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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pontes que também não aguentam mais


Londres está refém desta ponte?

Segundo o diretor-presidente da Concepa, concessionária privada responsável legal pela manutenção da Ponte do Guaiba, a ponte levadiça "não aguenta mais". Com 52 anos de uso (foi inaugurada em 1958), a Ponte do Guaiba está um caco imprestável e perigoso, conforme a douta opinião do genial executivo guasca. Segundo o jornal Zero Hora, não menos genial que o nosso diretor pedagista, "somos reféns de uma ponte", já que em apenas dois anos houve quatro enguiços na mesma. As autoridades do Executivo estadual, o Ministério Público, o Legislativo, todos, mantém um silêncio sepulcral sobre o "caso da ponte que não aguenta mais". Refém, de fato, de um modo geral, não fala - é compreensível. Como os pusilânimes.

Então, fomos ver como funcionam as pontes em outras cidades do mundo. Começamos por Londres (sábado passado já havíamos comentado aqui sobre a Golden Gate, de San Francisco, Califórnia, EUA). O rio Tâmisa (ou Thames) que corta Londres em forma de uma gigantesca serpente líquida, tem precisamente 214 pontes, sendo que 90% delas foram projetadas e construídas no século 19, como a velha Waterloo Bridge, de 1817. Será que ela aguenta? Os londrinos também são reféns de cacos velhos? É o que veremos, aqui, nos próximos dias.

Hoje, a ponte que mostramos é a Tower Bridge (fotos do alto), inaugurada em 1894. Certamente, pelos sábios critérios da Concepa, não aguenta nem mais um dia, já que por ali passam cerca de 40 mil veículos/dia. A exemplo do nosso pontilhão do Guaíba, também é movediça, só que é bem mais alta, tem um porte vertical de 65 metros. Pela foto, pode-se - de fato - constatar: um traste obsoleto. Com essa velharia, os londrinos já não são nem mais reféns, são vítimas anunciadas. Que preparem os obituários, já. 

Comenta-se na praça que olheiros da City of London Corporation (ou o Mayor and Commonalty and Citizens of the City of London), ente público responsável pelo planejamento de obras do chamado "square mile" londrino, estão procurando contato com a Concepa, vivamente convencidos que estão da notável capacidade tecnológica da concessionária de pedágios e manutenção de rodovias e obras de arte. Afinal, um "mercado" de 214 pontes "que não aguentam mais" é um presente dos céus. Irrecusável.

21 comentários:

JÚLIO CÉSAR SCHMITT GARCIA disse...

'Na veia'! Grande trabalho jornalístico. Colocou - mais uma vez - a Consepa/RBS na lona. Brilhante, necessária e oportuníssima postagem, Cristóvão. Parabéns!

um escravo da dúvida disse...

e o dr. tarso hein? não vi sua excelência comentar sobre o grave problema da ponte do guaíba.

com tantos advogados "interessados" a sua volta, será que ele não está obnubilado pelos "argumentos" da concepa?

que opinião tens feil? gostaria de saber da tua opinião, uma vez que estás, perece, apoiando sua excelência.

de leve, que cavalo não desce escada, como dizia o cronista social mais venal do brasil.

Carlos Eduardo da Maia disse...

No Tâmisa existem várias pontes, a Tower Bridge é apenas uma delas. No Guaíba existe apenas uma ponte que liga POrto Alegre à região sul. A situação de POA é mais ou menos parecida com a de Lisboa. Existia apenas a ponte 25 de abril (em homenagem a gloriosa revolução dos cravos) sobre o Tejo -- ali entre Lisboa e Belém -- que ligava ao outro lado o sul de Portugal, na região de Setubal. Mais tarde, em 1998, com a EXPO de Lisboa se construiu ao norte, na região da grande Lisboa, a Ponte Vasco da Gama com 17, 3 km e pedágio. Aliás, todas as maravilhosas estradas portuguesas têm pedágios. O Rs não pode ficar dependendo de uma ponte de vão móvel ligando a região sul à região metropolitana. Essa ponte deve ser feita para ontem.

kadú disse...

O que dizer de um executivo que não sabe quantas manutenções faz na ponte?
Isso tá me cheirando a chantagem técnica. Torcem pra ponte quebrar, pra tentarem ganhar em outros negocinhos. E nós os trouxas dos pedágios pingando dinheiro aos montões no posto de assalto legalizado pelo Britto.

Anônimo disse...

Oi Cristovão, mandei um email para o Diário Gauche agora há pouco.
Não consegui nada sobre esta noticia a não ser de lá onde indiquei, talvez tenhas mais sorte.
Abraços
Marcelo J.

Anônimo disse...

Não sou especialista, mas, pelo que entendi da entrevista, o problema principal não é a idade da ponte, e sim o acidente grave de 2008, que teria desestruturado o sistema elevadiço. Não por coincidência, desde a pancada daquele navio começaram os problemas. Nunca ouvi falar do que aconteceu aos responsáveis pela embarcação.

JÚLIO CÉSAR SCHMITT GARCIA disse...

(...) 'Colocou a Concepa/RBS na lona'. (Corrigindo comentário anterior). hehehe!!!
Abrs!

Remindo disse...

Maia, pago tua passagem só de ida para Portugal. Tu que sonhavas com o "satus quo" de cubano em Miami, agora sonhas como a vidinha em Beira. O que os quatro anos da Yeda fizeram contigo.

Remindo disse...

Melhor sacada jornalística dos últimos 90 dias. Colocaste na lona repórteres, editores, cronistas, radialistas e debatedores de plantão.

Petardo de Tarso disse...

A questão é: independente da construção ou não de uma nova ponte, é necessária a manutenção preventiva da existente, pela concessionária. Se ela não fez isso, então temos o quê, uma quebra de contrato? Porque a Concepa não entrega a concessão já que não se sente capaz de cumprir com o que foi acordado? Não se sente capaz ou agiu de forma desonesta? O que temos é a clara falência da pedagiocracia da direita guasca. E os meios de comunicação fazem boca de siri.

Anônimo disse...

Má-fé ou falta de informação.
Nem todas as nem tão maravilhosas estradas portuguesas (e europeias em geral, e norte-americanas e...) têm pedágio, mas as que o têm contam com uma via alternativa, bem razoável, para que a pessoas possa escolher. Além disso, o preço é proporcionalmente mais baixo e a estrada infinitamente melhor do que qualquer pedagiada do Brasil. Várias das melhores estradas do mundo, que estão na Alemanha, não têm pedágio.

Eugenio 13, OFS disse...

Paz e bem!

1 A atual Waterloo Bridge
é de 1945!
cf. http://en.wikipedia.org/wiki/Waterloo_Bridge .

Tupamaro disse...

O negócio desta gentinha não é prestar bons serviços e muito menos fazer manutenção periódica nos equipamentos sob sua responsabilidade. O negócio delles é "faturar". Depois se acontecer algum problema o Estado (que deve ser mínimo, lembram)que resolva.
Tudo, é lógico, com o beneplácito da (P)rbs, o verdadeiro criador destas criaturas, que ainda tenta passar uma imagem de isenção em suas mídias, como se não fossem os responsáveis deste descalabro.

Gustavo disse...

Só peço uma coisa, por favor... não levem ELA pra ver a ponte de perto, com a urucubaca que tem essa pessoa vai piorar o estado da ponte.

luciano disse...

maia, o que o RS precisa mesmo é parar de dar dinheiro a concessionários que prestam um serviço de m*rda.

até qdo vais sempre usar esse teu discursinho polido pra ficar defendendo esse bando de calhordas que ganham milhões do teu bolso e não sabem prestar um serviço decente?????

p*rra meu amigo, do lado de quem tu estás? da classe média e média baixa que se f*de pra transitar pela cidade ou os homens pançudos e endinheirados que não prestam o serviço como deviam e estão dando risada com os editores dos jornais, tudo pago a tuas custas?

pára com isso, cara!

Anônimo disse...

Por falar em coisas "da privada", e a British Petroleum heim? Nenhum discurso contra a ineficiência e o descaso desse dinosauro? Imaginem os senhores se parecido acontecesse com a Petrobrás? O lugar dessa escória privada e seus defensores é na privada mesmo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A questão não é a Concepa - que está na dela. O problema é que o estado deveria ser regulador e fiscalizador e não é. Agora, o exemplo do Feil não se sustenta. Uma coisa é a Tower Bridge, que é uma ponte turística e ao seu lado tem dezenas de pontes. E de outro a Ponte do Guaíba que é a única que passa naquele local e é de vão móvel. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
Em qualquer país socialmente desenvolvido uma ponte nova teria sido construída. Mas no Brasil da discussão sem eira nem beira o que ocorre é o debate da politicagem mediocre.

luciano disse...

maia, interessante tua observação.
concordo mesmo.

"A questão não é a Concepa - que está na dela": ou seja, vou me empanturrar com o dinheiro da população e se o governo "regulador e fiscalizador" não me cobrar. vou ficar na minha né?

é isso mesmo. a concepa está na dela, bem observado.

Tzara Bathana disse...

Estranho é que o Estado, dependendo das circunstâncias, é acusado e ingerência na liberdade de mercado. Agora, quando dentro dessa mesma liberdade, uma empresa não cumpre o prometido, quebrando contratos, o mesmo Estado deve regular e fiscalizar. E se nos referirmos ao Estado guasca, que abriu as pernas do Rio Grande para as papeleiras, pedágios, transgênicos, chafurdando em desvios de verba, mortes misteriosas e, falando em fiscalização, deixou que uma ponte levasse inúmeras vidas pois fazia anos que não fiscalizava e regulava? A Concepa é culpada sim, independente do Estado voltar a ser fiscalizador e regulador.

Anônimo disse...

Exato, Maia, no país da discusão sem eira nem beira (para o povo), um governo privatista entrega concessões a preço abusivo e sem estradas alternativas, ao mesmo tempo em que defende a redução do estado, que, reduzido e entregue a esse tipo de político, não fiscaliza a total negligência com os serviços. Mas o que ainda não disseste é se é obrigação da Concepa (que não está na dela, está na nossa) manter a ponte, e do governo Yeda fiscalizá-la.

Alessandra disse...

A responsabilidade da concepa é manter a ponte funcionando, se ela enguiçar e a concepa levar um mês para concertar é isso que o contrato rege.

O problema é que um navio bateu na parte móvel da ponte e outros dois navios já bateam nas torres. A estrutura da Ponte está desgastada em função disso. Essa Ponte tem 52 anos.

Se formos procurar em outros paises existem Pontes mais antigas em bom estado, mas também existem pontes como a sobre o rio Mississippi, em Minneapolis que não era levadissa mas caiu com apenas 40 anos de uso.

O caso é que precisamos de uma Segunda Ponte, uma alternativa. Se o Governo Federal construir ótimo, se negociar com uma concessionária, que seja um bom negócio, que não venha a aumentar pedagio ou abrir uma nova praça de arrecadação.

Precisamos de uma Segunda Ponte de qualquer maneira !!!

O Governo precisa fiscalizar o que concede para concessões ? Com certeza, em todas as áreas.

Mas se guardassem menos dinheiro em cuecas e meias, certamente ninguem precisaria estar questionando trabalho de concessões.

Pois o próprio governo manteria em boas condições estradas e pontes!

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