar

Anônimo disse...

Quem é o secretário na foto. O de tope no cabelo?

Anônimo disse...

Boiolchi,

Anônimo disse...

Ô Lauro:

Como é que tu presta serviço sem ter quem execute?

O estado minimo já é uma bosta, imagina se o estado não existe.

Quanto aos cargos me explica: Por acaso a Yeda não escolheu para os cargos em comissão a cumpichada dela?

O Lair, o Culau, o Fernandes, o Busatto, e esta cumpichada toda saiu da onde?

Por serem religiosos não foi, nem pela probidade.

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