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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A teologia monetarista do presidente Meirelles


Belluzzo diz que não se justifica manter a política de juros altos

Ninguém deve dizer ao Banco Central o que ele tem de fazer para baixar a taxa básica de juros (Selic), porque “isso é uma questão de avaliação” da instituição. A afirmação foi feita ontem pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, durante audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sobre o aumento da autonomia do BC. A informação é da Agência Brasil.

“Às vezes, sinto que há uma espécie de teologia no BC; não é uma discussão racional”, destacou Belluzzo. Segundo ele, tal situação até se justifica em parte, porque “tudo que lida com moeda é um pouco complicado e leva a esse tipo de comportamento, mas é preciso submeter isso a uma discussão racional”.

O economista disse que não se pode subtrair ao debate público uma questão que é importante para o futuro da economia brasileira: “Às vezes, acho que há uma certa suposição de que é pecado falar sobre reduzir juros; mas não é bem assim; é uma questão prática, pragmática, e não podemos tratar isso de forma religiosa, teológica.”

Favorável aos dois projetos de lei do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) que versam sobre autonomia e reestruturação do BC, Belluzzo, que é professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defende maior transparência nas decisões da instituição e acha que os votos individuais no Conselho de Política Monetária (Copom) “devem ser revelados e identificados”. Para o economista, os dirigentes do BC, formadores do colegiado, “têm que apresentar as razões dos votos à sociedade”.

De acordo com ele, “rapidez é fundamental nas decisões de governo”. Por isso é que está em discussão hoje em todo o país a questão da política monetária, na expectativa da decisão que o Copom vai anunciar no início da noite de hoje.

Embora tenha dito que ninguém pode determinar o que o BC deve fazer, Belluzzo comentou que, se o Copom entender que a economia desacelerou fortemente e que o investimento e o consumo caíram, “não seria justificável manter a taxa de juros” no patamar atual, de 13,75% ao ano.

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O insight do respeitado Belluzzo é perfeito. O capital financeiro (do Brasil) criou uma teologia em torno dos dogmas fixos do monetarismo de resultados. O Banco Central é uma espécie de Vaticano, com soberania própria e bulas papais portadoras de orientações aos gentios.

Aos brasileiros pagãos resta crer e seguir as orientações do presidente Meirelles neste enclave religioso fincado no território brasuca.

O presidente Lula é apenas o dirigente secular, mundano, profano do País.

Como se vê o neoliberalismo teve também a propriedade de anular o preceito constitucional de separação entre Igreja e Estado.

A teologia monetarista é o inferno dos brasileiros.

5 comentários:

Samir disse...

Será que o Ricardo Giuliani não irá defender a manutenção ou até elevação da taxa de juros? Só falta isso. A resposta a essa indagação passa por saber se ele também têm como clientes os banqueiros. Assim, como o Henrique Meirelles.

clecio disse...

ESSES PODERIAM SEREM DESTITUÍDOS DO CARGO : YEDA, MEIRELES, SERRACARD, PREFEITOS DO RS(PMDB, PSDB) E SECRETÁRIOS CONTAMINADOS PELAS FALCATRUAS QUE ESTÃO ACONTECENDO NO RS! Exemplo: SECRETÁRIO DA EMATER FICOU 27 dIAS EM ROMA QUEIMANDO DINHEIRO PÚBLICO(NOSSO)! UMA VERGONHA DESLAVADA !!

manolo disse...

A minha opinião:
1- O BC não vai baixar os juros. Meirelles sabe o poder que tem e não vai abrir mão.
2- Lula blefou e vai ter que engolir o blefe, vai recuar mais uma vez. Na verdade ele está nessa posição porque aceitou abrir mão da condução da economia. Mesmo com 70% de aprovação. Isso se chama medo.
2- Não vem boa coisa por aí. Os contratos juros futuros estão abaixo da Selic. Essa distorção da curva precifica desaquecimento pesado da economia. O PIB que veio é um olhar no retrovisor. Vamos ver mais empresas em férias coletivas e algumas férias já virando demissão.
3- Os papeis do tesouro americano fecharam ontem com juro zero. É a preferencia pela liquidez na sua forma exacerbada, sem remuneração alguma. Aqui ela é de 13,75% e +ou- 8% reais. Com as vendas em queda e investimentos sendo adiados, pra onde vai o caixa das empresas? É por isso que a Selic não vai baixar. Ela é o último peru de natal para o grande capital, não só o financeiro. Depois, pode vir a recessão.
4- Lula não quer contrariar o mercado financeiro. Mas sabe que, se a crise pegar a economia real no final do seu mandato, 2014 já era. Entrou na luta com medo. Agora está no corner.

Oscar disse...

Excelente tua análise manolo.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Vejam que Beluzzo é favorável à autonomia do Banco Central, mas essa liberdade (como qualquer liberdade) nunca deve ser absoluta ou "religiosa". Por fim, concordo com a análise do Manolo.

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