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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ex-Osmarina reza no altar dos parasitas


Candidata do PV apoia alta dos juros, que vai drenar 11 bilhões para os especuladores, dinheiristas e demais parasitas em geral

Ontem, num desses telejornais noturnos eu vi a senadora Marina Silva afirmar que apoia a decisão do Copom - leia-se Banco Central, entenda-se sistema bancário-financeiro do Brasil - de aumentar os juros no País.

À Marina Silva nunca enderecei os meus melhores humores e expectativas. Quando petista, ela sempre alinhou-se com a banda mais desbundada, direitosa, não por acaso, o grupo hegemônico do Partido dos Trabalhadores. Religiosa, exonerou-se da devoção católica apostólica romana e aderiu a uma dessas dissidências popularescas do cristianismo, não raro abrigo de aproveitadores ascensionais e "vendilhões do templo", como acusa o sagrado Evangelho de Cristo.

Assim, Osmarina Silva, que por uma razão estética pequeno-burguesa, prefere ser chamada de Marina (eis um traço revelador da sua transmutação de classe, Osmarina talvez soasse muito proletário, será isso?), é um feixe de múltiplas justaposições de classe. De origem muito humilde, vem de um estrato que aspira a proletarização. Proletária, aspira ascender às classes médias. Cultivando alguma culpa por esse ascenso súbito de classe, radicaliza na opção religiosa pelo fundamentalismo pedestre dos evangélicos. Classe média, senadora da República, aspira à presidência, como se um mandato divino a autorizasse e a legitimasse. Mas ela não desconhece as leis férreas do mundo político tradicional, quem ajoelha precisa orar em favor do deus capital.

Marina, ex-Osmarina, ontem se ajoelhou plácida e voluntáriamente no altar do dinheiro, na igreja dos bancos, obedecendo aos cardeais das finanças, e orou com fervor:

- Eu vos adoro, sagrada Providência. Iluminai com vossa sabedoria e infinita bondade essa serva do Senhor. Rogo o vosso óbolo para que esta cordeiro de deus leve a vossa igreja a toda a gente brasileira, nas eleições que se avizinham.

Ainda não sabemos se os bancos entenderam o recado tão piedoso e contrito, e se entenderam, se de fato pingarão óbolos no pires verde da ex-Osmarina.

Coisas da vida.

11 comentários:

checarluxo disse...

teus melhores humores só se dirigem ao teu próprio umbigo.
essa política é nossa: do Lula, da Marina, do Ciro e toda a turma que acha que tem um preço a pagar pela estabilidade para evitar o pior que são os tucanos.
é perversa e pretensiosa tua análise psicológica: abre a tua ficha pessoal e permite-nos avaliar as tuas próprias origens e intenções, professor

Anônimo disse...

É engraçado que o blog parece culpar Marina pela alta dos juros... e ignora quem está de fato com a caneta na mão (há oito anos!): Lula!

Quando Lula acerta, é mérito dele. Quando erra, foi "levado pela conjuntura e pelas elites". Daí fica fácil...

Anônimo disse...

em se tratando de humores o de "checarluxo" está péssimo hoje e além disso rapaz é grosseiro.

vamos em frente!

Maristela

zé bronquinha disse...

Se Marina não fosse mais uma pessoa da turma dos ambientalistas de mercado, ela diria:Benvindo os juros mais altos, encarecendo o preço do dinheiro por que só assim, com menos dinheiro em circulação teremos níveis de crescimento econômico menores, isto é, um desquecimento da economia, que, em última instância representaria menos desmatamento, menos CO2 na atmosfera, menos plástico jogado na natureza, menos agrotóxico nas plantações Mas não é por isso o apoio a elevação da taxa SELIC.É apoio mesmo aos ajustes clássicos promovido pelo governo do PT, partido aliás que ela não deveria ter saído nunca pois é a sua cara!

Cristóvão Feil disse...

Anônimo das 14:32,

Você está cometendo uma injustiça. Se lesse com regularidade este blog saberia que aqui se critica sempre o lulismo de resultados pela manutenção da política de juros altos que deprime o nosso desenvolvimento e só favorece o enriquecimento maior de especuladores, rentistas e banqueiros.

Essa sua opinião deve estar baseada na leitura de outro blog, não deste.

Saudações!

CF

juarez disse...

Mas que a Osmarina apoia esses juros imorais, isso apoia.

Eu também vi ontem na tv ela fazendo considerações em favor da medida pró-especulação.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O DG deveria fazer um curso de economia. Política de juros altos não serve apenas para alimentar a pança do banqueiro capitalista. Isso é filosofia do século XIX. É exatamente aumentando e diminuindo os juros que o Banco Central consegue executar sua necessária política de controle inflacionário. Com os juros mais altos se contém o consumo e, consequentemente, se diminui os financiamentos (diminuindo, inclusive as receitas bancárias, até porque existe no Brasil o depósito compulsório, grande parte dos valores arrecadados e financiados pelos bancos vão parar no cofre do Bacen).

Anônimo disse...

Deixemos o "Maia" comentar a entrevista abaixo:

Luiz Gonzaga Belluzzo – professor da Unicamp


O senhor realmente defende o corte de gastos como alternativa para a política de Meirelles?

Não é bem assim. A atual taxa de juros é uma aberração. O que eu disse é que, tendo em vista a conjuntura de aceleração do crédito e expansão do gasto privado nem o próprio Keynes recomendaria aumentar o gasto público acima do crescimento do PIB. O problema é a aceleração do gasto, mas não o gasto propriamente.



O gasto corrente cresceu acima da inflação, mas somente superaria o PIB se fosse incluída a despesa com juros e outras…

Certo, mas o mercado não considera separação entre gasto corrente e gasto com juros, o que não deixa de ser uma espécie de patifaria. O pretexto do gasto público em alta serviu para o Copom elevar os juros, que têm impacto na própria dívida pública. Mas podemos argumentar que o corte de juros reduziria o gasto público. O próprio aumento da arrecadação (acima da inflação e do PIB) permite um superávit fiscal suficiente para baixar juros mais rápido.



Qual a melhor alternativa ao regime de metas de inflação?
É preciso coordenar as políticas monetária e fiscal. A taxa Selic poderia estar em torno de 6,5%. O pior é que do jeito que está ela desvaloriza ainda mais o dólar.



A inflação realmente preocupa?
Está próxima do centro da meta. A decisão do Copom não foi tecnicamente bem pensada. Pareceu mais uma queda-de-braço, o que não é conveniente para um banco central. É uma atitude pouco madura, que não se justifica. Todo o mercado esperava 0,25 ponto percentual, mas o BC subiu a Selic em meio ponto. Foi um aumento precipitado. Mesmo os industrializados que subiram são em boa medida ligados aos alimentos. A alta atingirá setores que nada tema ver com isso.

ogro disse...

São 11 bilhões retirados do crescimento, do PAC, é mais de um ano de bolsa família, são dois anos de ministério da saúde.
E esse sacrifício somente se deve à onda de factóides criada de véspera pela imprensa acerca da imaginária "crise de crescimento além das nossas possibilidades".
O BACEN pretende fazer acontecer a previsão de Serra de que 2010 seria um desastre.
O BACEN entoou seu canto de cisne da ortodoxia ao brindar a campanha de José Serra com esse freio na economia.
Agora é que ficou difícil tolerar inimigo na trincheira, tornou-se imperioso que Dilma vença por nítida vantagem para mandar clara mensagem ao PIG e o setor financeiro de que o "financial dream is over".

Trick disse...

Pegaste pesado de mais Feil. Quando tuas análises se baseiam em fatos são melhores, quando te deixas levar por inferências como a opção de Osmarina charmar-se Marina, ou de que a opção de ter passado do catolicismo a uma religião evangélica ser uma queda, ou suba, no estilo de vida burguês?!
Há muitas contradições aí, o que um leitor mais atento de Marx deveria entender como características de nossa prórpria civilização de bricolagem. O que de forma alguma diminui Marina, pelo contrário, coloca-a como uma de nós: humana, demasiadamente humana.
Se a contradição é o pecado Capital dos agentes políticos, que atire a primeira pedra quem sente livre dela.

Anônimo disse...

Bem-aventurados os que acolhem de braços abertos a contradição e dela se alimentam, pois deles será (quem sabe?) o reino dos céus da política...

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