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quinta-feira, 17 de junho de 2010

A atualidade de Shakespeare em "O Mercador de Veneza"




Na peça de William Shakespeare (ou alguém que se passava por tal), O Mercador de Veneza (escrita entre 1594/97) Shylock é um agiota judeu que empresta dinheiro a um mercador cristão, Antônio.

O judeu usurário aceita do cristão, como penhor da promessa de pagamento, o mesmo valor da moeda emprestada extraído em carne do corpo de Antônio. No caso uma libra de carne pela dívida. Sabendo-se que a libra - medida romana - pesa cerca de 450 gramas.

A peça é considerada antissemita, mas há que considerar que os judeus foram expulsos da Inglaterra no ano de 1290 e só foram readmitidos a partir de 1655. O dramaturgo, no caso alguém que se assinava Shakespeare, era assim alimentado pelo folclore carregado de preconceito contra os judeus. Muito embora os judeus confirmassem - pelo menos os ricos - a fama que portavam, especialmente por negociarem diretamente com moeda viva e com a usura (juros) das mesmas, visto pelo mundo cristão como algo desprezível e pecaminoso. O fato é que, enquanto os cristãos genéricos expiavam seus pecados, os protestantes da Reforma (um tipo particular de cristão, que se separam do catolicismo romano alguns anos antes da peça ter sido escrita) prosperavam e enriqueciam através do trabalho, conforme muito bem apontado por Max Weber, e os judeus davam início - antes ainda do século 16 - ao que hoje conhecemos como o capitalismo financeiro, que monopoliza o business globalitário e hegemoniza o pensamento a partir do final da Segunda Guerra Mundial.

Pois bem, vejam a atualidade de Shakespeare, que aproveita e já dá um sarrafo no Direito, como incapaz de promover a Justiça. E ainda trata das questões românticas, na relação de Pórcia, a falsa juíza.

Um bom filme (de 2004) do diretor Michael Radford com os atores Al Pacino, o usurário, e Jeremy Irons no papel do mercador cristão, Antônio.

Shakespeare prova que trata de temas eternos, pelo menos enquanto duram.

Agora, ouça essa beleza:


2 comentários:

Oscar T. disse...

A peça é sim antissemita; era a favorita de Hitler (segundo um artigo que li há tempos idos). Não creio que seja uma boa usá-la como pretexto p/ criticar Israel.
Vejo na foto as meninas em círculo, no chão, c/ véus e observo o que é o atraso de um povo, mulheres desde a infância submissas e tratadas como inferiores.

Marcelo Job disse...

Provávelmente a peça O Mercador de Veneza fosse também a peça preferida dos Sionistas, que fizeram vários acordos com os Nazistas e Facistas desde antes da IIda Grande Guerra.
Está aqui o link:
http://quemequevaipagarporisso.blogspot.com/2010/06/passapalvara-de-perseguidos.html
Abraços

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