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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Modelo do agronegócio não se sustenta sem financiamento do Estado


Movimentos sociais, ambientais e de direitos humanos criticam atual modelo do agronegócio de biocombustíveis

Organizações sociais, ambientais e de direitos humanos criticam o atual modelo de exploração do agronegócio da energia e das grandes monoculturas energéticas, como da cana-de-açúcar, voltadas para a exportação. Elas afirmam que discordam radicalmente do modelo e da estratégia de promoção dos “agro-combustíveis”. A informação é da
Agência Brasil.

Durante três dias, elas se reuniram para discutir os problemas e impactos do modelo atual da produção de agro-combustíveis, no Seminário Internacional Agro-combustíveis, em São Paulo.
No documento elaborado por organizações da Colômbia, Bolívia, Costa Rica, Bélgica, El Salvador, Equador, México, Argentina, Alemanha, Estados Unidos, Holanda, Suécia e do Brasil, dizem que a agricultura industrial para a produção de de biocombustíveis é insustentável, pois apenas se viabiliza através da expansão das monoculturas, da concentração de terras, do uso intensivo de agroquímicos, da super-exploração dos bens naturais comuns como a biodiversidade, a água e o solo.

Segundo a coordenadora da organização não-governamental Amigos da Terra, Lúcia Ortiz, o objetivo do documento, que será entregue a representantes de todos os governos que participam da Conferência Internacional de Biocombustíveis que também ocorre em São Paulo, é expressar a posição das organizações participantes do seminário como um contra-ponto à promoção dos biocombustíveis realizada na Conferência Internacional de Biocombustíveis. “É um documento contrário à expansão do agronegócio da energia e das grandes monoculturas energéticas voltadas exclusivamente à exportação”, disse.

O texto elaborado pelos debatedores também coloca a produção em escala industrial de biocombustíveis como causa para os desmatamento e destruição de ecossistemas em todo o mundo, e, especialmente da Amazônia, além de outros biomas do Brasil.

Em outro item do documento, as organizações criticamos financiamentos públicos para esse tipo de cultura, afirmando que o setor sucro-alcooleiro, no Brasil, não se sustenta sem o financiamento público, e que a promoção dos programas governamentais de biocombustíveis é caracterizada por incentivos e subsídios governamentais diretos, como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e indiretos, como a não penalização das evasões fiscais e perdão de dívidas.

Por fim, elas entendem que a soberania energética “não poderá ser alcançada em detrimento da soberania alimentar”, e que se requeira uma nova organização do modo de vida em sociedade e das relações entre campo e cidade.

3 comentários:

marcelo disse...

Porque os ruralistas tem tanto poder no Brasil? O que faz com que essa classe economica tenha tanta representacao política? Pq os sindicatos rurais nao tem voz ativa na política?

Na história brasileira, essa é a única classe que sempre se manteve no poder. E até hoje nao se ve ameacada.

Ary da Silva Martini disse...

Calculem a quantidade de carne que foi consumida nesses três dias, depois calculem a "pegada gulo-ecológica": para cada quilo de carne, 170m³ de madeira e 80 (oitenta!) mil litros de água. Até a eco-incoerência tem limites!

Ary da Silva Martini disse...

Prezado Marcelo: no feudalismo é assim. Pois se temos, no Rio Pequeno do Sul, até um jornal e uma rede de comunicação feudal.

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