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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A estética jeca dos castelos “medievais” guascas


Iniciativa contaria com a contribuição da UCS

Deu no Correio do Povo, de hoje:

A vindima de 2010 terá uma atração extra no Vale dos Vinhedos. Uma carta de intenções firmada entre o Centro de Cultura e Eventos da região com a Universidade de Caxias do Sul deu a largada em um projeto que prevê a construção, a partir do ano que vem, de uma réplica de castelo medieval e de um vilarejo de artesãos.

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Vejam só: uma réplica de castelo medieval em plena Serra sulina contando com o apoio cultural da Universidade de Caxias do Sul.

Não há nenhum motivo histórico para construir um castelo medieval na Serra do RS. Se for concretizado, de fato, será objeto de zombaria de tantos quantos souberem que existe uma jequice destas por aqui. Que nexo existe entre as diferentes culturas sul-rio-grandenses e a chamada Era Medieval, que terminou com a queda de Constantinopla em 1453? Tanto mais, sabendo-se que – a rigor – o Rio Grande começou a ser povoado somente no século 17.

De resto, duvido que gente séria da UCS vá se meter em um projeto de falsificação histórica para ajudar a construir algo artificial na região dos vinhedos. Acho difícil que professores e pesquisadores possam arriscar suas reputações referendando com o selo acadêmico um evidente projeto caça-níquel de turistas desavisados ou até a projeção infantil de algum investidor imaturo e obcecado.

Hoje, na região colonial italiana do RS existem, de fato, inexplicavelmente, alguns empreendimentos hoteleiros e mesmo vinícolas que exploram uma certa estética pseudomedieval carnavalesca (e que tem de proclamar a cada instante a sua intenção, caso contrário ninguém sequer percebe algo do gênero), mas isso são iniciativas particulares, isoladas e que por certo não contaram com assessoria de nenhuma Universidade da região.

21 comentários:

Prestes disse...

Castelo medieval no Brasil só pode ser piada.

Gustavo Guglielmi disse...

Medieval autêntico com o selo de garantia da UCS.

Francisco Goulart disse...

Caraca. Os gringos da nossa serra tem cada uma...

el barto disse...

ué, já que tá implantado no rs um regime medieval (vide a rainha destrambelhada, sua corte de inúteis como a sec. da "curtura", e seu torturador fardado boçal e fanfarrão - esse pode servir tb. de bobo da corte), até que faz sentido...

Anônimo disse...

Esse castelo será tão autêntico quanto o cabernet sauvignon que eles produzem.

Luiz Moura disse...

Eu já muita esquisitice pelo Brasil afora, esta vai ser mais uma.

Cristiano Muniz disse...

Vereador Haroldo de Souza (PMDB) ameaça estudante e promete repressão a novos movimentos.

Leia mais em http://salveopampa.blogspot.com/2008/11/vereador-haroldo-ameaa-estudante-aps.html

ary da Silva Martini disse...

E a mentalidade feudal aonde fica? Nos pagos, tchê!

Anônimo disse...

Eu sou pela liberdade de construção de castelos, medievais ou não.

Cris

Anônimo disse...

É bem comum essa nostalgia brega da nobreza que nunca nem chegaram perto.
Tem o castelo das Pedras Altas de Assis Brasil, tem a sede da Valduga.
É só a criatura ter um dindin e leitura de menos a mais e lá se vai a preciosa arquitetura dos galpões de basalto negro com pedras encaixadas de quase metro de comprimento.
Vai ter apoio da sec. de cultura por supuesto.

Gustavo Guglielmi disse...

Feil, eles querem raízes nobiliárquicas, querem tradição, querem história familiar. Acham que fazendo um castelo de carro alegórico conseguem tudo isso e ainda ganhar um troco de turistas tolinhos. O rótulo das garrafas de vinho que esses gringos fazem traz sempre um brasão, seteiras, torres, flâmulas, uma idéia de memória heráldica, pra mostrar que há tradição. Tudo fajuto e feito no webdesign da esquina.

Milton Ribeiro disse...

No último verão, fiz uma visita ao Castelo de Pedras Altas. Nem consegui ver direito. Uma familiar descendente de Assis Brasil, certamente uma nobre, me deixou louco com seu controle. Eu simplesmente NÃO PODIA ficar examinando os títulos da biblioteca. A biblioteca é autenticamente espetacular. E não catalogada. E ninguém utiliza.

São assim os construtores de castelos. Mesmo o do mais famoso e, digamos, tradicional, autorizado, histórico...

Bem fez o Luís Antônio ao ridicularizar sua família naquele livro.

fernando disse...

Quenem a biblioteca da casa do Gilberto Freyre no REcife. Ninguém pode tocar nos livros. Onde já se viu?

oscar disse...

Volta e meia se encontra um castelinho medieval por aqui, tem o do Alto da Bronze, tem na praia do Imbé (Av. Rio Grande). Que mania de quererem parecer a Disneylandia do castelo da Branca de neve. Tem cada uma....

Anônimo disse...

Ora, um Castelo Medieval!? Seria apenas a materialização das mentalidades e relações entre serviçais e senhores feudais que predominam no estado e na capital do Rs! Porto Alegre depois de um Período de Luzes, ingressou nas Trevas, no atoleiro, em estado de cegueira vai permanecer até quando o instinto de sobrevivência vai evocar os brilhos das estrelas.
Clarice da Luz

Anônimo disse...

Qual é o problema? O dinheiro é de vocês?

Esse é o mal da humanidade: ao invés de cuidar do seu próprio umbigo, acham defeito em tudo.

Abraços.

Aroldo

cel disse...

Tóóóóóóóóóiiiiiiigggg!

Viram seus babacas.

Francisco Goulart disse...

De fato, tirando o lado medieval, ou não, os castelos têm uma simbologia mais profunda.
Por exemplo, quando a gurizada pequena vai brincar com areia da praia, tentam construir o que? o que?
hein? hein?

Carlos Eduardo da Maia disse...

Também acho ridícula essa mania de fazer disneylândias fakes. Pelo menos, o Castelo do Auto da Bronze tem uma interessante história real contada pelo Juremir.

Giovani Montanher Madruga disse...

o kitsch é um fenômeno inexplicável.
não precisamos ir muito longe, nossas construções são a repetição de símbolos e idéias obsoletas que as tornam insatisfatórias e não representativos do momento histórico e das tecnologias atuais.

Ary da Silva Martini disse...

Se vivemos tempos medievais no Rio Grande, quem seria o dragão?

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