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quarta-feira, 28 de maio de 2008


Dívida do Agronegócio irá custar R$ 7 bi ao governo Lula, e não tem contrapartidas

A renegociação da dívida do Agronegócio irá custar sete bilhões de reais aos cofres públicos do País. De acordo com a Medida Provisória editada pelo governo federal, serão renegociados ao todo 75 bilhões dos 87,5 bilhões de reais em dívida agrícola. Do valor, 69 bilhões de reais pertencem ao Agronegócio (culturas extensivas e/ou de exportação). Da agricultura familiar, o governo irá renegociar apenas seis bilhões de reais.

A MP prorroga dívidas de custeio das safras 2003/2004 a 2005/2006, prevendo redução das taxas de juros para 6,7%. As operações do FAT Giro Rural terão bônus de adimplência, com a taxa caindo para 8,7% ao ano. As dívidas de investimentos também terão redução de taxa de juros, como no caso do Moderfrota. Já as operações repassadas pelo BNDES ao agronegócio podem ser reduzidas em até 10%. A informação é da Agência Chasque.

A Medida Provisória que trata da renegociação da dívida agrícola, incluindo a do agronegócio, não agradou a bancada ruralista do Congresso. Parlamentares prometem aumentar os benefícios da MP através de emendas. Inicialmente, o governo federal estava disposto a renegociar 56 bilhões total de 87,5 bilhões de reais da dívida. No entanto, devido à pressão do agronegócio, a medida expande a renegociação para 75 bilhões de reais.

.........

O governo federal não menciona nenhuma negociação com a bancada ruralista para incluir contrapartidas face a essa Medida Provisória que praticamente anistia velhas dívidas dos agronegocistas. Dois projetos importantes tramitam há anos no Congresso e sofrem permanente boicote dos ruralistas:

1) o projeto que pune com a perda da propriedade a empregador rural que usa trabalhador em condições similares à escravidão;

2) o projeto que prevê novos índices de produtividade da terra.


10 comentários:

clecio disse...

Tem certos agropecuaristas(grandes) são uns verdadeiros vassalos!! Pois usam e abusam das notas Frias!! E depois vão chorar que não tem dinheiro e fazer pressão!! Na semana passada foi descoberto uma central de produção de notas Frias!! E depois querem o nosso dinheiro!!

Fabrício disse...

O problema, aqui, não são os fazendeiros - cuja índole "social" dispensa considerações. Mas a política do governo, se definindo claramente - vez mais - pelo agronegócio excludente.
Lula vem fazendo uma espécie de "opção preferencial pelos ricos", de onde se explica a aproximação entre PT/PSDB

Carlos Eduardo da Maia disse...

Primeiro lugar, para um negócio rural dar algum lucro ele tem que ser médio ou grande. O pequeno proprietário rural, a agricultura familiar, dá conta apenas de sua subsistência e olhe lá. Ambos são importantes, o primeiro grupo porque gera divisas, alimenta o mercado interno e incrementa as exportações, a balança comercial etc. O segundo grupo, agricultura familiar, é fundamental para o equilíbrio do "metabolismo" da sociedade brasileira, porque mantém as famílias de camponeses em suas terras evitando a imigração para as favelas da cidade grande, muito embora parte considerável das novas gerações de camponeses não estão minimamente interessados em viver no campo. Então, não vamos generalizar. Existem bandidos e picaretas em todos os lados e o Estado tem que dar recursos para os dois grupos, mas com critérios e responsabilidade.

Anônimo disse...

Outro dia o Maia disse, se fazendo de esperto, que o Stedile não acreditaria mais na necessidade da reforma agrária, tentando agregar ao atraso mental do Maia e a defesa do Agrobanditismo, uma falsa declaração do Stedile.

O que o Stedile disse, e continua dizendo, é que esta visão simplista da subsistência , esta
sim está superada. O resto é desinformação do Maia no rastro do PIG.

Claudio Dode

Vinicius Tumelero disse...

Concordo com o Carlos Eduardo da Maia. Creio ser esta uma boa oportunidade de abrirmos um debate produtivo sobre o assunto. Todas as atividades ligadas à agropecuária estão inseridas no Agronegócio, independente de tamanho. Esse debate tem milênios, mas não consigo aceitar a idéia de que para um existir, o outro precisa ser eliminado. Há lugar para todos na sociedade, grandes e pequenos, monoculturas viabilizam-se em grande escala, alimentos básicos necessitando do trabalho mais direto da família rural.
Proponho um debate. Lanço uma pergunta e, a partir dela poderemos avançar na discussão: -Para o pequeno produtor se viabilizar, é necessário eliminar o grande? E para este trabalhar e produzir, pode prescindir dos produtos da agricultura familiar? Aguardo a participação, inclusive do titular deste BLOG. Abraços.

Vinicius Tumelero

deus cego disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fernando disse...

Maia,

Pergunta:

O produto comercializado em feiras ecológicas é resultado do modelo euro-americano, da monocultura? Se a resposta for negativa, está provado que a pequena agricultura produz sim excedente, e principalmente, excedente sob a forma de alimentos e não de ração. Excedente ecologica e socialmente sustentável. Com um apoio técnico efetivo, com uma emater forte e não sucateada por exemplo, pode ainda mais.

o latifundio é a base da acumulação primitiva, a diferença entre tempo de trabalho e tempo de produção assim como a dificuldade da especialização diminui consideravelmente o controle sobre o trabalho, oq gera a expulsão do campones de sua terra, criando é claro, as condições da exploração urbana.~Quando vira lumpem ,deixa de ser exértcito de reserva ai vem os malas da vida falarem," deixa no caMPO senão eles nos assaltam" - até pq inclusive geograficamente a coisa tá dificil -. É, nada como um sistema irracional e dinamicamente insustentavel.

fernando disse...

Faltou uma coisa, a questão do transporte. Agricultura de exportação só potencializa a destruição ambiental, as sociedades devem se auto repoduzir em seus sistemas locais de produção (o máximo possivel), um pouco da lógica do mercado interno. Para isso, e consequentemente garantir segurança alimentar fruto não dependencia, é a questão da produção de alimentos para suprir a própria comunidade local.

fernando disse...

Conclusão:

Tinha que aproveitar essa divida histórica, principalmente fruto de trambique, e partir para expropriação. Teria até amparo constitucional para uma medida dessas. Perde-se uma importante "carta na manga".
Foi triste o ocorrido, como bem colocou o fabricio, mais um passo dado pelo gov. lula ao lado das oligarquias. E, na minha opinião, dos mais graves já dados por este triste governo.

- Reforma Agrária, urgente e necessária!

Carlos Eduardo da Maia disse...

Fernando, sou consumidor da feirinha do Bomfim no sábado. Adoro ir lá e todo mundo ali é pequeno agricultor. São os melhores e mais saudáveis vegetais de Porto Alegre. Eu não sou contra, nunca fui, a agricultura familiar. Ela é fundamental para o equilíbrio social do Brasil e de qualquer lugar do mundo. Mas o que estou dizendo é que o grande empreendimento (não estou falando necessariamente em latifúndio) e a pequena propriedade não são modelos excludentes. Ambos os modelos podem e devem conviver harmonicamente, assim como existe o armazém da esquina, o depósito do maia e o grande hiper super mercado, o diário gauche...

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