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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tarso Genro está muito enganado


Trocamos uma indústria obsoleta e poluente por energia e alta tecnologia criativa e sustentável

Admira que o pré-candidato Tarso Genro (PT) tenha dito ao jornal Zero Hora, edição de ontem (01/6), que o assunto da montadora Ford é "um tema superado" (ver fac-símile acima).

Logo agora que o ex-ministro da Justiça anda em (justo e sincero) périplo pelo interior do estado fazendo autocrítica por ter desafiado (e vencido) o então governador Olívio Dutra, quando este era objeto dos ataques mais infames contra a sua administração, de resto, correta, participativa e agregadora.

É sensato que o próprio Tarso Genro não deva se envolver diretamente nessa polêmica interminável, seja por causa da morosidade judicial, seja porque a direita tomou o tema como mote principal para as tantas disputas eleitorais que aconteceram na última década.

Mas o Partido dos Trabalhadores, e a Frente Ampla, novo batismo da velha Frente Popular, podem e devem esclarecer - no rádio e na televisão - a população sul-rio-grandense sobre a farsa chamada "PT mandou a Ford embora".

O PT, e sobretudo o cidadão Olívio Dutra, sofreram um longo e tenebroso inverno político-eleitoral de 10 anos motivado pelas palavras de ordem da direita, baseado no teatro mambembe do caso Ford. Isso não pode ficar assim.

O tema não está superado, de forma alguma, em absoluto.

É preciso fazer da sentença judicial condenatória da Ford um atestado de idoneidade da administração petista de Olívio Dutra - uma administração moralmente inquestionável.

A população deve saber que a montadora foi embora por "livre e espontânea vontade", como lembra o próprio Tarso. Ainda assim, a Ford não se preocupou em ressarcir os cofres públicos dos adiantamentos pecuniários que logrou conquistar ainda no governo Antonio Britto (PMDB). Por isso a presente condenação indenizatória ao Tesouro estadual.

Para tanto, o governo Olívio compensou o estado com políticas de implantação de infraestrutura industrial e tecnológica de importância estratégica e valor permanente.

Só para citar duas políticas e ações administrativas implantadas pelo governo Olívio:

1) a rede de gás natural e energia elétrica que superaram o "apagão" de FHC e fomentaram baixos custos na indústria sulina;

2) a implantação das bases do Ceitec, hoje, um própero empreendimento estatal de criação de Tecnologia da Informação no RS, uma referência mundial em microchips.

Quer dizer, noves fora: foi-se uma indústria obsoleta, de baixa tecnologia, poluente, parasita dos cofres públicos (aqui e nos EUA), insustentável sob todos os aspectos e vieram gás natural, energia elétrica para todos, e um centro de excelência em alta tecnologia - berçário de dezenas de pequenas e médias indústrias de tecnologia no Rio Grande do Sul, agregadores de emprego e renda.

O caso Ford, portanto, deve ser mote para debater um novo tempo para o RS, um tempo para se construir um presente e um futuro de autonomia para todos.

18 comentários:

Stringhini disse...

Na mosca, Feil.
Para o Tarso é fácil dizer que o caso Ford está superado. Não foi ele que sofreu as maiores baixarias da direita durante seu governo.
Tarso em vez de dar solidariedade na hora difícil do companheiro, resolveu aproveitar que ele estava fraco para desafiá-lo na convenção do PT. Venceu e foi o mesmo que dizer a população que o Olívio era um bosta. Se até o PT tinha rejeitado o Olívio, como que queriam que o eleitorado estivesse a favor do governo petista? Bom aí Tarso vai e perde para o mosca morta do Rigotto. Claro, hoje só pode fazer autocrítica em tudo lugar que vai pelo estado. Voto nele mais sei que é uma boa bisca.

Udo disse...

Tarso tem é que se preocupar em unir o PT, antes mesmo de aumentar as alianças.
Mas essa declaração que a Ford é caso superado é uma volta pra trás.
Tarso vai tão bem no discurso, mas tem horas que ele bate numa parede e ali fica.
Por essa que não sei se ganha em 3 de outubro.

Anônimo disse...

Achei interessanta o assunto Ford voltar à midia.
Ninguém deve esquecer o que foram aqueles 4 anos do des-Governo Olivio.
Nunca vi tanta cagada em tão pouco tempo.
Até nunca mais.

João

Suzie disse...

A VERDADE precisa ser ALERDEADA, por todos os cantos deste Estado.
A FORD seria uma "ESTATAL" PRIVADA!
Empregaria como executivos, os ENTREGUISTAS do Estado.
Devem DEVOLVER o valor surrupiado , equivale aquele empréstimo no Banco Mundial, entregando os funcionários públicos como troca, construir os novos prédios da FASE, sem entregar o morro para as construtoras...
Meu Deus...quanto dinheiro transferido para os bolsos/bolsas dos entreguistas!

Neno Fogaça disse...

Os comentários acima, inclusive o teu Feil, são exatamente o que sempre pensei sobre Tarso, o pavão. Olívio foi escanteado quando deveriam analtecer seu trabalho na governança do estado.
E outra, o personalismo de Tarso e alguns tapados do PT, vão entregar o estado, de novo, à direita.

Omar disse...

Com todo o respeito que tenho pelo Tarso, candidato no qual votarei nas próximas eleições estaduais, sobre esse tema sua abordagem é equivocada. Ele ainda acha que foi Olívio que expulsou a Ford, ou seja, defende a tese falaciosa de seus adversários. Espero que essa visão se restrinja apenas a esse caso da Ford e não seja uma estratégia para captar alguns setores da direita que, de resto, não votariam nele de qualquer forma.

alex disse...

IMPRENSA COMERCIAL E OBTUSA

"A saudade do servo na velha diplomacia brasileira"

por Leonardo Boff

O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo.

O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo.

A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: “em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor”.

Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido.

A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares.

Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. (CONTINUA)

FONTE: http://www.tijolaco.com/?page_id=17196

Gilmar da Rosa disse...

Parabens novamente por esta postagem Cristovão. Esta é uma roupa que definitivamente temos que lavar sim. Evidente que estou reproduzindo teu texto no meu bloguinho. Saudações socialistas.

Anônimo disse...

Interessante como parcela da esquerda porralouca está sempre pronta para digladiar-se internamente. Vide o exemplo da agremiação político-estudantil PSOL que já conseguiu dividir-se novamente. Isso é de uma burrice a toda prova. Sempre aparecem alguns para intitularem-se mais à esquerda, até extinguirem-se, enquanto isso, os verdadeiros adversários apenas aproveitam as ofensa mútuas para ganhar terreno.E não adianta me xingarem, pois a verdade dói.
flávio

Alex disse...

vocês querem que o tarso fale para o eleitor de centro - o qual ele tem que conquistar - ou o eleitor de esquerda, que vai votar nele, seja no primeiro ou segundo turno?



não estamos mais na época dos grandes confrontos políticos. o que fica são marcas, singelas. o próprio episódio se explica, o candidato não precisa se posicionar vigorosamente a esquerda. ao fazer este gesto, ele atraí o centro.

sem rancor.

Vitorino "Milico" Mesquita disse...

Cristóvão:
Faltou falar na energia eólica e nas melhorias no transporte coletivo metropolitano, entre outras coisas.
Quanto a declaração do Tarso: sem comentários.

Antonio Carlos de Holanda Cavalcanti disse...

Governo Olívio Dutra agregador???!!!
Só se o editor estiver se referindo apenas aos afiliados do PT.
Esses ele procurou agregar, proteger e dar o máximo de empregos públicos, distribuindo CCs e FGs somente àqueles com filiação partidária, o que engessou e prejudicou a qualidade dos serviços públicos em todas as áreas.
Olívio Dutra jamais assumiu de fato como um governante no Estado. Ele continuou atuando como o líder de um partido só.

Anônimo disse...

É Alex e Flávio, o Tarso tem q falar para o centro, mas com um diferencial q permita a esses eleitores comparar propostas. A Ford é o melhor exemplo para isso, pois mostra o q nos espera se a direita contuinuar no poder no RS. Negociatas, falcatruas e mentiras.
Se é para fazer debate aguado, bem ao gosto desses abostados "centristas" , q ñ passam mesmo é de direitosos desinformados, deixa tudo como está. É preciso mostrar a diferença e isso ñ se faz sem meter o dedo na cara de uns e outros e, particularmeente, da mídia, q disseminou essas mentiras.
Tem q mostrar para os porraloucas do "centro" no q dá ir atrás da conversa fiada da mídia.
Se a gente ñ estabelece a diferença, parece q é tudo a mesma coisa.

Eugênio

Paulo Santos disse...

O PT deveria executar um amplo esquema de divulgação pública dessa notíca, algo como utilizar 'outdoors', pra compensar a campanha de difamação que a mídia fez contra o partido.

Kiel disse...

Ao Tarso com carinho:
Teu silêncio é poesia!

O Zéca vive!

Azarias disse...

Alguns cardeais do PT são a favor da igualdade, se bem que eles não se acham iguais a ninguém.

Viagens e Turismo disse...

Só não concordo com a expressão " foi embora". De fato a Ford nunca veio e nunca viria para o RS. Era só encenação, pois já estava certo sua ida para SP ou BA.

Nelson disse...

Infelizmente, ao longo dos últimos 12 anos, não foi somente em uma vez que o Sr. Tarso Genro “atravessou o samba” na política do Rio Grande do Sul. Vamos aos fatos:

Tarso “atravessa o samba” 1 – Em 1998, o acordado entre as correntes do PT era de que o derrotado nas prévias seria, automaticamente, o candidato a vice-governador na chapa do partido. Derrotado, Tarso não conseguiu suplantar sua vaidade de intelectual que o impediu de aceitar a determinação do partido de que deveria disputar como vice. Creio que ele se acreditava superior ao Olívio para ser simplesmente seu vice. Assim, os setores, digamos, mais à direita do PT, ficaram sem acento no governo, abrindo espaço para a DS, com Miguel Rossetto.
Uma vez conquistada a histórica vitória, que nunca foi engolida pelos poderosos deste Estado, infelizmente, ao invés de apoiar o governo Olívio, os setores mais à direita do PT passaram a fazer uma oposicão velada ao seu govern, postura que lhes rendeu acesso à mídia, RBS à frente, é óbvio.

Tarso “atravessa o samba” 2 – Chegando ao ano 2000, na eleição para a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, eis que Tarso Genro “atravessa o samba” pela segunda vez. Sua sede de voltar à tona o fez passar por cima de um acordo histórico: o vice-prefeito em uma determinada gestão era automaticamente guindado a candidato na eleição seguinte, dispensando-se desta forma as prévias para a indicação do candidato. Mas, com a vontade de Tarso prevalecendo, quebrou-se esta escrita e realizaram-se as prévias. Raul Pont, então prefeito, Jose Fortunati, então vice, e o próprio Tarso concorreram, com a vitória deste ultimo. Durante a campanha à prefeitura, da qual saiu-se vitorioso, Tarso veio a público garantir a toda a população de Porto Alegre que cumpriria todo o seu mandato de 4 anos na prefeitura.

Tarso atravessa o samba 3 – Pois, veio a eleição para governador, em 2002, e Tarso, esquecendo-se do que prometera em frente às câmeras, lançou-se candidato, vencendo Olívio na preferência do partido. Uma escolha equivocada da militância petista, como mais tarde pudemos comprovar.

Tarso atravessa o samba 4 – E veio a campanha eleitoral para governador e o Sr Tarso Genro, numa mistura de pusilanimidade com o rancor por não ter sido o candidato quatro anos antes, não se dispunha a defender o governo do seu antecessor, companheiro de partido, Olívio Dutra. E foi o que vimos. Tarso levou uma surra, infelizmente, até mesmo em Porto Alegre. E o povo gaúcho, em sua maioria, apanhou junto e continua apanhando, pois, depois de aguentar o Rigotto por quatro anos, vem tendo que engolir algo ainda pior, o (des)governo de Yeda Crusius.

Em tempo. Não sou e nunca fui filiado ao PT e nem a outro partido qualquer. Mesmo com todas essas críticas, vou votar no Tarso em outubro. Espero que, após tantos erros cometidos, ele tenha aprendido e, eleito, com humildade, seu governo retome o caminho a que se propunha o companheiro Olivio Dutra no mandato que cumpriu de 1999 a 2002.

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