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quarta-feira, 11 de março de 2009

Esse veto é pura vingança de Yeda


Governadora tucana pessoaliza relação com servidores

O veto da governadora Yeda Crusius ao projeto de anistia ao corte na folha-ponto dos servidores grevistas constitui uma pura vindita. Dona Yeda quer se vingar – certamente como procede nas suas relações pessoais conflagradas – dos servidores estaduais que se atreveram a fazer greve, no final do ano passado.

É um gesto emblemático do que está sendo o seu governo nestes últimos 26 meses. Vamos convir que a governadora é coerente com as suas assombrações internas. A cada dia ela joga farta ração para o poço do seu inconsciente conflitado. E este responde com mais caprichos, ordens de desforra e implicâncias pessoais.

Dona Yeda não entende que o exercício de poder no setor público exige o predicado da impessoalidade. A greve dos servidores não foi contra o indivíduo Yeda, mas a favor da garantia de direitos que estavam (estão) sendo esbulhados pelo governo comandado por este indivíduo. Não existe relação pessoal subjetiva entre um servidor público e o chefe eventual (e passageiro) de governo, existem, sim, relações objetivas, contratualizadas, definidas sistemicamente, e ordenadas segundo o princípio ideal do chamado interesse público e o bem comum.

Isso que estamos chamando a atenção é elementar, hoje, e mais velho que Maquiavel, que Locke, que os códigos napoleônicos, e que as pedras portuguesas do Palácio Piratini.

Será demais querer que uma ex-professora universitária, economista pós-graduada nos Estados Unidos (mas que não fala inglês), ex-ministra (tudo bem, por apenas 72 dias), ex-deputada federal tenha consciência disso?

....................

Ontem, presidindo a sessão plenária que examinaria o veto da governadora, o deputado Ivar Pavan (PT) cometeu um deslize com as pessoas que lotavam as galerias da Assembléia estadual. Chamou-os de “torcida” ou “torcedores” das posições antagônicas relativamente ao veto do Executivo à anistia dos servidores grevistas.

Ora, a expressão “torcida” é no mínimo desrespeitosa, naquele contexto. Aquilo não foi uma simples manifestação esportiva, mas um protesto político contra o ato autoritária da governadora tucana. O presidente do legislativo reduz e esvazia o caráter da pressão política – legítima – dos manifestantes, o mesmo que faz hoje a vespinha de Zero Hora (ver fac-símile acima).

Aliás, o presidente Pavan ainda não disse a que veio, na direção de um dos poderes estaduais. Por enquanto, está sendo apenas um burocrata discursando coisas inadequadas, despolitizadas e desconexas com a conjuntura de crise estadual.

18 comentários:

Anônimo disse...

É um exemplo bem claro do que se passa na cabeça da governadora. Na França absolutista, Maria Antonieta também se achava que era o estado. A propósito, que aconteceu com a cabeça de Maria Antonieta?
Carlos

beto silva disse...

E o tal Lucas estuda ou estudou em escola pública?
Duvido. Acho que não passa nem na frente.

Carlos Eduardo da Maia disse...

A Yeda se enrola em discussões estúpidas e pequenas. Foi assim com o projeto equivocado do duplica-Rs, foi assim com a tentativa de aumentar impostos e está sendo assim com esse veto ao corte dos pontos. O governo se desgasta com assuntos que ele poderia administrar de outra forma. Mas o CPERS também não é anjo, porque não tem nenhum interesse em mudar o status quo de um plano de cargos e salários da época do Amaralzinho e da ditadura militar. E para mudar a educação no Brasil e no RS devem ser feitas reformas estruturais, as quais o CPERS não tem o mínimo interesse em fazer, porque defende com unhas e dentes apenas o interesse corporativo. No fundo, no fundo, a briga da Yeda é com o CPERS e quem perde com isso é o povo do RS.

Jordi disse...

O plano de cargos e salários é uma conquista da época da Dita(dura!); o piso nacional dos professores é uma conquista dos tempos do governo Lula. Ambos dependeram de pressões da sociedade e serão defendidos contra as Yedas e os Serras da vida.

Noiram disse...

Bonito foi ver o ímpeto do Pedro Simon falando em corrupção, ontem, no SBT Brasil, com Carlos Nascimento. Era muito cartão corporativo e mensalão, e nada da CRUZius CREDO.

Anônimo disse...

Caro Cristóvão,
Eu já havia percebido o quão apático encontra-se o deputado Ivar Pavan a frente do legislativo gaúcho.
São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e o digníssimo parece que está a administrar uma simples autarquia; isto é ser muito burocrata para meu gosto. Eu esperava dele um combate mais intenso ao desgoverno, e o que vemos é uma apatia que chega as raias da cumplicidade. Um deputado da base yedista não faria melhor.
Se formos depender dele para acolher um processo de impedimento da tresloucada, com certeza ela terminará o mandato numa boa.
Esta é uma bela oportunidade que até agora está sendo desperdiçada.
Abraços,
José Luís

Anônimo disse...

Concordo com José Luis. Uma vergonha o Pavan. Tem razão os anarcos; "o poder corrompe".

Stringhini disse...

Ninguém quer que o Pavan se comporte como um incendiário doido, mas que pelo menos tenha um discurso crítico e de oposição clara ao descalabro do poder executivo estadual. Até agora ele está sendo o Moreirão parte dois. A montanha pariu um rato, o PT está discutindo essa presidencia da AL desde meados do ano passado. Pra passar a tarde toda sentado no plenário apertando botão de aparte e campainha?
Mais um papelão do PT. O cavalo tá passando encilhado e ele chupando sabugo.

Luís disse...

Não existe atitude mais digna da nossa (des)governadora - é isso aí e deu.
Espertos somos nós, que a elegemos, que elegemos esse nível de deputado e que estamos nos preparando para eleger o Fogaça.

Luís disse...

Em tempo: o nível de deputado a que me referi é o geral, da Assembléia Legislativa, que teve a coragem de aprovar aquele cínico e vergonhoso relatório da CPI do DETRAN.

Anônimo disse...

O Cpers com certeza tem uma proposta que não é compatível com o descalabro que a Yeda e a outra gorda aquela que não lembro o nome.

Estas duas tresloucadas fecharam milhares de salas de aula. Se estas duas tromposas tinham alguma coisa séria para oferecer a sociedade gaucha deixaram morrer na infância.

Claudio Dode

Anônimo disse...

O Maia diz:

"A Yeda se enrola em discussões estúpidas e pequenas."

Pura empulhação tipo RBS, que em editorial chama a prepotência e autoritarismo dela de "falta de vocação ao dialogo". Na verdade ela se enrola porque é estúpida e pequena, como nesta vingança contra a educação.

Claudio Dode

Anônimo disse...

Se uma greve de professores conquista reposição salarial. Aquelas que não fizeram greve (talvez por estar ligadas a algum PSDB desses aí) terão aumento também????

Anônimo disse...

Ei anônimo das 20:52! Tu estás por fora. A maior parte dos professores que estão em sala de aula são contratados, e por essa razão não tem estabilidade. Evidentemente, não podem fazer greve, sob pena de terem seus contratos rescindidos. Não significa, portanto, que estejam apoiando o governo. Quando divulgam, absurdamente, que apenas 10% dos professores aderiram à greve, não é esclarecido que não mais do que 10% PODEM aderir à greve. Isso faz parte da "estratégia" desse governo: Não prorrogou a validade do último concurso do magistério, mas agora contrata os professores que, como eu, obtiveram uma boa classificação, e ao mesmo tempo exerce um controle maior sobre a classe.
Toda solidariedade aos professores que podem paralisar, e quem sabe, levar à público a situação do magistério gaúcho!
Professor anônimo.

gustavo disse...

É só um por vez viu Maia.

Essa foi ótima!

Ary disse...

Eis a preocupação da Rosane, no blog de hoje:

"Os governistas não poderão sequer ir ao banheiro para não correr o risco de a oposição fazer nova manobra regimental e pedir verificação de quórum".

OBS: não nos preocupemos. Os deputados da base governista farão em plenário o que deveriam fazer no banheiro.
Torça, Rosane, torça!

Anônimo disse...

Ary,

Depois de tanta cagada, porque a abelhinha está com esta preocupação?

Deve ser a torcida para a vitória da "chefa".

O Jornalismo acabou faz é tempo.

Claudio Dode

Anônimo disse...

Querem se livrar da Yeda?
Então impeçam a reeleição dela.

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