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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Retórica fogacista encobre o vazio pedagógico-administrativo


A “paisagem” da educação em Porto Alegre

Deu neste blog Diário Gauche, em post de 29 de novembro de 2006:

Aquela conversa de vendedor ambulante do candidato Fogaça, aquela de "conservar o que está bom, mudar o que está ruim" não é discurso só de período eleitoral, não. O que era uma tática eleitoral, agora é uma estratégia esperta para desconstruir a linguagem da esquerda. Vejamos o caso da educação pública do município de Porto Alegre. Foi colocada como titular da Secretaria de Educação, a professora Marilú Medeiros, filiada ao PDT. Essa professora escreve textos que procuram imitar grosseiramente o estilo do filósofo Gilles Deleuze, mas fala como uma atendente da central da Brasil Telecom, cheia de "vamos estar mandando", onde os gerúndios proliferam afugentando as idéias e a paciência do interlocutor.

Nesta semana, está em pleno andamento um seminário sobre educação envolvendo toda a rede pública municipal e convidados especiais. O evento chama-se "Conversações Internacionais - Paisagens da Educação". No material promocional tem o "conceito" do evento, que é:

Trata-se de um evento de talhe rizomático que, através de diferentes diálogos, constitua uma transversalizaçao operada por diferentes agenciamentos: conceitos filosóficos, funções científicas e sensações estéticas, deslizando, assim, nos planos da filosofia da ciência e da arte na discussão da educação na atualidade.

Isso é para vocês saberem com quem estão lidando. Foucault e Deleuze devem estar espiando por entre as nuvens cinzentas de Porto Alegre, nesses dias de chuva. Mas não estão acreditando.

O que está acontecendo é uma vampirização intelectual por parte dos titulares da educação pública em Porto Alegre. A direita simplesmente abdicou de pensar, de produzir intelectualmente, e resolveu colocar a égua na sombra. Na sombra da esquerda, dos conceitos e categorias que sustentam o único patrimônio que a esquerda tem - o seu complexo, por vezes confuso e inexequível, contraditório, e dialético pensamento - rico, criativo e incompleto.

Fazem, portanto, um desonesto embaralhamento mental com as idéias alheias e servem-nas em bandejas de prata como novidade absoluta. No caso da SME, há como um soterramento de categorias desconexas e artificiais para a realidade de escolas de ensino fundamental - imagine, com Deleuze! - obedecendo espertamente ao propósito de encobrir o vazio administrativo e pedagógico a que está submetida a educação no município.

Conservar o que está bom, neste caso, está sendo levado ao pé da letra, tudo está conservado em formol ou congelado em Porto Alegre, a paralisia é generalizada e horizontal. Conservar, quase sempre, é também matar. Matar com retóricas rizomáticas, transversalidades, deslizamentos estéticos, tessituras e territórios - na novilíngua do prefeito Fogaça. Um exemplo: na SME, os departamentos foram substituídos por territórios. Não existe mais o Departamento de Aprendizagem da Educação Fundamental, agora chama-se Território de Aprendizagem da Educação Fundamental. E assim por diante.

Como eles dizem: na paisagem da educação os novos territórios de governança articulam tessituras dialógicas que confluem para rizomas conceituais e estéticos no sentido de agenciamentos pedagógicos de potência coletiva - ou não.

Camelô, perde.

Foto: Agência Celeuma

16 comentários:

Arry da Silva Martini disse...

Não sejamos injustos e preconceituosos. Fogaça, sua Secretária de Inducação e sua turma, trocaram os referenciais teóricos de histórico internacional por "lata da casa". No caso, o grande filósofo que guia as idéias da Secretária é o nosso velho conhecido Rogério Cardoso, também conhecido por "Rolando lero". Se bem que, se vivo fosse, diria: Amados mestres, reajam!

el barto disse...

pqp!!! só faltou o "com certeza" e o "a nivel de"...

Carlos Eduardo da Maia disse...

POis é, os esquerdistas, os petistas, os gauches da vida são muito mais preparados, mais cultos intelectualmente, mais éticos e, como se vê, mais humildes....

juca disse...

El barto, faltou também o "por conta de".

"Veja bem"...

"Fulano é um vencedor"...

Anônimo disse...

Humilde?

Quem imita Deleuze é humilde?

Anônimo disse...

O Maia agora vai substituir o Malbec pelo Colomy...

Eles estão assustado porque a presidente da camara do USA avisou:

"The Party is Over".

Understand, Mr. Maia.

el barto disse...

ah sim, faltou tb "focar", "foco", "colaboradores"e outras bobagens quetais.

mariorangelgeografo.blogspot.com disse...

Quero dizer aqui uma coisa sobre a "política" decucacional do Foga$$a:

Atualmente sou presidente da ONGEP - Organização Não Governamental para a Educação Popular, que promove a 8 anos o Pré Vestibular Popular (www.pvp.ongep.org). Trabalhávamos desde 2000 em duas escolas estaduais, a Florinda Tubino Sampaio e na Gema Angelina Belia, tudo dentro da mais perfeita harmonia. Quando assumiu o desgoverno Yeda, tendo como secretário da deucação o traíra do Fortunati, fomos "saídos" dessas escolas por motivos não explícitos.

Bom, daí corremos para o Município (Foga$$a): diversas reuniões, apresentação do nosso Projeto, entrega de documentos (inclusive o Projeto), mas nos foi negado ocupar as escolas minicipais (vale lembrar que o PVP é voluntário).

Mas aí é que vem a parte "feia". O secretário Mauro Zaquer, sim, aquele da faude do Pró Jovem, COPIOU com todas as letras o nosso Projeto e "criou" um Pré Vestibular da prefeitura, Legal né?

Então, essa ladainha, dessa gente emplumadinha, não me surpreende em nada. São pessoas sórdidas, mesquinhas, que somente olham para os seus umbigos...

Ary da Silva Martini disse...

Cristof, não nos iludamos. Essa vampirização intelectual da direita só é possível por que a esquerda oferece o pescoço. O que nossos pensadores e referenciais teóricos estão produzindo de novo? Quase nada, em minha opinião. veja a ironia: na década de 70, e até meados da década de 80 (no auge do Movimento Estudantil), a militância produzia textos, manifestos e imprimia idéias e propostas com mimeógrafo à tinta (off set era um luxo e só havia nos DCEs e em alguns DAs). Atualmente, e de uns anos para cá, em plena era da informática, não tem uma entidade (umazinha sequer) que pense num trabalho intelectual a partir da Internet e com suas ferramentas. Formação política, que antes era um "parto sem dor", hoje não consegue nem fecundar. A coisa está mais ou menos assim: Bush não nos engana mais. Em compensação a maioria ainda cai no conto de um "Novo Jeito de Governar", por exemplo. Sabemos o que ocorre na Europa mas deixamos nos enganar pelo Fogaça. Ou seja, enquanto nos cuidamos do rochedo, resvalamos no cascalho do Paço Municipal. Acho que ambas as éguas, da direita e da esquerda, estão a pastar na mesma sombra. Tipo, assim: já não nos vimos antes? É dose!

Editor-chefe Nilton Fernando disse...

Mas Bah! Fiquei "encantadamente assutado" com o texto do Sr (a) Lero Lero.

Tomei a liberdade de postar no meu blog www.kimindawordpress.com

abraços

Nilton Fernando

Ary da Silva Martini disse...

Não seria "evento rizível"?

Anônimo disse...

foto agência celeuma imagem

Anônimo disse...

Foram 4 longos anos de retórica, copião, simulacro!
Esse prefeito que entrou PPS e sai PMDB é um simulacro. Não apresentou absolutamente nada de novo. Como não fez plano de governo, se elegeu com uma peça de publicidade sobre os inéditos programas e políticas implantadas pela Administração Popular. Ele pegou a cidade em movimento e habituada ao OP, por isso foi impedido de interrompe-lo, por mais que tentou com a tal governança local do Busato. Agora sim, a cidade experimentou 4 anos de inércia, sem novas políticas, sem luminosidade, apagada e triste como a cara desse afiliado do Simon. Basta, esses longos quatro anos foram demais. Basta!
Alice

Anônimo disse...

Eles copiam tudo. Até a propaganda do horário eleitoral são cópias de outras campanhas do PT. Exemplos: Lembram "a cidade pede bis", dizia uma letra da campanha do Tarso para a Prefeitura. Agora aquele dito cujo também está dizendo algo parecido. Até da campanha do Lula ele adotou: "... não troco o certo pelo duvidoso". Deve estar precisando de um espelho. Não há direitos autorais sobre essas peças publicitárias?
Hannah

Alani disse...

Essa da copia do projeto foi de derrubar os butia do colo. Ou como dizia meu falecido avo que nao cheguei a conhecer -e de tirar do "PIiiiii" com um pauzinho!

Ary da Silva Martini disse...

São duas caras de "entalhe perobístico".

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