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quinta-feira, 24 de julho de 2008

A conspiração dos juros altos




Banco Central dá cavalo-de-pau em transatlântico

O governo do presidente Lula faz um esforço danado para retomar o crescimento do País – que está estagnado há quase três décadas –, investe no PAC, quer nomear um ministro-gerentão para os programas da área social, e dá mostras efetivas de que está empenhado em um novo ciclo virtuoso de desenvolvimento, mesmo que não seja um crescimento sustentável e economicamente justo (mas isto é outro assunto).

Entrementes, o Banco Central faz esse verdadeiro cavalo-de-pau em transatlântico, ao elevar os juros de forma a conspirar contra tudo aquilo que representa vencer uma estagnação que só beneficiou o capital financeiro, os rentistas e especuladores de sempre.

Quando Lula estava prestes a vencer as primeiras eleições, em 2002, foi muito criticado exatamente por essa metáfora da manobra brusca no transatlântico. Sempre conciliador, Lula não fez nada disso que os eternos alarmistas da direita apregoavam.

Pois bem, e agora? Quem faz malabares de risco com a economia brasileira, em nome de conter o velho dragão inflacionário?

Os malabaristas do risco são os de sempre, os que não querem trabalhar e vivem de rendas auferidas por meios suspeitos e impublicáveis.

Foi noticiado semana passada, que a cidade de São Paulo ultrapassou Tóquio e Nova York no número de helicópteros que a utilizam como base de operações.

Dois fenômenos básicos contribuem para esse “milagre dos emergentes brasileiros”: o processo selvagem e desenfreado das privatizações no governo FHC, e as gordas vantagens comparativas amealhadas pelo capital financeiro nestes trinta anos de estagnação econômica.

A novíssima classe dos altos estratos neo-oligarcas do Brasil aspiram precisamente o que está ocorrendo no País:

a) tolerância jurídica e policial para as suas operações heterodoxas (o deputado tucano Raul Jungmann é o porta-voz destes insopitáveis anseios de classe, hoje);

b) um Banco Central independente que seja instrumento ativo (e agressivo) de política monetária em favor da hegemonia do capital financeiro e seus satélites;

c) uma mídia combativa e militante que sustente um discurso de justificação ideológica no sentido de provocar alarmes continuados de que o combate à inflação é o grande dever patriótico do momento.

O Banco Central do Brasil ontem provou que é um território liberado do capital financeiro internacional, encravado no coração da República do Brasil.

Ninguém pode com o Banco Central, nem Lula.


14 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

E a inflação? Esse monstro oculto que abocanha o salário da população de baixa renda e que o governo do PT anda descuidando, não vale um centavo? Ou vamos dizer que inflação é invenção do PIG? O governo do PT segue a mesma política econômica do governo tucano. É exatamente a mesma. É uma continuação. É inegável que o Brasil se desenvolveu muito econômica e socialmente nos últimos anos, graças, inclusive às privatizações, mas tem gente que tem saudades de outros tempos que não existem mais, dos tempos em que o estatismo, o empreguismo, a burocracia e a burrice tomava conta de tudo. Resquícios desse tempo ainda existem, mas ele não volta. Recomendo sobre este assunto o artigo do Delfim - e nao sou fã dele - de ontem na Folha (tá ali no argh depósito).

Callado disse...

Parabéns, Feil.

Vc disse tudo em poucas linhas.

Anônimo disse...

Alimentos aliviam e inflação pelo IPCA-15 sobe 0,63% em julho

Na véspera, BC elevou a taxa básica de juro para 13%, numa tentativa de combater a contínua alta dos preços

Reuters e Agência Estado


RIO DE JANEIRO - A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou mais que o esperado em julho, uma boa notícia para o Banco Central, que decidiu na véspera elevar a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano, numa tentativa de combater a contínua alta dos preços. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,63% no mês, seguindo o avanço de 0,90% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 24.

Anônimo disse...

A política do governo Lula é a mesma do governo FHC. Vejam:

Segue entregando as empresas lucrativas para a exploração privada, implementou a alca, a política externa é a mesma (que o Ministro das Relações Exteriores anterior arriava as calças para entrar no EUA), o FMI não sai daqui dando ordens, não tem cadeia para ricaço, tem procurador de gaveta, só tem dinheiro com empréstimo tampão.

É realmente o Brasil deve muito para o FHC. Só deveria pagar com cadeia, muita cadeia, para ele, e a cumpichada que se locupletou no governo dele, como os Dantas, os Cacciola.

Claudio Dode

edu disse...

Se o Lula se meter com o banco central vira 500grs de pò, ja dissemos isso aqui.

Sao 13% do capital de giro do pais q vai pelo esgoto, ja disse é COMO UMA COLHEITADEIRA.

BANDIDOS, CANALHAS deixam o Brasil na miséria.

Anônimo disse...

Edu e a Colheitadeira Assassina!

edu disse...

Se a inflaçao foi gerada por especulaçao pq o bc tira dinheiro de circulaçao???

Um pais miseravel tem excesso de consumo??? Mentira, eles precisam nos jogar na miséria total, assim ganham mais e podem alimentar os seus patroes especuladores. CRIMINOSOS.

edu disse...

Entre os escravos da antiguidade e aqueles atuais existe uma abissal diferença. Os escravos de um tempo nao eram grandes trabalhadores, se impenhavam pouco - porque sabiam de serem escravos e porque eram constritos do externo a trabalhar e nao pagavam taxase nao tinham responsabilidades nem bens q pudessem perder.

Mas os escravos de hoje nao sabem de que sao escravos e acreditam de trabalhar para si mesmo, para pagar debitos legitimos, para finaciar serviços sociais, para salvar a casa da hipoteca e para construir-se um futuro melhor.

Por isso rendem muito e se pode espremer muito mais que dos escravos dos tempos antigos.

De frente a isso se dissolve a ilusao das instituiçoes democraticas elegiveis, que restam inertes, indiferentes ou impotentes.

Tb o conceito de "representantes do povo", de fato representam os interesses de poucos e dos "muitos" representam somente as ilusoes.
(Jacques Ellul/ Noam Chomski)

Nelson Antônio Fazenda disse...

Meu caro Feil. Nenhuma surpresa na atitude da diretoria do Banco Central. O economista César Benjamim conta, em http://www.resistir.info/brasil/tenebrosas_transacoes.html, que em pouco mais de dois anos, de janeiro de 2006 a maio de 2008, o BC perdeu, deliberadamente, nada menos que R$ 18 bilhões para especuladores. A pergunta que deve ser feita é: elegemos Lula para governar o país ou para que ele fosse governado pelo BC?
Já as privatizações foram feitas para garantir gordos lucros ao grande capital, grandes empresários brasileiros e estrangeiros. Não à toa, preços e tarifas pagos pelo povo brasileiro são muito maiores agora que antes das privatizações.
O mesmo povo brasileiro que, com muito suor e sacrifício construiu todas as empresas públicas e estatais para depois vê-las serem doadas por governos corruptos e vendilhões da pátria a um pequeno grupo de tubarões.

Anônimo disse...

"Tutti" de graça para os "privates", como se as empresas privatizadas não deram retorno aos cofres do governo. Acabaram com os cabides de governantes.

Guil

MASQUINO disse...

Inflação de demanda ou de custos???Inflação criada por expectativas de financistas(UNIBANCO) que patrocinam telejornais como o Jornal Nacional?Privatização ou roubatização,com a criação de monopólios privados no lugar de monopólios públicos??Inflação causada pela saída da PETROBRAS do setor de fertilizantes e sua entrega para multinacionais como BUNGE,YARA,etc que ditam o preço dos mesmos para cima e,por tabela,explodem o preçodos alimentos?Ora,sempre tem gente para defender o confisco tarifário que as privatizações causaram(aumetos de quase 700% em 10 anos,como na energia elétrica) e chamar isso de "competência gerencial".Pelo amor de Deus!!Você foi brilhante Feil!!!O Banco Central é um desastre.Essa entidade foi criada para trasnferir riqueza da populaçao para as finanças.Recomendo dois artigos de Henry CK Liu:"...World trade is now a game in which the US produces dollars and the rest of the world produces things that dollars can buy...".A grosso modo,pode ser traduzido assim:O comércio mundial é um jogo onde os EUA imprimem os dólares e o resto do mundo produz coisas que o dólar pode comprar..." 1)"A auto destruição do capitalismo da dívida (I)-http://resistir.info/crise/liu_22jul08_parte_1.html //2)A auto destruição do capitalismo da dívida (II)-http://resistir.info/crise/liu_22jul08_parte_2.html O sítio dele é esse:http://henryckliu.com/index.html Tirei a citação,supra,daqui:http://henryckliu.com/page2.html O engraçado é que,mês passado,cerca de 100 docentes assinaram um manifesto desancando Milton Friedman e as sandices que até hoje ecoam com base na obra dele.Será que algum dia,por aqui,veremos Friedman e seus friedmaníacos sabendo que até Chigago está mudando???

MASQUINO disse...

www.aepet.org.br:'Importantes fontes revelaram à AEPET que a multinacional norte-americana Halliburton, através da sua subsidiária no Brasil, Landmark Digital and Consulting Solutions, está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem ter passado por processo licitatório. E mais: as fontes informaram, ainda, que tiveram acesso ao parecer da Procuradoria Geral da República (PROGE), emitido em 2004, no qual exige que serviços prestados no BDEP sejam feitos mediante licitação. Mas, incrivelmente, a ANP até hoje não cumpriu a determinação da PROGE. A Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton administra o BDEP há 10 anos. Lembramos que a Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney, atua no Brasil há mais de 40 anos e recentemente colocou um diretor de sua subsidiária em Angola [Nelson Narciso] na direção da Agência Reguladora, para gerenciar os leilões e o BDEP. Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB - Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pela principais áreas de atuação da Agência Reguladora. A raposa está ditando as regras do galinheiro e parece que as nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser corrigida o quanto antes. A sociedade brasileira precisa ficar de olho vivo e agir contra tais ilegalidades. Especialistas dão conta de que esse tipo de atividade [administração do BDEP] só existe no Brasil, assim como a jabuticaba. Nessa história toda, vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de uma simples "Rainha da Inglaterra" e "garoto propaganda" da entrega das áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark [Halliburton] é paga para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da Lei 9478/97. A Halliburton, principal articuladora da invasão ao Iraque, tem executado uma série de atividades de bilhões de dólares, sem licitações. A Halliburton é o principal membro da corporotocracia norte-americana, que junto com CIA, Sistema Financeiro e outras corporações exploram os recursos dos países em desenvolvimento".O buraco é muito mais embaixo...

Nelson Antônio Fazenda disse...

Já que se falou em privatizações, o governo FHC privatizou quase 70% do patrimônio que pertence a todo o povo brasileiro. Como “perfeito democrata”, FHC nem ao menos se interessou em perguntar aos brasileiros se queriam as privatizações ou não. Os recursos arrecadados nas privatizações seriam utilizados para amortizar a dívida pública, dizia o governo de FHC. Pois bem. Quando foi lançado o Plano Real, a dívida interna brasileira andava por volta de R$ 48 bilhões. Oito anos e meio depois, quando FHC transferiu o governo para Lula, essa dívida tinha aumentado para cerca de R$ 700 bilhões. E olha que, segundo a avassaladora propaganda que se seguiu a seu lançamento, o Plano Real vinha para salvar o país. E, absurdo, mesmo diante de dados como esses, não raro vemos nossos órgãos de mídia hegemônicos e (de) formadores de opinião a se referirem ao governo de FHC, saudosos, como um símbolo de competência.
Suponhamos que você tem uma empresa e resolve entregar sua gestão a um grupo de gerentes. Alguns anos depois, você constata que esse grupo vendeu dois terços do teu patrimônio e ainda assim aumentou em 14 vezes a dívida da tua empresa, deixando-a praticamente quebrada. O que você pensaria dos teus gerentes, os consideraria competentes?

Julio - Capitalista disse...

Realmente, os pobres adoram inflação, especialmente quando fica difícil comprar arroz e feijão no final do mês. Claro, aumento de taxa de juros é uma farsa, por isso todos os países sérios do mundo a utilizam como forma de controlar a inflação e nos países que não fazem isso a população fica muito feliz como na Argentina. Realmente, bancos adoram juros altos, por isso quando os juros chegaram nas mínimas os lucros deles chegaram nas máximas, afinal, com juros mais baixos eles emprestam mais e a inadimplência é menor. Aliás, você tem dinheiro em algum fundo de investimento? Se tiver, você a partir de agora deve se classificar como banqueiro.

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