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terça-feira, 14 de agosto de 2007


BNDES admite que não usa critérios sócio-ambientais ao fomentar negócios predadores

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, vai analisar as denúncias de que empreendimentos financiados pelo banco expulsam quilombolas e indígenas de suas terras. O comprometimento foi firmado durante o encontro do BNDES com a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, que se encerrou na sexta passada, em Brasília.

Na ocasião, Coutinho foi questionado sobre o caso da multinacional Aracruz Celulose, da qual o banco detém parte das ações. Órgãos do governo, como Incra e Funai afirmam que a empresa invadiu milhares de hectares de indígenas no Espírito Santo. O presidente do BNDES argumentou que a estrutura das empresas de celulose veio do passado.

Luciano Coutinho disse que o BNDES incentivará a remodelagem do setor, de forma que seja mais atento aos critérios sócio-ambientais. As informações são da Agência Chasque.

O BNDES é um banco de fomento que pertence ao Estado brasileiro, mas tem se orientado por critérios puramente negociais e financeiros. Tem estimulado empreendimentos das chamadas papeleiras no Rio Grande do Sul e em outras regiões do País. Conforme admitiu o seu presidente, o banco estatal não usa critérios sócio-ambientais quando incentiva com créditos abundantes empresas que predam o meio ambiente e não respeitam as populações que historicamente ocupam os territórios de seus mega negócios.

3 comentários:

Pantaleão disse...

Cristóvão, cabe acrescentar que 40% das receitas do Fundo PIS/PASEP são destinadas ao BNDES para financiar o "desenvolvimento econômico". Só que ao invés de aplicar recursos nas pequenas e médias empresas, este dinheiro vai para os cofres de empresas predadoras como a Aracruz.

Cristóvão Feil disse...

Obrigado, Pantaleão Kalil, pelo aparte colaborativo. Voltaremos ao tema.
Abç.

Jorge Vieira disse...

Destinar recursos de poupança forçada para grandes empresas como as "papeleras" é muito parecido com que ocorre nas agências reguladoras, inclsuive na nossa gaudéria Agergs. Quer dizer, o que a "burguesia nacional" quer (o FHC entende que esse ator não existe) é capturar os recursos do Estado, e tudo isso com riscos mínimos. Tudo em nome da geração de emprego para a plebe rude. Quanta safadeza.

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