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segunda-feira, 3 de maio de 2010

E o Eros, hein? Virou Tânatos, deu o beijo perfeito


Desbundou. Virou pulsão de morte...

O ministro do STF, Eros Roberto Grau (foto), ex-militante do PCB, preso e torturado em 1972, virou o fio.

Semana passada votou a favor da anistia para os torturadores, sequestradores e assassinos da ditadura civil-militar de 1964/85, seus velhos algozes.

Impressiona como certos indivíduos morrem antes de perder a vida. Eros, um nome da mitologia grega que significa vida, morto, personifica o seu contrário, tânatos, morte.

Tânatos Roberto Grau.

Grau máximo de morbidez.

Como diz o New Order, na canção Perfect Kiss (ouça abaixo): “Meu amigo, ele deu seu último suspiro/ Agora eu sei, o beijo perfeito/ é o beijo da morte".

New Order - Perfect Kiss
Found at skreemr.com

10 comentários:

Blog do Charles Bakalarczyk disse...

Acho que é um caso típico da síndrome de Estocolmo, situação em que a vítima se identifica com seu algoz e pretente conquistar a sua simpatia como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência.
Só Freud explica...

Anônimo disse...

. . . triste fim . . . de uma triste vida . . . inaproveitada . . . soçobrada . . . muito poderia contribuir, mas preferiu o "laissez faire" . . .

Anônimo disse...

Achei de uma nobreza grande a posição do Eros. Seria muito fácil -- e obviamente humano e compreensível -- para ele deixar que os fantasmas do passado influenciassem seu voto.

Mas mostrou que, ao contrário de parte da militancia de esquerda, ele amadureceu, deixou de ser e de pensar como um adolescente, para concluir o óbvio: golpear as leis, seja no tempo que for, é o que faz surgirem regimes de exceção.

Pode parecer contraditório, mas não é: passar por cima da constituição e tentar rever a Anistia seria abrir um belo precedente para massacrarmos cada vez mais o Estado de direito. Fica a reflexão.

Anônimo disse...

Este é um ótimo momento para o
Governo Lula fazer uma análise das nomeações que fez para o STF ao longo desses mais de 7 anos. Houve muitas vagas abertas (sete vagas, sendo uma delas duas vezes; portanto, o Lula nomeou 8 juízes para 7 vagas), mas é preciso constatar que houve muitas escolhas equivocadas. Este julgamento da semana passada mostra bem isso, pois a situação foi a seguinte: um (o Toffoli) não podia votar por estar impedido (e, portanto, não pode ser responsabilizado por não ter votado); dois votaram pela punição aos torturadores (Ayres Brito e Lewandowski); 3 votaram contra (Eros Grau, Carmen Lúcia e Peluso); e um (inexplicavelmente) não votou, porque estava em "licença saúde" (o outrora eleito como "herói do povo", Joaquim Barbosa, que ficou em casa assistindo pela TV). É claro que se poderia imaginar que nem todos os nomeados pelo Lula votassem bem nesta matéria, mas esse resultado (derrota por 3 a 2, com um ausente e um impedido) é simplesmente vergonhoso. Cabe perguntar: quem foram os responsáveis, dentro do governo, por algumas dessas nomeações (como a do Peluso, por exemplo)? Por outro lado, é de se reconhecer que o Eros Grau é um caso à parte, pois ele praticamente virou outro depois que ingressou no STF (como bem apontou o Tarso na entrevista à Carta Maior, o Grau se abraçou às teses do "jurista do III Reich" Carl Schmitt e ... bom, deu no que deu).
Carlos

Anônimo disse...

Falei demais e acabei esquecendo de uma coisa: parabéns pelo "impressiona como certos indivíduos morrem antes de perder a vida". Essa foi perfeita.
Carlos

Anônimo disse...

Interessante: em nome do "Estado de Direito" consagra-se a impunidade para crimes imprescritíveis que figuram como tais na Constituição Federal (tortura, no caso) --- e isso para que, inclusive, agentes do Estado possam continuar torturando e matando (cidadãos pobres) à vontade nas delegacias, sem medo de serem punidos...

Aliás, o cidadão aí em cima não se dá conta de que o "Estado de Direito" tem esse nome porque sua característica essencial consiste em garantir a existência de instrumentos legais que permitam que os cidadãos tenham como se proteger de abusos cometidos pelos agentes do Estado no exercício de suas funções.

Onde a "nobreza"?

Fica a reflexão...

Anônimo disse...

Como assim "passar por cima da constituição e tentar rever a Anistia seria abrir um belo precedente para massacrarmos cada vez mais o Estado de direito"? Passar por cima da Constituição onde? A nossa Constituição diz, no inc. III do art. 5º, que "ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante". E ainda inclui entre os crimes INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA OU ANISTIA a tortura (inciso XLIII do mesmo artigo). Onde então ela autoriza esta imunidade penal aos torturadores? A anistia, que foi produzida por norma ANTERIOR à Constituição, só pode ser mantida no que não contrariar a Constituição. No que contrariar, não foi recepcionada pela Constituição (trata-se, tecnicamente, e segundo a jurisprudência do STF, de revogação, e não de inconstitucionalidade, como seria o mais lógico). Se a Constituição de 88 anistiou torturador, mostre-me onde.

Humberto disse...

Uma avaliação certa por parte do Ministro.
O fórum correto para se discutir a lei da anistia é o Congresso Nacional, não o Supremo.
Uma lei que foi discutida, acordada e votada por meios políticos não é "da conta" dos ministros de quase vinte anos depois.
Bom senso é sempre bom.

Anônimo disse...

Uma lei que foi "discutida, acordada e votada por meios políticos" em uma DITADURA não é da conta de um tribunal constitucional (ou equivalente) de um regime democrático posterior? Esse tribunal não deve fazer a verificação da compatibilidade desse "acordo" com a nova ordem constitucional? Isto valeria para o nazismo ou o fascismo (o italiano, por exemplo) também, em uma situação similar (em uma hipotética anistia "acordada" antes da queda do regime? A verdade é que era, sim, papel do Supremo fazer esta análise, mas a maior parte dos ministros que o compõem não quis fazer ...
Carlos

Azarias disse...

Em 2007, saiu na praça um livro escrito por Eros Grau. A critica do PIG, considerou Eros uma "mente aberta" dentro do STF. Sabem por que? Porque o livro tratava( ou trata) de um triângulo entre três amigos. Nome do livro TRIÂNGULO NO PONTO. Como(êpa!) não li o livro, fiquei sem saber quem come quem.

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