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Foto-legenda:

Gostaria de conhecer o cálculo moral e o balanço ético feito pelo Dr. Marcio Thomaz Bastos para defender e posar ao lado do Cachoeira. O ex-ministro da Justiça do governo Lula sentado com um operador da bandalheiras da direita parlamentar em conluio com a direita midiática. Sentado, defendendo e referendando a conduta pestilenta e antissocial de um inseto político.

Esse Marcio Thomaz merece o desprezo de todos nós. Como foi feito, durante a ditadura, com o cantor Wilson Simonal. Um desaparecimento cívico total e definitivo.





domingo, 23 de maio de 2010

Inconvenientes nos serviços públicos


Veja o que acontece quando se confia nos cronópios. Logo depois de nomearem-no Diretor Geral de Radiofusão, este cronópio chamou uns tradutores da rua San Martin e mandou traduzir todos os textos, avisos e canções para o romeno, língua pouco conhecida na Argentina.

Às oito da manhã os famas começaram a ligar seus rádios, desejosos de escutar os boletins assim como os anúncios do Geniol e do Azeite Cocinero que é de todos o primeiro.
E os escutaram, mas em romeno, de modo que somente entendiam a marca do produto. Profundamente assombrados, os famas sacudiam os rádios mas tudo continuava em romeno, mesmo o tango Esta noche me emborracho, e o telefone da Direção Geral de Radiofusão era atendido por uma senhorita que respondia em romeno às clamorosas reclamações, com o qual se incentivava uma enorme confusão.

Informado disso o Governo Superior mandou fuzilar o cronópio que manchava as tradições da pátria. Desgraçadamente, o pelotão era formado por cronópios recrutas, que em vez de atirar sobre o ex-Diretor Geral o fizeram sobre a multidão reunida na Plaza de Mayo, com tão certeira pontaria que cairam seis oficiais da marinha e um farmacêutico. Salvou um pelotão de famas, o cronópio foi devidamente fuzilado, e em seu lugar se designou um elogiado autor de canções folclóricas e de um ensaio sobre a matéria cinzenta. Este fama restabeleceu o idioma nacional na radiotelefonia, mas ocorreu que os famas tinham perdido a confiança e quase não ligavam os rádios.

Muitos famas, pessimistas por natureza, haviam comprado dicionários e manuais de romeno, assim como biografias do rei Carol e da senhora Lupescu. O romeno ficou na moda apesar da cólera do Governo Superior, e ao túmulo do cronópio iam furtivamente delegações que deixavam cair suas lágrimas e suas identidades onde predominavam nomes conhecidos em Bucarest [foto], cidade de filatelistas e atentados.

Julio Cortázar, "Cuentos Completos", Editora Punto de Lectura, 2004. Tradução deste blogueiro.

1 comentários:

Anônimo disse...

*tradução do google translator

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