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Crianças afegãs refugiadas brincam na cidade de Islamabad, Paquistão, em 02/fev/2014.

(Muhammed Muheisen)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Presidente Chávez expropria a Cargill venezuelana


Empresa norte-americana estaria sonegando arroz aos consumidores

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, determinou ontem a expropriação da usina de processamento de arroz pertencente à gigante norte-americana Cargill. A decisão foi tomada porque a empresa estaria deixando de produzir arroz branco, variedade que tem o preço tabelado pelo governo bolivariano.

"Começou o processo expropriatório e, além disso, uma investigação judicial", disse o presidente durante reunião com ministros. Chávez ameaçou também expropriar as fábricas de alimentos da Polar, uma das maiores empresas do país.

A Cargill mantém treze usinas de processamento de alimentos na Venezuela.

Segundo o presidente, o governo enviará fiscais à unidade da Cargill para garantir que a companhia está produzindo arroz branco, variedade incluída no rol de produtos alimentícios sujeitos a preços controlados.

A ordem de expropriação acirra ainda mais a relação entre o governo e as empresas privadas do setor de alimentos, que vem sendo acusadas de driblar as medidas de controle de preços de itens alimentícios.

Na terça-feira, Caracas determinou que os fabricantes de alimentos que produzem alguns dos itens com preços administrados destinem 70% de sua produção a esses produtos. A decisão atinge doze alimentos, entre eles arroz branco, óleo comestível, açúcar e leite integral. Os venezuelanos têm enfrentado escassez de alguns alimentos. A informação é do diário Valor, de hoje.

Foto: azeite espanhol de oliva, Gallo, produzido e distribuído mundialmente pela Cargill Foods. No Brasil, essa gigante norte-americana dos alimentos, de capital fechado, produz as marcas óleo Mazola, óleo Purilev, óleo Liza, maionese Gourmet, azeite La Española, e as bolachas Club Social, entre outros alimentos.

21 comentários:

Kayser disse...

Pensei que a foto do azeite fosse uma referência ao Chávez, que é galo!

Cristóvão Feil disse...

Também!

CF

Anônimo disse...

O chavez me assusta, mas a Cargill me assusta mais! Alguém tem que começar a botar alguma pedra no caminho desses predadores.

Filipe

Carlos Eduardo da Maia disse...

A venezuela vive o grave problema do socialismo, o desabastecimento. 10 entre 10 experiências socialistas acarretaram no desabastecimento. Ou seja é impossível mudar as leis básicas do mercado via canetaço e tabelamento artificial de preços. A Venezuela é a campeã latino americana de inflação, por um motivo muito simples, o Estado venezuelano gasta muito mais do que arrecada. E vai arrecadar cada vez menos daqui para a frente, porque o preço do Petróleo desaba e o texano do Bush (ligado às petroleiras) não está mais no poder. No Brasil, o imbecil do Sarney também tentou isso.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Outro ponto interessante é que o Chávez, com seu carisma, teve o devido cuidado de determinar o tabelamento de preços, a la Sarney, depois do referendo, porque sabia que sua popularidade iria baixar. Chávez sabe muito bem que tabelamento é sinônimo de desabastecimento. Dito e feito, o ato de Chávez determinando a expropriação da Cargil está, em verdade, incentivando ainda mais o crônico desabastecimento do povo venezuelano, porque como a Venezuela é um país que é dependente -- muito mais que o Brasil -- de produtos externos, não vai ter azeites e alimentos para produzir. E o capital externo a partir desse tipo de ato não vai ter nem vontade e nem segurança jurídica para investir na república bolivariana do socialismo do século XXI.

Fabrício Nunes disse...

Feil, "tô" aproveitando o espaço para falar da representação do PSDB contra Luciana: eles não querem as provas, não se importam com elas. Querem cassar a deputada porque ela está "atropelando" a Justiça...
Inacreditável!

ab.

Clairton disse...

Logicamente, Chavez sofrerá sabotagem econômica, patrocinada pelo grande capital, comum quando governantes sérios tomam medidas fortes para tentar regular a atuação (na maioria das vezes nefasta) destes "leviatãs" econômicos. Agora, querer comparar Chavez com sarney é piada. "Sirney" dispensa comentários...
O economista Ladislau Dowbor, num artigo recente sobre a crise financeira mundial que abala o capitalimo neoliberal, alerta para este serviço de solapamento que o grande capital e especuladores farão para evitar que se pense em mudanças sérias no sentido de regular a atuação destes "leviatãs":
"diferentemente da crise de 1929, em que cada país se recolheu em posturas defensivas para lamber as suas feridas em mercados protegidos, desta vez há uma atitude concertada e multilateral para se enfrentar a crise. A rapidez com a qual se levantaram recursos para salvar instituições cuja credibilidade é baixíssima, mas cujo poder de estrago é imenso, aponta para uma nova cultura de construção de políticas multilaterais, mas também para o imenso poder político dos especuladores, que tudo farão para conter mudanças estruturais." (...)
"há pela primeira vez um reconhecimento planetário de que o mundo dito “em desenvolvimento” existe não apenas como fonte de matérias primas e de problemas, mas como fator essencial da construção de soluções" (...)
"o abalo planetário da confiança nas instituições financeiras não tem volta, pois são milhões os que foram prejudicados nas suas poupanças ou aposentadorias, e circulam em todos os meios de comunicação as contabilidades duplas, o uso dos paraísos fiscais para fraudar tanto o público como as obrigações fiscais, a falsificação dos dados sobre a situação real das instituições, o compadrio que preside às atividades das agências de avaliação de risco." (...)
"Da mesma forma como Bretton Woods exigiu dois anos de preparação por equipes técnicas, não se fará uma reformulação real em pouco tempo. Trata-se, até agora, de uma ampla lista de idéias. E não devemos perder de vista que os responsáveis (e beneficiários) do sistema jogarão a carta do tempo, esperando que a crise amaine para que nada mude.
Agrupando as propostas segundo os seus eixos de impacto, as mais significativas vêm na área da governança, já que claramente ninguém estava governando coisa alguma. A principal questão envolve a existência ou não de um instrumento supranacional de regulação financeira global, na linha de uma World Financial Organization (WFO) análoga à Organização Mundial do Comércio (WTO na sigla inglesa). Dado o caráter internacional dos processos especulativos, a sua evolução para sistemas racionais de canalização de capitais em função de necessidades reais do desenvolvimento terá de alguma forma ser coordenada ao nível mundial. Na reunião do G20, qualquer opção neste sentido foi vetada pelos Estados Unidos, que colocaram nas resoluções a afirmação de que os problemas serão resolvidos antes de tudo pelos “reguladores nacionais”. Os Estados Unidos assim preservam a sua capacidade de agir mundialmente, mas de se regularem nacionalmente. Com esta visão, evidentemente, simplesmente não haverá regulação.
Sobra então a cosmética relativa às organizações multilaterais existentes. Isto envolve a capitalização do Fundo Monetário Internacional, cujos recursos, da ordem de 250 bilhões de dólares, são ridículos frente à dimensão dos rombos financeiros gerados pelos bancos. Propõe-se igualmente a redistribuição dos votos no Fundo, retirando o poder de veto dos EUA. O BIS deveria também passar a ser administrado de forma mais ampla e receber maiores poderes e assim por diante. Continuamos, no entanto, no quadro destas propostas, com o dilema central: a finança se tornou mundial, mas não há nada que se pareça com um banco central mundial. Fluxos mundiais versus regulação nacional; processos globais versus gestão fragmentada. Who’s in charge?
Neste plano tem sido ainda colocado um argumento central: com a regulação fragmentada atual, qualquer país que passe a exercer algum controle sobre o movimento de entrada e saída de capitais, visando assegurar o seu uso produtivo e evitar os movimentos pró-cíclicos, passa imediatamente a ser discriminado nos movimentos, tanto pelos investidores institucionais como pelas agências de risco. A regulação, nestas condições, ou é planetária ou ineficiente."

Este último parágrafo é esclarecedor das dificuldades que países e governantes sérios enfrentam quando tentam regular as ditas "forças de mercado", a tal "mão invisível". Isoladamente é um trabalho hercúleo.

Anônimo disse...

Tem um viadinho aí em cima que fica "assustado" com o Chavez e com a fábrica de Arroz. É um bundão mesmo. Mas bundão-mor é o autor desse Blog, puxa-saco dos piores elementos da política mundial e que escreve calmamente de seu laptop em alguma cidade capitalista ou em algum Shopping-Center. Vai morar em Cuba ou na Venezuela, seu bosta.

Anônimo disse...

Pobre povo venezuelano...

Malacara disse...

Calma Políbio..........

Wally disse...

Ôpa, os Maias não estão sozinhos tem mais poddle de guarda ganindo hoje...

Anônimo disse...

E tu, machão das 15:54, tá agarrado no saco de quem no teu dia a dia? Da Cargill talvez não, porque ao menos saberia que não se trata de uma humilde "fábrica de arroz". Êita! A ignorância e a grossura seriam divertidas se não matassem tanta gente.

Filipe

SBENTENAR disse...

= NÃO ESQUENTA!! A DIREITA FASCISTA COMO NÃO TEM ARGUMETOS ELA OFENDE. UM DIA. AINDA PENDURAREMOS ESTA CORJA PELOS CULHÕES. MALA MAIA É UM DELES, SE AINDA OS TEM!!

Armando disse...

Grande Chávez! Lula presta atenção.

dá-lhe colorado!

Ary disse...

Alguém sabe o e-mail do Chávez? Preciso encaminhar duas análises sobre desabastecimento e socialismo (só para ele ficar alerta). Pena que Salvador Allende não tenha obtido essas informações a tempo.

fabricio disse...

A direita não sabe mais o que explicar para o fracasso do CAPITALISMO! E as multinacionais vão ter que se adequar as exigências do mercado! Elas não são donas da verdade elas só exploram! mão de obra barata é barbada para essas predadoras, era, agora vão ter que negociar toda essa situação!

Anônimo disse...

Coitados dos venezuelanos. Vão passar fome igual aos cubanos. E viva o comunismo!

Ernesto disse...

A venezuela precisa mais da Cargill, do que a Cargill da Venezuela. Chaves está conduzindo um processo acelerado de cubanização da economia venezuelana. Vai dar m... da grossa - fome, emigração em massa, será obrigado a cercar as saídas da Venezuela.

Anônimo disse...

Isto eles diziam sempre que o Lula era candidato.

Na Venezuela é socialista. Só o Maia. Só o Maia.

Anônimo disse...

"falencia do capitalismo"

to vendo o capitalismo bem falido aí na tua banda larga com computador de ultima geração esperando a tele pizza chegar.

Anônimo disse...

Se houver algum venezuelano vendo este post sobre a situação de seu país, então que leve aos demais, que este é o retrato fiel da situação em que a Venezuela se encontra. Depois não reclame porque ninguém avisou:
- Hugo Chávez prepara suas forças armadas para garantir a Pax Venesolana continente afora. Ele se considera o profeta da nova era, nos termos do Foro de São Paulo. Os alimentos que ainda existem estão sendo confiscados para alimentar seus esbirros e reduzir o resto do povo à inanição.
- O Lula é o encarregado de fornecer mais alimentos, baratos e de preferência de graça para que a Grande Revolución Venezolana siga seu caminho brilhante, rumo a uma nova era de socialismo em todo o continente.
- Os recursos obtidos com a venda de petróleo estão sendo confiscados da nação pelos esbirros de Chávez e enviados a paraísos fiscais a fim de ficar protegidos contra os "enemigos de la Revolución,
Moral da história: digam ao prefeito de Maracaibo que eles estão f... e mal pagos, que todo o povo conhecerá em primeira mão o paraíso socialista bolivariano que espalhará a alegria e a prosperidade a todo o povo venezuelano, com exceção daqueles "enemigos del pueblo" que têm uma casa, um carro, um par de sapatos, uma calça, uma saia, uma calcinha, uma cueca, uma camisa e uma blusa. Os demais terão seus bens confiscados para "la gloria de la Revolución".
Querem mais, povo venezuelano? Esse é o paraíso que vocês votaram para ter aqui na Terra? Sem feijão, sem arroz, sem carne, sem verduras, sem frutas.
Vão experimentando comer cascas de árvores...

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