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Crianças afegãs refugiadas brincam na cidade de Islamabad, Paquistão, em 02/fev/2014.

(Muhammed Muheisen)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Quebra da Grécia, em parte, se deve aos gastos nas Olimpíadas"


Brasil não pode cometer os mesmos erros

"Quanto ao presente e ao futuro do Brasil, a questão-chave é, mais uma vez, o passivo externo. A estratégia e a política econômica do governo Lula tem implicado crescimento do passivo externo do país. Déficit de transações correntes de US$ 60 bilhões em 2010 significa aumento não desprezível do passivo externo. Esta é uma cessão de direitos que envolvem fluxos de pagamento de juros, lucros e dividendos.

Durante o governo Lula houve crescimento elevado do passivo externo e destes fluxos e, portanto, maiores necessidades de financiamento externo. Este é um problema estrutural e, certamente, fará parte da 'herança maldita' do governo Lula. Cabe, ainda, chamar atenção para riscos futuros associados aos megaprojetos de gastos públicos associados a eventos como Copa do Mundo de futebol em 2014 e Olimpíadas em 2016.

Parte da crise da Grécia é explicada pelos gastos extraordinários provocados pelas Olimpíadas em Atenas em 2004. Em sociedades com frágil institucionalidade, mega-projetos são o fértil campo de cultivo de práticas de corrupção e da incompetência.

Há alta probabilidade que o Brasil cometa os mesmos erros dos gregos (endividamento interno e, principalmente, externo) que quebrarão as finanças públicas e o sistema financeiro brasileiro no pós 2014/16!

Fica o alerta, porque a consequência é o país entrar em mais uma longa trajetória de instabilidade e crise".

Declaração do economista Reinaldo Gonçalves, professor titular de Economia Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista concedida ao portal IHU/Unisinos, hoje.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

2 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

As declarações do economista Reinaldo Gonçalves estão em contradição com outros posts aqui mesmo do DG. A causa da crise grega é mesmo de irresponsabilidade fiscal, não se fez reformas estruturais na economia e na política fiscal grega, o que gerou descontrole de gastos com dinheiro dos outros. A Grécia precisa urgente de uma lei de responsabilidade fiscal.

Anônimo disse...

Pois é, mas quando se fala isso, gente do nosso campo nos aponta o dedo como se estivéssemos cometendo o sacrilégio dos sacrilégios, como se estivéssemos roubando do povo brasileiro a fantasia suprema, algo assim como tirar de uma criança a crença no papai noel.
A formação de um economista permite q ele esmiúce os detalhes q escapam a percepção de um leigo. Mas, tem certas coisas, q bastariam ser avaliadas pela perspectiva do bom senso q já seria suficiente para saber q estamos entrando numa roubada. Primeiro, q um pais com todas as carências como o nosso ñ pode se dar ao luxo de embarcar em delírios de grandeza como copas e olimpíadas. Segundo, q era óbvio q tais eventos abririam um espaço infinito para todo o tipo de oportunistas e de patifarias. Porto Alegre q o diga.
Mesmo assim, Lula, contrariando as mais elementares regras da prudência, insiste em querer nos brindar com os tais "bens simbólicos da humanidade".
Vamos pagar caro por essa aventura. E por incrível q pareça, justamente pela mão do Lula, q se é capaz de protagonismos grandiosos na cena internacional, como foi o caso do acordo com o Irã, tbém é capaz de se deixar seduzir pela vaidade mais rasteira de passar para a história como o responsável por ter trazido a copa e a olimpíada para o Brasil. Poderia passar para a história como o presidente q mais inaugurou escolas, por ex, se decidisse investir na educação a babilônia de dinheiro q está investindo nesse delírio espalhafatoso.

Eugênio

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