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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Venezuela faz experimentos democráticos, diz analista

A proposta de pôr um fim ao limite para a reeleição, que foi apresentada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez (foto), quarta-feira passada, é um experimento positivo e de natureza plenamente democrática, na opinião de Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research (Cepr), um instituto de pesquisas políticas de Washington, de tendência centro-esquerda. As informações são da BBC Brasil.

Segundo Weisbrot, se o projeto de Chávez pode ser taxado de antidemocrático, ''então pode-se dizer o mesmo de Tony Blair ou de Margaret Thatcher, que permaneceram anos no poder, já que não há limites para a reeleição na Europa. Você só sai quando perde''.
''É um experimento inédito, mas um experimento muito democrático. Anteriormente na história mundial, mudanças assim só se deram através de revoluções violentas, quando uma classe substitui a outra.''

Para o co-diretor do Cepr, as salvaguardas democráticas à proposta de Chávez estão contidas na Constituição venezuelana, aprovada em 1999, uma vez que ela ainda terá de ser submetida ao Congresso venezuelano e, depois, a referendo popular.

No entender de Weisbrot, as críticas do governo americano e mesmo de analistas políticos radicados nos Estados Unidos chegam mesmo a ignorar a história americana.
''Algo semelhante já se deu aqui, quando Franklin Delano Roosevelt cumpriu quatro mandatos presidenciais."
Para Weisbrot, se os americanos seguissem o modelo chavista, a democracia no país poderia ganhar.
''Sou contra o limite da reeleição mesmo nos Estados Unidos. Sempre achei que a reforma que limitou o direito à reeleição foi uma das mais estúpidas já feitas no país. Nunca acreditei que se você varrer as pessoas do poder após dois mandatos, isso fortalecerá a democracia. Pelo contrário, não vejo relação entre limites e a democracia. O contrário é que é uma restrição à democracia.''

Weisbrot também faz uma avaliação positiva das demais reformas propostas por Chávez, como a de criar um poder adicional, o Poder Popular, que se somaria ao Executivo, Legislativo e Judiciário, na figura dos Conselhos Comunitários.
''Poderá ser algo muito bom, pois permitiria que as pessoas obtivessem maior controle, em nível local, em temas, como, por exemplo, controle de gastos.''
A proposta de criar a figura de ''propriedade social'' não é vista como um anacronismo nos moldes soviéticos.
''Ele não está falando em se livrar da propriedade privada. O setor privado na Venezuela hoje desempenha um papel maior do que detinha antes de Chávez chegar ao poder. São experiências, mas são coisas pelas quais o povo venezuelano votou.''

3 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

A Inglaterra tem sistema parlamentarista e a qualquer momento o primeiro ministro e seu gabinete podem ser destituidos. Basta o governo perder uma eleição parlamentar. No presidencialismo o presidente tem de cumprir o mandato até o fim ou pelo impeachment que é um processo político extremamente desgastante na democracia. A Venezuela rumo à ditadura. Uma vergonha a mídia alternativa de esquerda e os blogs da esquerda defenderem essa grotesca reforma constitucional de Chávez.

Carlos Eduardo da Maia disse...

E olha só, novamente a idéia dos Conselhos Comunitários que nada mais são do que a participação mais expressiva da minoria participativa, os amiguinhos do rei que terão mais poder, o poder da militância partidária e ideológica. A possibilidade concreta de centenas de pessoas privilegiadas e que não têm mandato popular decidirem o futuro de milhões. Venezuela rumo à ditadura. Essa é a esquerda que se diz democrática e que acha que democracia é valor burguês. Não é. Isso que se tenta fazer na Venezuela não tem nada a ver com radicalização da democracia, mas com consolidação de uma ditadura. A ditadura da minoria participativa.

Juarez Prieb - Flópis disse...

E a mídia oligárquica do Brasil é o quê se não uma minoria participativa. Sete famílias que dizem e desdizem sobre os destinos do País e de todo o povo, que eles chamam eufemisticamente de "opinião pública". A "opinião pública" é a "minoria participativa" da mídia golpista. Nos EUA também tem ditadura do pensamento único. Os dois partidos hegemônicos são de um só pensamento, e a mídia converge também para esse pensamento único. Isso não é também uma ditadura disfarçada por eleições não-livres a cada quatro anos, seu Maia?

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