

A fotografia da vassalagem e do patrimonialismo
Quase 120 anos de República não foram suficientes para eliminar as relações patrimonialistas no Rio Grande do Sul.
Na sociologia de Max Weber, o patrimonialismo corresponde a um tipo de dominação tradicional caracterizada “pelo fato de o soberano organizar o poder político de forma análoga a seu poder doméstico”.
Raymundo Faoro, nascido em Vacaria (RS), tratou precisamente disso na sua sempre atual obra “Os Donos do Poder”. Só que Faoro, ao não admitir que houve feudalismo no Brasil – o que está absolutamente correto –, não consegue explicar as relações de subserviência e vassalagem como a que se vê na fotografia estampada por ZH, hoje.
Talvez só Lima Barreto (“Triste Fim de Policarpo Quaresma”, entre outros) para dar conta deste fenômeno que faz eco do século 19 em pleno século 21. Lima, através de sua literatura debochada, cortante e com agulhadas anarquistas, fez uma obra ficcional toda ela marcada pela crítica ao patronato político parasitário do Brasil, que mesmo tendo origem nas relações deformadas do Brasil-Colônia e do Império, não consegue ser extinto pela República – ao contrário – têm suas bases renovadas e fortalecidas, até os nossos dias. Vide o fenômeno Sarney e o presente caso da pequena cidade de Agudo.
O curioso é que o jornal ZH – que se pretende “muderno” – não dedique um grão de crítica ao episódio de Agudo, ao contrário, faz a exaltação pitoresca e descompromissada de algo que, rigorosamente, representa o atraso e o retrocesso nas nossas relações sociais.
Ilustração do alto: pintura de Debret. Gilberto Freyre, na obra "Casa-grande e senzala", narra que os senhores de engenho do Brasil-Colônia raramente andavam a pé ou a cavalo, eram conduzidos em redes, liteiras ou mesmo nas costas de escravos negros.
20 comentários:
cada um se identifica e fica a vontade com a época em que foi feliz, de onde fez a sua acumulação econômica ou cultural.
Coisas da vida, como diz o Feil.
A "cidadania" gaúcha carrega o PMDB nas costas, não estaria aí, nessa singela foto, uma explicação para nosso desastre?
é o retrato fiel dessa gente bovina, subserviente, barbaquá e lambe-botas de latifundiários e donos do "pudê" guasca, que vota no pp, pmdb, demos, tucanalhas e em especialidades como a barbitúrica, britto e outras imundícies quetais.
como diria o comenteiro de ludopédio: "arre"!!!
Arre!!!!!!!
Vejam só, Agudo é cidade de colonização alemã. O pobre vivente que carrega o prefeito na garupa é descentente de alemão, louro e de olhos verdes. O prefeito tem sobrenome "Anunciação" tem os cabelos e a pele escura da raça indígena. Isso que é bonito no Brasil de nossos dias. A miscigenação de raças, o descendente alemão que carrega o prefeito moreno na garupa, numa região de colonização alemã. E essas miudezas da vida, que são detalhes bonitos de nossos dias, são criticadas por uma patrulha ideológica que só pensa naquilo, empichar o governo Yeda, que talvez seja culpada pela gripe suína na Argentina do casal K. Francamente.
Sugiro ao El Abobado que assine suas mensagens.
Não tente crescer às custas do João de Viamão.
Aliás, quando merda gruda em meus tamancos, costumo raspá-las para que não fiquem fedendo.
J de V.
Maia, se é para ratificar o post, se demonstras tão claramente o padrão simplório do homem ajustado ao patrimonialismo e aos lugares comuns, porque te judiam tanto ?
Pois é:O LIMA BARRETO(Um "Bêbado" e "Vagabundo")e outros, semelhantes, nos apontam o RIDÍCULO há séculos e esses "comédias" continuam se reproduzindo e pior:tendo assistência!!!!!!!
o que esse joão viadão precisa é de uma boa surra de relho trançado no lombo e nos corno, pra deixar de ser vagabundo, pilantra e ordinário.
baita palhaço fdp, deve ser cc da ordinária, ou uma franguinha tucanalha, ou ambos...
Vocês são muito fraquinhos. O cara vem lá das grotas de Viamão e dá cada surra de moral em vocês que quase me mata de rir.
Beth
...Não sabia que viammão tem GROTA...
RRRRRRRRR...Dizem que este agricultor de AGUDO ,depois ,ficou colado à cadeira...
O pobre diabo que estava feliz cumprindo uma promessa nunca imaginou que seria alvo de uma análise político-sociológica sobre relações patrimonialistas no estado.
Algo faz lembrar-me daquela música gaudéria sobre o Florencio Guerra que preferiu morrer com seu seu cavalo, pois o PATRÃO mandou dar fim ao animal. Este personagem (Florêncio) é o PEÃO perfeito. Morre, mas não argumenta com o PATRÃO, em 'respeito' ao semi-deus.
Patrão, o grande vilão.
" PATRÃO;O GRANDE POLTRÃO!!!"
Cristóvão!
Oportuna as tuas referências sociológicas entorno de Faoro, Lima Barreto,Gilberto Freyre e Weber. SE esses autores fossem lidos, estudados e pesquisados com mais intensidade, certamente, teríamos mais cidadania, em especial, no Rio Grande do Sul, que últimamente, parece ter aumentado os "Burros de Carga".
Enquanto no nordeste o Gilberto Freyre é lido, relido, propagado, aqui, o Raymundo Faoro, é praticamente desconhecido, inclusive, no meio acadêmico é muito pouco lido.
Tb me chamou atenção essa imagem na ZH... Mas achei triste, apenas isso.Uma coisa de servidão. E o prefeito se deixou carregar...
É dose para cavalo este prefeitinho
e há quem goste.
(Essas aquarelas etc.,do J.B.DEBRET são fabulosas em documentação de tudo;arquitetura,gente e costumes com fidedignidade maravilhosa!Acho que tú não encontra uma documentação desse nível em literatura ,por esta não ser tão "fotográfica",digo,tão "descritiva", quanto as pinturas...Para fazer um filme por ex.,tú não necessita mais absolutamente nada!Só talvêz um registro da gramática da época...MAS quem pode afirmar isso é um sociólogo e eu não sou ...)
Postar um comentário