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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Pesquisa eleitoral em Porto Alegre: novidades

O Pantaleão Kalil manda essa avaliação sobre a surpreendente pesquisa da Methodus, divulgada dias atrás:

A pesquisa do Instituto Methodus realizada em agosto para investigar as preferências dos eleitores de Porto Alegre para as eleições do ano vindouro, apresenta obviedades e novidades.

Primeiro vamos ao que é óbvio: faltando mais de um ano para o pleito 62,6% do eleitorado não escolheu um candidato. Dos que escolheram – espontaneamente, sem indução – outra obviedade: Fogaça desponta em primeiro lugar, com o dobro do percentual do segundo colocado, um rapaz chamado Nenhum. Mas as respostas espontâneas são assim mesmo, sempre descortinando o lugar comum.

Nas respostas às perguntas induzidas por cartão, mostrando os nomes de possíveis candidatos, são apresentados vários cenários que no final mostram a mesma coisa. Vamos selecionar um destes cenários, cujo resultado é o seguinte:

Não sabe – 16,3%

Fogaça – 15,8%

Manuela (PC do B) – 14,2%

Luciana (PSol) - 11,7%

Nenhum – 11,1%

Miguel (PT) – 10,4%

Ônix (DEM) – 8,0%

Vieira (PDT) – 7,2%

Beto (PSB) – 5,3%

Primeiro, cabe destacar o belo desempenho do senhor Não Sabe e a boa colocação do menino Nenhum.

Como a margem de erro da pesquisa é de 3,2% temos três grupos empatados, próximos uns dos outros: Fogaça e Manuela, Luciana e Miguel e, por último, Ônix, Viera e Beto.

A novidade: o fraco desempenho do candidato do PT, partido que nos bons tempos potencializava cerca de um terço dos votos, ficando um potencial de mais um terço para a direita e o restante de indefinidos que decidiam o jogo. Para onde foram os votos do PT nesses tempos de Governo Lula com programa neoliberal e do distanciamento dos movimentos sociais do partido que outrora fôra sua vanguarda?

Para um diagnóstico mais claro será necessário uma série de pesquisas e informações, principalmente quando for mais próximo das eleições. Porém, essa pesquisa retrata um momento em que o potencial eleitoral do PT parece migrar para outros candidaturas que se apresentam como de esquerda (Manuela e Luciana, principalmente) e candidatos que representam os indecisos e insatisfeitos (Não Sabe e Nenhum).

O desfecho deste quadro só será revelado no filme 2008. Que poderá ser uma farsa ou uma tragédia.


6 comentários:

armando disse...

Me agrada o candidato Nenhum. Deve ter um programa de não agredir o povo...

Carlos Eduardo da Maia disse...

Luciana,Manuela e Miguel disputam os mesmos votos. Os eternos 1/3 que votam nos candidatos do PT e da esquerda. Por outro lado,como sempre ocorre, existem os outros 1/3 que jamais vão votar na Luciana, na Manuela e no Miguel. A disputa é pelos outros 1/3 (entre os quais eu me incluo). E tadinho do Fogaça com sua medíocre administração.

Conceição Mathias disse...

As chances do nosso Miguel estão murchando. Lamentável, mas o PT dificilmente vai emplacar essa. O julgamento no STF vai ajudar a deprimir mais ainda a militancia petista e de de qualquer maneira o Miguel está com um discurso que é uma gelatina de framboesa, quando a militancia quer é feijoada bem apimentada. O Miguel, que é meu candidato, precisa primeiro empolgar a militância interna. Mas com esse discursinho chumbreguinha ele não empolga nem o porteiro do PT.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Tem muito tempo pela frente, Conceição, se o governo Lula conseguir fazer o Brasil crescer, aumentar o consumo e a qualidade de vida e, sobretudo, da população mais carente as chances de Rossetto são muito boas. Prefiro ele do que Rosário.

Miguel Grazziotin disse...

Nao esqueçamos do STF, este é o cabo eleitoral, chamado pela direita e que cumprirá seu papel, numa novela já toda gravada e com fim previsto para 3 de outubro de 2008.
A revoluçao burguesa já começou....
Miguel Grazziotin

Carlos Eduardo da Maia disse...

Miguel, 5 dos 10 ministros que denunciaram a quadrilha do Zé Dirceu foram indicados pelo Lula. Não se trata de revolução burguesa, mas da salutar e democrática possibilidade de alternância no poder e da autodeterminação do povo brasileiro pelo sufrágio universal, apesar dos bolsas família da vida (que se fosse pago por outro governo, a esquerda chamaria de compra de voto).

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