Você está entrando no Diário Gauche, um blog com as janelas abertas para o mar de incertezas do século 21.

Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Momento alto do cinema autoral



Interessante e genial. Kubrick capta bem o medo ancestral do homem, nestas imagens de como imaginou o nosso alvorecer, já numa semicaverna. Considerando o Paleolítico Superior (de 30 mil a 10 mil anos atrás), passaram-se mais de 30 mil anos e nós continuamos com esse medo, senão com mais motivos para expressá-lo, no cotidiano.

Você anda por aí e enxerga esse medo na expressão das pessoas, sempre. Isto é inapagável, assustador. Tem alguma falha no processo civilizatório que não faz cessar o medo. Talvez por isso que Sartre tenha dito que o homem é um ser incompleto.

E medroso.

3 comentários:

Jean Scharlau disse...

Assustador isso...

Anônimo disse...

Alguns dias atrás um contato me enviou uma interessante mensagem sobre o escândalo da matéria criminal da Folha fazendo propaganda de produtos e promoções. Foi assim que acabei conhecendo este interessante meio de informação. Logo coloquei nos favoritos e se tornou leitura cotidiana, também para as “coincidências de sensibilidades” que venho encontrando, como a matéria do Pasolini sobre o futebol dos anos 70 (sou italiano permanente no Brasil desde 1996 e em 1970 - aos 10 anos de idade - foi marcado por aquela copa e pelo futebol brasileiro).

Mas a “surpresa de coincidência” que me estimulou para postar este comentário foi mesmo esta de apontar como genial as imagens iniciais do Kubrick em 2001, uma Odisséia no espaço; sendo que - humildemente - sempre ia divulgando a genialidade explicita delas (muitos vieram e lembram do filme, mas poucos lembram deste detalhe inicial...).

Parabéns então pelo blog! Fico ligado aqui da Bahia, com saudade de Porto Alegre, que visitei na ocasião dos dois primeiros Fórum Social Mundial, inclusive aproveitando de hospedagem solidária em ambos os casos conhecendo gaúch@s super-simpáticos.

Alessandro Vigilante
Salvador, BA

Zeca disse...

Sensacional. E a transição do osso girando no ar para uma estação espacial é testemunho inequívoco do gênio de Kubrick. Não lembro de outra cena como esta no cinema, que sintetize tão bem a história humana. Não sei se entendi bem, mas a cena em tela não tem qualquer relação com o paleolítico. O paleolítico foi ontem. Para dar sentido ao filme, estes primatas obviamente situam-se em algum ponto de nossa cadeia evolutiva. Vistos à luz de nosso conhecimento atual, eles são muito mais antigos. Sequer eram bípedes "declarados". Seus movimentos lembram muito os dos chimpanzés. Lucy, uma Australopitecus Afarensis, já utilizava-se do bipedalismo há pelo menos 3,5 milhões de anos. Quer dizer, o bipedalismo precede, inclusive, a manipulação de ferramentas. Esta galera aí tem 5 milhões de anos, pelo menos. Um abraço.

Contato com o blog Diário Gauche:

cfeil@ymail.com

Arquivo do Diário Gauche

Perfil do blogueiro:

Porto Alegre, RS, Brazil
Sociólogo