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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

terça-feira, 21 de agosto de 2007


A velha polêmica dos sindicatos

Em 1920/21 acontece a candente discussão sobre a relação dos sindicatos com o Estado. Lênin se opôs duramente a Trotski. Este sustentava que o Estado proletário deveria nomear os dirigentes dos sindicatos, argumentando que, dessa forma estaria garantida a unidade entre os interesses do Estado e da classe operária.

Lênin contra-argumentou que não era bem assim: sob o Estado estão diversos outros interesses representados como o do campesinato, por exemplo; além disso, havia a "herança" estatal do velho regime e, mais, a burocracia do novo regime, que são fatores desestabilizadores, em detrimento dos trabalhadores.

Por isso, Lênin propugnava por direções sindicais eleitas diretamente pelos operários, para assegurar um meio de defender seus interesses contra o Estado.

A primeira manifestação pública de Lênin sobre o assunto foi no dia 30 de dezembro de 1920, onde ele faz duras críticas a Trotski pelo seu texto chamado O papel e as tarefas dos sindicatos.

Diante da pergunta, algo ingênua, de Trotski: "para quê defender, e frente a quem defender, a classe operária, se não há burguesia e o Estado é operário?", Lênin, atônito, respondeu que "no programa do nosso partido – documento que conhece muito bem o autor do ABC do comunismo – já vemos que o nosso Estado é operário com uma deformação burocrática".

Aliás, precisamente nesta polêmica, fica enfatizado o caráter de Lênin, que, conforme assinala Hobsbawm, "mesmo depois de Outubro jamais se valeu de sua autoridade dentro do partido e sim, invariavelmente, da argumentação", onde muitas vezes perdia; como nesse caso dos sindicatos. Os dirigentes foram nomeados, como insistia Trotski.

Um dos primeiros grandes erros da revolução de Outubro de 1917.

3 comentários:

Agente 65 disse...

Trotsky vai para a história como o intelectual mais difamado da humanidade, um homem de uma generosidade e dedicação a suas idéias fraterna como poucos. Sua ousadia e coragem de desmarcarar a hipocrisia stalinista e seus crimes. Foi o líder do exército vermelho que consolidou a revolução russa, um herói revolucionário muito adiante de seu tempo.
Escrevo isto, pois penso que a memória de Trótsky não merece um julgamento raso e rápido, mas uma profunda reflexão.

armando disse...

Pelas evidências, se Trotsky tivesse triunfado, Stalin, seria o bom menino, democrático e anjo respeitador. Tudo indicava que Trotsky era muito mais autoritário. Não é Stalin quem acusa. Basta ler Lenin, inclusive na discussão sobre os Sindicatos.

A diferença entre Lênin, Stalin e Trotsky, é que os dois primeiros jamais escreveriam um livro chamado "Minha Vida". Ganha um pirulito quem advinhar de quem é o livro.

Cristóvão Feil disse...

Prezado meia-cinco, aqui não se fez julgamento algum. Nem raso nem rápido. Suponho que sejas inteligente o suficiente para constatar sozinho o que estou afirmando. O blog reporta apenas uma polêmica factual histórica havida entre os dois mais importantes protagonistas da revolução de Outubro. Todas as obras sérias sobre o bolchevismo comentam essa famosa polêmica sobre os sindicatos, onde Trotski errou feio. Entretanto, considerar um erro de alguém não é julgá-lo. De outra parte, eu também tenho as minhas (pequenas, é verdade) admirações pelo "Profeta", entretanto jamais irei usar este blog para entronizá-lo ou sagrá-lo como um santo de gesso do marxismo.
Quem quiser que o faça, eu, não!

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