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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quem vai controlar os estupradores de menores e os horários dos trens?


O editorial de Zero Hora é uma cusparada para cima

A mídia oligárquica, como sempre, está distorcendo o debate sobre os limites na educação infantil. Toma ao pé da letra, de forma reduzida, uma questão mais abrangente. A intenção é criar um falso debate com o objetivo de alvejar o lulismo com a pecha moral do autoritarismo - tudo o que o lulismo jamais foi.

O governo Lula ao propor punição a quem comete violência contra as crianças, de resto, na maioria dos casos contra os próprios filhos, está cumprindo tratados internacionais que o País assinou recentemente. Mais que isso: cria mecanismos particulares de punição para os que espancam crianças, sejam pais, cuidadores, parentes próximos ou estranhos.

O principal editorial de Zero Hora de hoje é um ranço só contra a medida (correta) do lulismo. Reclama, em nome de uma ultraliberalidade que roça a irresponsabilidade com a educação infantil, que se trata de "uma ingerência indevida do Estado na vida das pessoas".

O editorialista de ZH talvez não saiba, ou esqueceu, que o Estado é a instituição responsável pela organização e pelo controle social. Max Weber, que frise-se, nunca foi marxista, vai mais além, ao garantir que o Estado detém, de forma soberana e irrenunciável, o monopólio da violência legítima e da coerção legal.

Isso significa que a ninguém é dado - nem a jogador de futebol, nem a filhinho de papai executivo de um grupo midiático - o direito de matar a namorada e jogar os restos mortais como repasto a cães famintos, ou de violentar menor usando o celular blueberry ao invés do flácido e inútil pênis. O jogador que alimenta os cães com a carne da namorada, o filho do executivo que - impotente - enfia gadgets sem consentimento na amiga pré-adolescente, o pai que espanca o filho, todos, sem execeção, devem ser punidos no modo previsto em lei e sob a custódia do Estado soberano e seus agentes. Onde está configurado o "viés autoritário e intervencionista do governo na vida das pessoas" como cacareja o editorial do diário da Azenha?

Estado, conceitualmente, é isso e para isso. Ou quem sabe a RBS prefere o anarquismo, que propugna a eliminação completa do Estado? Resta saber, quem controlaria o horário dos trens, como indagou um dia Lênin em debate com os partidários do velho anarquista Piotr Kropotkin (foto ao lado). Quem controlaria os estupradores, mesmo os impotentes, indagamos nós?

Assim, o editorial de ZH é uma cusparada para cima. Não fosse o Estado, a sede do jornal Zero Hora, sito na avenida Ipiranga esquina com Érico Veríssimo, já teria sido empastelado inúmeras vezes, quiça incendiado pela turbamulta ensandecida - politizada ou não.

Coisas da vida.

12 comentários:

Katarina Peixoto disse...

Não tivesse vindo aqui jamais teria ficado sabendo desse, mais um, horror. Esse grupo empresarial age como um delinquente o tempo todo. Em todos os aspectos. Coisa assombrosa. Isso que criticam o ECA, enquanto calam sobre a barbárie do rapazote psico saído de seus berços. Coisa bem feia.

Anônimo disse...

São de causar nojo. Asco.

César Bento disse...

Tentar proibir a violência contra crianças indefesas e dependentes é autoriário. Esse é o raciocínio do PRBS.
COmo está dito no post, o objetivo é atingir o Governo Federal, na falta de algo melhor para atacar. Ao mesmo tempo, é uma prevenção contra qualquer tentativa de "intromissão governamental".A não ser para proteger os ganhos do capital, obviamente.

NITX disse...

A RBS quer o anarcocapitalismo para a elite e o fascismo para o povo.

Anônimo disse...

Tudo é repulsivo: as notícias em si e os posicionamentos da RBS. Intresses monstruosos.

Anônimo disse...

É muita cara de pau dessa maldita rede bunda suja. Qto. ao pequeno estuprador, o sirotsky filhote de um dos donos da rbs, uma boa surra de relho no lombo desse pequeno canalhinha iria muito bem. Nele, nos pais dele e nos avós tb.

Jorge Couto disse...

Deixem de ser alarmistas! Uma palmada nunca fez mal à ninguém. O que tem que se combater são os abusos. Sou de uma geração em que se apanhava de vara de marmelo. E não surgiu nenhum psicopata, nenhum assassino, nehum estuprador por isso. É preciso estabelecer limites.

Miguel Graziottin disse...

Caro Cristovao,
Reproduzi este excelente post em meu Blog.
Obrigado
www.miguelgrazziotinonline.blogspot.com

Anônimo disse...

O José Guilherme Merquior, que era mais liberal do que qualquer dono da RBS, dizia que os liberais que não percebiam o caráter emancipatório que o Estado tem em países como o Brasil não deviam ser tratados como liberais, mas como burros.
Além do Merquior e do Max Weber, esse citado pelo post, o Norbert Elias tem longa argumentação demonstrando como o tal "monopólio da violência legítima pelo Estado" significa diversas deslegitimações de diversas violências, por exemplo, as violências dentro do núcleo familiar. Engraçado que quando a legitimação da violência do Estado se tornou de fato ditatorial - e visivelmente não emancipatória - o Grupelho RBS nunca escreveu editorial. Aí não era autoritário.

Aida disse...

Parabéns pelo artigo! Esse editorial da ZH foi um dos piores que li! O título já sai confundindo punição/leis/direito com palmadas ou violência covarde, que é o caso da violência contra as crianças. Quando se trata de criticar o governo federal, os caras não sentam e pensam nem um minuto. Fazem esse desserviço todo. Deveriam chamar a super nanny! Mas o projeto tem 100% de aprovação entre as crianças, disso estou certa.

daniel caon alves disse...

A RBS seria repulsiva se não fosse um câncer a combater.

Márcio disse...

Excelente! Vou encaminhar.
Só uma ressalva: a idéia de atingir o machismo do Sirtosky-estuprador com uma cutucada também machista (sobre a 'impotência') não me parece boa coisa.

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