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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Está liberado, o agronegócio pode desmatar tudo


“Aldo Rebelo cria falsa polarização entre progresso nacional e intervencionismo estrangeiro”, critica Frei Sérgio

O deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) entregou, no dia 8, o relatório final com propostas de mudanças no Código Florestal Brasileiro. ONGs ambientalistas e organizações sociais camponesas, entretanto, criticam-no por ter encampado as pautas do setor ruralista do Congresso Nacional.

A visão de grande parte dos movimentos, dentre eles a Via Campesina, é a de que, com a aprovação do novo código, o agronegócio consolidará áreas já desmatadas em reservas legais e áreas de proteção permanente (APPs) e, assim, ficarão perdoados grandes produtores rurais que cometeram infrações ambientais.

O engenheiro florestal Luiz Zarref, ligado à Via Campesina, afirma que o novo código é resultado de mais um forte lobby no parlamento, sobretudo dos grandes produtores de óleo de palma (dendê), que devastam as florestas tropicais da Indonésia e da Malásia, além dos já conhecidos produtores de celulose (eucalipto). “O objetivo é de que as reservas legais, principalmente na região amazônica, possam ser recompostas por espécies exóticas, como a palma e o eucalipto”, explica.

“A proposta que o Rebelo está encampando é a proposta do agronegócio”, adverte Frei Sérgio Görgen, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O que reforça tal afirmação é que o relatório com as mudanças no código foi elaborado com a participação de uma consultora jurídica oficial da frente ruralista do Congresso Nacional.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, de 8 de junho, a advogada Samanta Piñeda recebeu R$ 10 mil pela "consultoria", pagos com dinheiro da verba indenizatória de Rebelo e do presidente da comissão especial, Moacir Micheletto (PMDB-PR).

Há denúncias de que os ruralistas teriam impedido a participação plena de inúmeras organizações sociais, além de terem apressado o processo de consulta pública. Todas as dezenove audiências públicas comandadas pela comissão especial da Câmara dos Deputados foram realizadas em “capitais” do agronegócios.

Raquel Izidoro, membro da Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (Abeef), esteve na audiência do dia 3 de fevereiro em Ribeirão Preto (SP) e reclama da falta de democracia que presenciou na ocasião. “O código de 1965 veio de uma época de muitas lutas sociais, o que não está acontecendo agora. Na audiência em Ribeirão Preto, o tempo das organizações sociais era bem controlado, ao contrário do tempo daqueles que se pronunciavam defendendo os interesses do agronegócio”, recorda.

Pescado do jornal Brasil de Fato.

6 comentários:

marcelo disse...

é incrível como até o Lula vestiu a camisa do agro negócio, e ataca qq ONG que venha do estrangeiro com críticas bem razoáveis. A resposta fica sempre invocando a soberania, que nao deveriam se meter em assuntos internos...

zé bronquinha disse...

Esta gente se bandeou de mala e cuia para o tal desenvolvimentismo econômico. Sem freios e com muita grana os ricaços do agronegócio vão aumentando seu poderio no Congresso Nacional. Até aqueles que se diziam ambientalista e de esquerda defendem o crescimento econômico com destruição da natureza. Como estamos em momento de campanha eleitoral não esqueçam de cobrar dessa gente sem escrúpulo o que estão fazendo contra a vida no planeta.

Anônimo disse...

Zé bronquinha,

O Aldo não se bandeou de mala e cuia paa o tal desenvolvimentismo economico. Se bandeou foi para o lado do atraso, e não precisa levar mala e cuia porque nesta nova turma do Aldo o negócio é na base dos cristais, das pratarias,
e com encontros culturais e filosóficos com a Katia Abreu.

Claudio Dode

Marcelo Job disse...

integrar para não entregar!
usina hidroelétrica de belo monte!
heranças do período ditatorial, de no minimo 30 anos atrás.

henry disse...

Esse Aldo Rebelo, que até que eu tinha em boa conta antes, mostrou-se um sacripanta lesa-patria da estatura de um FH. Vendeu-se de corpo e alma ao latifúndio e aos interesses estratégicos difusos para subjugar nosso futuro.

Veja aqui a lista completa das barbaridades que propõe:

http://hhenkels.blogspot.com/2010/06/querem-abrir-todas-as-porteiras.html

Nelson disse...

A ala da esquerda que comanda o país hoje, com o governo Lula, é a mesma que bordava de críticas a União Soviética. É aquela que queria sempre ser a primeira a denunciar os erros e os crimes do stalinismo. Pois, uma vez no poder, a visão de desenvolvimento que essa ala vem colocando em prática, de forma quase fanática, é o mesmo produtivismo soviético, tão criticado, e que deixou um rastro vastíssimo de destruição ambiental no imenso, depois fragmentado, país europeu/asiático.

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