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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Jornal já admite quebra da Aracruz


Papeleira não tem como pagar dívida e continuar funcionando

Ontem, surgiu a notícia de que a papeleira Aracruz não chegou a acordo com os bancos credores sobre o pagamento das operações financeiras atreladas ao dólar, o vídeo-pôquer denominado derivativo cambial. A empresa de celulose, responsável pela implantação dos chamados desertos verdes no Rio Grande do Sul, teve um prejuízo de 2,13 bilhões de dólares com a queda do real, há cerca de sessenta dias.

O acordo com os bancos proposto pela papeleira prevê que a dívida de US$ 2,13 bilhões seja tranformada em financiamento de longo prazo, o que compromete 100% do caixa da empresa por cinco longos anos.

Analistas afirmam – eufemisticamente – que a situação da empresa “é muito desconfortável”. Em post publicado neste blog DG em 5 de novembro último nós classificamos o caso da Aracruz como “desesperador”.

Hoje, a “Folha de S. Paulo”, depois de ouvir especialistas e observadores de mercado do setor de papel e celulose, arrisca dizer que a empresa “Aracruz não tem como pagar dívida e continuar funcionando”. O jornal paulistano chega a falar em iminente “quebra” da papeleira, o que “geraria demissões em toda a cadeia produtiva” da celulose no Brasil.

A papeleira não recebeu a imprensa ontem, mas divulgou nota dizendo que o acordo com os bancos deve sair até o próximo dia 11 de dezembro.

De qualquer forma, com ou sem acordo com os credores, a empresa necessita se capitalizar para continuar existindo, seja com que nome fantasia ou razão social que for. Para tanto, deve vender ativos em curto prazo. Investimentos, nem pensar.

Para agravar o quadro dramático da papeleira, o mercado internacional – razão de ser da exportadora de papel e celulose – está se retraindo cada vez mais, os preços caem e a evidente perspectiva de recessão mundial denunciam um quadro desestimulante para a papeleira e todos os que apostaram junto nesta aventura empresarial que degrada os ambientes naturais e empobrece as populações do entorno.

Os jornais de Porto Alegre, ZH e Correio, ignoram completamente o drama terminal da Aracruz, parceiros espirituais e depositários de mega-anúncios publicitários (não raro, disfarçado de matéria editorial), sempre divulgando as “excelências” do business de papel e celulose, agora fazem olho branco para o mico que tentaram empurrar ao senso comum guasca.

Foto: governadora tucana Yeda Crusius priva com um dos diretores da Aracruz Celulose passeio de barco por águas serenas, meses atrás. Clique na fotografia para ampliá-la.

18 comentários:

mário casado disse...

reparem que a véia tá com a lataria inchada de botóx ou proteína botulínica.
o problema que isso vaza pro cérebro, aí ela passa a cometer loucuras.

el barto disse...

é, estamos no aguardo de uma reportagem da zerolixo sobre a quebra da dublê de papeleira e jogadora, bem ao estilo das reportagens-publicidade-incenso dantes divulgadas pelo panfletinho ordinário da rede bunda suja mais ordinária ainda...

Carlos Eduardo da Maia disse...

Podem ficar tranquilos, o investimento em celulose vai continuar no RS. Se a Aracruz for para o espaço (por conta da sua própria irresponsabilidade) vai entrar outra em seu lugar....

edu disse...

Em 1929, nos EUA, quando os bancos se retiraram(na surdina) quem manteve os emprestimos foram as empresas, atraidas pelos ganhos faceis do mercado financeiro.

Quando tudo veio abaixo as empresas ficaram sem capital de giro( utilizado para especular) e quebraram.

Com o mundo consumindo 50% a menos quero ver quem vai comprar os eucaliptos antipaticos...os maias...(barbudos,bebados que moram no banco da praça).

Anônimo disse...

Tem razão. A imprensa local atiçava pela flexibilização das normas ambientais sempre usando uma chantagem: tem que correr porque senão os gringos vão embora e a gente perde nossa "salvação". Enquanto isso, muita gente boa sempre disse que, infelizmente, não iriam, não. O Pampa é uma das últimas áreas ricas e vastas do planeta com clima ótimo para cultivos arbóreos. Só quem não vê isso são nossas otariedades, sempre prontas a passar o pires das doações. Em vez de negociar como quem conta com um trunfo de valor inestimável.

Maurício

Carlos Eduardo da Maia disse...

O mundo não vai consumir 50% menos por conta da crise. O mercado não vai desmoronar. Modelos mágicos não vão triunfar. E tudo vai ficar como antes na casa de Abrantes.

Anônimo disse...

... e o Maia vai continuar mamando nas bolas do segurança do grupinho.

Johnny

zozé disse...

essa é sua oração matinal, Maia?

marcelo disse...

É, pelo jeito foi em vao a queda de braco que o governo Yeda travou com os movimentos sociais. A papeleira se afundou na sua própria ganância.

panoramix disse...

É inacreditável como certa direita ainda acredita em papai noel e na fada madrinha que vai deixar tudo como antes. O mundo desabou, está desabando e por um período ainda impreciso continuará sendo demolido. Acorda "fool on the hill", as paredes ao teu lado estão ruindo e só tu não quer enxergar. O problema ainda não chegou aqui, mas vai chegar e não é marola!

Anônimo disse...

Pois é panoramix!

Enquanto o país era bafejado pela bonança mundial, o nosso ilusionista, com seus olhos vermelhos de pura magia (argh!), espalhava seu espetáculo do crescimento econômico [com certeza para os seus (os dele)], tal qual os seus mentores, o General Bruxo e o Czar da Economia, Fazenda, Planejamento, Agricultura, Assuntos aleatórios, etc.

Em tempos de marolinha (um ano? dois anos? três?), o nosso Mister M, Mandrake ou outro super-herói menos cotado, vai ter que arranjar outro assistente (não vale FHC e nem Bush, pois os truques com estes já esgotaram).

Morales

Anônimo disse...

não entendi, morales

Carlos Eduardo da Maia disse...

Panoramix, a crise vai deixar um excelente legado: cai por terra a baboseira de que o mercado deve ser auto regulado. Os estados nacionais têm que se organizar e fiscalizar os movimentos do mercado. Tem que ter controle e isso é muito positivo. No mais, é muito cedo para se saber os efeitos da crise que não chegou ainda no varejo brasileiro. Tudo o que se lê e que se vê são apostas. Nada mais do que apostas.

edu disse...

O numero de licenciamentos, apresentados pela fenabrave dizem que o brasileiro consome

-23,43% veiculos em geral, em novembro de 2008, comparado com o mesmo mes de 2007...de 404.533 de 11/07 para 309.712 de 11/08. Vindo de uma queda de 5,70% em outubro...(esse maia faz o nosso sucesso).

fonte: http://www.fenabrave.com.br/pagina_dinamica.asp?coditem=51

Anônimo disse...

Esse Maia... me lembra o Bamerindus. Esse Maia tem cada uma ....
Quem vai ressarcir os nossos prejuízos Maia?
Tu?
Tua desgovernadora?

panoramix disse...

Lula fez o que tinha que fazer: minimizar com suas famosas retóricas uma violenta crise econômico-financeira que está esfacelando os países ricos. Parece que momentaneamente deu certo. Ele sabia, é sabe, que não é marola. Os efeitos na nossa vida real são ainda bastante incertos, mas achar que não houve nada, que foi somente um sobe e desce de bolsas e no mínimo mal caratismo. O "Nervosimo do Mercado" (aquele que especula, lembra?) é simplesmente a febre de um metastase câncerosa que corroeu todo o sistema financeiro mundial e está se espalhando para os setores que realmente produzem. Como estancar isto é a questão. O Brasil estava trabalhando certo. Lula, o torneiro mecânico, estava tocando o Brasil no caminho correto e havia crescimento. O problema agora são os outros, literalmente falando. O mundo foi globalizado e esqueceram de avisar aos arautos do liberalismo sem freios que isto poderia dar merda e deu! E agora?

Anônimo disse...

Quando dá merda quem tem uma reserva e sabe o que fazer sobrevive.
Nossa reserva é o equilíbvrio fiscal, baixo endividamento, facilidade de crescimento do mercado interno, o do Mercosul e a substituição das importações de fora da América Latina.

Omar disse...

Enquanto isso, na coluna da Denise Nunes do Correinho de hoje:

QUEM DIRIA

Apesar da situação que vive a empresa, o presidente da Aracruz, Carlos Aguiar, foi eleito um dos líderes setoriais pelo Fórum dos Líderes Empresariais.

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