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Crianças afegãs refugiadas brincam na cidade de Islamabad, Paquistão, em 02/fev/2014.

(Muhammed Muheisen)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O acordo entre Stalin e Hitler


Pacto Molotov-Ribbentrop, de 1939

Recebo mensagem do leitor Gerson B., que se resume a uma pergunta, a propósito do tema do post de ontem sobre a Espanha: "Como foi mesmo e por que aconteceu o acordo entre Stálin e Hitler?".

Meu caro Gerson, de fato no post de ontem não expusemos melhor o famigerado acordo entre Moscou e Berlim. A rigor foi um pacto de não-agressão, com mútuas vantagens - de curto prazo - tanto para os soviéticos quanto para os nazis. Foi assinado em Moscou no dia 23 de agosto de 1939, pelo Ministro do Exterior Soviético, Vyacheslav Molotov, e o Ministro do Exterior da Alemanha Nazista, Joachim von Ribbentrop, por esse motivo passou à história como Pacto Molotov-Ribbentrop.

Para Stalin o pacto com Hitler foi sumamente importante para ganhar tempo e reorganizar a estrutura burocrática e de defesa de sua ditadura. Não esqueçamos que Stalin estava já há vários anos numa cruzada interna de extermínio físico de toda a velha guarda bolchevique que participara da revolução de 1917. No inverno de 1939, quando do acordo com os nazis, só faltava eliminar o velho Pato, como era nominado secretamente Leon Trotski pelos agentes do Komintern e da NKVD (polícia política). O que acabou ocorrendo precisamente um ano depois, quando Trotski é assassinado no dia 20 de agosto de 1940, em seu exílio no México, na casa de Frida Kahlo (de brincos, ao lado de Trotski) e Diego Rivera.

Como disse, o pacto com Hitler foi uma medida astuciosa de Stalin para ganhar tempo. Todos na Europa sabiam que a guerra era uma questão de semanas ou meses. Meses antes, em 1938, Hitler já havia anexado a Áustria e parte da Tchecoslováquia, os Sudetos, com grande população alemã. Sem o menor protesto dos demais países da Europa, especialmente a França e a Inglaterra. Em abril de 1939, o governo fascista de Francisco Franco também foi prontamente reconhecido pelos governos liberais da Europa.

Os expurgos de Stalin compreenderam a expulsão, prisão com trabalhos forçados e, em alguns casos, fuzilamento de cerca de 36 mil oficiais do Exército Vermelho (criado por Trotski) e 4 mil oficiais da Marinha soviética. Foram fuzilados 13 dos 15 comandantes de tropas do Exército Vermelho, bem como expulsos cerca de 60% dos comandos de divisões bélicas regionais da vasta URSS. Nesta altura, toda a velha guarda revolucionária já estava eliminada. Ninguém, nenhum militante histórico e de autoridade revolucionária podia dar testemunho dos crimes do "montanhês da Geórgia", como Trotski - ainda vivo - o chamava.

O pacto com a Alemanha nazista chocou a todos os comunistas, no mundo todo. Nas prisões espanholas, agora sob o terror franquista, muitos velhos militantes comunistas, veteranos da guerra civil, se suicidaram de vergonha e desesperança.

Quero frisar que não sou e nunca fui trotskista, mas é de reconhecer que o velho Pato já vinha advertindo em seus textos, artigos e livros sobre a possibilidade de tal acerto entre Moscou e Berlim. Trotski, no exílio desde novembro de 1927, também vinha alertando sobre o crescimento do partido nazista na Alemanha, durante a década de 20, e para a urgente necessidade de haver uma unidade na luta da esquerda naquele país, empobrecido e ressentido pela derrota na Primeira Guerra. O Komintern, controlado pelos stalinistas, não só não quis promover a política de unidade da esquerda alemã, como classificou Hitler como um "demagogo sem futuro".

Também é de reconhecer que foi o Exército Vermelho, bem como o povo russo e demais nacionalidades regionais, que garantiram a derrota nazifascista na Europa. O Exército Vermelho era composto de 4 milhões de soldados, antes da guerra, mas durante o esforço bélico chegou a mobilizar cerca de 29 milhões de soldados e pessoal de apoio. A União Soviética perdeu na Segunda Guerra cerca de 27 milhões de cidadãos e cidadãs, onde mais de 40% eram civis.

Foto da cerimônia de assinatura do pacto: Molotov está assinando, o alemão Ribbentrop está atrás (com os olhos fechados). Stalin sorri, ao fundo, de traje claro. A fotografia de Lênin, no alto, cora de vergonha. Lênin morreu em janeiro de 1923, por doença.

21 comentários:

Jordi disse...

Quase perfeito o post. Só um adendo em nome da precisão. O exército vermelho não garantiu exatamente a derrota "nazifascista" na Europa, e sim a derrota do Eixo. O fascismo persistiu na península ibérica e cresceu em outros lugares, como a Grécia, com a anuência de stalinistas e "aliados."

marcelo disse...

cristóvão, é um prazer ler o que escreves. se fossem outros tempos, gostaria de militar no mesmo núcleo, célula, frente que tu.

Anônimo disse...

Deveras instrutivo este post.
Gostaria de ressaltar que um fator importante para a afirmação do NSDAP foi seu financiamento pelos Barões da Indústria do Carvão e do Aço FRANCESES e INGLESES. Por isso não houve reação dos governos destes países quando da anexação da Áustria e dos Sudetos.
Antes de qualquer coisa a burguesia européia pretendia construir um isolamento da Europa do comunismo russo e esmagar a experiência comunista e spartakista alemã que, por muito pouco, não derrubou o capitalismo naquele país.

No mais, meus protestos de admiração e respeito a esse blog!

x>> elektrofossile

Anônimo disse...

Deveras instrutivo este post.
Gostaria de ressaltar que um fator importante para a afirmação do NSDAP foi seu financiamento pelos Barões da Indústria do Carvão e do Aço FRANCESES e INGLESES. Por isso não houve reação dos governos destes países quando da anexação da Áustria e dos Sudetos.
Antes de qualquer coisa a burguesia européia pretendia construir um isolamento da Europa do comunismo russo e esmagar a experiência comunista e spartakista alemã que, por muito pouco, não derrubou o capitalismo naquele país.

No mais, meus protestos de admiração e respeito a esse blog!

x>> elektrofossile

Luís disse...

Diante da correção da análise, minha singela saudação à História: Trotsky, além de ter sido um dos principais personagens políticos do Século XX, foi quem melhor soube interpretar tanto o stalinismo quanto o nazi-fascismo, e não por acaso, claro.
Os erros cometidos por ele - quem não os cometeu - não fizeram sombra à sua ação estratégica e visão sobre a humanidade.

Todos de esquerda, se não precisam ser rotulados de marxistas-revolucionários, são Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Gramsci, Che, etc, etc, etc... o avanço da humanidade é um processo - árduo e longo - não um mero rótulo.

Anônimo disse...

e a desgovernada corrupta? usando a desgraça alheia (canela/gramado) pra tentar angariar votos...
ô sujeitinha!!!!

Miguel Graziottin disse...

Quero frizar que sou e sempre fui Trotskista! e Guevarista por consequência!

Anônimo disse...

Belo texto Cristovão, deve-se falar também que parte do exército alemão treinou durante alguns anos na União Soviética antes de eclodir a Seg.Guerra Mundial, segundo um documentário que assistí.
Saudações do Marcelo job

Anônimo disse...

É por esta e por milhares de outras que não se deve dar
corda para comunistas e assemelhados e nem para facistas e nazistas. Se bem que é tudo a mesma coisa, ou seja, o lado 0bscuro da humanidade. Fora PT

Anônimo disse...

Stalin não era flor q se cheirasse? Isso ñ era mesmo.

Mas por outro lado, em nome da recuperação de certos fatos históricos q foram convenientemente varridos para baixo do tapete pela propaganda anti comunista, é preciso compreender em q contexto se deu o "infame pacto" nazi-soviético.
A grande maioria ñ sabe, mas há um outro acordo mais infame q precedeu o pacto Ribbentrop-Molotov. Antes da Segunda Guerra e a medida em q as nações européias percebiam q Hitler se tornava uma ameaça real, alguns países resolveram firmar alianças para se protegerem de um possível ataque da Alemanha. Entre esses países estavam a Rússia, a França e a ex Tchecoslováquia, q firmaram um pacto de defesa em q ficava estabelecido q os signatários socorrer-se-iam mutuamente, caso qualquer um deles fosse atacado pela Alemanha. É importante salientar, q esse pacto demonstra com muita clareza q já havia uma preocupação com a guerra q viria a eclodir, o q deita por terra aquele discurso d q Hitler pegou todo mundo de "surpresa" e particularmente Stalin, como querem muitos.
Se este acordo era, em tese, uma medida preventiva acertada, na prática a conversa era bem outra. Sentindo-se forte o suficiente e percebendo o quanto os países europeus tinham sido pusilânimes em relação aos acontecimentos na Espanha, Hitler começou a chantagear a Europa e a fazer as exigências do "libensraum". Entre elas, por exemplo, estava a anexação dos Sudetos, região industrializada da ex Tchecoslováquia, q fazia fronteira coma a Alemanha, habitada por uma minoria germânica, que, incitada pelos nazistas, exigia sua incorporação ao "Terceiro Reich".

A Tchecoslováquia tentou resistir. Mas, na ânsia de aplacar o "libensraum", Daladier, o chanceler francês, entregou em 30 de setembro de 1938, os Sudetos à Alemanha, no q ficou conhecido como o pacto de Munique, que teve como contrapartida a promessa de Hitler de cessar suas exigências de mais territórios na Europa. Ou seja: Daladier, cujo país era signatário de um acordo de defesa mútua com a Tchecoslováquia, para satisfazer as exigências de Hitler, entregou parte de um país q nem era o seu!!! Tal tentativa de "apaziguamento" só reforçou em Hitler a convicção de q a Europa não reagiria as suas investidas. Tanto q, meio ano depois da assinatura desse pacto, Hitler ocupava a Boêmia e a Morávia, q foram transformados em protetorados sob controle alemão. Quatro dias depois, Hitler invade a Lituânia.
Note-se q o acordo Ribbentrop-Molotov só veio a ser firmado em 23 de agosto de 1939, praticamente um ano depois desse escabroso pacto. Obvio q Stálin ñ iria comprar a briga sozinho com a Alemanha para defender a Tchecoslováquia, o q era, aliás, o sonho dourado do "aristocrata" Churchil, aquele do sangue, suor e lágrimas - dos outros - ou seja, ver a Rússia e Alemanha engalfinhando-se num conflito de grandes proporções e mutuamente aniquilador, q ñ poderia ser mais benéfico para a Inglaterra, ainda uma potência colonial.

Anônimo disse...

Continuação

Sobre isso, vale lembrar um outro fato histórico raramente mencionado, q foi a tentativa de Stalin de firmar um pacto com a Inglaterra, nos mesmos moldes daquele q tinha com a França e a Tchecoslováquia. Para tanto, Stalin propôs engajar um milhão de homens num ataque preventivo a Alemanha. A Inglaterra respondeu a "altura", mandado um emissário com o posto de major a Moscou e propondo o engajamento de...dez mil homens...

Se Stalin já desconfiava da má vontade das chamadas "democracias" da Europa Ocidental em enfrentar Hitler, isso se transformou em certeza com o desenrolar dos acontecimentos. E o acordo Ribbentrop-Molotov, pode-se dizer, foi a materialização dessa desconfiança. Não nos iludamos, o ambiente político na Europa do entre guerras era um verdadeiro baile de cobras.

Além disso, Stalin estava as volta com as consequências da devastadora guerra civil q se seguiu a revolução de outubro, q entraram pelos anos vinte adentro e q tinha obrigando Lenin a instituir o NEP, numa tentativa desesperada de estabilizar a economia pós revolucionária. A crise econômica atravessada nesse período, deveu-se, fundamentalmente, ao caos provocado pela guerra civil. Sempre é bom lembrar, para q se possa aquilatar com mais clareza o q foram aqueles anos, q, além de combater os contra revolucionários na frente interna, os comunistas ainda tiveram q lidar com invasões estrangeiras, como foi o caso do desembarque de tropas estadunidenses e inglesas. A revolução esteve por um fio.

Esse foi, tbém, um período de intensa disputa política entre os próprios revolucionários. Tbém ali se desenrolava um verdadeiro baile de cobras. Não é segredo para ninguém q Stalin e Trotsky ñ tinham a menor simpatia um pelo outro. Stalin, q começou a militar ainda adolescente, era considerado por Trotsky como uma personagem tosca, um "montanhês da Geórgia", como ele dizia. Essa antipatia ñ ficava só no plano pessoal. Devia-se, antes de tudo, a diferença de opiniões q ambos tinham sobre como deveria ser conduzida a revolução. Sobre isso e para melhor compreender o q estava em jogo, é da maior importância lembrar um episódio q foi, praticamente, um divisor de águas sobre o rumo q as coisas tomariam em relações as disputas no plitburo.

Anônimo disse...

Comtinuação

Lenin, percebendo o quanto a entrada da Rússia na I Guerra poderia precipitar as coisas a favor de sua causa, assumiu o compromisso de fazer uma paz unilateral com a Alemanha, caso a Revolução triunfasse. Tendo isso acontecido, Lenin se dispôs a cumprir o compromisso assumido. Mas isso ñ foi tão simples assim. Ele se viu isolado em seu desejo de fazer a paz imediata. Na outra posição estavam Trotsky, q defendia, juntamente com os outros revolucionários, um bizarro estado "nem de paz e nem de guerra" com a Alemanha. Lenin temia, que o ñ cumprimento da promessa q fizera, colocaria a revolução sob sério risco, uma vez q o povo russo, saturado da guerra e em extrema penúria, se voltaria contra os revolucionários com o fizera com o Czar. Isolado nessa posição, Lenin só contou com um apoio: o de Stalin. Alguns autores viram nessa atitude puro oportunismo de Stalin, uma tentativa de ficar ao lado da figura mais importante da revolução. Outros, entretanto, dizem q Stalin, como "animal político" q era, foi movido pela profunda desconfiança q tinha em relação a esquerda alemã, principalmente os socialistas, q enrolaram a bandeira da própria causa, para "chauvinisticamente" desfraldarem a bandeira do Kaiser, quado ada eclosão da I Gerra. Assim, ao lado de Lenin, passou a defender ferrenhamente a consolidação da revolução na Rússia, "dando um tempo" a revolução proletária internacional.

É certo q o "se" ñ existe, as coisas são o q são. Mas se tomarmos como referência os acontecimentos da forma como eles se desenrolaram, perceberemos o quanto foi a certada a decisão de Lênin e o quanto a opção de Trotsky seria catastrófica para a revolução. Era impossível manter aberta uma frente de combate com a Alemanha e ao mesmo tempo lutar internamente contra os inimigos da revolução, q naquele momento ainda eram poderosos. Se a Rússia tivesse condições de fazer uma campanha fulminante e derrotar a Alemanha, ainda vá lá. Mas ñ era o caso e o q veríamos seria uma versão da "guerra de trincheiras" no leste europeu, bem ao gosto dos churchill da vida.
Tal diferença de concepção sobre os rumos q a revolução deveria tomar, principalmente depois da morte de Lenin, só poderiam acabar como acabaram. Não havia lugar para Trosty e Stalin na Rússia. Trosky perdeu a disputa pelo poder e a história a gente já conhece. Como ñ me iludo com a natureza humana, principalmente quando o poder está em jogo, tbém ñ consigo imaginar Trosky sendo condescendente com Stalin, caso vencesse a disputa com ele.

O período q se seguiu a subida de Stalin ao poder, foi de frenéticos preparativos para uma guerra anunciada e q, como já frisei acima, não era descartada por Stalin. Ele pode não ter avaliado o futuro conflito em toda a sua magnitude e em todos os seus desdobramentos. Aí é pedir demais, é achar q o cara era capaz de fazer futurologia. De qualquer forma, as medidas q ele tomou foram fundamentais para o futuro enfrentamento e podemos arrolar o pacto nazi-soviético entre elas, como uma forma d ganhar tempo. Nesse período foram definidas as medidas estratégicas de defesa, acelerada a industrialização da Rússia e foi feita a transferência da base industrial para os Urais, como prevenção a um ataque vindo do oeste. São desse período, tbém, a profunda revisão da doutrina militar soviética q culminou nos violentos expurgos do alto comando. Havia um setor q ainda defendia a guerra hipomóvel, no q Stalin viu ñ apenas uma incapacidade de avaliação, mas tbém uma tentativa de sabotagem (alguns dizem q era devido a sua paranóia) do programa de modernização do Exercito Vermelho. Tudo indicava q a nova guerra seria totalmente mecanizada, ponto de vista ele mesmo defendia ardorosamente. Para tanto era necessária uma mudança radical e urgente na cúpula do Exercito Vermelho.

Anônimo disse...

Continuação

Em relação a Guerra Civil Espanhola, Stalin prestou a ajuda q poderia dar naquele momento, pois q a própria Rússia ñ estava passando por um período de vacas gordas. A bem da verdade, foi o único país q apoiou a República, enquanto as "democracias" da Europa assistiam o conflito de camarote. Não partilho desse ponto de vista d q o papel de Stalin foi decisivo naquele conflito. Não consigo imaginar, por ex, por qual motivo ñ interessava a Rússia a vitória dos republicanos na Espanha. Deve-se considerar, tbém, q a ajuda de Stalin foi dada por alguém que tinha diferenças ideológicas com os grupos q participavam da luta pelo poder na Espanha. Aferrado q era a disciplina partidária, uma característica marcante dos revolucionários russos, é sabido q Stalin ñ simpatizava com os anarquistas, por ex, e seu modo de conduzir a guerra. Ñ me surpreende q ele direcionasse essa ajuda para os grupos com os quais tinha afinidade ideológica e mesmo disputasse poder com os outros grupos. Daí a responsabilizá-lo pela derrota na Espanha, acho um exagero.

Isso me faz lembrar uma passagem de um livro de George Orwell, em q ele narrava como os grupos envolvidos na luta tomavam suas decisões em assembléias no próprio campo de batalha, o q, claro, Orwell achava o máximo, enquanto satanizava os grupos alinhados a Moscou. Isso pode ser muito romântico, mas no campo de batalha tem pouca ou quase nenhuma utilidade. Esse aspecto da Guerra Civil, q é quase santificado por inúmeros filme sobre o tema, a mim parece obedecer mais a uma motivação de ordem emocional do q a uma análise fria do conflito. É ñ entender a natureza da guerra, independentemente da motivação ideológica pela qual se participa dela.
Infelizmente, como já ficou demonstrado na prática, quando se trata de guerra, a ideologia ñ ameniza as questões disciplinares e nem as relações entre os comandos e os comandados. Quem já leu os relatos sobre a guerrilha cubana em Sierra Maestra sabe do q estou falando. Quando era guri assisti um filme sobre a resistência francesa, onde dois jovens, pouco mais q adolescentes foram postos de sentinelas do acampamento da resistência. Os dois acabaram cedendo aos apelos da natureza e, distraídos, não viram a aproximação dos alemães. Descobertos a tempo, os inimigos foram capturados. Aí iniciou-se um "julgamento" dos dois sentinelas, com um grupo pedindo sua execução por indisciplina e o outro negando. Venceu o grupo da punição e os dois foram fuzilados. Isso causou uma cisão entre os guerrilheiros e eu, obviamente, tomei o partido dos sentinela, pois na minha opinião, se alguém tinha q ser morto, era o alemão, pois ele era a "causa" daquilo tudo. Mas essa ñ é a "lógica" da guerra. A "lógica" é q se precisava garantir a disciplina a qualquer custo, pois é dela q depende a segurança do grupo e alguém tinha q servir de "exemplo" por ter descumprido a "ordem". Mesmo considerando-se o fato de q o grosso da resistência francesa era formada por comunistas, gente q, em tese, defendia novas formas de relações com o "poder". Em tese, por q na prática, o papo é outro. Por isso, q nós do campo progressista, devemos ao máximo evitar as guerras, pois sabe-se lá q decisões teríamos q tomar em nome da causa. Mas, por favor, ñ me tenham na conta de um "pacifista" a la Ghandi, por q eu ñ sou. Ñ sei o q é pior: ser um belicista ou um pacifista q fica na retaguarda deitando-se com virgens para "resistir" as tentações, enquanto os outros enfrentam as balas e os porretes.

Anônimo disse...

Final

Com o ataque alemão, a Rússia entra na guerra para valer e deu pra ver q Stalin ñ era nenhum amador. Tendo segurado a guerra em seu período mais crítico, enquanto os "aliados", (usando a desculpa esfarrapada d q ñ poderiam desembarcar na Europa por falta de barcaças de desembarque), disputavam territórios na África com os alemães, a Rússia conseguiu reverter a situação em Stalingrado. Daí para diante, iniciou a expulsão e o aniquilamento das hordas nazistas. Claro q a propaganda ocidental sempre desqualificou esse feito, atribuindo a derrota dos nazistas ao "general inverno", "opinião" essa q é corroborada por uma legião de imbecis. Derrotando os alemães, Stalin assumiu uma posição de força, de tal forma q pode dar as cartas na Conferência de Teerã, onde foi feita, como ficou conhecida, a "partilha" do mundo do pós guerra.

Uma das imposições de Stalin, por ex, sob pena de fazer uma paz em separado com a Alemanha, foi a de q os "aliados" ocidentais abrissem uma frente na Europa, desembarcando no estremo oeste. Isso frustrou os planos de Churchill, q queria fazer um desembarque nos Bálcãs, a "barriga macia da Europa" q ñ tinha outra intenção q ñ a de conter o avanço russo pela Europa oriental. Como os tais "aliados" ñ estavam com essa bola toda e dependiam dos russos para derrotar os Alemães, tiveram q ceder a pressão de Stalin para q desembarcassem na Normandia. Churchill deve ter amargado nessa hora o fato de ñ ter aceito a proposta de Stalin de antes da guerra para conter Hitler, já q, a partir dali, o sol começou a se por no q sobrou do império britânico.

O resto da história a gente já conhece. Sob a liderança de Stalin, para o bem e para o mal e com todos as ressalvas q possamos ter em relação a ele, a URSS emergiu da guerra como uma super potência. Passou, em quarenta anos, da era pré industrial para a era espacial. Mesmo após a débâcle do "socialismo real" a Rússia ainda é uma potência tecnológica e militar, com peso considerável no cenário mundial.

Eugênio

Tupamaro disse...

Nada mais reaça e nazi-fascista do que o discurso do anõnimo das 20.54 Decerto o correto é afirmar viva PSDB, PPS, PP, mas não vale a pena gastar saliva com gentinha assim...

O pacto Molotov-Ribbentrop foi uma grande jogada de Stalin e um dos tantos erros estratégicos de Hitler, pois aquele era o momento certo para atacar a URSS. Embora acredite que mesmo assim seria uma aventura fadada ao fracasso.
Mais do que os comunistas, quem realmente ficou estarrecido com aquele pacto foi a burguesia europeia, principamente a inglesa e a francesa, que durante anos fez vistas grossas à maquina de guerra nazista, imaginando que Hitler atacaria os soviétcos ao invés de Paris e Londres, como ocorreu.
O desembarque na Normandia, o famoso dia D, foi acelerado não tanto pelo que representava de ameaça Hitler, na ocasião a máquina de guerra nazista já estava visivelmente debilitada, mas sim para conter o avanço do Exército Vermelho de Stalin que já de dirigia celeremente em direção a Europa Ocidental.
Um interessante exercício de ficção seria imaginar as consequencias decorrentes do avanço do Exército Vermelho até Paris, por exemplo, ao invés de Berlim. A nata da burguesia europeia ficaria ilhada em Londres ou se mandaria para Nova Iorque? Talvez em ambas cidades. Seria uma espécia de Miami em Londres e NY...

solimeo disse...

os stalinisas estão aparecendo. dizer que stalin não teve responsabilidade na derrota da espanha é ser stalinista e ao mesmo tempo desconhecer a verdade dos fatos. stalin foi o coveiro da revolução, trouxe apenas a rússia do atraso pra ser um país capitalista de estado. como muitos autores já provaram aquilo não foi socialismo coisa nenhuma, foi o desenvolvimento das forças produtivas capitalistas. a queda da urss foi a primeira grande crise do sistema do kapital, o elo mais fraco que se rompeu e levou por diante um regime podre e sem sustentação na realidade, além da corrupção por todo lado. a ideologia stalinista é de dar gargalhadas, é mais furada que peneira, não convence nem um estudante de primeiro grau. o eugenio só não respondeu porque stalin assassinou todos os revolucionários de 17, já que não sobrou nenhum pra contar a história. e porquê krushvev denunciou em 1956, depois da morte do "coveiro da revolução", os crimes de stalin. krushev inventou aqueles documentos revelados no vigésimo congresso do pcus? aquilo é tudo ficção?

Anônimo disse...

Um trotiskista sem poder é um anjo, com poder se transforma nun Stalinista, irmão maior dos Nazistas. Já foi dito e tem gente que não acredita: O demônio Stalin sepultou o Cumunismo. Não vem que não tem. Viva o Anarquismo.

Anônimo disse...

Solimeo

É mesmo? E por q Krushvev ñ denunciou os tais crimes antes?
Alguns autores tbém o apontam ñ só como omisso, mas como participante de tais crimes. Ele tbém era um dos revolucionários de 17 e foi comissário político em Stalingrado, durante a II Guerra. E agora?
Sobre o por q a revolução teria degringolado para uma crise do "kapital", essa tbém é uma questão q vale a pena discutir. Gostaria de ouvir os seus argumentos q convenceriam os estudantes d primeiro grau e espero q a mim tbém, sobre como a processo perdeu o rumo e quais seriam as alternativas para colocá-lo nos eixos.
Esse papo de atirar todas as responsabilidade sobre as costas d Stalin é reducionista. Após sua morte, a URSS teve um bom tempo para dar uma corrigida nos rumos. Por q isso ñ foi feito? Vc passa batido sobre a Guerra Fria e de como isso influenciou a participação da URSS nos acontecimentos do pós guerra. Guerra Fria q saiu de cena mas q está ativa nos bastidores, pois mesmo com a URSS esfacelada, os EUA ainda continuam instalando mísseis nas fronteiras da Rússia, numa "reedição do velho cordão sanitário" pós revolucionário. Lembra do papinho do comunismo como o mal do mundo e d como ele deveria ser combatido sem tréguas e d q quando ele acabasse a paz reinaria entre os homens? O comunismo acabou e o mundo está pior do q sempre esteve. A culpa é dos erros de Stalin, tbém?
E gostaria, principalmente, de saber como os regimes "democráticos", sociais democratas e "socialistas" da Europa Ocidental, Espanha especialmente - q passou pelo trauma da Guerra Civil - e q nem de longe são stalinistas, enviam hoje tropas para o Afeganistão e Iraque, repetindo o mesmo erro dos stalinistas russos. O buraco é mais embaixo.
Quando escrevi meu texto, foi, antes de tudo, para chamar a atenção sobre fatos q considero fundamentais e q são sempre minimizados ou simplesmente desconsiderados.
Gostaria q cv discorresse sobre suas afirmações com um pouco mais do q meia dúzia de frases.

Tupamaro

Confirmas o q digo.
Sobre como a burguesa européia via o nazismo, é interessante dar uma passada de olhos no filme "Vestígios do dia", e prestar atenção nos diálogos dos aristocratas ingleses sobre o nazismo. O filme é uma metáfora sobre a Inglaterra e de como esse pais pagou caro por apostar na fantasia d q Hitler só marcharia contra os "bolcheviques ateus". Em "Nunca te vi, sempre te amei", o q se vê é uma Inglaterra falida no pós guerra, onde a amiga estadunidense manda comida para o amigo livreiro. Não poderia ser mais simbólico. Não faz muito, vi na tv a cabo um filme q ñ lembro o nome e q abordava a questão dos combatentes argelinos, q enfrentam os alemães numa aldeia francesa, enquanto seus habitantes ficam escondidos. Outra bela metáfora.
Parece q tudo o q restou do socialismo, infelizmente, é a possibilidade, mesmo reconhecendo os erros do processo, de nós, q ainda acreditamos, recorrermos as suas realizações para repor determinados fatos e traçar um paralelo com um mundo dominado pela selvageria do capital. A humanidade amargará a destruição dessa opção e o pior de tudo, nem se dá ou dará conta da causa dos males q vivemos e viveremos. O stalinismo é fichinha se comparado ao q vem ai. O futuro é sombrio.

Eugênio

Luís Guedes disse...

Caro Cristóvão, li no sitio socialismo-solucion.blogspot.com uma entrevista com um pofessor americano Grover Furr na qual o mesmo tenta provar por a+b que Stalin não era tudo isto de ruim... Você tem alguma idéia a respeito desse prof. Furr? Se a tem, favor me diga. Parabéns pelo blog e obrigado pela atenção. Luís Guedes.

Cristóvão Feil disse...

Caro Guedes,

Não conheço esse Furr. Mas certamente é mais uma viúva de Stalin, como tantos outros por aí.

Abç.

CF

Luís Guedes disse...

Cristóvão, muito obrigado pela pronta resposta. È oque eu imaginava. Só para inticar (gostaste desta) há um site português resistir.info que tem uma entrevista com um antigo ministro da agricultura da URSS sob Stalin que deita porrada no Khruschev...Obrigado, Luís Guedes.
Obs.: nunca fui stalinista mas acho que, com todos seus defeitos a URSS faz-nos falta.

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