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terça-feira, 9 de junho de 2009

Simonal – Ninguém sabe o (dedo) duro que dei



A propósito da exibição do documentário sobre o cantor Wilson Simonal, que na época foi mais popular que Roberto Carlos, é preciso informar algumas coisas que o próprio filme faz questão de omitir, a saber:


Sobre o caso Simonal


Depois que o Paulo Vanzolini declarou que Simonal se gabava de ser dedo-duro, os produtores do filme “Ninguém Sabe o Duro Que Dei” (segundo Jânio de Freitas, falta a palavra 'dedo' aí nesse título), deram uma resposta. Eles retrucaram ao Vanzolini citando Chico Anysio: que apareça alguém mostrando que foi preso por ação do Simonal.

Ora, para quem viveu e sofreu a ditadura, isso é uma bobagem. Nem todo mundo que delatou está registrado. Não era de esperar, mesmo, que Simonal integrasse os quadros do Dops, no sentido de ser um informante assalariado. Ele era tão ou mais famoso que o Roberto Carlos. Acho mesmo que fazia mais barulho do que RC. Se foi informante, era um que escolheu essa condição, sem paga.

Mas o grande pecado do filme e de toda a imprensa que usa o episódio Simonal para investir contra uma fantasmagórica "esquerda" ou a "falta de coragem da classe artística" é não citar os fatos.

Eis os fatos. No julgamento civil (é bom citar esse adjetivo, já que o país estava sob uma ditadura militar), Simonal levou como suas testemunhas de defesa um oficial do I Exército e um policial do
Dops. O primeiro disse que o cantor era "colaborador das Forças Armadas". O outro declarou, com todas as letras, que Simonal era informante do Dops. Pior ainda: que Simonal fornecera "informações positivas sobre colegas subversivos" (Ruy Castro, em texto citado mais abaixo). Ou seja: era um informante de resultados: não apenas dava o serviço como tudo se comprovava.

Em outras palavras, isso significa que o esperto Simona queria usar o peso dos "homens" para livrar a cara do processo em que se envolveu, sob a acusação de seqüestro e tortura de seu
ex-contador. Ou, em outra suposição, os "homens" o instruíram a assumir essa postura para salvar a pele deles, policiais, já que usaram o Dops para assuntos "estranhos ao serviço". Eles e o
cantor fizeram uma tremenda trapalhada, indefensável perante os chefes da repressão.

A manobra não deu certo. Primeiro, porque Simonal foi condenado a cinco anos de prisão. Está bem, cumpriu somente alguns dias, mas foi condenado. Depois, porque, com isso, tornou públicas suas relações altamente questionáveis com torturadores e afins. Além disso, assim confessou publicamente, e em juízo, que era dedo-duro. Meteu-se numa sinuca de bico. O lado popular
(trabalhadores, intelectuais, estudantes, artistas etc.) naturalmente repudiava os delatores. E o lado que ele escolheu não lhe serviria muito a partir de então. Os "homens" não poderiam forçar os produtores de espetáculos a contratá-lo, se o público não estava mais a fim de ouvir um dedo-duro. Além disso, a confusão perpetrada no Dops também não interessava à repressão.
Simonal ficou sozinho no meio da rua.

A notícia do que rolou no processo saiu nos jornais. Então o Pasquim - publicação de humor e crítica à ditadura - começou a tirar sarro do Simonal, com charges centradas em sua condição
de dedo-duro. Alguns falam que o Pasquim "acusou sem provas". Provas? Mas o sujeito, ele mesmo, não se gabava de ser dedo-duro? Os amigos dele não foram lá e confirmaram suas bravatas?

***

Mas temos de considerar as trágicas ironias dos regimes de exceção. Até aceito que Simonal não fosse exatamente um dedo-duro. Era um cara com idéias do lúmpen-proletariado, deslumbrado pelo poder. Poder, poder. E como os fardados e os torturadores eram os senhores da situação, ele - o grande vencedor das platéias, dono de contratos milionários de publicidade com a Shell - também se sentia um deles. Eis por que se jactava de estar com os homens. O cara não tinha a menor consciência social.

Nesse delírio de poder, ele cultivava "aquelas" amizades e resolveu dar uma lição no contador, a quem acusava de desfalque. Os amigos dele levaram o contador para "acertar as contas" no Dops. Torturaram o homem. Ameaçaram pegar a família dele. Forçaram-no a confessar o roubo.
Eles pensaram que, com o poder que tinham, iria tudo ficar por isso mesmo. Só que a mulher do contador - um viva às mulheres! - praticamente forçou-o a dar queixa na polícia. Aí começou o fim do Simonal.

Com o processo civil que se formou, os jornais divulgaram os fatos. Afinal, o homem era hiperfamoso. Como a coisa fugiu do controle, é provável que os amigos - para livrar a própria cara e a do Simonal -, devem ter orientado o cantor a dizer que era informante. O tonto topou e levou testemunhas "idôneas" para provar isso. Pior ainda: numa comprovação "inequívoca" de que era mesmo informante, disse que o contador era "subversivo". O objetivo disso seria justificar a fato de o sujeito ter sido levado para as dependências da polícia política - não podia ser para resolver uma questão pessoal.

***

Mesmo com a hipótese de Simonal não ter sido exatamente um dedo-duro, as coisas não ficam "limpas" para ele.

Além disso, levanto uma hipótese - que ninguém nunca levantou. Está bem: o cara ficou com a mão na cumbuca ao declarar em juízo que era dedo-duro. Mais uma vez, admitindo que ele não fosse, é claro que ele não poderia negar isso durante a ditadura. No entanto, depois de 1985, ele teve plenas condições de contar tudo. Não o fez. Ficou, o tempo todo, dizendo que não era dedo-duro. E só. Nunca revisitou os fatos, esclarecendo-os.

Se ele realmente estivesse interessado em livrar-se da pecha de dedo-duro, teria feito isso, entrando nos detalhes. Seria o papel dele fazer um detalhado mea-culpa, reconhecendo que na época era um parvo, não percebia o que estava acontecendo e não percebeu sequer que tudo aquilo poderia prejudicá-lo seriamente.

Então diria: de fato, fiz isso, isso e isso. Dei a entender que teria feito isso, isso e aquilo. Mas essas outras coisas a mim atribuídas não eram verdadeiras, por isso, isso e isso. Ou seja: ele já estava tão queimado que só o tim-tim-por-tim-tim poderia ajudá-lo em alguma coisa.

Mas ele nunca fez isso. Em favor dele, pode-se lembrar que, depois de 1985, talvez ele já estivesse muito prejudicado pelo álcool, que afinal o levaria à morte, e não tinha coordenação para defender-se.

De todo modo, ele não se defendeu convenientemente.

Tenho aqui nas mãos o volume (livreto e disco) da "Coleção Folha" 50 Anos de Bossa Nova - Wilson Simonal. O texto do livreto é de Ruy Castro. Eis dois trechos do jornalista e biógrafo:

- Simonal apresentou-se para se defender e, talvez para se garantir, confessou-se "de direita", partidário dos militares no poder.

- Seu nome desapareceu da mídia, suas platéias idem e quase todos os amigos também. Exceções: Miéle e Bôscoli, Elis Regina, Nelson Motta, Carlinhos Lyra, Caetano Veloso, Laurinha e Abelardo Figueiredo, poucos mais. Eles "sabiam" que Simonal era inocente - não podiam imaginá-lo roubando tempo de sua sarabanda de shows, louras e carros para fiscalizar a ideologia de colegas, assunto de que, de resto, não entendia nada. Mas esses amigos se queixam de que nem a eles Simonal se explicou direito.

Ou seja, Simonal poderia ter:

1. contado a esses amigos o que realmente aconteceu;

2. contado em detalhes aos filhos;

3. convocado a imprensa e contado tudo, alegando sua inocência;

4. pedido a ajuda de alguns dos amigos influentes e escrito um livro;

5. gravado um áudio ou vídeo caseiro contando tudo;

6. admitido os próprios erros, gravando uma fita e determinando que só
poderia ser executada X anos após sua morte.


Ele nunca fez nada disso. Apenas repetiu que era inocente. Certa vez foi ao Jô Soares e, ao tratar do assunto, comportou-se como quem tinha algo a esconder, e não a esclarecer.

Tudo que não fosse a verdade detalhada só jogaria contra o cantor. Sempre soaria como: "o cara tem culpa no cartório", tem algo a esconder.

Em suma, discordo respeitosamente dos filhos dele quando propõem que o assunto Simonal se deve reduzir ao grande artista que ele foi. Se eu fosse filho dele, talvez também fizesse as mesmas coisas em favor da memória de meu pai. Mas fatos são fatos. Obter da OAB um
documento dizendo que não há registro de alguém ter sido preso por delação de Simonal - isso não basta para salvar a reputação do cantor. Muita gente entregou pessoas à repressão sem que isso ficasse registrado nos documentos da ditadura. Documentos esses que até hoje não são conhecidos na sua integridade, sem contar o que os militares, decretadamente, destruíram.

Com isso, discordo também dos produtores do filme.

Aliás, há outra gravíssima consideração a fazer: Simonal foi a única pessoa, em toda a história da ditadura militar (1964-1985), a revelar publicamente que era dedo-duro. Isso é terrível, mesmo que não seja verdade.

O cantor foi vítima de sua própria arrogância e falta de consciência social e também, claro, da ditadura. Num momento de democracia, esse imbróglio (admitindo que ele não era, pura e simplesmente, um delator) não poderia ter acontecido.

Agora, a imprensa trata do assunto como se 1971 fosse 2009. Sem a perspectiva histórica, é impossível entender essas coisas. Lembre-se, por exemplo, que o simples fato de acusar falsamente o contador de subversivo poderia levar à morte do acusado. Em 1975, Vladimir Herzog, jornalista, com emprego e endereço conhecidos, entrou voluntariamente
no Dops de São Paulo para atender a uma intimação. Não sobreviveu para ver nascer o dia seguinte.

Artigo de Carlos Machado, poeta e jornalista, exclusivo para o blog DG.

..............

O documentário sobre Wilson Simonal não acontece ao acaso. Integra um contexto de desconstituição da esquerda, especialmente aquela que pegou em armas para defender a volta da democracia, ainda que formal e incompleta. Se juntarmos a essa constatação quase acaciana o fato de que uma ex-militante dessa esquerda se prepara para disputar a presidência da República – com chances efetivas – ano próximo, então o coquetel de veneno anticomunista estará completo.

De lambuja, o filme ainda pretende dar uma chinelada na chamada “classe artística” e nos intelectuais engajados que teriam permitido a “condenação de um inocente” (tadinho!) como Wilson Simonal.

O documentário é peça de artilharia com o qual a direita faz a disputa pela chamada “verdade histórica”.

Por isso, fiquemos atentos: 1964 ainda não terminou.

26 comentários:

Anônimo disse...

Simonal era um artista maiúsculo. Ponto. O resto não interessa.

jorge disse...

um dedo-duro maiúsculo!

W. Oliveira disse...

É isso aí anônimo. O Hitler também tocava piano muito bem! O resto não interessa.

dedusdurisfdp disse...

Isto não é nada! Coisa de esquerdista subdesenvolvido! Ronald Reagan, idolo da direita nos anos 80 foi informante confesso de "colegas comunistas" durante o macartismo, ou seja não houve nada e ponto, o resto é figuração!

Anônimo disse...

Esse tal "contexto de desconstituição da esquerda, especialmente aquela que pegou em armas" tem uma explicação, Feil: passado o furor da redemocratização, olha-se para o passado (e para o presente, no atual governo) com frieza e percebe-se: quem combatia a ditadura não a combatia em nome da democracia, mas em nome de uma ditadura de esquerda. E usava os métodos mais fascistas para defender seu ponto de vista, como mostra o caso Simonal.

Por sorte, a população brasileira está amadurecendo politicamente rápido com ao constatar a incoerência do governo Lula (agenda econômica liberal, aliança com Sarney, etc) e percebendo que a história não é feita de anjos e demônios. Tudo é bem mais complexo.

gustavo disse...

sim, a população está amadurecendo né anônimo?

amadurecer pra vc significa ficar teso na direita, né?

mas, engraçado, porque então Lula tem índices altíssimos de popularidade?

agora vc me deu um nó na minha cacholinha de asno.

Callado disse...

Anônimo do "não interessa", vá dizer isso para um artista que ninguém mais quer ouvir ou assistir. Quem disse "não interessa" foi o público que antes lotava teatros e ginásios pra ver o Simona.
O cara plantou e colheu. Teve que se refugiar no alcoolismo pra poder tolerar a vida ou abreviar a vida, já que morreu com menos de 60 anos, desmoralizado e esquecido.
Esse caso deveria ser objeto de estudo, um fenômeno de rejeição de massa incrível, inédito, sem precedentes. Rejeitar Simonal foi como rejeitar a Ditadura. Essa é a leitura correta do caso simonal.

Jean Scharlau disse...

Excelente análise.

Stringhini disse...

Feil, esse teu bruxo matou a charada Simonal.
Vou ao cinema só para ouvir o negão das louras, nisso ele era bom.
Mas se meteu com a repressão, deduragem, espancamento de subordinados, calaveiragem, deu no que deu. Recebeu a pior coisa que um artista pode ganhar, o esquecimento em vida. Sua morte prematura foi uma espécie de suicídio lento.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Amadurescer é fazer uma leitura ou releitura dos fatos da vida, da história, da forma menos comprometida possível com supostas ideologias e religiões.

Anônimo disse...

POPULARIDADE NUM PAIS QUE TEM 2% DA POPULAÇÃO COM NÍVEL SUPERIOR É PIADA. APOIO POPULAR TROCADO POR MIGALHAS QUE NÃO TIRAM NINGUÉM DA MISÉRIA RESOLVEM ALGUMA COISA?
ME LEMBRA AQUELE DITADO "COMAM MERDA, IMPOSSÍVEL QUE MILHÕES DE MOSCAS ESTEJAM ERRADAS".
PERGUNTEM PARA ESSA GENTE SE ELES SABEM O QUE É A RECESSÃO QUE ACABAMOS DE ENTRAR AGORA.

PERPÉTUA

jim disse...

É mesmo, Maia?

Então vai dizer isso pro Simonal numa mesa kardecista. Corre, guanaco!

Eli Eliete disse...

Muito bem, Cristóvão!
Bela análise.
A Direita está preparando o terreno para fomentar rejeição
à Dilma. A Direita não dorme.
Gostei muito do cometário do Callado:
"O cara plantou e colheu. Teve que se refugiar no alcoolismo pra poder tolerar a vida ou abreviar a vida, já que morreu com menos de 60 anos, desmoralizado e esquecido.
Esse caso deveria ser objeto de estudo, um fenômeno de rejeição de massa incrível, inédito, sem precedentes. Rejeitar Simonal foi como rejeitar a Ditadura. Essa é a leitura correta do caso simonal."
Beijocas da Eli.
(moderadora do Grupo Os Amigos de 68)

Joelho disse...

Muito boa essa materia, muito esclarecedora. A verdade deve ser dita custe o que custar,
A esquerda EXIGE A VERDADE...a direita se contenta com a mentira que conforma.

Anônimo disse...

Belo artigo. Sem importância nunhuma, fui hóspede por algumas vezes a partir de 1970 e, me lembo bem, os torturadores e carcereiros tinham alguns "heróis", como Flávio Cavalcanti, Agnaldo Rayol, e...Simonal,sempre lembrado como um bom sujeito. Foi um devotado aos covardes, por burrice e oportunismo, nesta ordem.

armando

Anônimo disse...

Era caguete sim, era caguete sim, dizem que até no velório o dedão do X9 apontava pra mim.
Hércules

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo que disse que a população brasileira está amadurecendo politicamente rápido. Basta ver o índice de Lula...rs Atenção não sou petista, mas não tem como comparar os tempos de hoje com a era FHC!

E, pelo texto, não tem o que contestar, o homem mesmo disse que era dedo-duro, talvez por alienação ou quem sabe por soberbice. Achava que o regime militar tudo podia. E acabou se podendo... O poder subiu à cabeça.

Mas ninguém aqui levou em conta a sua falta de escrúpulos em levar o contador pro Dops...

cleyton disse...

alguém disse aí em cima: -POPULARIDADE [do lula] NUM PAIS QUE TEM 2% DA POPULAÇÃO COM NÍVEL SUPERIOR É PIADA(...) PERGUNTEM PARA ESSA GENTE SE ELES SABEM O QUE É A RECESSÃO QUE ACABAMOS DE ENTRAR AGORA-. Bom, se é assim, melhor matar logo -essa gente-, afinal, são uns ignorantes, não farão falta. Não, isso daria muito trabalho. Talvez seria melhor fazer uma campanha solidária pra instruir -essa gente- sobre o que é -ressessão-. Bom, mas como? se -essa gente- nem sabe escrever corretamente -reseção-? Putz, assim fica difícil, melhor matar mesmo. Mas e se mandássemos -essa gente- toda pro Paraguay? Afinal, lá, mais do que aqui, a maioria não tem curso superior mesmo; -esses pretos que se entendam-; melhor, mandamos -essa gente- toda pro Borundi, na África, lá, certamente, se sentiriam em casa. Seria perfeito. Aliás, boa idéia essa, os países esclarecidos podiam exportar todos os seus ignorantes que não sabem escrever -recesão- pra um mesmo lugar (quer melhor lugar do que o Borundi? Lá, eles que se entendam). Aliás, anos depois podíamos criar um pacote turístico pra visitar o -parque zooecológico da ignorância-. Putz, mas quem iria ficar pra limpar a merda do meu vaso sanitário? Não, melhor deixar -essa gente- por aqui mesmo, afinal, eles tem seu papel, nem que seja o -papel higiênico-. Então, como -essa gente- não pensa mesmo, são uns ignorantes (não sabem nem escrever -ressessão-), façamos o seguinte: deixamos tudo como está e proibimos todos os que não sabem escrever -receção- de votar. Aí, bom, Adeus Lula e tudo fica a maravilhosa, cheirosa e mesma merda de sempre.

S. Lamarca disse...

Mendelsky, uma das flores do PIG gaúcho , já se adiantou neste discurso de resgatar uma injustiça histórica promovida pela esquerda ! NO PASARÁN !!!

Oscar T. disse...

Excelente texto e análise!! Ótimo! O cara, pelo que vejo, era um panaca que (como muitos de direita na época) se achava acima da lei!
Colheu o que plantou.
Só acho que é direito dos filhos tentar melhorar a imagem do pai.

Anônimo disse...

E respondendo ao deslumbrado que pergunta quem foi o maior cantor brasileiro: temos várias opções, a sua escolha, de Orlando Silva, passando por Elizeth, até chegar a Elis, João Gilberto, Gal, Maria Betânia, Rita (filha da Elis), etc. Chega, ou quer mais? Qualquer um, menos um canalha.

armando do prado

Gilmar Antonio Crestani disse...

No livro Batismo de Sangue Frei Beto conta que o Bispo de Porto Alegre Dom Vicente Scherer, também dedurava. Certamente não ganhou placa do DOPS como dedo-duro, nem por isso deixa de ser verdade. Durante a ditadura não adiantava se queixar ao bispo. Ele também estava ao lado dos ditadores, por isso a necessidade de ficar claro de que lado se estava.

Claudia disse...

Feil, sei que meu comentário entra tarde no debate, mas quero registrar que concordo contigo, ao alertar sobre as motivações da realizaçao deste filme agora: um revisionismo histórico pró-direita, em tempos de pressão para processar torturadores, ao mesmo tempo que desqualifica a esquerda combativa da época, entre ela, a classe artística.
Bom, no RS, a gente vê isso acontecer a cada eleição desde 2002: a direita retomando o poder, através do voto, graças ao papel da mídia corporativa que sempre se manteve fiel à ditadura civil-militar da 64. Afinal, desde aquela época, é preciso "proteger os negócios!!!"

Anônimo disse...

Fogo na esquerda. Ladrões dos cofres públicos.

Anônimo disse...

Deus é maravilhoso, pois a verdade, com justiça sempre aparece. Simonal foi um monstro da música. Sempre cai a máscara da esquerda, mais dia ou menos dia...

Anônimo disse...

Wilson Simonal foi um baita artista, mas deixou a fama subir a cabeça, errou feio e pagou caro, muito caro, mas, acima de tudo, era negro. Se fosse branco, disputaria a posto de rei com RC até hoje, apesar de tudo que fez. E essa história de esquerda e direita é complexa, há muita manipulação de massa e inversão de valores nessa história, mas, basicamente, a direita tinha bem mais podres, isso é certo. Pra mim, o maior cantor da época era Cyro Monteiro. Já Simonal, um artista nos palcos, e um desequilibrado fora.

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