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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

sexta-feira, 14 de março de 2008



Jornalismo sub

William Waack estava todo prosa no Jornal da Globo desta madrugada. Não é pra menos. O apresentador da TV Globo entrevistou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice (foto). Waack mal podia esconder a excitação em servir ao Império. Num momento como esse fica muito claro que a Globo não está preocupada em fazer jornalismo. Não me refiro ao reportariado, que em geral é bem intencionado. Mas a direção da empresa força demais a barra. Waack não fez perguntas, levantou bolas para a entrevistada cortar. E quando falava de Chávez ("É possível trabalhar com Chavez?", que espécie de pergunta é essa?), não conseguia dissimular aquele sorriso cretino de quem acha que está abafando ao espinafrar um terceiro - só que foi uma cretinice pública.

E o momento alto da pseudo-entrevista foi quando a secretária imperial passou a discursar sobre respeito às instituições democráticas e trabalhar para o desenvolvimento do seu povo. Em vez de questionar essa hipocrisia que qualquer secundarista bem informado saberia reconhecer, o muito bem posicionado empregado da TV Globo, maior emissora de televisão do país, simplesmente passou à próxima pergunta: "É possível trabalhar com Chavez?". Está ficando cada vez mais difícil encontrar uma edição dos telejornais da Globo que não rasgue o juramento profissional do jornalista. Ou que, em casos como esse, não ignore completamente a História.

Comentário de Marcelo Salles, no blog Fazendo Media.

6 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Considero Waak um dos bons jornalistas da Globo. Não vi o programa, mas a pergunta, É possível trabalhar com Chávez é para lá de pertinente. Está querendo ele saber ( e nós também) se seria possível alguma aproximação entre o governo dos EUA e Chávez. Qual o problema de uma pergunta dessas? E o que a história tem a ver com isso?

Anônimo disse...

Além da cretinice da pergunta, da postura subserviente, típica de capataz de fazendo do senhor, procurou saber da opinião da "imperial perola negra" sobre a Bahia. E aí veio a torrente de lugares comuns e bobagens, típicas do dono falando de suas propriedades. Realmente, dignidade e honra é como gravidez: ou está ou não está. Waack para bobo da corte do mês.

armando

Carlos Eduardo da Maia disse...

Não inventa história, Armando!!!

Armando disse...

Essa história de subserviência é escrita diariamente por pessoas que não se dão ao trabalho de sopesar dignidade e necessidade de trabalhar. Portanto, infelizmente, não é inventada. É o caso de alguns funcionários da Globo e do serviço público do RS, SP, etc.

armando

Anônimo disse...

Também percebo a falta de um conhecimento da História! A História nos afasta do senso comum e da alientação. A História é um conhecimento fundamental para entender a conjuntura presente, sem falar na história de vida de cada um. Por que será que tem alguns que se encomodam só ao ver a palavra História?

Anônimo disse...

Dignidade, honra... Que papo medieval...

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