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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 27 de maio de 2008


Complica-se mais a situação do tucano Lair Ferst

Em depoimento na CPI do Detran ontem, mas que terminou somente hoje às duas e meia da madrugada, na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre, o empresário e ex-dirigente do PSDB/RS, Lair Ferst (foto) negou ter participado do desvio de pelo menos 44 milhões de reais do Detran. Ele também negou ter qualquer ligação com arrecadação da campanha da governadora Yeda Crusius, o que é comprovado por próprios integrantes do PSDB.

No entanto, o lobista admitiu que apresentou o nome da Fatec para o ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos, e chegou a participar de uma reunião com representantes das duas entidades. Também admitiu que apresentou o nome das duas empresas de sua família, a Newmark e a Rio der Sul, para trabalharem como sistemistas da Fatec no contrato com o Detran. Apesar das três empresas terem sido contratadas, Ferst disse que não teve nenhuma influência sobre a escolha no Detran.

Antes do depoimento do empresário Lair Ferst, os deputados aprovaram ontem a prorrogação por trinta dias da CPI do Detran. Por outro lado, a maioria dos requerimentos para convocar outros depoentes foi negada. Os partidos de oposição acusaram a base governista de não querer ouvir testemunhas que podem colaborar com informações para a investigação da CPI. As informações são da Agência Chasque.

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Ontem, o tucano Lair Ferst afundou-se mais no próprio mundo de ficção e fantasia que criou para simular ser um cidadão de bem, desde que está indiciado por suspeito de ter feito parte da quadrilha que roubou mais de quarenta milhões de reais do Detran/RS.

Em seu depoimento, marcado por tentativas de dar copiosas lições de direito, de contabilidade pública, de microeconomia, de lógica formal, e de eletrônica em telecomunicações, só não provou que é um homem probo e transparente.

Lair Ferst, ex-dirigente estadual do PSDB, passou o tempo inteiro, das dez horas que ficou na CPI, insistindo que não tem nenhuma intimidade pessoal e político-partidária com a governadora Yeda Crusius, numa evidente tentativa de não contaminar o núcleo do Executivo estadual com as suas façanhas empresariais heterodoxas.

Os deputados da Oposição tiveram um desempenho decisivo para evidenciar que o tucano façanhudo de fato controlava as duas empresas – Newmark e Rio del Sur – do qual era procurador com amplos poderes, inclusive para vendê-las ou liquidá-las.

Hoje, os jornais de Porto Alegre, marcadamente pró-governo Yeda, fazem uma cobertura discreta do malogrado depoimento de Ferst, numa prova tácita de que o golpe foi sentido no âmbito da direita guasca, e que a situação política dos atuais ocupantes do Piratini está mais embaraçosa.

A governadora tucana Yeda Rorato Crusius continua se negando a dar detalhes da compra de um luxuoso imóvel particular, dias antes de assumir o Executivo estadual, no final de 2006.

3 comentários:

panoramix disse...

Ontem assisti parte do depoimento do Sr. Lair Ferst. O cidadão é um exemplo claro do novo tipo de gente que este "novo jeito de governar" DEMO/Tucano está criando Brasil afora. O que pensar quando uma pessoa em uma CPI pergunta: Até quando o dinheiro é público Deputado? Vimos até a aproximação da mídia amiga, dias antes do depoimento tentando blindar de alguma forma o amigo do governo, que é patrocinador generoso, brindado inclusive com a preciosidade: "inteligência superior" - bagacerice total e irrestrita! Parasitas terceirizados, quarteirizados que enriquecem do dia para noite após entrar em contato com as pessoas certas nos governos do "choque de gestão". Na realidade é a perda do controle do estado sobre coisas que devem ser públicas e permanentemente auditadas. Um governo de amigos para amigos. Um exemplo claro disto tudo foi o governo FHC e o governo Britto! Nunca os amigos tiveram tantas facilidades! Rio Grande o que estão fazendo contigo!

Anônimo disse...

Até o momento nada foi perguntado sobre as responsabilidades dos anos Rigotto, o terno, quando se consolidou o sistema Detran.A questão que envolve o governo Yeda é apenas o final de um processo, que emergiu simplesmente devido à briga interna de verdadeiros mafiosos.O restante encontra-se blindado: Banrisul, CEEE... O critério de gestão parece ser apenas um: onde está o dinheiro -os "interésses"! O espaço público há muitos anos foi loteado entre políticos do PMDB,PP,PSDB e satélites e representantes da livre iniciativa, devidamente blindados pela mídia, em particular A ZH (que tanto depende de verbas publicitárias). Simon, o Probo, preocupado em salvar a alma, nada sabe , nada viu e nada lhe é perguntado.

Anônimo disse...

Bem observado.
A mídia estava claramente diversionista no dia seguinte ao depoimento. Nada das contradições do homem que nada fazia e muito ganhava. Sobrou até manchete para a Fundação Carlos Chagas!
E dê-lhe encarte sobre os "projetos estruturantes"...

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