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segunda-feira, 23 de março de 2009

IPEA alerta para risco em empréstimos com o Banco Mundial


Governo Yeda contraiu dívida em dólar e descumpre com os compromissos sociais do Estado

Economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alertam para o risco de endividamento externo que correm os Estados que aderiram a empréstimos com o Banco Mundial. No comunicado divulgado recentemente pelo Ipea, são citados Minas Gerais e o Rio Grande do Sul, que já pediram dinheiro emprestado, e o Estado de Alagoas, que aguarda a aprovação. A informação é da jornalista Raquel Casiraghi da Agência de Notícias Chasque.

O pesquisador Marcelo Piancastelli integrou o grupo que elaborou o comunicado. Ele explica que o empréstimo com o Banco Mundial pode ser atrativo no início, mas acarreta um risco financeiro bastante grande para os Estados. O principal motivo é o câmbio.

“O Rio Grande do Sul contratou um empréstimo a uma taxa de câmbio em torno de R$ 1,60 por dólar e hoje essa taxa de câmbio já está a R$ 2,38, chegou a R$ 2,40. Isso é um ônus adicional para o Estado”, diz.

Quando contratou o empréstimo de US$ 1,1 bi na metade do ano passado, o governo gaúcho afirmou que os benefícios viriam com a redução nos juros das dívidas que seriam pagas. No entanto, Piancastelli questiona que isso esteja ocorrendo hoje. Desde 2008, o real teve uma desvalorização média de 36% em relação ao dólar. Além da variação cambial, o governo tem que pagar 4,5% de encargos ao Banco Mundial.

O pesquisador defende que empréstimos externos devem ser tomados pelos Estados a fim de investir em infra-estrutura, como estradas e portos, o que gera retorno financeiro. Contratar empréstimo em dólar para pagar dívida em real, diz Piancastelli, significa apenas trocar de credor, com o ônus ainda da variação cambial.

“Era de direcionar esse empréstimo para áreas críticas do Estado que precisam de investimento, sobretudo na área de infra-estrutura com pagamentos a longo prazo, que vão gerar retornos econômicos para o estado. Simplesmente para rolar a dívida, o Estado está assumindo o ônus para agora e para o futuro; o Banco Mundial não tem risco nenhum porque simplesmente está trocando uma dívida por outra, ainda com aval do Tesouro Nacional”, afirma.
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Só os tolos e os mal intencionados desconhecem que os organismos internacionais de fomento, como Banco Mundial e outros, cumprem um papel para bem além do incentivo econômico-financeiro. Uma instituição como o Banco Mundial promove abertamente políticas públicas agregadas a empréstimos e fomentos, políticas essas de natureza liberalizante, desregulatórias e privatistas.

O economista Reinaldo Gonçalves, professor titular de Economia Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), escreveu um ensaio de 22 páginas sobre esse tema, cujo título é “O Banco Mundial no Brasil: da Guerra de Movimento à Guerra de Posição”. Ele analisa exatamente essas políticas compensatórias do banco que empresta recursos a entes públicos, mas exige contrapartidas pautadas pela agenda neoliberal. Leia a íntegra do ensaio do professor Reinaldo Gonçalves aqui.

No RS, esse processo de reformas liberalizantes está em pleno andamento e só não é mais exitoso e acelerado porque esbarra a cada semana nas trapalhadas político-administrativas do governo estadual tucano.

A obsessão da governadora Yeda Crusius pela política do déficit zero e todas as suas repercussões deletérias no completo descumprimento do papel social do Estado estão na raiz do contrato de empréstimo com o Banco Mundial. E – diga-se de passagem – contou com o auxílio inestimável e tácito do Partido dos Trabalhadores, tanto no Estado quanto em Brasília, já que tem o aval da Secretaria do Tesouro do Ministério da Fazenda.

Em 26 de março de 2008, a Assembléia Legislativa/RS aprovou por unanimidade o projeto de lei que autorizava o governo do Estado a contrair empréstimo no Banco Mundial para alongar a dívida pública do RS. A bancada petista na AL fez duas exigências apenas: a publicação integral do documento no Diário Oficial, e uma outra que estabelecia que os recursos advindos da operação financeira devessem ser aplicados, de fato, no alongamento da dívida.

Naquela data, o deputado petista Ronaldo Zulke afirmou em plenário (está na ata da sessão) que o voto favorável não poderia ser confundido com apoio a qualquer tipo de ajuste fiscal que se traduza na redução dos serviços públicos, paralisação de programas ou transferência de responsabilidade do Estado para Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips).

Precisamente tudo o que o governo Yeda acabou por perpetrar contra a população, especialmente aquela que necessita de escola, saúde e segurança públicas – hoje completamente esgualepadas.

Ingenuidade tem um limite, depois deste limite, passa a ter outra denominação.

Foto: Governadora Yeda Crusius e comitiva reverente durante encontro-relâmpago de corredor com o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick (o famoso "sub do sub do sub"), em março de 2008.

7 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Pois é, o Banco Mundial quer o mal da humanidade. É uma agência -- comandada por terroristas neoliberais que visam a maldade geral e universal. Isso é besteira absoluta. A crítica sem razão do DG ao Bird lembra a aula de sociologia de quinta categoria do Tropa de Elite. O Banco Mundial tenta implementar e com muita razão políticas de responsabilidade fiscal, gestão democrática e organizada. É evidente que esse tipo de política não agrada as viúvas do estatismo que estão interpretando a atual crise como um armagedon do capitalismo. Tadinhas. São tão ingênuas. A leitura correta da atuação do Banco Mundial é a de que o Estado (qualquer Estado) deve fomentar e induzir o desenvolvimento. Existe uma linguagem de desenvolvimento -- que não é neoliberal e nem estatizante -- e que visa a melhoria do atendimento do serviço público. o Estado deve aumentar a rede de serviços públicos, deve, sobretudo -- e essa é uma lição da atual crise -- criar mecanismos efetivos e eficazes de controle e fiscalização das atividades que exercem o serviço público. O Banco Mundial fornece ferramentas, dinheirinho a juros mínimos, para que esse tipo de política social seja implementada. Certa esquerda caduca não gosta desse tipo de política, mas eles são apenas meia dúzia.

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Puta que os pariu, esse cara tá indo longe demais.

Seu coraçãozinho tá repleto de mágoas...

Só faz crítias ácidas ad DG.

Feil, acho que o Maia tá apixonado... E acho que é contigo... Você magoou profundamente o troll.

Ele surta a cada "comentário", sem nexo, é claro.

jukão disse...

a anta entende mais (é entendida!) do que todo o pessoal do IPEA e da UFRJ juntos.

Benzadeus!!!!!!!

Ary disse...

Ainda bem que o Maia não cobra pelas aulas de economia e política. Eu não teria "plata" para pagar tão sofisticada e moderna análise dos pressupostos e diretrizes do Banco Mundial.

Anônimo disse...

O Banco Mundial tem se revelado não só como o "empurrador" do carrro alegórico do Neo liberalismo, mas também como, diagmos assim, um "Madoff" dos governos dos paises subdesenvolvidos, inclusive os alegóricamente chamados de "em desenvolvimento".

Eu nunca vi algum esforço ou minimo compromisso democrático do Banco Mundial e qualquer um de seus congênere. Muito pelo contrário é sempre a ponta de lança da opressão e do imperialismo.

Se a questão como diz o Maia é uma oferta de bons serviços, porque então a ambulancioterapia da saude no Rio Grande do Sul, porque a Pedagogia do Contêiner? Porque esta segurança funesta?

Claudio Dode

Fudêncio disse...

Esse Dode é bêbado ou viado.

Ou, os dois.

Que xarope!

Anônimo disse...

Ô Fudêncio,

Tu é que deve ser viado. Viado e enrustido porque nem assume a própria pessoa que é.

O dia que tu assumires alguma coisa vou te mostrar quem é o bêbado, mas para isso vais ter que aprender muito, até a ser macho.

O teu xarope tu tomas no teu "footing" de gazela do parcão.

Claudio Dode

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