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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Adib Jatene defende exame de ordem para formados em medicina


Nos EUA, essa avaliação é feita há quase cem anos

O ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, que presidiu a comissão do Ministério da Educação responsável por supervisionar a qualidade dos cursos de medicina, defendeu hoje a criação de um provão para ser aplicado aos estudantes no final do curso. A informação é da Agência Brasil.

A avaliação seria semelhante ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil que é obrigatório para o exercício da advocacia.

“A escola que prepara mal dá o diploma e os Conselhos Regionais de Medicina funcionam como cartório. Registram o diploma e dão a carteira profissional autorizando o exercício. Isso precisa ser corrigido”, defendeu.

Ele argumentou que nos Estados Unidos, desde o início do século 20, os alunos são submetidos a um exame obrigatório para o exercício da profissão.

“Aqui no Brasil esse problema já vem sendo discutido há muito tempo. Em 1988 isso foi proposto, mas houve uma grande reação por parte dos alunos e dos sindicatos. Passaram-se quase 20 anos e aos poucos vai se consolidando a idéia de que é preciso esse exame. Tanto que em São Paulo, por exemplo, já há vários anos se faz uma avaliação não-oficial que tem resultados insatisfatórios. Na última edição, 61% dos alunos não se saíram bem”, explica o médico cardiologista Adib Jatene.
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Aqui no RS, muitos dirigentes de corporações médicas são contra exame de ordem para formados em medicina. Preferem continuar reivindicando ajuda federal para “Universidades” caça-níqueis. E ainda insistem que médico (ou médica) com apenas o curso de graduação, sem mestrado nem doutorado, deva ser reverenciado como “doutor/doutora”.

Coisas da vida.

15 comentários:

Maurício Santos disse...

O uso do "Dr(a).Fulano(a)" é uma tradição no ocidente. Nos EUA, na França, na Inglaterra, Alemanha etc. se chama o médico(a) por doutor(a). É uma reverência sim, porque esta profissão/função tem características muito especiais: lida com doença/saúde/vida/morte. Intervém diretamente sobre o corpo e isso cria uma relação peculiar entre médico e paciente. A formação básica (sem residência)dura 06 anos em tempo integral e mais plantões nos últimos dois anos da faculdade, isso não é pouco, em termos de horas de formação (sala de aula + prática hospitalar e ambulatorial), equivale fácil a uma graduação de 4 anos + mestrado e sobra bastante. Depois tem a resiDeñcia médica... Em todo o caso, no Brasil, todo mundo é "doutor", por isso não acho que faça qualquer diferença. Eu, que sou médico, não uso o "Dr." nos meus receituários, no carimbo, na placa da porta do consultório e nem no meu avental, acho bobagem, mas entendo que é uma tradição que tem razão de ser e não, simplesmente, uma espécie de expressão inadequada de poder ou arrogância. Quanto ao exame de ordem, boa idéia se for bem feito. No RS o exame da AMRIGS cumpre razoavelmente essa função, é bem exigente e seletivo, mas realmente não tem o poder de impedir que os mal colocados exerçam a clínica básica, só impede que entrem nas residências médicas (especializações). Agora,numa boa, falar mal dos médicos é fácil e virou moda...

Maurício Santos disse...

ps - fiquemos bem longe do sistema de saúde dos EUA (na verdade, da ausência de um real sistema de saúde). Não use os EUA como exemplo em termos de políticas de saúde... o fato de eles fazerem este exame lá significa muito pouco...

Anônimo disse...

Olha só a importância do Diário Gauche: fez um texto com críticas e um agente corporativo respondeu imediatamente.

Os médicos e os "datas vênias" são os grupos mais corporativos que trafegam em nossa vida. Infelizmente somos dependente deles e custam muito caro.

Anônimo disse...

Qualquer um forma-se médico "Doutor", basta ter pai ou mãe ricos para pagarem uma faculdade caça níquel. Agora, saber exercer a medicina são raros. . . o bom mesmo é se formar (em festas) e passar a clinicar cobrando consulta particular a um precinho módico de R$ 120,00 por paciente e resto que se exploda, com diria o Exmo. Dep. Justo Veríssimo. Tem que ter exame sim, estão com medo de que??? Quem tem competência passa em qualquer exame. . .

Anônimo disse...

Além da RBS, agora Cremers está de olho no Feil.

Parabéns.

Jean Scharlau disse...

Gostei do comentário do médico Maurício Santos. Natural que faça a defesa de sua profissão, apresentando argumentos inteligíveis e, importante, se manifesta favorável ao exame. Não vi corporativismo pragmático para além do trivial aí.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O presidente do Simers, Paulo Argolo, na entrevista que concedeu à Radio Gaúcha não disse expressamente que teria de haver ajuda federal para a Ulbra. Ele disse que se a Ulbra fosse um banco o governo federal viria rapidamente socorrer...

el barto disse...

e exame mental pra impedir que destrambelhadas assumam governos, qdo. vai ter?

Anônimo disse...

Concordo com o exame e acho que é justíssimo. Eu que sou formado em advocacia (embora não exerça a profissão) fiz o exame da Ordem e passei com folga.

Considerando que o serviço de um advogado não coloca a vida de ninguém em risco (na maioria dos casos) e um médico sim (na maioria dos casos) penso que além de justo, é necessário.

Nunca tive problema com imcompetência de "doutores" (expressão que não uso sequer com os meus médicos, costumo tratá-los pelo nome ou sobrenome) pois costumo ter referências antes de qualquer procedimento. Mas e quando não tiver essa chance? Posso cair nas mãos de um incompetente recém formado!

Prova sim!

Marcelo

Anônimo disse...

CALA A BOCA MAIA!!!!

claudia cardoso disse...

Pois eu tenho as minhas dúvidas em relação a exames de ordem de qualquer espécie. Acho um absurdo um bacharel de direito não poder exercer a sua profissão, porque não passa na prova da OAB. Não há relação direta entre conhecimento + probidade e ser aprovado em tais provas.
Precisamos é de investimento nas universidades públicas, reorganizar currículos, aumentar o nº de suas matrículas e acabar com faculdades caça-níqueis.

Oscar disse...

Cara Cláudia, já penso o oposto; tem que haver "exames de ordem" ao menos nessas duas profissões, médicos e advogados; uma lida c/ vida e morte, outra c/ liberdade do indivíduo. Ambas c/ esperança. Quando estou em frente a um jovem médico do meu plano de saúde penso: "será que ele será bem formado, será especialista no meu caso?" Sei que ele está ali por indicação de um médico-professor amigo ou porque só enviou curriculo e obteve OK p/ clinicar. É muita responsabilidade. Sabemos que nem todos formados (qualquer área) são iguais, uns são ótimos outros medianos e uns fracos.

Anônimo disse...

E se o "exame da ordem" virar firula?
Não é mais fácil atacar o mal radicalmente, ou seja, fiscalizando as faculdades?

Eduardo Analista de Sistemas disse...

Dr. Maurício:
Essa formação toda dá direito ao profissional médico de reinvidicar cumprir apenas 20 horas em concurso público de 40 ? Ou 10 horas em concurso público de 20? Ou achar normal prestar concurso para igual salário de outros profissionais de curso superior mas ter de pronto só metade da carga horária?
Porque no SUS brasileiro só o que funciona são procedimento$ de alta comple$$idade e medicina básica é um fracasso ?
Essas constatações estão de alguma forma interligadas por algum tipo de comportamento profissional ?

Maurício disse...

Caro Eduardo, você, definitivamente, não sabe do que está falando. Antes de escrever este tipo de coisa, por favor, vá se informar. A realidade de SUS no Brasil é extrememente rica e complexa.O SUS funciona e é um sistema invejado mundo afora apesar de problemas, distorções e desafios contínuos. Eu trabalho 40 hs/semana no SUS, com dedicação exclusiva e ponto eletrônico (com identificação de digital)... Como é fácil jogar pedra na Geni. Felizmente, quase todos os dias, recebo a gratidão de algumas pessoas que atendo, e é a opinião delas a que mais me interessa o resto é generalização e me fica a sensação de agressão gratuita e má consciência.

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